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Posts Tagged ‘Casa Colorada’

 Já fui esquerdista, falso comunista, idolatrava o Che, entendia que o Chavez era um enorme sabidão e tinha plena convicção que o 11 de setembro era um mal necessário. Cresci acreditando em ideologias retrogradas, vomitando argumentos falidos, tendo a certeza que iria mudar o mundo.

 

 Aos poucos, fui abandonando minhas cartilhas até chegar ao ponto de não entender como tinha certos posicionamentos na minha vizinha juventude. Nunca imaginei tantas mudanças durante tão abreviado tempo. Um único sentimento permanece intacto: o de ser Colorado.

  

Recordei de tudo isso ao chegar na Casa Colorada, no domingo, 8, para assistir o 1 º Gre-Nal de 2009. Lembrei de todos os gre-nais da minha vida, dando destaque para o gauchão de 1997 – época de vacas magras para os colorados, bem no momento em que voltamos a ter a hegemonia do Estado. Por incrível que pareça, estava sóbrio – sorvi uma duas caipirinhas, o que, com o meu organismo tarimbado, não faz diferença alguma.

 

 Absorto, olhava para todos os lados. Casa cheia. Policial, músicos, contadores, publicitários, artistas, loucos, comunistas e reacionários, todos ali. Vestindo o mesmo manto, esperando ansiosos o toque de bola inicial. Como era a primeira vez na Casa, me prendi nos detalhes estruturais do estabelecimento. Enquanto percebia detalhes das luminárias colocadas ao chão, com uma pequena proteção para evitar problemas com os bebuns de plantão, ouvi a voz de um integrante da Popular que não é do movimento islamita extremista nacionalista, mas, conhecido como Talibã.

 

 -Vai ser 2 a 1.

  

Agora estava tranquilo.

 

 Até poderia ter me exaltado como os outros colorados da minha volta, quando um dos torcedores gritou gol no momento em que o D’Alessandro batia a falta na tv – devido ao intervalo de tempo nas transmissões de rádio/payperview. Deveria ter ficado brabo com os comentários esquálidos do gordo, sobre a permanência do Índio, após a falha primária que originou o gol deles. Mas pra mim, tudo era festa. Só esperava o segundo gol. E ele veio no finalzinho, momento em que alguns já estavam desacreditados.

  

Em uma arrancada brilhante, após a rebatida de Índio, Taison saiu em velocidade atravessou o gramado como um guepardo e lançou para Nilmar. Nesse instante, veio a tona o lance do gol do Fabiano, em 1997. Galguei um degrau e comecei a gritar, tendo a certeza do gol. Em meio a tapas, socos e abraços, só lembro de ter grunhido “igual, igual”. Após comemorar com os colorados mais próximos, percebi um senhor de meia idade já, – naqueles tempos conhecido por Bitoca – que ia no bus, na época ruim do Inter e não me contive e dei uma gravata.

 

 – Me lembro de ti no Scaranto em 97…. É nos de novo, porra.

 

 Creio que ele não entendeu muito. Pelo menos eu sabia que agora era só esperar terminar a partida.

 

 Nos minutos finais nem me apeguei muito no jogo. Fiquei pensando na força do Inter, em poder unir pessoas tão diferentes: mais a frente, o prefeito; pouco atrás, a ala feminina; no fundão claro, a Popular Guaíba; e espalhados pelo pátio, pessoas de diferentes áreas, etnias, condições sócio-econômicas, tendo como principal elo o amor pelo nosso Colorado.

  

Nunca tinha ido na Casa Colorada. Confesso que estava bem receoso, porque na Refinaria sempre dava Zebra. Mas em um local aconchegante, pé-quente, a Casa conseguiu reunir a família colorada de Guaíba, reavivando algumas lembranças que já estavam guardadas no baú do esquecimento.

 

 Fabio

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