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Archive for julho \31\UTC 2006

Nada pode ser Maior…

Campeão do mundo em 1983. Nem era nascido, mas cansei de ouvir gremistas usarem como argumento para diminuir a sua passagem pela Segunda Divisão (a segunda vez, pelo menos, foi honrosa).Um clube com mais de 100 anos de história. Um clube que mostrou para o mundo as belíssimas jogadas de Ronaldinho Gaúcho e a petulância de Renato Gaúcho. Definitivamente, um clube que trouxe alegria para muitos gaúchos.

Comigo o tricolor foi solidário em 97. Passados alguns anos como secador, vi o Inter ser Campeão Gaúcho e vencer no histórico 5 a 2. Nascia naquele ano, o meu maior ídolo colorado. Devo isso, ao Grêmio. Hoje as coisas mudaram. Libertadores é coisa de colorado, e secação de gremistas.

Na véspera da semifinal da competição intercontinental, aconteceria mais um Gre-nal. Optei por não ir ao jogo, afinal, não era de grande importância. Vou até a casa de um amigo gremista e encontro vários de seus companheiros entusiasmados esperando a vitória, em frente a televisão. Junto-me ao grupo que, ansiosamente aguardava o início da partida. Ao ouvir o silvo inicial, me distraio e começo a ler a coluna do Mainardi.

O tempo passava rápido. Pelos gritos de “uh” de um torcedor melancia, cheguei a pensar que sairia derrotado. Descobri depois que quem realmente sairia lesado era a bola, que acabou ficando em segundo plano, perdendo espaço para a selvageria da torcida.

Quando percebi a briga dos torcedores com a Brigada, larguei a revista. Soltanto risos nervosos, não queria acreditar no que via. O Beira-rio ficou a mercê de vândalos e marginais que corajosamente enfrentaram a Polícia com socos e pontapés. Se não fosse o bastante, atearam fogo nos banheiros químicos, que foram arrancados e jogados para o antigo setor da “Korea”.

A ignorância começou antes da partida, sendo que duas horas antes do jogo, foguetes eram lançados contra a torcida do Inter no caminho para o Estádio. Três “coquetel molotov”, foram encontrados com os azuis. Pra que isso? A grandeza do Grêmio não poder ser vinculada com toda essa barbárie. Uma podridão que transparecia nos olhos arregalados dos marginais que apedrejavam os Bombeiros que precariamente tentavam conter o fogo. Faceiros. Conseguiram para a partida por mais de 13 minutos. A imbecilidade do ser humano às vezes assusta. Tem que ter muita cocaína na cabeça.

Em casa, no dia seguinte, penso em tudo que aconteceu. É compreensível que algumas pessoas usem o futebol para de forma equivocada extravasar seus sentimentos. Mas nunca será justificável. Nenhuma desculpa poderá ser considerada um atenuante. Uma coisa é ter marginais infiltrados dentro da torcida, (O Inter tem). Outra bem diferente é a diretoria de uma agremiação querer colocar panos quentes. É lamentável a presidência do Grêmio se manifestar de uma forma tão simplista. “Houve uma desavença, nada demais”. Entendo perfeitamente que não tem como controlar um bando de animais dentro de um Estádio. Não é culpa do Grêmio. Mas considerar um fato corriqueiro foi uma infelicidade sem tamanho do senhor Túlio Macedo. (Presidente em exercício). De todos as discussões e argumentos, para mim bastou esse. Como diriam os saudosistas tricolores, “Nada pode ser Maior”.

Fábio

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Por quê não Experimentar?

Sabia que era proibido. Ou ao menos tentaram coibir algum dia. Na minha infância nem imaginava direito o que era, mas com a chegada da adolescência, as coisas foram mudando. A tendência para a esquerda fortalecia cada vez mais à vontade de experimentar. Tinha que sentir como era. Com a entrada no segundo grau, acabei não resistindo.

Nas primeiras vezes nem sabia direito o que estava fazendo. Fiquei meio desiludido. Não foi como esperava. Com o tempo, peguei prática. Em meses já sabia apreciar um fininho como ninguém. No auge, consumia dois, três, de barbada. Os mais atarrancados é que me derrubavam. (até hoje tenho dificuldade).

Descobri um novo mundo. Conheci novos lugares, novas sensações, e, tornei-me livre. Passei a ver a vida de outra maneira, tranqüilo e sereno. Basta deixar o olhar se perder e pronto. Uma leveza toma conta do corpo, os membros paralisados deixam a mente viajar por campos verdejantes, acolhendo a brisa tênue, que calmamente vem descendo do céu. Ah, como é boa essa sensação. Poder se sentir onde quiser e como quiser sem precisar sair do lugar. É maravilhoso. Tenho que admitir, nem sempre é bom. Às vezes um fininho não cai muito bem e passo por maus bocados.

Com o nosso amadurecimento, todos meus amigos acabaram experimentando. Quer dizer, o Ézio insiste em não querer desfrutar desse alucinógeno maravilhoso. Se bem que, ultimamente ele tem ingerido algumas substancias de baixíssima qualidade. Estou preocupado. Os demais consomem em quantidades variadas. O Guilherme, por exemplo, com um fininho já faz a cabeça, enquanto o Pitt é mais forte, precisando de dois ou três para surgir algum efeito. O Pedro de vez enquando se puxa um pouco mais. O Leal é o menos esforçado de todos. Muito raramente da uns “tapas”.

Sei que isso já faz parte da minha vida. Fico feliz de ter entrado e colocado gente nessa barca. (Será que deveria?). Não consigo imaginar-me acordando todas as manhãs, sabendo que não teria um fininho a minha disposição, para ser desfrutado a hora que quiser. Tento manter a média de um por semana. Mas, invariavelmente surgem outros e mais outros de tamanhos variados. E pensar que em algum momento da vida tive medo do novo. Ah! Como é bom consumir um … Livro.

Agora te pergunto. Por quê não experimentar?

Fábio

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Vô Juca

Lembro bem de seu bigode ralo e acinzentado. Lembro de sua fala plena e segura, mesmo que ofegante. Lembro também das pernas arqueadas, cambotas, e que ganhavam a calçada mansamente até chegar à parada de ônibus. Lembro, é claro, da forma como me recebia, seu carinho contido – resquício de uma educação machista e opressora -, mas também como transbordavam seus olhos, marejados de cumplicidade com os meus. Às vezes, na maioria delas, bastava fitar-nos. As palavras eram suprimidas com nosso silencioso entendimento. Lembro de quando ele lembrava de um causo seu. As frases jamais se atropelavam, sobrepostas simetricamente, numa precisão parnasiana. Feito poeta, mas sem o estudo e as arestas deste. Queria ser ele quando crescesse. Quanta pretensão…

Lembro, lembro e lembro…Talvez não devesse. A lembrança é sempre cruel. Chega quando a convivência foi abreviada, quando houve alguma ruptura na rotina. E ela me visita todos os dias. Abraça-me de mansinho e me leva pra passear junto do Vô Juca. Com sua boina torta, seus passos descompassados e nossos intermináveis segredos.

Guilherme

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Grande Assistência

Em Guaíba, existem as pastas de Transporte, Trânsito, Saúde, Educação… Assim, como em qualquer outra cidade. No entanto, a Secretaria de Assistência Social é inoperante. Nada contra as pessoas que lá trabalham, mas no meu entender, não há necessidade desta, se somente são realizados serviços paliativos e assistencialistas. O Zé Mayer guaibense junto de seus assessores geram um alto custo para os cofres públicos do Município, sendo que a resposta “devolvida” a sociedade, na prática, são algumas migalhas distribuídas a população carente. Algumas vezes as pessoas saem com 1kg de arroz. Olha que beleza.

No site da Prefeitura é apontado um link da Secretaria com a seguinte passagem – que visa garantir direito de cidadania e igualdade de condições de vida a todos. – Igualdade de condições de vida? Tento pensar em algum fator que, ao menos minimizar as desigualdades, mas nada encontro. Os serviços mais destacados pela própria Secretaria são: Distribuição de cestas básicas, vale-transportes para pacientes irem ao médico quando necessário. Sem esquecer claro, o transporte próprio para levar os enfermos até os hospitais de Porto Alegre. Aquele caso do motel lembram?

O Legislativo já questionou a ineficácia da Assistência Social, solicitando a criação de programas que realmente causassem algum impacto positivo para a população existente na camada de exclusão social. A Secretaria por sua vez, mostrou belos números do “bolsa-família”, salientando atender no momento mais de cinco mil famílias da cidade, correspondentes a mais de 90% da população de baixa renda. Até quando esses “pilinhas” vão ser considerados como igualdade de condições?Deixo a ressalva para os profissionais que tentam fazer algo de positivo para que haja uma mudança real. Pessoas como eu, que acreditam no papel da Assistência Social, sendo este, do diferente trabalho apresentado pelas “1ªs Damas da vida”, que pomposas organizam assistencialismos baratos. Tento acreditar que a Secretaria foi criada para um bem da população e não para ser mais um local onde cargos políticos são entregues depois de mirabolantes coligações eleitoreiras.

Fábio

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A Gurizada

Éramos seis. Ainda somos, acho eu. Três gremistas e três colorados. Opa, quase. Quatro gremistas e dois colorados. Todos heterossexuais – até que se prove o contrário. Colegas de turma. Confidentes. Anos já de convivência copiosa. Seria inevitável não surgirem histórias engraçadas, marcantes.

Num primeiro momento o número reduzia-se a três, se bem me lembro. Eu, Ezio e Fabio. A amizade nascida de uma partida de futebol na qual seríamos rivais. Temíamo-nos mutuamente – fator que abreviou o confronto com os tradicionais xingamentos que antecipam os jogos. E abriu caminho para nossa amizade.

Nosso itinerário, então, passou a traçar linhas nas ruas do Engenho. Mega Drive no Ezio: futebol; Super Nes no Fabio: futebol; Super Nes lá em casa: futebol. Uma gama interminável de competições virtuais. Desculpa para trocarmos frases triviais sobre…futebol.

Quando minha família comprou o sítio, a rotina alterou-se. Agora tínhamos um campo onde jogar. Mas a distância não facilitou as coisas. “Futebol, sábado, no sítio, às nove da manhã. Combinado?” “Combinado”. Eu e Ezio já sabíamos que o Fabio não conseguiria acordar. A expressão já cansada com que recebia a convocação para o jogo denunciava antecipadamente sua falta. E não foram poucos os sábados de gol-a-gol no sítio. Mas valia a pena. Naqueles duelos matinais alimentei o sonho de ser jogador de futebol. Iludi-me alguns anos mais com minhas pretensões futebolísticas. Até ser derrotado por meu físico mirrado, pelas outras prioridades que minha vida abraçava e, finalmente, pela cerveja.

Com o passar dos anos escolares o grupo ganhou novos integrantes. O primeiro deles – tido como membro seguro, já que o Leal sempre habitou perifericamente nossa rotina até pouco tempo atrás – foi o Pitt, o Jonas. As mãos suadas, a voz sussurrada e os gestos comedidos do Pitt nos aproximaram dele logo que entrou para o colégio. O que adiou a convivência mais estreitada foi o peculiar interesse do Jonas pelos nomes de músicas e artistas estrangeiros da MTV. Depois desse estranhamento inicial, o entendimento deslanchou.

O Pedro foi o último a chegar. Já no segundo grau da Martinho Lutero. Nas aulas do Pastor Irmo – sob as canções de cunho religioso – ou nas horas de ensinamento duvidoso da Ivoni, a Panela tomava sua forma definitiva. O Leal passou pelos rituais necessários para também freqüentar o clã.

Juntos conhecemos o álcool e outras drogas mais fortes – como o Play Station. Juntos deixamos os medos e as inseguranças de adolescente para sofrermos outros tipos de temores. “O amargo da vida”, como sempre repetiu o Pitt, fazia-se presente em nossos lares e era fracionado e diminuído com a terapia etílica que fundamos. O futebol passou a ocupar uma importância secundária – ao menos o jogado. E os dias tornaram-se mais coloridos e reforçados de uma certeza que não compreendemos por completo, mas a sabemos existente: o elo semeado nas tardes desperdiçadas em meados dos anos noventa e fecundado nos anos posteriores.

Nesse dia do amigo, o mínimo que posso fazer é agradecer a esses cinco “caras estranhos” e paneleiros incorrigíveis.

Valeu por tudo, gurizada.

Guilherme

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Alexandre, o Grande

Logo aos 16 anos, depois do assassinato de seu pai, “Alexandre, o Grande”, teve de assumir o trono da Macedônia. No alto dos seus 1m52, o Grande conquistou sua primeira vitória aos 18, quando derrotou o batalhão sagrado de Tebas em meados de 300 a.c. Com sua ambição, foi garantindo rapidamente mais territórios para seu império e depois de desbancar os persas, garantiu o título de Rei da Ásia. Lembro-me da minha pré-adolescencia, e como ela foi diferente. Estudante de colégio particular, não costumava prestar muita atenção nas aulas. Longe de ser um aluno exemplar, nem imaginava que, com esta idade, alguém poderia ser tão grandioso. Eram outros tempos.

História até então, ficava em terceiro ou quarto plano. Para mim, uma grande conquista seria ser escalado no Inter A na Educação Física. De fato, isso nunca ocorreu. Ia para o Inter B. Para não correr riscos de esquentar o banco, geralmente me disponibilizava para atacar no gol. Entretanto, mesmo com ínfima qualidade no futebol, sempre tive muita “estrela”. Considero um fator determinante para um perna de pau.

Ao contrário do monarca asiático, uma das minhas principais vitórias veio sem “vias de fato”. Em uma tarde ensolarada de outono, foi realizado um Gre-Nal mistão entre os alunos da sétima série. Para minha surpresa, estava escalado pra “linha”. Apesar do caráter não oficial da partida, fiquei muito orgulhoso. Sentia-me o Fabiano cachaça. Com medo de não marcar gols, tinha que arranjar uma estratégia para ser notado na equipe principal. Pensei em que fazer. Depois alguns instantes, veio à idéia brilhante. Uma aposta.

Escolhi o atleta com maior marketing pessoal do time oponente e lancei a oferta. Quem perdesse o jogo, vestiria a camiseta do adversário. Talvez por excesso de confiança, ou soberba, o jogador aceitou prontamente e repassou o nosso trato para sua equipe. Antes mesmo de começar a partida, todos já estavam sabendo o que se passava. Agora, só não podia perder. Se não, seria tudo em vão. Ou até mesmo pior.

Começa o jogo. Eu meio nervoso, não estava preparado para receber os olhares de toda a torcida e não produzia muito. Os cinco ou seis que assistiam, se contorceram de tanto rir quando o Grêmio largou na frente. “Oh a camisetinha do Grêmio…” falavam de fora do campo. O mais chato de todos era o professor da turma. Assim como eu me imaginava jogador de futebol, ele se intitulava judoca. As cornetas que mais me irritavam vinham do “mestre”, que esperava ansioso o momento de ver eu me expor ao ridículo.

Foi então que Alexandre, um alemão de 1m75, o mais alto do Inter, veio falar comigo. “Vai lá que tu vai fazer o teu”. Meio desacreditado, fiquei na pescaria a espera de uma sobra. Com cara de palhaço, o judoca dizia que faltava apenas um minuto para que fosse feita a colocação do manto tricolor. Mal sabia que, uma bola de chiripa acabaria deslizando em frente à área. Era o momento. Meio desengonçado, dei um peito de pé com muita raiva. O Grande estava certo. Depois de estufar as redes, fui diretamente xingar o professor, mas, após o lance, ele se levantou e foi embora, como se nada tivesse acontecido. O Gre-Nal seria decidido na prorrogação.

Tinha a certeza que marcaria mais um e decidiria a partida. Afinal, nasci para ser um goleador. O jogo recomeça equilibrado. Passado uns cinco minutos, o Grêmio envolve a nossa zaga e depois de uma tabelinha, acaba marcando o gol da vitória. Que raiva. Deu errado. Aos menos estava feliz porque o judoca não presenciaria a cena.

Esqueci por instantes que Alexandre era do meu time. Com a mesma coragem do monarca, o alemão que era conhecido pelos amigos como batata, enfrentou todos os seus oponentes. “Ele não vai vestir a camiseta e pronto”, esbravejava. Os gremistas tentavam reivindicar de todas as formas, mas devido ao seu tamanho, começaram a aceitar as ordens de Alexandre. Rapidamente ele me retirou do campo. “Vamô embora que tu não vai colocar camiseta nenhuma”.

Achei justo. Feliz, fui embora pra casa lembrando do gol marcado. Até hoje uso os ensinamentos que apreendi neste dia. Passados alguns anos, me interessei mais por leitura e conheci diversos personagens históricos. Mas tenho a plena certeza que um deles eu conheço desde 1996. O meu amigo Alexandre, o Grande.

Fábio

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“Brigada, Sinhô”

E a chuva deita seu choro fininho, sua inquietude constante que lateja na telha alaranjada de uma casa no centro de Guaíba. E a lua reflete o lamento arrastado de uma crioula que não aceita seu destino, seu desatino. Ela oferece o seio seco ao filho, o leite insosso e azedo. Ela oferece a pena, a dor, as rugas de seus trinta e três anos de penitências. Ela oferece os pés calejados, as mãos ressequidas e a alma lavrada de sofrimento. Ela carrega as imperfeições que os olhares alheios condenam. As moedas caem encharcadas de desprezo. As notas, amassadas, cheiram a humilhação. O sorriso fotográfico não engana nem a si mesma. “Brigada, sinhô”, repete e repete feito papagaio. Faz da mão uma concha e conta a parca quantia arrecadada. Enrola a criança no cobertor andrajo e caminha no seu andar atrapalhado para a única refeição do dia.

Guilherme

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