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Posts Tagged ‘Grenal’

A soberba pode até alçar costumeiramente uma cama de gato nos bons; mas JAMAIS – e digo JAMAIS com caixa alta – poderá passear de braços enlaçados, enamorada de medíocres ou subdesenvolvidos.

O ignominioso time comandado pelo Carioca das Luvas engolia o desorganizado elenco colorado, cuja Falconice insistia em levantar a anca aguardando um talagaço, com apenas o futuro-ex-atleta, Leandro Damigol, na zona do agrião.

Eu dizia que o limitado elenco azul dominava a partida, vencia por um a zero e o título iminente, que há tempos era considerado Expresso, configurava-se num gozo coletivo e frenético no Olímpico Monumental.

O orgasmo, contudo, todos nós bem sabemos, é um momento de lasciva explosão. Era em comovente brado uníssono, portanto, que milhares de Geraldos descontrolados esqueciam a estercada década dos anos Dois mil e soltavam frondosos gritos de Olé.

 

Cada um no seu Quadrado

A faixa fala e o ClUbe paga

 

 Naqueles pouco mais de noventa segundos de alucinação causada pelo ópio daqueles que nunca triunfam, os tricolores desenhavam galhardamente sua cova. O gol rotineiro do Damião, a virada do putrefato manco Andrezinho e o terceiro do D’Ale miravam o destino Rubro da competição.

Mas Renan, sempre ele, fez história.  Assim como o Camerlengo, em Anjos e Demônios, organizou meticulosamente a sua ascensão papal. Tratou de engolir um frangão, esperando os pênaltis para entrar na história dos GreNais; desta vez, por um lado positivo. O freguês Victor, até foi bem com suas peraltices; mas Renan, o condutor de Kombi, pegou três. Só faltou fazer um gol, como o Mestre Clemer.

Falcão, além de Rei de Roma, conversa com os Deuses Astronautas; mostrou que tem bala na agulha e colocou o Nei na lista de cobradores. E pasmem: ele afundou.

O Grêmio, amigos, pode até cantarolar músicas castelhanas e arrastar gritos de olé contra Juventude, Cruzeirinho e afins; mas Olé sobre o time Mais Vencedor da Década, não.

 

Crise dos Quarenta

O Inter chegou aos 40 títulos gaúchos e continua acima de qualquer outro rival no Estado em todas as esferas (exceto melhor site e ônibus); tomemos cuidado, apenas, para não colocar a viseira da ignorância. É bom lembrar que não temos um DVD exaltando uma divisão de acesso para massagear o ego. Levamos o Gauchão, mas o time está ruim. Não como o do Rival, mas muito ruim.

Do um ao seis, nenhum titular absoluto; na meia, dá pra arrumar a casa; no ataque, perderemos o Damigol para a Seleção e complicará a coisa. Temos que ter consciência de que ganhar Regional não é parâmetro para absolutamente nada.

Há alguns anos, perdi o tesão em comemorar o Gauchão. Ontem, entretanto, teve um gosto especial.

Bastava se portar como um time pequeno, para administrar a bela vantagem contra o desorganizado Inter de Falcão. O Grêmio, nobre leitor, voltou a crer na imortalidade, embriagou-se da tradicional soberba, sentiu-se superior. Não era Vilson, Lins e Viçosa que pisavam no gramado. Milhares enxergavam o Tricolor de Danrlei, Paulo Nunes e Jardel, acostumados a patrolar o Colorado.

Não era.

Eles esqueciam, tolos, que a Soberba até pode acompanhar amistosamente os bons; os medíocres, Jamais.

Este texto, destinado exclusivamente aos não torcedores do Boca Juniors Brasileiro, oferece, pandegamente, apenas uma palavra ao político partidário que preside um grande clube do Rio Grande do Sul:

OLÉ!.

 

Fábio Araujo

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Arílson e Carlos Miguel pós-modernos

Arílson e Carlos Miguel pós-modernos

 

O Grenal é uma e várias catarses. É o vermelho magma e o azul mar, mas maiores e mais impactantes que vulcões e oceanos. O Grenal é um sentimento que impele rubros e tricolores a esmagarem mentalmente os adversários, ainda que a única forma física de ele ser plenamente satisfeito é impor ao rival uma derrota, seja a diferença de gols mínima, mas ainda uma derrota. Pobre dos milhões que não vivem e, portanto, são incapazes de entender essa relação.

 

Pois o clássico que comemorou um centenário de petelecos mútuos nas orelhas rivais e alheias, honrou seus antecessores. Houve empenho irrestrito, futebol de passes rápidos e marcações compenetradas nos dois lados do campo. O primeiro tempo, por exemplo, não permitiria outro placar que não o empate. As duas equipes ameaçavam-se com a qualidade dos passes de seus meias: D’Ale e Andrezinho; Tcheco e Souza. Mas a cautela, filha bastarda do medo de perder o jogo, mantinha o cabresto puxado, e continha o ímpeto dos jogadores.

 

O primeiro gol anunciava um Grenal como os outros três deste ano: Grêmio especulando num escanteio, zaga do Inter segura, contra-ataque veloz, gol de Nilmar. Souza ainda elevou o grau de irritação dos torcedores azuis ao tentar cavar falta no limiar de nossa grande área. A tarde era um desastre.

 

Ocorre que algumas diferenças entre o time de ontem e aquele treinado pelo homem do bigode invisível, Celso Roth, foram determinantes para a virada. Ruy sumiu do Olímpico, e Mario Andarilho Fernandes candidatou-se a seguir como titular depois de boa atuação – há que se ter paciência com as eventuais e naturais oscilações de um rapazote de 18 anos; a meia cancha bem povoada, sobretudo na contenção, com a juventude talentosa mas imatura de Adílson, compensada com a experiência vagarosa de Túlio.

 

Tudo isso permitiu à equipe reestruturar-se nos minutos após sair perdendo, e voltar ao campo do Inter com a mesma força e empenho. Numa tentativa, Souza foi obstruído ilegalmente por Guiñazu. Pedro Ernesto de Nardim, num rompante oportunista e profético, avisou, assim que o meia deitou a bola no gramado e mirou a goleira de Lauro com a concentração que os retirantes nordestinos destinavam aos oásis abstratos nas obras de Graciliano Ramos e João Cabral de Melo Neto, que os gremistas deviam acreditar e que os colorados, por outro lado, temer a cobrança – e ambos o faziam, mesmo que dissimulassem o otimismo e o medo por qualquer superstição particular. Souza confirmou o narrador da Gaúcha e justificou a venda de dois juniores para adquiri-lo, além de recolocar o Grêmio no jogo: 1 a 1.

 

O segundo tempo não permaneceu equilibrado. Ora, honrado leitor, o Grêmio perdera os três Grenais anteriores no ano, observara, mesmo que distante, o momento vacilante (Abraço, Leandro Guerreiro!) do adversário, jogava em casa e não vencia há dois anos. Tudo levou Autuori a adiantar o time, pressionar os colorados em seu campo e forjar, como de costume, muito mais na força e na atitude do que no futebol, a vitória gremista.

 

Assim o Grêmio criou mais, correu mais, lutou mais e, ainda que tenha desperdiçado oportunidades mais claras, marcou num lance fortuito, um respingo de um escanteio, e a confirmação estrelada de Maxi López. Afinal, centroavante, nas plagas de Bento Gonçalves, precisa fazer gol em Grenal para merecer a camisa 9 – ou 16.

 

O Grêmio retira aquela bigorna de tonelada e meia das costas e pode ascender na tabela do Brasileiro sem o estigma de não vencer clássicos. Já o Inter, segue tartamudeando num labirinto sem luz, à espera de uma reação que não acontece desde a primeira derrota para o Corinthians.

 

Guilherme

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 Já fui esquerdista, falso comunista, idolatrava o Che, entendia que o Chavez era um enorme sabidão e tinha plena convicção que o 11 de setembro era um mal necessário. Cresci acreditando em ideologias retrogradas, vomitando argumentos falidos, tendo a certeza que iria mudar o mundo.

 

 Aos poucos, fui abandonando minhas cartilhas até chegar ao ponto de não entender como tinha certos posicionamentos na minha vizinha juventude. Nunca imaginei tantas mudanças durante tão abreviado tempo. Um único sentimento permanece intacto: o de ser Colorado.

  

Recordei de tudo isso ao chegar na Casa Colorada, no domingo, 8, para assistir o 1 º Gre-Nal de 2009. Lembrei de todos os gre-nais da minha vida, dando destaque para o gauchão de 1997 – época de vacas magras para os colorados, bem no momento em que voltamos a ter a hegemonia do Estado. Por incrível que pareça, estava sóbrio – sorvi uma duas caipirinhas, o que, com o meu organismo tarimbado, não faz diferença alguma.

 

 Absorto, olhava para todos os lados. Casa cheia. Policial, músicos, contadores, publicitários, artistas, loucos, comunistas e reacionários, todos ali. Vestindo o mesmo manto, esperando ansiosos o toque de bola inicial. Como era a primeira vez na Casa, me prendi nos detalhes estruturais do estabelecimento. Enquanto percebia detalhes das luminárias colocadas ao chão, com uma pequena proteção para evitar problemas com os bebuns de plantão, ouvi a voz de um integrante da Popular que não é do movimento islamita extremista nacionalista, mas, conhecido como Talibã.

 

 -Vai ser 2 a 1.

  

Agora estava tranquilo.

 

 Até poderia ter me exaltado como os outros colorados da minha volta, quando um dos torcedores gritou gol no momento em que o D’Alessandro batia a falta na tv – devido ao intervalo de tempo nas transmissões de rádio/payperview. Deveria ter ficado brabo com os comentários esquálidos do gordo, sobre a permanência do Índio, após a falha primária que originou o gol deles. Mas pra mim, tudo era festa. Só esperava o segundo gol. E ele veio no finalzinho, momento em que alguns já estavam desacreditados.

  

Em uma arrancada brilhante, após a rebatida de Índio, Taison saiu em velocidade atravessou o gramado como um guepardo e lançou para Nilmar. Nesse instante, veio a tona o lance do gol do Fabiano, em 1997. Galguei um degrau e comecei a gritar, tendo a certeza do gol. Em meio a tapas, socos e abraços, só lembro de ter grunhido “igual, igual”. Após comemorar com os colorados mais próximos, percebi um senhor de meia idade já, – naqueles tempos conhecido por Bitoca – que ia no bus, na época ruim do Inter e não me contive e dei uma gravata.

 

 – Me lembro de ti no Scaranto em 97…. É nos de novo, porra.

 

 Creio que ele não entendeu muito. Pelo menos eu sabia que agora era só esperar terminar a partida.

 

 Nos minutos finais nem me apeguei muito no jogo. Fiquei pensando na força do Inter, em poder unir pessoas tão diferentes: mais a frente, o prefeito; pouco atrás, a ala feminina; no fundão claro, a Popular Guaíba; e espalhados pelo pátio, pessoas de diferentes áreas, etnias, condições sócio-econômicas, tendo como principal elo o amor pelo nosso Colorado.

  

Nunca tinha ido na Casa Colorada. Confesso que estava bem receoso, porque na Refinaria sempre dava Zebra. Mas em um local aconchegante, pé-quente, a Casa conseguiu reunir a família colorada de Guaíba, reavivando algumas lembranças que já estavam guardadas no baú do esquecimento.

 

 Fabio

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