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Posts Tagged ‘Neymar’

São sete títulos continentais espalhados por um gramado de 80 anos. É mais do que isso. São duas conquistas olímpicas num tempo remoto e quase inverossímil sem Copas do Mundo, num tempo quando o campeão olímpico era o campeão do mundo. Mas é ainda mais. São cinco Copas, mais de vinte Libertadores e catorze mundiais de clubes. É Santos e Peñarol, uma final repetida quase 50 anos depois. Mas é, sobretudo, Brasil contra Uruguai. E não adianta Galvão Bueno ou qualquer outro membro da imprensa sudestina bradar nacionalismo, não adiantam o talento de Neymar ou a competência de Muricylha. Pela raça inimitável, pela crise financeira interminável, pela decadência insolúvel, por 24 anos sem La Copa: é uma questão de dignidade torcer pelo Peñarol nesta final.

 

Club Atlético Peñarol

A incredulidade de quem respeita uma final de Copa

O Peñarol é o terceiro clube mais vencedor da Libertadores. São cinco títulos, outras tantas finais. Em tempos de vitórias, nos anos de conquistas consecutivas, essas taças expostas numa estante servem para intimidar o adversário, demonstrar grandeza. Quando se passa 24 anos sem sequer cogitar repetir parte daqueles feitos, o dourado e a prata dos troféus desbotam, os atletas vencedores morrem, os títulos transformam-se em fantasmas inatingíveis.

Foi preciso que Diego Aguirre, um dos remanescentes do último triunfo continental em 1987, regressasse, agora como treinador, para exorcizar os espectros que povoam todo imaginário de um clube sem taças importantes há muito tempo. No ano passado, comandou a equipe na conquista do Clausura. Neste ano, depois de ausentar-se e ver que, diferente de outros tempos, era o Peñarol quem mais precisava dele e não o contrário, voltou a Las Acácias para recolocar os aurinegros novamente no rumo das vitórias.

Depois de uma primeira fase irregular, justificada pela presença num dos grupos mais equilibrados de La Copa – na companhia de LDU, Independiente e Godoy Cruz –, os uruguaios voltaram a forjar o futebol de passes atribulados, balões intencionais e cruzamentos ladinos que identifica há quase um século as principais conquistas de seu país e levou a Celeste Olímpica ao quarto lugar na Copa da África.

Inter, Católica e Vélez já foram exorcizados por Aguirre, juntamente com os mesmos fantasmas do passado. O Santos pode ser o próximo.

 

Santos Futebol Clube

Eles não merecem. Mas eles devem vencer

O Santos, ao contrário do adversário portenho, é um clube acostumado com títulos na última década. Foram dois Brasileiros e uma Copa do Brasil. O vice da Libertadores em 2003, no fim do sonho ingênuo e feliz que Robinho e Diego engendraram até encontrarem o Boca de Tevez e Schiavi, é ferida que somente cicatrizará com a vitória dessa geração ainda mais talentosa, sobretudo pelos pés de Neymar e Ganso.

O Curioso é que, assim como o Peñarol, os santistas trilharam um caminho pedregoso no início de La Copa. Os pontos foram minguados nos primeiros jogos,  Adilson Baptista fracassou pela segunda vez consecutiva no estado de São Paulo e outros problemas, como repartir Neymar com a Seleção Sub-20, as lesões de Ganso, Elano e Johnatan, alertaram a diretoria que a demissão de Muricylha do Flu configurava-se num bálsamo divino.

O amigo de Vagner Martins emprestou seu quinhão ao Feitiço da Vila, desafrescurou o time, empilhou de volantes a intermediária quando o jogo recomendava parcimônia defensiva, não teve medo de imitar Felipão e Celso Roth e corrigiu os equívocos ofensivistas que lhe custaram a Líber de 2006, deixando o América mexicano, Once Caldas e Cerro Porteño, respectivamente, nas covas do mata mata. Resta saber se essa comunhão de talento e casmurrice é suficiente para suplantar a mística aurinegra. A noite de hoje começa a nos dar a resposta.

 

PEÑAROL   X   SANTOS  (Estádio Centenário, 21h50min / Montevideu, Uruguai)

 

Guilherme Lessa Bica

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Quero ser grande

  

 

Dom Casmurro

 

Ópera do malandro

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Ali onde os parentes menos abonados da coruja dormem

O Santos já é campeão da Libertadores. E o fiador maior deste título, é bem verdade que assessorado de perto por um cobrador de faltas e escanteios competente, Elano, por um treinador calejado e vencedor, Muricylha, acompanhado no protagonismo até a metade da competição por um Ganso confuso fora de campo e seguro dentro dele, o fiador maior deste título, resisto o que posso e prolongo o parágrafo porque sei que ele encerrará com seis letras que maculam para sempre a história de La Copa, seis letras que representam a verdade do futebol brasileiro e americano atual, seis letras que sustentam um moicano emo, doses carregadas de pretensão e futebol abundantes, o fiador maior deste título atende pelo nome de Neymar.

E Neymar é a personificação de tudo aquilo que sempre rebaixei à categoria escatológicas do bom futebol, a personificação de arestas dispensáveis e arabescos que prendem a atenção muito mais pela pose do que pela posse da bola, a personificação sulamericana da doutrina fundada em Cristiano Ronaldo: o jogador que divide a atenção na bola com a preocupação permanente com câmeras e ângulos favorecidos.

Ocorre que o neófito da Vila, embora refém das mesmas idiossincrasias no comportamento que reduzem o futebol de jogadores talentosos à mera extensão de suas personalidades controversas, carrega consigo uma herança que nem o Ronaldo gajo, tampouco qualquer outro europeu receberia: a malícia do futebol brasileiro. Há no talento de Neymar qualquer coisa de Romário quando espalma a mão no peito e intima o companheiro a reconhecê-lo como o destino inexorável do passe, há no taleno de Neymar qualquer coisa de Ronaldo quando anuncia numa pedalada premeditada o lado que escolherá para avançar e ainda assim esnoba no arranque a marcação resfolegante e frustrada, há qualquer coisa de Pelé na cabeça erguida, no chute certeiro, aquele que retira goleiros das fotografias mesmo nos lances de bola rolando. Se a elegância de Ganso remete à parcela europeia de nosso futebol, o jogador aristocrata que decide jogos sem macular o uniforme, Neymar encarna com fidelidade o estereótipo do guri que jogaria da mesma forma descalço em campos calvos e inóspitos o que joga nos melhores gramados do mundo, ainda que tenha sido preparado desde o nascimento para as chuteiras, ainda que nunca tenha jogados em praças sem grama, algo que se explica somente em teorias que versam sobre heranças congênitas ou esprituais.

O empate de 3 a 3 na noite de ontem no Defensores Del Chaco reafirmou duas certezas: o Santos será campeão da América e Neymar é jogador de Libertadores. Como deve confirmar-se também, com o devido tempo, jogador de Copa América, Champions League, Mundial de Clubes, Copa do Mundo e qualquer outro torneio deste ou de outro sistema solar. Apesar do moicano emo, apesar de couverizar Cristiano Ronaldo, apesar das arestas. Porque o jogador talentoso, feito escritor de mesma capacidade, anula qualquer idiossincrasia moral com uma obra prima. Neymar está construido a sua.

 

A outra semifinal:

Hoje, às 21h50min  VÉLEZ  x  PEÑAROL

 

Guilherme Lessa Bica

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Pinochet: arauto da democracia sulamericana

Dois paraguaios. Um brasileiro. Um argentino. Um colombiano. Um mexicano. Um uruguaio. Um chileno. Não, caro leitor, não estamos contabilizando os integrantes de uma repentina guerrilha latinoamericana que resolveu retomar os ideais revolucionários de décadas passadas e ambiciona expurgar o imperialismo estadunidense de nosso pago. Não, caro leitor, tampouco contabilizamos chefes de estado latinos que escolheram  ignorar seus pares do Equador, da Venezuela, da Bolívia e daqueles outros terrenos que aprendemos por Guianas e Suriname no colégio e depois nunca mais ouvimos falar sobre, reunidos nalgum encontro diplomático para abordar fronteiras controversas ou acordos econômicos obscuros. Não, caro leitor, falamos de futebol. Falamos de La Copa. Falamos da quartas de final mais plural e insólita da Libertadores de América em muitos anos. E adiantamos, como bem o fazem os donos das penas mais corajosas, para quem torcemos, ainda que a razão reconheça quem deve classificar.

 

Universidad Católica x Peñarol

Partida talhada para que colorados e gremistas sentem-se lado a lado diante de um telão de bar, transfigurados em integrantes de algum culto diante de seu altar sagrado, compartilhem muitos copos de iguarias alcoólicas e aprendam, no sofrimento mútuo da eliminação, como se joga uma Libertadores; como não se pode prescindir de zagueiros confiáveis; como é importante um lateral que domine seu terreno de natureza periférica; como deve jogar um centroavante.

Pelo que se viu nas oitavas, o time chileno é melhor, tem nos argentinos Lucas Pratto e Cañete os fiadores de um inédito título, e deve derrotar a tradição tão maltratada e decadente do Peñarol, apesar de Martinuccio, apesar de Olivera. A classificação sobre o Inter já representou a confirmação de uma retomada do futebol uruguaio, ensaiada há alguns anos com o Nacional em semifinais de Libertadores recentes e, sobretudo, reafirmada com o quarto lugar na Copa do Mundo do ano passado.

Minha Torcida: Peñarol      

Minha Previsão

No Uruguai: Peñarol 2 x 1 Católica.

No Cilhe: Católica 2 x 0 Peñarol.

Católica classificada

 

Once Caldas x Santos

Muricylha é um aluno dedicado. Depois de colecionar cicatrizes profundas nas derrotas em Libertadores por São Caetano, São Paulo e, até algumas semanas, Fluminense, aprendeu que a retranca gera constrangimentos apenas para quem perde. A partida contra o América, no México, revelou o amadurecimento continental do treinador, cuja prudência necessária acumulou volantes e zagueiros em campo, para segurar o redentor zero a zero.

A ausência de Ganso é importante, mas ainda há Elano, ainda há Neymar, ainda há Jonanthan, ainda há Arouca. Rentería e Moreno são copeiros. Mas os outros Nove Caldas não os acompanham em futebol e mística.

Minha Torcida: Onde Caldas

Minha Previsão

Na Colômbia: Once Caldas 0 x 1 Santos

No Brasil: Santos 3 x 1 Once Caldas

Santos classificado

 

Vélez Sarsfield x Libertad

Único argentino a sobreviverem La Copa, o Vélez tem melhor time que o Libertad. Lidera o campeonato argentino, tem uma esquadra equilibrada e que joga junto há um bom tempo, além de valores individuais importantes como o diminuto e veloz camisa 10 Maximiliano Morález, o centroavante Santiago Silva e, sobretudo, o canhoto e longilíneo ponteiro Ricardo Alvarez.

Já o Libertad aposta na juventude de revelações paraguaias e na correria desacorçoada de Gamarra e Samúdio. Tem bom toque de bola, perdeu acidentalmente para o Fluminense no Brasil e comprovou sua superioridade com os3 a0 e a classificação no Defensores del Chaco. Contudo, ainda se ressente de tradição e da torcida pouco numerosa.

 Minha Torcida: Vélez Sarsfield

 Minha Previsão

Na Argentina: Vélez 3 x 0 Libertad

No Paraguai: Libertad 1 x 1 Vélez

Vélez classificado

 

Jaguares x Cerro Porteño

A presença do Jaguares nessa fase é fruto de um acidente. Mexicanos não deveriam jogar a Libertadores. A não ser que se filiem à Conmebol. Além disso, o Junior, de Barranquilha, implorou, rogou, rezou, fez promessas a deuses vários para alcançar a eliminação. Foi atendido. Os colombianos adoram contrariar a lógica, vide Once Caldas. Mas a reparação já está a caminho. O Jaguares enfrenta o melhor Cerro Porteño em muitos anos, com o goleador da competição, Nani, e uma das revelações do futebol argentino, um canhoto insinuante e pretensioso de nome Juan Manuel Iturbe.

Minha torcida: Cerro Porteño

Minha Previsão

No México: Jaguares 1 x 0 Cerro

No Paraguai: Cerro 2 x 0 Jaguares    

Cerro classificado  

 

Dia e horário das partidas de hoje e amanhã:

Dia          Hora                      Jogo
11/05   19h30min   Peñarol x Universidad Católica
11/05   21h50min   Once Caldas x Santos
12/05   20h15min   Vélez Sarsfied x Libertad
12/05   22h45min   Jaguares x Cerro Porteño

Guilherme Lessa Bica

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