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Posts Tagged ‘Centenario’

Maior e mais infernal formigueiro do mundo

Maior e mais infernal formigueiro do mundo

 

Conta a fabulinha imbecilóide que inventei agora – uma adpatação tortuosa do meu subconsciente, que recorda as dezenas de fábulas que me contaram no tempo em que escrevia cartas pro Papai Noel – que, em um bosque muito distante, um leão (no meu bosque há leões!) foi informado pelos Deuses dos Animais que, na semana seguinte, iria ocorrer um terremoto devastador, solicitando, para o bem geral do Bosque, a ajuda da fauna local para carregar a maior quantidade de alimentos possível para a 50 quilômetros dali.

 

Com isso, como já era de se esperar, ocorreu o caos entre a bicharada. Os tigres começaram a reclamar e xingar o leão, argumentando que ele seria incompetente, os guepardos afirmavam que moravam no Bosque por toda vida, sendo “Bosqueiros de Coração”, e seria uma afronta ter de participar de algo para fugir de um terremoto.

 

Em meio à confusão, uma formiguinha solícita carregava sob as costas uma grande folha esverdeada.

 

– De que adianta tu carregar isso, ó ser insignificante – criticou o ancião Tigre de Bengala. – É bem provável que não vamos conseguir escapar do terremoto.

 

– Se vai adiantar, não sei. Mas estou fazendo a minha parte.

 

***

 

Nos próximos dias, iremos atingir a incrível meta de cem mil formiguinhas no quadro social Colorado. Sendo sincero com o nobre leitor, que perde tempo de trabalho, ludibria com esmero o chefe, tudo para fazer uma visita por aqui, confesso que nunca levei fé em tal projeção. Mas as formiguinhas foram se unindo e os municípios se engajando no 1% proposto pelo Projeto Rio Grande Vermelho.

 

Eu, meio que duvidava, mas junto com o Consulado de Guaíba, fui buscando mais e mais sócios. Hoje podemos dizer que terminamos de carregar nossa folhinha. Pouco mais de 1% dos cidadãos guaibenses são sócios colorados. Fizemos a nossa parte. Todos os colorados estão fazendo a sua. Algo jamais visto na história deste país, como diria o representante mór da República.

 

O primeiro terremoto veio contra o MSI. Se o Beira-Rio fosse um ônibus da Expresso Lago ‘Empilho quantos passageiros quiser’ Guaíba, até acreditaria que todos os sócios colorados tivessem condições de assistir à final no Estádio, mas a direção tem uma responsabilidade exemplar, e qualquer besta sabe que, num local que tem 56, não cabe 98. Simples. Por vezes, alguns ficarão de fora – para o bem de todos –, o que melindra alguns torcedores que “ameaçam” deixar o quadro social.

 

A diretoria colorada está adaptando um novo software para maior controle das carteiras vermelhas, o que é um bem para ambos os tipos de associados. Então, não deixe de fazer a sua parte. Continue pagando suas mensalidades em dia e vire sócio colorado. Apenas R$ 22,00: R$ 0, 73 por dia.

 

Assim como a laboriosa, sábia e persistente formiga, não deixe de fazer a sua parte.

 

Foto: site do Inter.

 

Fabio

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A direita, o articulista do Tisserand FC, Bekinho, comanda a Popular Guaíba

O articulista do TFC, Bekinho (D), comanda a Popular Guaíba

 

   

Colorado (a)

 

Caso você esteja lendo essas palavras é sinal de que temos algo em comum. Ao entrar nesse Galpão, você optou por celebrar o Centenário do Internacional, junto de centenas de colorados de Guaíba.

 

Para nós, é uma honra. Obrigado pela presença.

 

Mas, nesta da histórica, queremos um pouco mais de ti, Colorado. Nas próximas horas, pedimos uma entrega total ao Inter. Desprenda-se das amarras do dia-a-dia, esqueça as mazelas do cotidiano e deixe as aflições do cheque especial e contas a pagar do lado de fora deste gaudério galpão, que hoje transformou-se em nosso Tempo Vermelho. Vamos encher as mesas de alegria, as cadeiras de boas vibrações, formando uma corrente Vermelha, que irá ganhar forças junto as dezenas de festas Coloradas pelo resto do Planeta.

 

Hoje, Colorado de Guaíba, estamos fazendo história. Desfrute do almoço como se fosse um manjar em homenagens aos nossos eternos. Bodinho, Oreco, Claudiomiro, Falcão, Fernandão e todos os outros craques alvirrubros que selaram em seus corações, o Centenário Escudo Vermelho.

 

Pense que, enquanto estiver em um despretensioso bate-papo, estará fazendo-o em saudação aos inúmeros títulos do Rolo Compressor e aos craques da década de 70. Ao entrar na fila do buffet, perceba quantos coloradinhos estão surgindo. Alguns nem entenderam bem a importância do Mundial FIFA. A nova geração, sem dúvida, é Vermelha.

 

Esta tarde será para relembrar o nosso passado, Colorado. Um passado cheio de glórias, de Títulos, de Tudo. No momento em que estiver sendo sorteado um brinde, recorde do maior presente de nossas vidas, que culminou com o gol do Gabiru.

 

Somos vitoriosos, somos Primeira Divisão, somos de Guaíba. Para celebrar esta data magna Colorada, muitos de nós, sorverão uma cervejinha em saudação ao Inter. Para estes, por favor, não dirijam. No entanto, nas rotineiras idas ao banheiro, lembre o quanto amassamos o nosso rival. Todas as goleadas, todos os títulos e todas as humilhações. Após, volte revigorado.

 

Nas últimas semanas, nossos dias tiveram mais de 24 horas. Por vezes, perdemos horas de sono para organizar esta grandiosa festa para ti, Colorado de Guaíba. Neste início de tarde de 4 de abril, mostramos mais uma vez que Guaíba é e sempre será Vermelha.

 

Agradecemos a tua presença e aos nossos patrocinadores que tornaram esse sonho possível. Para encerrar, deixamos mais um pedido: quando formos cantar o Hino Colorado, cante alto, forte, com amor, com euforia, lembrando de todas as alegrias que o Inter nos proporcionou.

 

Os fundadores colorados já não estão mais entre nós. Mas permanecerão sempre em nossa história e no bi-centenário, é bem provável que não estejamos mais por aqui. Hoje é o nosso momento, Colorado. Vamos realizar a maior festa esportiva na história de Guaíba, cantar o Celeiro de Ases como nunca cantamos na vida e voltar para casa com o sentimento de dever cumprido.

 

Fabio

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Hora do sorriso. A Monalisa do Beira Rio

Hora do sorriso. A Monalisa do Beira Rio

 

Colorados e demais torcedores que visitam o Tisserand FC: esta noite que está prestes a entrar é mais que histórica, é única, é nossa.

 

 

Com a organização do Almoço Centenário, em Guaíba, não tive tempo de fazer um texto das dimensões que a oportunidade pede. Logo, vou deixar aqui um texto do meu colega de Histórias coloradas II, Emanuel das Neves, que dispensa comentários.

Abaixo desta Obra, as 10 vitórias mais marcantes em minha vida.

 

 Mestre,

Não sabemos onde te encontras agora, mas temos a convicção de que manténs lugar cativo no círculo destinado aos precursores das grandes coisas. Na certa, tua mente brilhante e ávida faz par com as de vultos nobilíssimos, orbitando em searas de alta ordem, empenhando-se em labores de inimaginável importância. Assim, de antemão, desculpe-nos por tomar teu tempo – se é que aí há tal medida.

 

Mas a verdade, mestre Henrique, é que aqui o quarto mês do ano já chegou e pôs-se a caminhar. Logo ali à frente, suplantará o seu terceiro dia, presenteando o peso de um século dos nossos à maior das tuas obras. Sabe-se lá em quais tarefas tens te embrenhado por aí desde que prematuramente partiste, em que projetos – decerto magníficos – dispensaste tuas atenções nesse período todo. Mas se tiveste a oportunidade de acompanhar o andamento do prodígio que ajudaste a nascer, percebeste o quanto crescemos desde a época da Rua Arlindo.

 

É provável que, na arrancada de nossa epopéia, tu não pudesses vislumbrar um horizonte tão maravilhoso quanto o que veio a se concretizar. Pois saibas, mestre, que tudo se deu à reboque do teu idealismo. Os preceitos que nortearam tua vida e teus atos estão impregnados naquilo que um dia tu chamaste de Sport Club Internacional. Escondida por trás das 13 letras do nome do clube que amamos, sustentando o brasão campeão de tudo neste planeta, existe toda a série de valores que moldaram tua conduta e tua forma de pensar.

 

Quando a pena rubricou teu aval na ata fundamental da instituição que agora torna-se secular, tu – talvez sem imaginares – preenchias o requisito positivista de perenizar-se pelo feito. E não paraste por aí.

 

Se puderes, corra a linha do tempo até um domingo qualquer e admire o estádio lotado. É um portento, grandioso demais até no nome. As multidões se vão até ele em carreira, acodem-se em verdadeiras e intermitentes procissões. Há na velha arena da Padre Cacique, por onde quer que se mire, toda a sorte de simbolismos coletivos e particulares. Cada pedaço do Gigante abriga em sua memória centenas de pequenos milagres e tragédias, de confissões, promessas e êxtases hieráticos – muitos vividos sobre joelhos quedados no cimento, sublimados em rostos traçados por lágrimas. Sentando-se em qualquer ponto, vê-se o chão cor de esmeralda e seus arcos brancos – e eles sugerem tudo de mais bendito que possa haver.

 

Não seria um templo, mestre Henrique?

 

Quem defende o clube que tu criaste possui uma maneira única de enxergar a vida: toda ela à mercê do Internacional, ao sabor dos seus desígnios. Há a verdadeira dependência pela camisa cor de sangue, armadura da alma, manto obrigatório em nossa liturgia – e vesti-lo constitui-se genuflexão bastante singular. Há a reverência eterna a Pirilos e Tesourinhas, Larrys e Bodinhos, Figueroas e Falcões, Tingas e Fernandões, figuras a quem encaramos em pleno torpor, marejando os olhos – e, misteriosamente, nos parecem carregar halos sobre a fronte. E o que seriam os cantos senão verdadeiras chaves místicas, conexão instantânea com nossa essência, preparando a atmosfera em átimos, impelindo-nos força indizível? O Celeiro de Ases em uníssono é praticamente um transe coletivo.

 

Não seria um culto, mestre Henrique?

 

O clube altruísta e igualitário que tu imaginaste, a instituição sem barreiras de qualquer tipo, que abriria a porta do esporte a todos, confirmou e extrapolou os seus propósitos. Democraticamente, aceitou simpatizantes de toda a espécie, instaurando novos paradigmas, exatamente como tu determinaste. Porém, não se poderia prever que, uma vez identificado ao Clube do Povo, o colorado não encontraria mais opções: pegaria-se controlado pela ditadura da paixão vermelha, envolvido a ponto de nada mais importar, preso e fiel ao solitário dogma de amar o Internacional sobre todas as coisas.

 

Graças a Deus.

 

Mestre Henrique, tu superaste Castilhos e Comtes, criaste tua própria doutrina. Hoje, somos mais de oito milhões de adeptos do Coloradismo de Poppe, na vertente única do amor irrestrito à Academia do Povo.

 

Na aurora do primeiro centenário do Sport Club Internacional, a nação alvirrubra agradece ao seu fundador por ter criado a nossa razão de viver.

 

Muito obrigado, mestre.

 

Em nome da centenária família colorada.

Emanuel das Neves

 

Vitórias:

 

 

10 – Inter 4 x 1 Palmeiras – Brasileirão de 1992 ou 1993. Meu primeiro jogo. Dispensa comentários.

9 – Inter 5 x 2 Paraná – Copa do Brasil de 2008.  Uma das viradas mais emocionantes que vi no Gigante.

8 – Inter 1 x 0 Palmeiras – Brasileirão de 1999. O Jogo do apagão. Matamos o Felipão e seguimos na Primeira.

7 – Paysandu 0 x 2 Inter – Brasileirão 2002. O jogo da mala preta? Não sei. Só sei que Librelato é eterno.

6 – Inter 1 x 0 Grêmio – Gauchão de 1997. Fabiano cachaça “lesionado” entrou e matou eles.

5 –Inter 5 x 2 Grêmio – Brasileirão de 1997. De novo Fabiano, o melhor jogo da carreira.

4 – Inter 8 x 1 Juventude – Gauchão 2008. Histórico. Arrebatador. Salve Clemer.

3 – Inter 2 x 1 Al Ahly – Semifinal do Mundial, 2006. O início da conquista. O jogo-do-ombrinho-do-pato

2 – Inter 2 x 1 São Paulo – Final da Libertadores, 2006. Um dos melhores jogos da minha vida. Sobis destruiu.

1 – Inter 1 x 0 Barcelona – Mundial Interclubes, 2006. Um dia sem fim, uma noite sem fim. Uma vida eternamente grata por ter presenciado este momento.

 

Foto: Globo Esporte ponto com.

 

Fabio

 

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Um vale de lágrimas vermelhas

Um vale de lágrimas vermelhas

 

 

Conforme prometido aqui, hoje inicia as postagens sobre os 30 jogos do Inter que marcaram a vida do articulista Fabio Araujo. Não necessariamente se tratam dos jogos mais importantes, apenas os mais marcantes, seja qual for o motivo. Serão três postagens divididas entre derrotas, empates e vitórias. As atualizações ocorrerão nos próximos dois dias.

Equipe Tisserand

  Derrotas

 

 10 – Bahia 5 x 4 Inter – Uma derrota feliz, pois garantimos a vaga na Copa do Brasil.

 

9 – Palmeiras 1 x 0 Inter – Segundo turno do brasileirão 97. O juiz inventou uma falta e o Viola marcou de cabeça. Ali começou a desandar a barca do burro do Roth.

 

8 – Grêmio 1 x 0 Inter – Gaúchão de 2000. Na época em que o Ronaldinho marcava gols na gente. Neste jogo, arrematou, de falta.

 

7 – Bragantino 1 x 0 Inter – Ficamos fora do Brasileirão 1996. O Leandro narigudo errou um pênalti e afundamos naquele ano.

 

6 – Ceará 1 x 0 Inter – Copa do Brasil de 1994. Uma das derrotas que mais chorei após o jogo.

 

5 – Boca Juniors 4 x 1 Inter –  Sulamericana de 2005. Que raiva.

 

4 – Boca Junior 4 x 2 Inter – Sulamericana de 2004. Grande Clemer.

 

3 – São Caetano 5 x 0 Inter – Brasileirão 2003. Tinha de tudo para garantir a vaga na Libertadores, mas…

 

2 – Grêmio 4 x 2 Inter – Brasileirão 2001. O meu maior medo era tomar o quinto. O melhor da tarde foi a puxeta do Luiz Claúdio.

 

1 – Inter 0 x 4 Juventude – Copa do Brasil de 1999. Antes de começar a partida, o Estádio tremia. Após, uma desolação total; a maior que vivi no Beira-Rio.

 

Foto: ClicRBS

 

Fábio Araujo

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Em meados de 1991 – antes do GFPA cair para a divisão de acesso -, lembro de chegar em casa, carregando o caderno cheio de orelhas, com no mínimo duas folhas e meia de tema de casa. Preencher dezenas de Eva-viu-a-uva, quando se tem apenas sete anos é um tanto cansativo. Mas sempre fazia. Era minha obrigação. Entretanto, nunca consegui uma grafia que me orgulhasse. Apenas garranchos em cima de garranchos, cumprindo somente o necessário para ganhar um visto da professora. E foi assim, se arrastando, que o Inter garantiu a classificação em cima do União Rondonópolis, na noite de quarta-feira.

Há tempos não via um futebol tão medíocre no Beira-Rio. O primeiro tempo foi traumático para os pouco mais de 20 mil torcedores que, confiantes, esperavam no minimo, uns 5 a 0. A equipe de Tite mostrou-se afoita, apreensiva e sem qualidade tática para enfrentar um time sem expressão nenhuma no esporte – fazendo um comparativo com automobilismo, poderíamos lembrar do japonês da F1, Nakano, que nunca almejará ganhar nada como profissional.

 

Pastor Tite perscruta ovelhinhas na lida

Pastor Tite perscruta ovelhinhas na lida

 

E, pasmem. O Inter teve extrema dificuldade para assinalar seus gols e garantir a classificação no tempo normal. Novamente de bola parada, o artilheiro zagueiro Índio marcou, e Alecsandro, confirmou a vitória.

Parada dura. Ah, se todo jogo fosse Gre-Nal…

Entre os torcedores, muita festa para uma classificação que parecia óbvia antes da bola rolar. E o mais curioso é que, se não fosse o Lauro, no final do jogo, os visitantes teriam colocado água no nosso chopp.

E aí?

Confesso que tenho medo da maldição do Centenário. Temos um plantel de causar inveja a muitos times sul-americanos, mas algumas partidas nos deixam com os dois pés atrás. Por sorte, o próximo adversário é o Guarani, de Campinas, que, ultimamente, não ganha de ninguém.

Apesar da classificação, há mais de ano que não saía tão decepcionado com a atuação do Colorado.

E cada vez mais me convenço que Tite está longe de ser uma unanimidade no Beira-Rio.

 

Foto: Lance.net

 

Fabio

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 A Revista experimental do Curso de Jornalismo da Unisinos, produzida pelas turmas de Redação Experimental em Revista – no qual me incluo – traz nesta edição “Preocupações” como tema principal.

 

 

 O lançamento, realizado na noite de segunda-feira, 23, teve apresentação ao piano do meu colega Rafael Tourinho Raymundo; apesar de quase ninguém prestar atenção, ele deu show. Mais detalhes no Portal 3 e no Link Publicações.

 

Dando prosseguimento nas postagens, o texto Eterno, enviado para o site Centenário do Inter. Quem tiver tempo e gostar do texto, dê seu voto no site. É rápido e fácil.

 

  

Eterno

  

Existe uma máxima que argumenta a seguinte tese: o ser humano, ao saber que sua morte está prestes a chegar, vê um filme dos momentos mais importantes de sua vida. Comigo foi diferente. Explico: em meados de abril de 2001, voltava de Farroupilha acompanhado de minha família, e resolvemos dar uma pausa para um lanche, numa padaria beira de estrada, em São Leopoldo. Logo após entrar, percebo uma movimentação estranha e, antes de esboçar qualquer reação, sinto um revólver nas minhas costas.


– Fica parado que tu vai morrer, seu filha-da-puta de merda, me dá a grana e a chave do carro que vou te matá.

Naquele momento tinha a certeza que não sabia o verdadeiro sentido da palavra medo. Olhava para o lado e via meus familiares apavorados com olhos marejados, tremendo. Esperando a bala perfurar a paleta, vejo o filme começar a passar: via o Inter sendo campeão de verdade, comemorando com a massa vermelha e pensava, ah, pensava… Aqueles instantes foram mais revoltantes, pois sabia que não tinha vivido aquilo. Seu ladrão de merda, tu não tá vendo que eu não posso morrer ainda?, pensei em dizer, apenas pensei, e continuei vendo o Inter erguer uma taça de verdade – jamais imaginaria que seria do Mundial FIFA – até que, após roubar nossos pertences, ordenaram que contássemos até 50 em voz alta, de olhos fechados. No 17, começava a entender que não iria morrer. E ficava feliz com isso.

 

 
Passaram-se os anos e o amor incondicional pelo nosso Colorado crescendo cada vez mais. Voltei a lembrar desse episódio na partida final em Yokohama, quando o Ronaldinho se preparou para cobrar aquela maldita falta: o medo voltou. Mas tinha a certeza que não morreria sem ver o Inter Campeão. Depois daquele lance, recordo pouca coisa. Nada mais seguraria o nosso Inter.

 Hoje, mais calmo, analiso os fatos por outra vertente. Naquele assalto, ocorreu uma coisa óbvia: assim como em todos os momentos importantes da minha vida, o Inter estava ao meu lado. Foi assim com meu primeiro time de botão, meu primeiro gol com aquelas bolas-bexiga do Inter, o primeiro gol na escola e meu primeiro jogo no Beira-rio. Foi o hino colorado que cantei, quando tive medo ao descer no Elevador do Beto Carreiro World; cantei quando meu avô gremista morreu e, novamente, quando perdi um emprego. Até quando fui assaltado de novo e o ladrão me deixou uma passagem de volta pra casa. Dê-lhe, Celeiro de Ases. Foi enaltecendo o Inter que comecei a soltar piadas-cantadas para minha noiva; e são as músicas da Popular que canto quando escrevo os textos motivadores do Consulado de Guaíba; ou quando saio atrasado pro trabalho; ou a passeio; ou andando de carro; ou quase sempre – pelo menos uma vez por dia. 

Para selar esse amor insaciável, com a proximidade do Centenário, em abril desse ano tatuei o símbolo do Colorado nas costas, que me acompanhará até o dia de minha morte. Quero dizer, assim como todos os colorados, o meu Amor pelo Inter irá muito mais além dessa vida. É Eterno.


Fabio

 

 

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