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Archive for março \31\UTC 2009

Dos Inter que eu vi

 Com a proximidade do Centenário, chega um reforço de peso para o lado Vermelho do Blog. Esse post marca a entrada oficial de Jackson Rocha, o Bekinho, como Colaborador Oficial do Tisserand FC.

A seguir, os articulistas vermelhos enumeram os melhores e os piores atletas que viram jogar no Colorado. Nesta primeira etapa, Bekinho aponta os mais qualificados e, Fabio, os menos abençoados pelos Deuses do Futebol.

Equipe Tisserand

 

Os melhores que eu vi *

 

1- Clemer

2 – Luis Carlos Winck

3 – Lúcio

4 – Gamarra

5 – Edinho

6 – Jorge Wagner

7 – Fabiano Souza

8 – Tinga

9 – Fernandão

10-Marquinhos

11-Gérson

 

Banco de Reservas

 

12- André

13 – Indio

14 – Ceará

15 – Fábio Rochemback

16 – Alex

17 – Mauricio

18 – Nilmar

 *por Jackson Rocha

 

 Os piores que eu vi **

 

Mazinho Loyola (E): Hours Concours não compete

Ão, Ão, Ão: Loyola (E) é Seleção

1 – Sérgio – O arqueiro das melenas loiras.

2 – Denilson – O carequinha que não sabia cruzar, passar….

3 – Jonílson – Sorte que o companheiro dele era bom, senão…

4 – Wilsão – o limitado.

5 – Anderson – o Alemão da década de 90. Muitos gostavam dele, mas era entortado por todo mundo

6 – Wederson – Uma piada.

7 – Paulinho Diniz – dispensa comentários

8 – Clayton – Assíduo frequentador dos cabarés de Poa.

9 – Anderson Barbosa – O PIOR DOS PIORES DE TODOS OS TEMPOS.

10- Luis Carlos – E veio como grande reforço.

11- Serginho Messias – Pffff…

 

 

Reservas

 

12- João Gabriel – o Braço curto.

13 – Celso Vieira

14 – Junior Baiano

15 – Diego e Diogo

16 – Marabá

17 – Mazinho Loyola

18 – Luiz Claudio

 

Treinador – Joel Sant’Anna.

 

Foto: Site do Ferroviário: ferrão.com.br.

 

** Por Fabio Araujo. Colaborou Pedro Schenkel.

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Bem bolado...

Bem bolado...

 

O Brasil segue na zona de classificação das Eliminatórias. A Seleção tem um time encaminhado para a Copa do Mundo do ano que vem e um jeito de jogar já conhecido por quase todos, o que os jornalistas que rodeiam a Granja Comary regozijam-se ao chamar de Padrão de Jogo. Nada disso, e nem o empate de ontem contra o Equador, o que não acontecia há mais de uma década – nos últimos dois confrontos na terra de Aguinaga, saímos derrotados –  bastam para assegurar a permanência Del Comandante en Chef Dunga até o Mundial da África do Sul.

 

É verdade que ele, seja por falta de experiência, seja por pura implicância com a imprensa Bandeirante, abraça causas perdidas: casos de Gilberto Silva, Josué, Adriano e Doni. Mas é também fato que Dunga escala a zaga que deve escalar, que encontrou, na Itália, o volante que a Seleção ainda não tinha, Felipe Melo, e que insiste muitos mais em mandar pra campo os melhores jogadores: a apatia de Ronaldinho Gaúcho deve ser uma incógnita para ele, como para todos os brasileiros.

 

Quarta-feira tem mais, contra os peruanos, aqui em Porto Alegre.  Antes disso, vamos às notas:

 

Julio César – Nome e atuação de imperador. Caso fosse europeu, já seria considerado o melhor goleiro do mundo. Como é oriundo do subdesenvolvido, lúbrico e libidinoso Rio de Janeiro, terá que comprovar tudo isso na Copa. Nota: 7,2.

 

Maicon – Caso curioso: jogador dependente dos músculos foi traído por um deles. A lesão no começo do jogo não permite avaliação alguma. Sem nota.

 

Lúcio – Joga com a mesma seriedade e vontade contra a Alemanha ou a Tailândia. O que é sua maior qualidade, mas seu maior defeito também. Acertou muito mais do que errou, como sempre. Nota: 6,1.

 

Luisão – A altura não compensa a falta de velocidade crônica. Desde os tempos de Cruzeiro não via futuro para ele na Seleção. Foi titular muito mais por tempo de serviço do que maior talento que Miranda ou Tiago Silva. Nota: 4,2.

 

Marcelo – Alterna boas e más atuações. Ontem, foi desastroso: lembrou os piores momentos de Roberto Carlos, mas sem a velocidade e a força do ex-latifundiário de nossa ala. Deve dar boa resposta, caso seja mantido no time para o jogo no Beira-Rio. Nota: 3,4.

 

Gilberto Silva – Volante em decadência. Após perder lugar no Arsenal para o também brasileiro e promessa prematuramente negociada para o exterrior, Denílson, deixou o campeonato inglês, o mais rico do mundo, para transitar pelas ruínas gregas. Nota: 2,8.

 

Felipe Melo – Lembra o Mauro Silva de 1994. Marca, passa e conduz a bola com a mesma facilidade. Não conseguiu faze-los com a habitual desenvoltura na tarde de ontem. Mas, para desespero da imprensa do Império, é mais volante que Hernanes e Ramires. Nota: 5,1.

 

Elano – O oxigênio escasso das alturas do Equador não fez bem a Elano. A ponto do bruxinho camarada de Dunga, no momento em que havia duas bolas em campo, recolher uma delas com as mãos e arremessar na direção do árbitro. Inchia, complacente, rapidamente livrou-se da bola e não expulsou o brasileiro. Nota: 4,2.

 

Ronaldinho Gaúcho – Sempre acredito na recuperação de craques. Quem sabe jogar, seja lá o que for, de Rugby a Peteca, desde que se dedique da forma que os pobres em talento o fazem, invariavelmente dá a volta por cima. Não parece ser o caso do Gaúcho. Em algum momento depois de perder o Mundial pro Inter, ele resolveu que não precisava mais de mobilidade. Hoje, se movimenta com a lentidão do Zidane, mas sem os recursos do francês. Nota: 2,1.

 

Robinho – Protegido de Dunga desde que emprenhou-se em disputar a Copa América de 2007. Junto de Julio César, Lúcio e Kaká, é titular fácil pra Copa. No Equador, lembrou o Robinho pipoqueiro que não amarra as chuteiras nem de Cristiano Ronaldo. Nota: 3,0.

 

Luis Fabiano – A solidão de um centroavante, quando ocorre, é a maior de todas as solidões no futebol. Luis Fabiano sofreu desse mal, ontem. Ele foi abandonado pelo restante do time. Nas duas vezes que o acionaram, levou perigo. Além de começar a jogada do gol. Mesmo assim, não me convenço de que possa ser o 9 numa Copa. Pato ainda não está pronto, mas, até o meio do ano que vem, quem sabe…  Nota: 4,8.

 

Julio Baptista – Homem de confiança de Dunga. Mesmo que nunca passe de um reserva, é nome certo pra África do Sul. Sempre que entra no time, contribui com o que tem de melhor: força, imposição física e arremates. Como o que originou o gol de ontem. Nota: 6,0.

 

Daniel Alves – Lateral de mesmo nível do Maicon. Vive grande fase no Barcelona. Tem qualidade nas bolas paradas. Nota: 5,1.

 

Josué – É útil a Dunga. Cão de guarda de pouco tamanho e muito empenho. Para desespero de todos nós, o time melhorou depois de seu ingresso. Nota: 4,0.

 

Foto: Ururau.com.br

 

Guilherme

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Foi sob o olhar austero e as bochechas coradas das Cordilheiras bolivianas que o Grêmio encaminhou sua classificação na Libertadores. É bem verdade que as montanhas que velam Cochabamba, cidade sede do Aurora, passou grande parte da partida de ontem orgulhosa de seus jogadores, do emprenho e da entrega nos noventa minutos de futebol. Mas, numa das travessuras do futebol, o melhor em campo, o goleiro argentino Dulcich, fez-se túnel. E a bola chutada compenetradamente por Tcheco, fez-se carro, mais para Fusca do que Pajero, na verdade, mas suficiente para enganar o arqueiro e ruborizar torcedores, companheiros, adversários e, inclusive, os Andes. Eles que, segundos antes, estavam embasbacados com as defesas do desanimado frangueiro.

 

Campo de treinamentos do Aurora

Campo de treinamentos do Aurora

 

Sobre a partida, mais uma vez o Grêmio impôs sua superioridade de time duas vezes campeão contra um time sem expressão na América. Mais uma vez provou que se especializou na tarefa de perder gols. Mais uma vez Celso Roth acovardou-se, manteve Douglas Costa no banco, e entregou o destino de seu time aos braços inescrupulosos da sorte. E, contrariando tudo o que a história escrita durante o jogo encaminhava: a equipe voltou novamente para Porto Alegre com uma vitória longe do Olímpico.

 

A etapa inicial deixou, antes mesmo do primeiro ‘Heinhô, Maurício’ dos tantos repetidos pelo Paulo Brito durante os jogos, muito claro que o filme de terror pior que Corujão na madruga da Globo se repetiria. Jonas, sempre ele, e Fabio Santos fizeram as honras com duas bolas no poste. O Grêmio aprimorou a habitual displicência nas finalizações e Souza, destaque gremista na Libertadores, também contribuiu com um chute para fora. Todos estavam conformados com o zero a zero, bolivianos e gaúchos, já pensando na água mineral do intervalo, no descanso do vestiário, quem assistia pela tevê já dividia sua atenção com o prato de janta, quando Jonas desistiu de mirar no gol, e depois de tabelar com Alex Mineiro, fechou os olhos e, entre dois defensores, violentou a bola contra a rede do Aurora. Estava aberto o placar. A janta esfriava por um tempo diante da comemoração inesperada.

 

Mas o torcedor crê em promessas como criança. Embora não possua mais a ingenuidade e a fragilidade que caracterizam a confiança absoluta em outra pessoa. Mesmo assim, não calcula sua viabilidade, simplesmente acredita, ou seja: se faz de louco com alguma frequencia. Foi isso que os azuis fizeram ao voltarem para a assistência ao segundo tempo: deixaram-se enganar pelo otimismo idiota de Maurício Saraiva, o otimista que comenta futebol como se estivesse explicando a regra do impedimento para donas de casa com aversão ao esporte, num didatismo mongol. O Grêmio voltou mal para campo. O Aurora se assanhou. O Grêmio perdeu mais alguns gols. Jonas nocauteou um boliviano e foi expulso. Paredes encobriu Victor e empatou. Como previa Saraiva, tudo estava sob controle.

 

O resto da partida que merece ser mencionado já foi resumido no primeiro parágrafo. Chute de Tcheco, falha de Dulcich, comemoração gremista e lamento mais cansado que raivoso dos bolivianos. Venceu o melhor time. Saraiva confirmou que estava certo desde o início. Paulo Brito deixou escapar o coloradismo em alguns instantes. Enfim, tudo dentro do previsto.

 

Quase tudo. Pois o rubor repentino que abateu a Cordilheira ao final da partida foi de derreter neve. E a vitória conquistada já em derradeiros minutos, de modificar geografias.

 

Foto: Olavo Antonio, baixaki.com.br. 

 

Guilherme

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 Ataque Colorado é o nome do grupo fundado por músicos gaúchos, que alcançaram o Top das paradas ao criarem inúmeras canções sobre o nosso amado Internacional. Um tremendo sucesso. Sucesso esse, que agora pode ser comparado com o Ataque Colorado – no sentido literal da palavra.

 

Nas últimas duas partidas, os atacantes marcaram nada menos do que 10 gols. Na temporada já são 49 em 17 partidas.

 

O melhor ataque do Brasil.

 

Tá certo que o Gauchão não serve de parâmetro para muita coisa; mas, jogamos contra equipes que não disputam somente o Regional, e o resultado foi o mesmo: vitória vermelha.

 

Na noite dessa terça-feira, o recém-casado, Nilmar, desencantou e arrematou três vezes, dando passe para mais dois. Dizem os astrólogos que os laços mágicos do matrimônio são responsáveis pelo aumento do rendimento do Goldenboy. Minha tese é de que o definidor da melhora foi a fungada levada no cangote, pelo Alecsandro.

 

E o nêgo Taison, como diriam os Populares, marcou três vezes, chegando a 14 gols no Campeonato.

 

Campanha acima da média, mostrando gigantesca superioridade sobre os adversários.

 

Mas é bom manter os pés no chão. Caneco no armário somente depois do apito final.

 

Contrapontos :

 

Esportivo é limitadíssimo;

 

O Inter levou dois gols em uma mesma partida;

 

Alecsandro não conseguiu ter continuidade;

 

Em 2006, o Inter ficou invicto mas não levou a Taça – porém, ganhou a Libertadores e o Mundo.

Fabio

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O Goldenboy, Nilmaravilha, ou para os mais exigentes, Nilnada, ganhou no último final de semana, merecidos dois dias de folga, para selar o matrimônio em badalada boda na Capital Gaúcha. Entrei na onda e me dei dois dias de folga para meu coloradismo e não fui ao estádio no sábado, 21. Tudo bem, já sou casado, mas completei 25 anos na sexta-feira.

 

 

 Enquanto o franzino atacante colorado consumava seu casamento em precoce lua-de-mel e eu estava na beira da praia de Capão com minha esposa e cunhados, o Inter goleava o Novo Hamburgo por 4 a 1, garantindo matematicamente – caso necessário – a partida final do Gauchão, para o Beira-Rio. 

 

 

Atacante deu prioridade as perguntas correspondentes ao seu casamento

Atacante deu prioridade às perguntas correspondentes ao seu casamento

 

 Até aí, morreu Neves.

 

Nenhum colorado irá querer utilizar esse tipo de vantagem. A minha ausência no Gigante, no entanto, me deixou com uma pulga atrás da orelha. E pelo menos umas 18 nas milionárias e simétricas orelhas do Nilmar.  

 

O substituto Alecsandro entrou, marcou dois gols e deu passe pra outro, enchendo os olhos da torcida Vermelha. Mostrou que é matador, coisa que o garotinho vindo do Paraná não é. De acordo com estatística do Blog Vamo Vamo Inter, Alecsandro marcou quatro gols em 288 minutos, enquanto Nilmar está com cinco, em 1.129.

 

 

 Creio que é cedo para uma análise mais complexa; mas eu, que não levava fé no nosso reserva, comecei a rever meus conceitos. Foi, com certeza, um fim de semana movimentado para os colorados.

 

 

Parabéns, Nilmar, por mais esta etapa. Agora é treinar mais, jogar mais e errar menos gols. E se o Tite montar um esquema alternativo, poderá até fazer companhia ao reserva Alecsandro.

 

 

Assim como Goldenboy, não estive no Beira-Rio, celebrei uma data comemorativa no fim de semana, e no domingo, assisti ao Lance Final com a patroa, vendo o Alecsandro acabar com o jogo. Estou ansioso para ver o potencial do novo matador colorado, mas, por enquanto, tudo gira em torno de projeções.

 

 

Centroavante afirma que solicitou a diretoria lua de mel de uma semana para o amigo Nilmar

Centroavante afirma que solicitou à diretoria lua de mel de uma semana para o amigo Nilmar

 

E o Valter conseguiu fazer seu 1º gol.

 

 

 O Adversário

 

 

Enfadonho. Para quem assistiu À partida do primeiro turno, em que o NH entregou a duras penas a vaga para o Inter, na Taça Fernando Carvalho, ficou um ar de surpresa, por tamanho retrocesso. Nas bolas aéreas a defesa permanecia engessada no gramado.

 

 

Aí ficou fácil. Taison marcou seu primeiro gol de cabeça e Valter balançou a rede pela primeira vez na vida, pelos profissionais. 

 

 

 Fotos: ClicRBS e Acervo Google

 

 

 Fabio 

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O bobo da corte

Crônica da série A Melhor Copa
Performático e zombeteiro

Performático e zombeteiro

 

Eu nunca sentira tanta raiva de alguém em minha incipiente vida de criança de nove anos quanto acalentei por um tempo pelo Thomas Ravelli. Pra quem não lembra nem com o sorriso inconfundível acima, era o goleiro da Suécia que jogou duas vezes contra o Brasil na Copa de 1994. Aquele riso irônico, ébrio, parecia palhaço de circo: ajudado pela camisa de arqueiro de cores diversas das de seu país, o pouco cabelo que tinha desgrenhado e o físico mais próximo de um estereótipo de padeiro do que de goleiro. A raiva durou alguns dias: do empate em um a um na primeira fase – com gols de Romário e do gigante Kennet Anderson -, à (e por causa da) redenção canarinho na semifinal. Fui salvo pelo mesmo Romário, aos trinta e cinco do segundo tempo; gol de cabeça entre os longilíneos zagueiros nórdicos. O riso do Ravelli sumiu, o rosto nublou, ensimesmado. E meu rancor esvaiu-se em minutos. 

 

Goleiros como Thomas Ravelli não nasceram para ganhar títulos. Ele pertence ao mesmo grupo de Jorge Campos e Higuita: são os bobos da corte do futebol; não possuem a categoria nobre dos grandes defensores. E o talento que carregam, talento indiscutível, é velado pela extravagância, pelo estilo ou visual peculiar. Nenhum goleiro havia feito com o Brasil o que ele fez. Nos dois jogos contra o contestado time de Parreira, Ravelli desfilou seu leque de caras e bocas: dançou como uma dançarina dos antigos cabarés, chutando o ar, alternando as pernas esticadas, após grande chance desperdiçada por Zinho; sorriu para as câmeras depois de brilhante defesa; bateu sarcásticas palmas para os atacantes brasileiros que arriscavam finalizações sistemáticas e estéreis para longe do gol. A sagrada camisa brasileira era zombada por um jogador mediano, ato subversivo dos mais ousados. Como a maioria dos subversivos, Ravelli sairia derrotado. Mas, da mesma forma que eles, a história guardou um lugar cativo pro sueco.

 

Goleiros como Thomas Ravelli, infelizmente, estão com os dias contados. Assim como atacantes da estatura de Romário e Maradona não serão mais os melhores do mundo. Em algum momento da década de noventa o futebol sofreu uma transformação no desempenho físico dos atletas, e a lei do mais alto, forte e rápido começou a tomar terreno. Aqueles que dependiam quase exclusivamente da técnica ou que renegavam a disciplina estóica, declinaram. O futebol se aproxima cada vez mais de outros esportes: há um nivelamento maior; mas isso nem sempre é bom.

 

Voltando ao norte europeu: aquela seleção sueca não foi e dificilmente será superada pelos sucessores. Cada vez mais altos, cada vez mais fortes, mas carentes da malandragem de Ravelli – dono, aliás, do recorde de aparições com a camisa amarela do país: 143 -, da técnica de Brolin e da ousadia de Dahlin. Nem o veterano Larsson – que em 1994 banhara os cabelos com cera de abelha e assombrara a zaga búlgara na disputa pelo terceiro lugar, com as madeixas endurecidas balançando feito cantor de reggae de pais brancos – consegue fazer os atuais companheiros relembrarem aqueles tempos.

 

Para piorar, Ravelli, Jorge Campos, Higuita e companhia não deixaram herdeiros. Ruim para o futebol e para quem gosta dele. Cada vez mais sério e previsível. Agradeço a Jorginho, que cruzou aquela bola, a Raí, que não a alcançou, aos ineficientes zagueiros suecos e, sobretudo, a Romário: autor do gol. O gol que promoveu minhas pazes com Ravelli, que iniciou até certa admiração pelo seu futebol: uma admiração solidária e penalizada; a admiração magnânima daquele que vence por aquele que perde. Admiração que só uma criança de nove anos que vai disputar a final da Copa do Mundo com a Itália pode sentir.

 

Foto: Correioweb.com

 

 

Guilherme

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Quem diria, hein, Roth. Três atacantes

Quem diria, hein, Roth?! Três atacantes!!!

 

Celso Roth candidatou-se, ontem à noite, a ser campeão da Libertadores. Num arroubo de ousadia jamais registrado em sua prolongada, árida de títulos e onerosa carreira, o técnico do Grêmio utilizou de um raciocínio lógico – sabidamente mais eficaz do que invencionices no futebol – e, diante de uma superioridade irreversível do Grêmio sobre o esforçado Zequinha, reforçou seu ataque com um jogador a mais do que o usual: computando, ao todo, três deles. Claramente amedrontado por ter colocado na partida o centroavante argentino Maxi López e deixado no banco o craque Makelele, Roth assistiu ao Tricolor aplicar a maior goleada do ano, comemorou discretamente o gol desajeitado do castelhano com cabelo de Rainha dos Baixinhos e suportou, inclusive, a torcida gritando seu nome ao final do confronto de derradeiro placar 6 a 1. 

 

E o 6 a 1 não foi acidental. Aos vinte e seis segundos de jogo, Tcheco anunciava que a goleada viria. Sentou o pé na entrada da área do São José, depois de jogada bem construída por Fábio Santos e Alex Mineiro – curiosamente, jogadores que ainda oscilam entre boas e desastrosas atuações. Mas, logo, logo o São José empataria o jogo num acidente de percurso. Ou não. Pode-se classifica-lo como um procedimento previamente acertado. Já que o Uh, Fabiano pode atuar até no União, de Rondonópolis, e, mesmo assim, quando este enfrentar o Grêmio, ele vai dar um jeito de marcar um gol. Trata-se da mais pura e incontrolável implicância. Um carma. Algo que compete a esferas espirituais. E, sobre as quais, por prudência e certo respeito ao sobrenatural, não opino.

 

O restante do jogo serviu para recuperar a confiança de jogadores e da relação entre Roth e a torcida. Jonas, o pior atacante de todos os tempos da última semana, fez dois. Léo marcou pelo segundo jogo consecutivo. Fábio Santos aparou de cabeça um cruzamento do marciano Ruy e tomou a dianteira no entrevero com Jadílson pelo corredor esquerdo da equipe. E a cereja do bolo: com um e noventa de altura, cabelos loiros e uma espécie de relação promíscua de atração e retração com a bola, Maxi López, fechou a contagem.

 

Maxi Mize-se

Maxi Mize-se

 

Ah, faltou explicar porque Roth candidatou-se a ganhar o principal torneio futebolístico do Novo Mundo depois de ontem. Fácil: porque, pela primeira vez, refutou o caminho decorado e confortável de suas convicções. Pela primeira vez, violentou a certeza de que deve resguardar sua equipe com pelo menos cinco jogadores eminentemente marcadores. Mandou aquela comunidade do orkut intitulada Volantes de Contenção, que certamente foi criada por algum admirador dele, às favas. Promoveu um auto-estupro necessário. E, o mais grave, gostou. Pois certamente notou que a torcida clamou seu nome, que o gol de Maxi coroou sua escolha em colocá-lo no jogo, mantendo o operário Makelele no banco.

 

O Grêmio, no fim, só ganhou mais um jogo. A torcida, na verdade, despediu-se mais aliviada do que feliz. Mas, Celso Roth, Ah, Celso Roth descobriu a América.

 

Fotos: a de Roth, dum canto obscuro do Google. A de Maxi, de José Doval/Grêmio.net

 

Guilherme

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