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Posts Tagged ‘Botafogo’

André Lima tenta intimidar imitando Silvester Stalone

André Lima tenta intimidar Rafa Marques imitando Silvester Stalone

 

Mesmo com um time melhor, num estádio neutro, diante de um adversário de forças e futebol módicos, cuja morada costumeira é o Mangue da zona de rebaixamento; mesmo com gol sobrenatural de Jonas, mesmo que tenha tomado a dianteira do placar num momento adiantado e decisivo do jogo, mesmo com as duas mãos, os dois pés e os vinte dedos de Rodrigo Cintra, o árbitro, alijando as nádegas botafoguenses com erros clamorosos, mesmo assim o Grêmio não passou de um empate no Engenhão.

 

E se o deus do futebol, um velhinho sacana, irmão bastardo do pai de Cristo e de todos nós, tivesse algum caráter, permitiria a virada aos alvinegros no final do jogo. Porque o que se viu desde que o primeiro silvo deixou a boca de Cintra na tardinha carioca de ontem, foi o Grêmio mimetizar dramaticamente os movimentos constrangedores que promove longe do Olímpico desde as primeiras rodadas.

 

Tcheco e Souza, figuras imponentes e sóbrias diante de sua torcida, transformam-se em velhinhas matriarcas que outorgam para si o destino de suas famílias, mas não movem uma palha para tanto, e ainda impedem a iniciativa de membros mais novos. Tulio, aquela avó precoce que vestiu a camisa 4, completou o triângulo de latifundiários que reduzem a meia cancha gremista a um terreno improdutivo em outros estados. Restou a Adílson tentar um protagonismo vedado por sua natural imaturidade.

 

Ainda assim, a despeito de todas essas barbaridades, o Grêmio vencia. Com dois gols de Jonas, e um terceiro de autoria mútua de Souza e Réver, Autuori sacava esse sapo de pés frios e papo vermelho que o acompanha quando deixa o Salgado Filho de dentro da mala, juntava uma marreta e sentava a mão para ferir mortalmente o tabu de vitórias fora. Mas o próprio treinador cavaria com zelo sua cova. Aos 30 minutos da etapa derradeira, retirou o melhor jogador do time, o que não era lá grande coisa, mas ainda o melhor, Jonas, e lançou Makelelê. Ali todos os gremistas, todos os colorados, todos os botafoguenses, inclusive, sabiam que o 3 a 3 sairia. Para acrescentar uma colherada, não, uma concha de feijão de ironia, o mesmo velhinho sem caráter que manipulou Cintra na garfada ao Botafogo, levou Leandro Guerreiro, aquele volante vacilante que nasceu vermelho, acertar um chute inominável, ainda que com desvio, no ângulo de Victor, decretando a igualdade final.

 

Iarley na ponta dps pés

Iarley equilibra-se na ponta dos pés para aparecer na foto

 

Já no Beira Rio, um ídolo encontrou seu crepúsculo e uma torcida, a redenção. Os 4 a 0 do Inter sobre o Goiás encarnam proporções muito maiores que a dança de colocações no topo da tabela. Os torcedores colorados livraram-se finalmente daquela bruma de interrogações que se arrastou desde a ida de Fernandão para o centro-oeste e as acusações mútuas entre ele e Fernando Carvalho, agravadas pelas oscilações do time de Tite no Brasileiro. Pelo menos até quarta-feira, e com razões claras e inequívocas, Fernando Carvalho estava certo.

 

É claro que num placar tão dilatado e nulo para o adversário pululam destaques na equipe vencedora. Mas um jogador, em especial, desfilou o fino da bola: Kléber. O lateral pouco lembrava aquela figura apática e triste de outrora, que chegou a ser contestada no Beira Rio e perdeu espaço no coração de Dunga. Ontem, Kléber cumpriu seus deveres de marcação com autoridade, mas assumiu de forma enfática a articulação do time, arriscando lançamentos e os acertando com maestria, arrematando pataços indolentes, distribuindo assistências e sendo premiado com uma bucha. Ainda houve a malícia da canhota de Marquinhos, a lucidez de Giuliano, o esforço de Edu, a liderança de Guiñazu. Enfim, vencendo o Galo na quarta, o Inter regressa seriamente à briga pelo título.

 

Confere aqui como está teu time na Tabela. E aqui os resultados da rodada.

 

Guilherme Lessa Bica

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Cabeça de Fábio é engolida por traseiro adversário

Cabeça de Fábio é subitamente engolida por traseiro adversário

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* Texto dedicado ao amigo Andre, que o destino quis que fosse fazer precoce companhia aos eternos, ao sofrer grave acidente automobilístico no último domingo. Força, Locão! Não nos falaremos dia 1º, conforme combinamos no último trago, findi passado, mas conto com tua companhia no Gigante para ver o gol “a la bebeto” Colorado.

 

De acordo com os dados da Universidade de Ponta Grossa, que presta assessoria ao TFC, a média dos leitores deste sítio fica entre 19 e 29 anos, o que torna necessária uma breve apresentação do entrevistado desta Terça Tisser Entrevista.

 

Natural de uma localidade ridicularizada pelo seu peculiar nome de Pau Grande, Manuel dos Santos, o Mané Garrincha, atende ao repórter Fabio Araujo, fazendo juras de amor ao Fogão e apontando o seu favorito ao Brasileirão 2009.

 

TFC – Os teus dribles desconcertantes inspiraram poetas, cineastas e encantaram o mundo nas Copas de 58 e 62. Na época, tu compreendia a dimensão de tudo isso?

Garrincha – Compreender, até compreendia. O problema que a cabeça não era muito boa. Mas tô na batalha ainda. Dou umas bicadas, somente, de vez em quando.

 

TFC – Pela diferença de tamanho das tuas pernas, sofria algum preconceito? E essa história de chamar os adversários de João. É lenda?

Garrincha – Olha, João, no início o pessoal me chamava de perneta, punhe…  Mas bastava a bola rolar e eles passavam a conhecer o garotinho do Pau Grande, digo, de Pau Grande.

 

Segundo a Elza, Garoto de e do Pau Grande

Segundo a Elza, Garoto de e do Pau Grande

 

 

TFC – O futebol espetáculo, com jogadas e dribles pelos flancos, com o passar dos anos foi substituído pela força, marcação forte e outros subterfúgios de anti-jogo. Nesta nova escola de futebol, quem será o campeão do Brasileirão deste ano?

Garrincha – O Botafogo. Desde que eu sai de lá, não veio ninguém à altura, mas este ano eles vão ir bem. Tu vai ver, João.

(em OFF)

Posso falar a verdade? O time é podre. Não vai ganhar de ninguém. De novo.

 

TFC – Um recado final aos que almejam ser jogador de futebol.

Garrincha – Não tomem trago, comam mulher e aprendam com o Mané.

 

Foto: lhamanews.com

 

Fabio

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A Rainha de todos os traumas

A Rainha de todos os traumas

 

Aproveitei o feriado dia do trabalho para curtir uma viagem com minha esposa e nem assisti a partida do Rolinho do Inter, contra o Figueira.

 

Ao chegar em casa, anteontem, liguei a tevê e passava a decisão nos pênaltis entre Botafogo e Flamengo, pelo campeonato Carioca. O Fogão não poderia errar mais, e, para minha surpresa, quem foi ajeitar a bola foi o inesquecível Leandro ‘Certo que vai errar’ Guerreiro.

 

Confesso que o meu primeiro sentimento foi de felicidade. Ria ao ver aquela cara de sonso, estupefado com a cobrança ridícula. A mesma cara que fez em 2000, após um vacilo homérico, contra o Cruzeiro, no Mineirão, que acabou sacramentando a eliminação do Inter, na competição daquele ano. Desde então, Guerreiro entrou no meu caderninho de pessoas não gratas. Achava que só eu lembrava daquele lance. Mas ao conversar com um colega mineiro – Fabriccio de Lucca -, semana passada, ele me comentou sobre a cagada histórica do limitado atleta.

 

 

Mas a vingança nunca é plena, mata a alma… Coração grande, que tenho, me solidarizei com a dor de Guerreiro. Freud poderia explicar a falha. Deve ser algum trauma de infância, assim como eu tive.

 

Talentos Reprimidos

Aos meus três anos, outono de 1987, fui levado por meus pais para assistir a uma peça teatral em Porto Alegre. O enredo, por motivos óbvios, não lembro bem.

 

Em resumo, era um malfeitor que queria acabar com as criancinhas do mundo, aplicando uma injeção letal em todas elas, começando pelas que estavam na plateia. Não sabia o que significava a palavra letal, mas o tamanho da agulha – maior que a perna do ator – me assustava demais.  Acho que ele percebeu a minha apreensão. Deviam ter umas 300 crianças assistindo. Ele foi direto em mim.

 

– Vou começar por este aqui! Há há há há. E apontou a gigantesca seringa em minha direção.

 

Em centésimos de segundo, começou o berreiro que só parou quando cheguei em casa, horas mais tarde, após inúmeras xícaras de água com açúcar. Por um bom tempo não entrei em teatros ou cinemas. Com 11 anos, achei que tinha superado o problema.

 

Resolvi participar de um grupo de teatro na escola, encenando um “casamento na roça”, no papel de Pai da noiva. Para um iniciante, o texto não era muito complexo: bastava dizer o vocábulo casa (do verbo casar) para o noivo, que insistia em fugir do matrimônio. Começou a peça, tudo certo: chega na hora do vamo vê e…. não saía a voz. Tentava, mas não dava. Quando consegui, as quatro letras tiveram umas cinco entonações diferentes, arrancando dezenas de risos da plateia, acabando com a minha precoce carreira nas artes cênicas.

 

Com o Guerreiro, deve ter ocorrido o mesmo. Provavelmente, em sua infância, algum vizinho tenha lhe dado um ‘pal’, e gritado no seu ouvido “tu sempre será um cagão de merda”, ou algo do gênero, e essas palavras ficam vagando na mente do pobre jogador. Hoje, sempre que é cobrado, caga no pincel. Entrega o mumu.

 

O Guerreiro do pincel

O Guerreiro do pincel

 

E assim será.

 

Eu: amaldiçoado a não seguir na carreira como ator. Guerreiro: com a sina de ser um jogador de futebol amarelão. Ele, claro, com uma larga vantagem por ter plenas condições financeiras de encarar uma psicanálise.

 

Fotos: Xuxa: perdidonoinfinito.blogspot.com; Guerreiro: revistadobotafogo.com.br.

 

Fabio

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