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Archive for fevereiro \26\UTC 2009

O Grêmio de 2009 é melhor que o time de Mano que tomou cinco do Boca em 2007. O Grêmio de 2009 é, inclusive, melhor que o Grêmio de Roth que entregou a rapadura para o São Paulo no Brasileirão do ano passado. O Grêmio de 2009 tem o melhor goleiro em atividade do país, três zagueiros que são tão bons com os pés quanto com a cabeça – algo fundamental em times com três defensores -, dois alas rápidos, técnicos e insinuantes e acaba de ganhar com Adílson um volante mais eficiente que Willian Magrão; além de meias e atacantes complementares. O Grêmio de 2009 tinha tudo para estrear na Libertadores empilhando gols na Universidad, do Chile. E nem essa comunhão de fatores, nem os 33 mil torcedores azuis, nem a ajuda de alguns zagueiros de “La U” que fariam corar até o comunista poeta Neruda foram suficientes para que o gol de Miguel Pinto fosse maculado.

 

Logo em seus primeiros movimentos a partida encaminhou-se para um arremedo de treino ataque contra defesa. Afora um escanteio no primeiro minuto, quando os chilenos foram soberanos e Vitor salvo por uma furada monumental, o goleiro gremista manteve-se um espectador privilegiado do jogo. O restante da primeira etapa foi marcado pela profusão de oportunidades desperdiçadas. Rever cabeceou duas vezes e a bola costeou a trave em ambas. Souza esforçou-se para errar a goleira de uma distância semelhante a um pênalti depois de passe de peito do Jonas. Tcheco obrigou o arqueiro chileno Miguel Pinto à intervenção rasteira. Jonas fez fila no flanco esquerdo da defesa sub-andina, jogou para o fedor e viu a bola ser retribuída do mesmo fedor e encaminhar-se mansa para a lateral. E Tudo isso em apenas treze minutos. Não haveria como manter tal intensidade o jogo todo. E o Grêmio diminuiu o ímpeto. Povoou a área chilena em jogadas pontuais, como chute na trave de Souza. Mas já sem a mesma energia.    

 

O fim do primeiro tempo ensaiou um gosto amargo no canto da boca dos gremistas. Notem, apenas no canto da boca. Ainda se acreditava na vitória. Os pedidos tornavam-se mais comedidos, um golzinho basta, meio gol, vá lá!

 

Pois o gosto amargo era o prenúncio de que pouca coisa mudaria. A novela do primeiro tempo repetiu-se, e com os mesmo atores: Jonas, Tcheco, Rever, Ruy alternavam-se em chances impossíveis perdidas ou impedidas de efetivarem-se em gols por Miguel Pinto. Mas a mais impressionante delas perdeu o centroavante zen budista Alex Mineiro. Tcheco ensaiou um olhar enviesado para o bandeirinha e se fez de louco para o passe de Ruy, no que logo se configurou como um corta-luz magnífico – não fosse a bola chegar aos pés de Alex Mineiro com o gol escancarado em sua frente, o bandeirinha poderia duvidar das reais intenções do capitão gremista. Enfim, Mineiro livrou-se do goleiro, enquadrou o corpo e chutou com a displicência de um Romário e o talento de um Warley. É provável que a bola nem chegasse a sair, o que provocaria risos e o constrangimento do atacante, mas um zagueiro chileno atirou-se sobre ela e empurrou-a para um digno escanteio. 

Alex no Tibet antes de vir jogar futebol no Brasil

Alex Mineiro, ainda criança, no Tibet

De resto, pouca coisa vale comentar. A atuação impecável e convincente de Adílson, que deve assegurar a titularidade, já que a concorrência resume-se aos inofensivos Makelele e Orteman. A expulsão de Marcel Diaz aos 26 minutos do segundo tempo, que pouco adiantou a um Grêmio já afoito e ansioso. E a certeza de que o cinco a zero era o placar mais adequado para o jogo.

 

O Grêmio de 2009 é melhor que o de 2007. E o Grêmio de 2009 estreou como estrearam os times campeões de Espinosa e Felipão: sem vencer. Para quem acredita em superstição, mais uma para apegar-se. Como não é meu caso, aguardo o jogo do dia onze de março, na Colômbia, contra o Boyaca Chicó. Para, enfim, comemorar um gol do Grêmio na Libertadores.

 

Foto: site img.olhares.com

Guilherme

 

 

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“A soberba, a prepotência e o descaso derrubam; mas a queda ensina. E quando nos levantamos, somos ainda mais fortes”

Norberto Guimarães, Cônsul do Inter, em Guaíba –  e meu padrinho de casamento

  

Considero o Inter o time mais europeu dos brasileiros. Alguns, de início, me jogarão pedras, atirando dezenas de argumentos regionalistas, estufando o peito e ressaltando o orgulho de ser gaúcho. Concordo com a maioria deles. Mas, ao meu ver, o que diferencia o Colorado dos demais brasileiros é a mega-estrutura que gira em torno do futebol. Além de ser um dos poucos clubes que mantem a folha – e que folha – salarial em dia, tem plenas condições de montar o plantel mais qualificado do Brasil – talvez se equiparando a um o outro time do centro do país.

 

Mas como consegue isso? Com uma diretoria que cuida bem de suas finanças e com o apoio dos sócios. Tirando o velho continente, o Inter é o clube com mais sócios do planeta, com pouco mais de 82 mil pessoas cadastradas. Muita coisa.

 

Em cinco anos, a mensalidade aumentou em mais de 100%. (para se ter uma idéia, segundo analistas de mercado, a projeção da inflação (IPCA) para 2009 é de 4,37%). Os valores se elevaram vorazmente, em contrapartida, os resultados também. Em nível internacional, foram os melhores da história quase centenária do Inter. Por isso, não há qualquer reclamação ao acréscimo nas mensalidades. Justo.

 

E por quê estou dizendo tudo isso? Sinceramente, ainda não consigo assimilar a derrota para o União Rondonópolis, ontem a noite, pela Copa do Brasil. Busco refúgio nas palavras do Norberto, tentando justificar o injustificável.

 

Fazendo uma analogia “sexológica”, entendo que os atletas do União estavam tendo uma libidinosa noite de carícias e intenso prazer com Juliana Paes, enquanto o Inter, maduro, dava mais uma cravada cotidiana, após 20 anos de casado. O tesão dos adversários era bem maior, talvez a partida da vida de todos eles. Não importa. No jogo de volta, o Inter amassará com facilidade a equipe liderada por Odvan, contudo, o sinal amarelo foi aceso.

 

O Colorado tem jogadores de ótima qualidade em todas as posições – talvez ainda careça na lateral-direita; tem dinheiro para investir em vôos fretados para maior conforto dos atletas e outras regalias; tem uma torcida apaixonada e tudo para um ano do Centenário vitorioso; mas está na hora de começar a jogar futebol.

 

Ao enfrentar o único adversário pouco mais qualificado no ano – GFPA -, a equipe de Tite teve grandes dificuldades e venceu graças as qualidades individuais do grupo. No papel está bom, mas no campo tem que melhorar. E muito.

 

Agora é levantar a cabeça, esquecer que tem o melhor plantel e jogar bola.

 

E, segundo previsão do Gordo, voltar ainda mais forte.

Fabio

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Enquanto Odone lamenta a propaganda perdida para as eleições de 2010 e Duda se faz de louco e procura espelhos para ajeitar o mullet ralinho e cinzento que tira a atenção da careca eminente de meio século vivido, o ex-bigodudo Celso Roth tenta encaminhar um time pra Libertadores. A labuta é menos onerosa do que em 2008. O grupo de jogadores possui mais alternativas do que o vice-brasileiro.

Victor continua seguro. Ainda não foi exigido como deve, mas mostrou nas poucas partidas que as defesas impossíveis prosseguem em 2009. A zaga foi reforçada. Rafael Marques é melhor que Pereira. Ruy é melhor que Paulo Sérgio. Anderson Pico e Hélder nem merecem ser mencionados. Fabio Santos e Jadílson brigariam por vaga em qualquer outro grande time brasileiro.

O meio-campo também ganhou alternativas. A perda de Carioca foi minimizada pela confirmação de Souza no setor. E Diogo, Magrão e o clone de Lucas regado a Tody que parecia não vingar, Adílson, dá sinais de bom futebol e de que as cãibras recorrentes de temporadas pregressas foram sepultadas.

Até no ataque Roth dispõe de matéria mais valiosa do que Marcel, Pereia e Reinaldo. Alex Mineiro ainda restringe-se a assistências – mas o faz em abundância de qualidade e quantidade -, Herrera logo entrará em forma e Maxi Lopez é ainda uma esperança turva para a Libertadores, mas é uma esperança. Há sempre maior chance de confirmação quando se cobra de alguém com reconhecida qualidade. E Maxi é centroavante. Conhece a grande área. Não é craque. Não é jogador de seleção – embora já a tenha frequentado. E sabe como deve se movimentar próximo ao gol.

O Grêmio de 2009 é mais forte ou igual ao Grêmio de 2008 em todas as posições. Basta que Odone resolva-se com a plataforma para a reeleição como deputado de 2010, Duda solucione suas desavenças com câmeras e mullets e os demais dirigentes mantenham-se em suas devidas funções, eficientes e silenciosos, para que a campanha na Libertadores seja satisfatória. A voz soberana no estádio Olímpico sempre deve ser a da torcida gremista.

Guilherme

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 Já fui esquerdista, falso comunista, idolatrava o Che, entendia que o Chavez era um enorme sabidão e tinha plena convicção que o 11 de setembro era um mal necessário. Cresci acreditando em ideologias retrogradas, vomitando argumentos falidos, tendo a certeza que iria mudar o mundo.

 

 Aos poucos, fui abandonando minhas cartilhas até chegar ao ponto de não entender como tinha certos posicionamentos na minha vizinha juventude. Nunca imaginei tantas mudanças durante tão abreviado tempo. Um único sentimento permanece intacto: o de ser Colorado.

  

Recordei de tudo isso ao chegar na Casa Colorada, no domingo, 8, para assistir o 1 º Gre-Nal de 2009. Lembrei de todos os gre-nais da minha vida, dando destaque para o gauchão de 1997 – época de vacas magras para os colorados, bem no momento em que voltamos a ter a hegemonia do Estado. Por incrível que pareça, estava sóbrio – sorvi uma duas caipirinhas, o que, com o meu organismo tarimbado, não faz diferença alguma.

 

 Absorto, olhava para todos os lados. Casa cheia. Policial, músicos, contadores, publicitários, artistas, loucos, comunistas e reacionários, todos ali. Vestindo o mesmo manto, esperando ansiosos o toque de bola inicial. Como era a primeira vez na Casa, me prendi nos detalhes estruturais do estabelecimento. Enquanto percebia detalhes das luminárias colocadas ao chão, com uma pequena proteção para evitar problemas com os bebuns de plantão, ouvi a voz de um integrante da Popular que não é do movimento islamita extremista nacionalista, mas, conhecido como Talibã.

 

 -Vai ser 2 a 1.

  

Agora estava tranquilo.

 

 Até poderia ter me exaltado como os outros colorados da minha volta, quando um dos torcedores gritou gol no momento em que o D’Alessandro batia a falta na tv – devido ao intervalo de tempo nas transmissões de rádio/payperview. Deveria ter ficado brabo com os comentários esquálidos do gordo, sobre a permanência do Índio, após a falha primária que originou o gol deles. Mas pra mim, tudo era festa. Só esperava o segundo gol. E ele veio no finalzinho, momento em que alguns já estavam desacreditados.

  

Em uma arrancada brilhante, após a rebatida de Índio, Taison saiu em velocidade atravessou o gramado como um guepardo e lançou para Nilmar. Nesse instante, veio a tona o lance do gol do Fabiano, em 1997. Galguei um degrau e comecei a gritar, tendo a certeza do gol. Em meio a tapas, socos e abraços, só lembro de ter grunhido “igual, igual”. Após comemorar com os colorados mais próximos, percebi um senhor de meia idade já, – naqueles tempos conhecido por Bitoca – que ia no bus, na época ruim do Inter e não me contive e dei uma gravata.

 

 – Me lembro de ti no Scaranto em 97…. É nos de novo, porra.

 

 Creio que ele não entendeu muito. Pelo menos eu sabia que agora era só esperar terminar a partida.

 

 Nos minutos finais nem me apeguei muito no jogo. Fiquei pensando na força do Inter, em poder unir pessoas tão diferentes: mais a frente, o prefeito; pouco atrás, a ala feminina; no fundão claro, a Popular Guaíba; e espalhados pelo pátio, pessoas de diferentes áreas, etnias, condições sócio-econômicas, tendo como principal elo o amor pelo nosso Colorado.

  

Nunca tinha ido na Casa Colorada. Confesso que estava bem receoso, porque na Refinaria sempre dava Zebra. Mas em um local aconchegante, pé-quente, a Casa conseguiu reunir a família colorada de Guaíba, reavivando algumas lembranças que já estavam guardadas no baú do esquecimento.

 

 Fabio

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