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Posts Tagged ‘Gre-Nal’

Não há lá muito o que ruminar sobre a churrascada pouco amistosa de ontem a tarde no Beira Rio. Havia, em campo, dois times deprimidos, tascando o secador de cabelo no rosto para enxugar mais rápido as lágrimas copiosas que ambos derramaram na despedida melancólica e em massa promovida pelo futebol brasileiro na Libertadores, semana passada. Pareceu, contudo, que a eliminação precoce do Grêmio – bailando feito china ébria nos braços de um barranqueador perverso, no caso, os chilenos da Universidad na partida do Olímpico – preparou a turma tricolor para aceitar melhor a derrota sofrida na terra de Neruda. Ao passo que os colorados caminham trôpegos feito zumbis viciados em ópio até agora, transitando por pesadelos portenhos, perseguidos por Oliveras e Martinuccios, pelo fantasma do bigode invisível, e agora também agravado pela faina orelhuda e nordestina de um mancebo originário da terra de Collor de Melo e filho de Viçosa Sênior.  

Numa partida em que o placar foi alternado cinco vezes, o 3 a2 para o Grêmio reproduziu no resultado a superioridade azul tênue comprovada no campo. Ainda que mantenha viva uma suspeita traiçoeira, pelo menos, até o próximo domingo: a derrota colorada pode ter nascido muito mais de carências próprias do que das virtudes do inimigo.

Abaixo, algumas observações pretensiosas e encharcadas de parcialidade azul acerca de alguns personagens da partida de ontem.  

Viçosa comprova apetite por carne vermelha

 Renan: é um Clemer ou um Danrlei ao contrário: engendra muretas impermeáveis no próprio gol quando em jogos de menor importância. Assim que é exigido em confrontos fundamentais, lembra Eduardo Heuser, João Gabriel e Tavareli. Não pode ser titular do Inter.

Marcelo Grohe: não teve culpa na eliminação da Libertadores. Fez grandes defesas desde que assumiu o lugar de Victor. Nas últimas partidas, e no Grenal não foi diferente, comprovou que pode ser um reserva importante, sobretudo em ano de Copa América.

Nei: é o Gilson do Inter. Passa o jogo todo correndo atrás da bola, admirando sua natureza esférica, ambicionando possuí-la, ser o senhor da jogada. Quando ela se oferece a ele, porém, é corrompido pela inaptidão inequívoca, tal qual Smeagol em posse do anel.

Rockembach: perdeu uns 50 centímetros de coxa, alguns mais no abdome, aquela papada que resguarda o queixo e alguns outros quilos desde que chegou ao Grêmio, no final de 2009. È a nascente de todas as jogadas gremistas.

Damião: centroavante com C, E, N, T, R, O, A, V, A, N, T e E maiúsculos. É perito no jogo pelo ar, mas sabe tratar a bola com os pés também. Deve ser o reserva do 9 na Seleção Brasileira. Caso Pato prossiga na irregularidade habitual que caracteriza sua carreira, pode ser o titular de Mano.

Leandro: tem condições de ser o que Anderson, Carlos Eduardo e Douglas Costa não conseguiram: o craque que conduz seu time a um título grande. Precisa de tempo e de um novo cabeleireiro.

Sóbis: não sabe bem o que quer. Parece que o tempo passado nos Emirados Árabes está cobrando um preço alto. Vai embora na metade do ano e, pelo visto, não deixará saudades.

Junior Viçosa: centroavante com mobilidade e estrela. Três gols em dois Grenais é um começo importante. Lembra Jonas logo que chegou ao Grêmio: irregular, carente de confiança, mas dono de alguma habilidade e qualidade. Até a volta de André Lima, é o melhor 9 em condições de jogar.   

 

Guilherme Lessa Bica

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E ele insiste no 3-6-1

E ele insiste no 3-6-1

 O Grêmio perder a Taça Fernando Carvalho no último domingo, no Beira-Rio, foi um resultado normal. Até esperado. Venceu o time que tinha a melhor campanha, melhor ataque, melhor defesa e artilheiro da competição. O que chamou a atenção, no entanto, foi a postura acovardada do cavalo paraguaio Celso Roth. (3-6-1 eu usava quando treinava times de quarta divisão e iria jogar contra um time da primeira, pela TAÇA, no Elifoot).

Mas, deixo o Grêmio para o outro colunista do TFC, que tem mais autoridade para tecer seus comentários.

Vou apenas listar alguns tópicos que percebi na consistente vitória colorada, por 2 a 1, gols de Índio e Magrão.

  • Com a saída de Alex, o Inter ficou sem cobrador de faltas; D’Alessandro não jogou, tudo bem, mas tem que treinar muito ainda chutes de bola parada;
  • Kleber, que estava mais ou menos, mostrou que tem potencial e deverá melhorar nos próximos jogos;
  • Pra mim, no lance do gol do Grêmio, o Lauro peruziô.
  • Andrezinho foi esforçado e colaborou com o grupo.
  • Guina foi o Guina dos velhos tempos, raçudo, Colorado.
  • Nilmar se movimentou bem e perdeu os gols que sempre perde.
  • O Zagueiro artilheiro Indio meteu uma buxa, com grandiosa colaboração do sistema defensivo do Grêmio.
  • E o Magrão, contestado por muitos colorados, marcou o gol do título.
  • Em nível de curiosidade, o Inter está invicto a seis Gre-Nais; venceu os três últimos marcando 8 gols, sofrendo apenas 3. Vencer o Grêmio de Roth, virou rothina.

 

Agora, na quarta-feira, 4, o Inter busca a classificação frente ao fortíssimo União Rondonópolis, no Estádio Beira-Rio.

 

 

Fabio

 

Foto: Marcos Arco Verde/Foto.com

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 Já fui esquerdista, falso comunista, idolatrava o Che, entendia que o Chavez era um enorme sabidão e tinha plena convicção que o 11 de setembro era um mal necessário. Cresci acreditando em ideologias retrogradas, vomitando argumentos falidos, tendo a certeza que iria mudar o mundo.

 

 Aos poucos, fui abandonando minhas cartilhas até chegar ao ponto de não entender como tinha certos posicionamentos na minha vizinha juventude. Nunca imaginei tantas mudanças durante tão abreviado tempo. Um único sentimento permanece intacto: o de ser Colorado.

  

Recordei de tudo isso ao chegar na Casa Colorada, no domingo, 8, para assistir o 1 º Gre-Nal de 2009. Lembrei de todos os gre-nais da minha vida, dando destaque para o gauchão de 1997 – época de vacas magras para os colorados, bem no momento em que voltamos a ter a hegemonia do Estado. Por incrível que pareça, estava sóbrio – sorvi uma duas caipirinhas, o que, com o meu organismo tarimbado, não faz diferença alguma.

 

 Absorto, olhava para todos os lados. Casa cheia. Policial, músicos, contadores, publicitários, artistas, loucos, comunistas e reacionários, todos ali. Vestindo o mesmo manto, esperando ansiosos o toque de bola inicial. Como era a primeira vez na Casa, me prendi nos detalhes estruturais do estabelecimento. Enquanto percebia detalhes das luminárias colocadas ao chão, com uma pequena proteção para evitar problemas com os bebuns de plantão, ouvi a voz de um integrante da Popular que não é do movimento islamita extremista nacionalista, mas, conhecido como Talibã.

 

 -Vai ser 2 a 1.

  

Agora estava tranquilo.

 

 Até poderia ter me exaltado como os outros colorados da minha volta, quando um dos torcedores gritou gol no momento em que o D’Alessandro batia a falta na tv – devido ao intervalo de tempo nas transmissões de rádio/payperview. Deveria ter ficado brabo com os comentários esquálidos do gordo, sobre a permanência do Índio, após a falha primária que originou o gol deles. Mas pra mim, tudo era festa. Só esperava o segundo gol. E ele veio no finalzinho, momento em que alguns já estavam desacreditados.

  

Em uma arrancada brilhante, após a rebatida de Índio, Taison saiu em velocidade atravessou o gramado como um guepardo e lançou para Nilmar. Nesse instante, veio a tona o lance do gol do Fabiano, em 1997. Galguei um degrau e comecei a gritar, tendo a certeza do gol. Em meio a tapas, socos e abraços, só lembro de ter grunhido “igual, igual”. Após comemorar com os colorados mais próximos, percebi um senhor de meia idade já, – naqueles tempos conhecido por Bitoca – que ia no bus, na época ruim do Inter e não me contive e dei uma gravata.

 

 – Me lembro de ti no Scaranto em 97…. É nos de novo, porra.

 

 Creio que ele não entendeu muito. Pelo menos eu sabia que agora era só esperar terminar a partida.

 

 Nos minutos finais nem me apeguei muito no jogo. Fiquei pensando na força do Inter, em poder unir pessoas tão diferentes: mais a frente, o prefeito; pouco atrás, a ala feminina; no fundão claro, a Popular Guaíba; e espalhados pelo pátio, pessoas de diferentes áreas, etnias, condições sócio-econômicas, tendo como principal elo o amor pelo nosso Colorado.

  

Nunca tinha ido na Casa Colorada. Confesso que estava bem receoso, porque na Refinaria sempre dava Zebra. Mas em um local aconchegante, pé-quente, a Casa conseguiu reunir a família colorada de Guaíba, reavivando algumas lembranças que já estavam guardadas no baú do esquecimento.

 

 Fabio

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