Feeds:
Posts
Comentários

Posts Tagged ‘Souza’

 

Souza usa de gesto obsceno para ludibriar adversário

Souza usa de gesto obsceno para ludibriar adversário

 

O Grêmio encarnou na última rodada aquele gordinho abnegado que palmilha compenetrado sua esteira nas academias da vida. Cumpre seu trajeto imóvel e quilométrico diário, dá de ombros para os esgares malvados de donos de corpos mais atraentes que zombam de seu esforço, e segue acreditando, mesmo que os espelhos lhe joguem a verdade crua na cara, que pode chegar lá. Pois ainda que tenha amolestando os mineiros do Altético com quatro gols, o time de Paulo Autuori praticamente não ascendeu na tabela, visto que Corinthians, Avaí e Barueri também pontuaram. Não há problemas: o palmilhar prossegue, e – mesmo que alguns incréus ousem duvidar – no inexorável encalço da Libertadores.

 

Já não há mais aquela euforia em goleadas tricolores no próprio galpão. Assim como não há muita lamúria nas derrotas longe de seu pago. A harmonia que une time e torcida no Olímpico é inversamente proporcional à sombria e solitária atmosfera que inibe resultados alvissareiros em outros estados. E foi novamente embalado por ela que o Grêmio patrolou os comandados de seu ex-chefe.

 

O enredo se repetiu. Tcheco e Souza senhores da meia-cancha. Réver fazendo de sua corpulência uma imposição física e não uma idiossincrasia mongól. Perea e Jonas donos da confiança inerente aos atacantes competentes. E Victor, bem, Victor foi Victor. O Atlético ficou submetido à marcação gremista, e apenas no segundo tempo conseguiu ensaiar algumas tabelas indolentes, sobretudo com Diego Tardelli e Renan Oliveira, mas Éder Luis já havia deixado o campo, e Rentería, seu substituto, mostrou que não perdeu o vigor na arte de maltratar a bola e acabou gradualmente com as esperanças ofensivas do Galo.

 

Danny constrangido com relação libidinosa de inimigos

Danny constrangido com relação libidinosa entre inimigos

 

Ainda no sábado, o Palmeiras estreou uniforme livrando-se da sequencia de três jogos sem vencer, repassando às mãos de Tite o mini tabu de vitórias, com um 2 a 1 fundamental a quem persegue o caneco. Há quem diga que a fatiota pigmentada com a cor azul influenciou no resultado, mas adianto que não revelo a fonte e que a mesma carece de comprovação científica.

 

Sobre o jogo, não se pode dizer que houve uma supremacia paulista. O Inter soube marcar os principais jogadores adversários, agrediu, inclusive, o time de Muricy em certos momentos, mas repetiu o futebol meia boca cujo resultado foi o revés caseiro diante do Corinthians. O mesmo futebol que aliado de alguma correria é suficiente para derrotar equipes menores, porém inútil contra iguais.

 

No meio da semana o Inter começa a sanar a dívida de dois jogos que pode alçá-lo ao panteão dos candidatos ao título, caso vença; e pode estagná-lo na zona intermediária e esquartejar a já alquebrada moral de Tite no Beira Rio, caso perca.

 

Além do supracitado isolamento do Palmeiras no primeiro lugar, única equipe na casa dos 40, restou também ao Avaí o protagonismo da rodada. Já são 11 partidas de invencibilidade, mas não aquela invencibilidade enganosa, abundante de empates. Não. Os 3 a 0 sobre o Flamengo somaram a oitava vitória no bolso de Silas e abriram as portas do Gê Quatro aos catarinenses.

 

Tabela de Classificação.

 

Resultados

Santo André 1 x 0 Coritiba

Palmeiras 2 x 1 Internacional

Sport 2 x 0 Vitória

Corinthians 3 x 3 Botafogo

Grêmio 4 x 1 Atlético-MG

Atlético-PR 1 x 0 São Paulo

Fluminense 0 x 0 Barueri

Cruzeiro 4 x 2 Náutico

Goiás 2 x 1 Santos

Avaí 3 x 0 Flamengo

 

Guilherme Lessa Bica

Anúncios

Read Full Post »

Otite, para quase todo mundo, é uma infecção que se instala no ouvido do vivente, que pode ser de maior ou menor grau, gera febre, dor aguda e inclusive perda de audição. Não no Inter. O Tite, para os colorados, causa muito mais do que isso, até promove umas dores de cabeça, mas é sobretudo o devastador maior das esperanças rubras. Mais um sintoma dessa chaga foi diagnosticado no sábado, no Estádio do Engeho Grande, no Rio. O frágil, incauto e limitado Botafogo se reabilitou com a vitória, senhora que não lhe é muito simpática nos ultimos anos, num 3 a 2 sobre o Inter, o que empurrou o time de Tite para a lanterna do G – 4. Por aqui, também na tardinha de sábado, o Grêmio suou mais do que deveria para vencer o Santo André, ainda que, num olhar gremista e pragmático, os três pontos sejam sempre os mesmos sob qualquer diferença de gols.

 

Botafogo 3 x 2 Inter

 

O que uma vitória não faz aos pocuo acostumados com ela

O que uma vitória não faz aos pouco acostumados com ela

 

O primeiro tempo do jogo no Engenhão já chamara todo colorado num canto da sala, aproximara suas cabeças como quem se prepara para compartilhar um segredo e confidenciara, para diminuir o constrangimento iminente, que mais uma derrota se avizinhava. Os mesmos jogadores que decepcionam há muito tempo seguiram naquela toada lerda e anestesiada: D’Alessandro entregue à marcação; Magrão numa crise de identidade, o que não lhe permite marcar adversários, tampouco armar jogadas; Andrezinho tentando ser o craque que não é, esquecendo-se de sua condição de coadjuvantes, ou, na verdade, substituindo de forma capenga mas interessada quem deveria ser protagonista; mas o mais grave eram as ausências de Nilmar e Guiñazu.

 

Sem Guina, o Inter perde o pulmão esquerdo. Sem Nilmar, a perna direita. Ora, mesmo que jogando contra o Botafogo, não há chance alguma de se vencer perneta e com graves problemas respiratórios. E ainda foi por um detalhe que o jogo não terminou 2 a 2. O gol de Alessandro saiu muito mais por negligência gaúcha que talento carioca. O Tite segue no comando, mas os ouvidos rubros já estão cansados, doloridos e impacientes.

 

Grêmio 3 x 2 Santo André

 

Marcelinho Carioca sem Photoshop

Marcelinho Carioca sem Photoshop

 

No Olímpico, o Grêmio tomou um susto necessário no primeiro tempo, num gol insólito de Antônio Flávio – cujo nome combina de forma magistral com o lance –, em que a bola curiosamente não tocou as redes, mas de fato entrou. A virada foi construída com dois gols de Rafa Marques e uma bucha de Souza, num daqueles chutes que transformam o goleiro adversário em torcedor, visto que a bola toma um efeito impossível de deter, e somente a trave ou algum olho gordo competente pode desviá-lo da goleira.

 

Está mais do que claro que Rafa Marques é mais zagueiro do que Leo, e deve tomar logo a posição ao lado de Réver. O que a vitória não escondeu, porém, foi a dificuldade de se administrar o resultado até a expulsão de Nunes no segundo tempo. A partir daí o Grêmio voltou a criar mais e Herrera e Jonas mostraram com virtuosa eficiência como se perde gols imperdíveis.

 

Nos demais jogos, destaque para o 3 a 0 de Obina sobre o Corinthians ainda ressacado do título da Copa do Brasil, debilitado pelo possível desmanche e agora sem Ronaldo por cinco semanas. Deveras importante também, mais um triunfo do Vitória, que realmente não deve chegar ao final do campeonato na terceira posição que ocupa, mas demonstra um fôlego surpreendente e tenaz.

 

Resultados – 14ª rodada

Grêmio 3 x 2 Santo André

Atlético-PR 1 x 3 Avaí

Botafogo 3 x 2 Internacional

Corinthians 0 x 3 Palmeiras

Santos 1 x 2 Flamengo

Atlético-MG 0 x 1 Goiás

Sport 3 x 3 Náutico

Barueri 1 x 2 São Paulo

Fluminense 1 x 1 Cruzeiro

Vitória 1 x 0 Coritiba

 

Classificação

Atlético-MG 28

Palmeiras 28

Vitória 24

Internacional 24

Corinthians 23

Goiás 23

Barueri 22

Grêmio 21

Flamengo 20

Avaí 19

São Paulo 18

Santos 17

Santo André 17

Coritiba 15

Botafogo 15

Cruzeiro 14

Sport 13

Atlético-PR 12

Fluminense 11

Náutico 11

 

Guilherme

Read Full Post »

Arílson e Carlos Miguel pós-modernos

Arílson e Carlos Miguel pós-modernos

 

O Grenal é uma e várias catarses. É o vermelho magma e o azul mar, mas maiores e mais impactantes que vulcões e oceanos. O Grenal é um sentimento que impele rubros e tricolores a esmagarem mentalmente os adversários, ainda que a única forma física de ele ser plenamente satisfeito é impor ao rival uma derrota, seja a diferença de gols mínima, mas ainda uma derrota. Pobre dos milhões que não vivem e, portanto, são incapazes de entender essa relação.

 

Pois o clássico que comemorou um centenário de petelecos mútuos nas orelhas rivais e alheias, honrou seus antecessores. Houve empenho irrestrito, futebol de passes rápidos e marcações compenetradas nos dois lados do campo. O primeiro tempo, por exemplo, não permitiria outro placar que não o empate. As duas equipes ameaçavam-se com a qualidade dos passes de seus meias: D’Ale e Andrezinho; Tcheco e Souza. Mas a cautela, filha bastarda do medo de perder o jogo, mantinha o cabresto puxado, e continha o ímpeto dos jogadores.

 

O primeiro gol anunciava um Grenal como os outros três deste ano: Grêmio especulando num escanteio, zaga do Inter segura, contra-ataque veloz, gol de Nilmar. Souza ainda elevou o grau de irritação dos torcedores azuis ao tentar cavar falta no limiar de nossa grande área. A tarde era um desastre.

 

Ocorre que algumas diferenças entre o time de ontem e aquele treinado pelo homem do bigode invisível, Celso Roth, foram determinantes para a virada. Ruy sumiu do Olímpico, e Mario Andarilho Fernandes candidatou-se a seguir como titular depois de boa atuação – há que se ter paciência com as eventuais e naturais oscilações de um rapazote de 18 anos; a meia cancha bem povoada, sobretudo na contenção, com a juventude talentosa mas imatura de Adílson, compensada com a experiência vagarosa de Túlio.

 

Tudo isso permitiu à equipe reestruturar-se nos minutos após sair perdendo, e voltar ao campo do Inter com a mesma força e empenho. Numa tentativa, Souza foi obstruído ilegalmente por Guiñazu. Pedro Ernesto de Nardim, num rompante oportunista e profético, avisou, assim que o meia deitou a bola no gramado e mirou a goleira de Lauro com a concentração que os retirantes nordestinos destinavam aos oásis abstratos nas obras de Graciliano Ramos e João Cabral de Melo Neto, que os gremistas deviam acreditar e que os colorados, por outro lado, temer a cobrança – e ambos o faziam, mesmo que dissimulassem o otimismo e o medo por qualquer superstição particular. Souza confirmou o narrador da Gaúcha e justificou a venda de dois juniores para adquiri-lo, além de recolocar o Grêmio no jogo: 1 a 1.

 

O segundo tempo não permaneceu equilibrado. Ora, honrado leitor, o Grêmio perdera os três Grenais anteriores no ano, observara, mesmo que distante, o momento vacilante (Abraço, Leandro Guerreiro!) do adversário, jogava em casa e não vencia há dois anos. Tudo levou Autuori a adiantar o time, pressionar os colorados em seu campo e forjar, como de costume, muito mais na força e na atitude do que no futebol, a vitória gremista.

 

Assim o Grêmio criou mais, correu mais, lutou mais e, ainda que tenha desperdiçado oportunidades mais claras, marcou num lance fortuito, um respingo de um escanteio, e a confirmação estrelada de Maxi López. Afinal, centroavante, nas plagas de Bento Gonçalves, precisa fazer gol em Grenal para merecer a camisa 9 – ou 16.

 

O Grêmio retira aquela bigorna de tonelada e meia das costas e pode ascender na tabela do Brasileiro sem o estigma de não vencer clássicos. Já o Inter, segue tartamudeando num labirinto sem luz, à espera de uma reação que não acontece desde a primeira derrota para o Corinthians.

 

Guilherme

Read Full Post »

Toca aqulela do Milton Nascimento, toca!

Toca aqulela do Milton Nascimento, toca!

 

Há uns irresponsáveis que dizem dominar a arte dos fenômenos físicos, e alardeiam de forma ignominiosa e vil, encharcados do escrúpulo que a Academia lhes outorga, a tese de que dois raios não desabam no mesmo lugar. Pois a Porto Alegre da noite de ontem, embebida naquela subversão que tanto a diferencia do restante do país, provou que eles não sabem é nada da matéria da qual Albertinho é um dos pais maiores. O Grêmio sofreu os mesmos dois gols sofridos pelo Inter no primeiro tempo, providenciou a expulsão de Adílson para que sua torcida se inflamasse tal qual os rubros com a saída do pré-adolescente D’alessandro no dia anterior. E também com um a menos espremeu com certo sacrfício o empate em 2 a 2. O gosto amargo só não chegou a nossa boca pelas visões oníricas da noite quarta.

 

A atmosfera para a partida foi construída corretamente. Da convocação do torcedor, às afirmações de otimismo de dirigentes e jogadores, tudo seguiu uma métrica adequada para uma decisão. Também por isso o Grêmio controlou o Cruzeiro nos 37 minutos iniciais, articulando jogadas, rondando o gol de Fábio com algum perigo. Como se os mineiros se estendessem numa faixa central que ocupava todo o seu campo, os gremistas souberam avançar pelos flancos, pacientes, ainda que sempre reféns da limitação técnica. Assim surgiram chances como um chute de Souza que desviou na zaga, anulou Fabio, mas passou sobre o gol. Assim também Réver e Maxi López cabecearam com perigo faltas cobradas dos vértices da grande área do Cruzeiro por Tcheco. Mas sempre se pecava na conclusão.

 

E o futebol, como todos sabem, não é como Deus que sai perdoando qualquer pecadinho que vê pela frente, alisando aquela barba alva e passando a mão na cabeça de suas ovelhinhas. Não, o futebol é pagão. E ficou claro no giro competente de Kléber sobre Fábio Santos e a assistência precisa para Wellington Paulista iniciar a onda de coincidências negativas. Ela que teria sequência logo logo, com um Grêmio catatônico e o Cruzeiro confiante, Johnatan pegou nossos defensores de calças curtas e achou novamente o algoz maior, o Judas, mais conhecido como Wellington Paulista, que mergulhou no gramado do Olímpico como quem pega jacaré na solidão da água marrom e leitosa do Quintão, feito banhista de olhos abertos e sorriso maroto no rosto. Pois que ele volte pra Minas e fique escutando aquelas porcarias de Skank, Jota Quest e Pato Fu, e não nos encontremos nunca mais. Três gols em dois jogos!

 

A partir daí o jogo se transformou num daqueles enredos de filmes do Clint Eastwood. A vida é uma merda, mas pelo menos temos que passar por ela com alguma honra. Foi nessa toada que o Grêmio voltou a pressionar os cruzeirenses na segunda etapa. De forma atrapalhada e apressada, mas pressionava. O ímpeto ofensivo gerou descuidos na defesa, e num contra-ataque e mais um passe iluminado de Kléber, Adílson operou as pernas de Ramires. Era o último jogador antes de Victor, portanto estava expulso. As coincidências negativas chegavam ao fim.

 

A expulsão não diminuiu a vontade e as investidas no ataque gremista. Souza e Tcheco seguiam articulando jogadas, promovendo lançamentos. Num deles, Herrera dominou no peito e obrigou Fabio a boa intervenção. O time insistia pelas laterais, único espaço encontrado para atacar, e assim cansou de levantar escanteios para a área mineira. Réver aproveitou num cabeceio correto um deles, descontando e iniciando a fase das coincidências positivas. Fase que foi completada pelo chute pretensioso, mas consistente de Souza, confirmando-o como grande jogador do Grêmio na competição.

 

A desclassificação não é algo grave. É ruim, nunca se espera a derrota, mas o time que hoje oscila durante os jogos e perde gols em demasia, deu mostras de que pode melhorar com a sequência do trabalho de Autuori. De resto, fica o recado aos homens da lógica que ainda acreditam que a vida é um quadrado simétrico e banal: Porto Alegre mostrou que pode se travrestir de Para-raio para desmenti-los. Ainda que nem isso tenha bastado para fazer de seus filhos mais ilustres no futebol, os vencedores desta semana.

 

Foto: Terra

 

Guilherme

Read Full Post »

Grêmio e San Martin

Grêmio e San Martín

 

Enquanto Boca Juniors, São Paulo, Cruzeiro, Palmeiras e Nacional forjam trincheiras, acumulam mantimentos e armam a cavalaria para peleias inomináveis e mortais contra homens feitos, conhecedores da Latino América, nas oitavas da Libertadores, o Grêmio cuida de uma criança de cinco anos chamada Martín, com fama de Santo, mas futebol de pagão. Como qualquer equipe obstinada a comandar a América, o Tricolor invadiu o berçário alheio e derrotou o menino em seu próprio pebolim: 3 a 1. Gols de Maxi López, dois, e Souza, para variar um pouco. Mas, como bom pescador que é, o Martín descontou: tento do pugilista e centroavante colombiano Arsuaga.

 

A partida começou à feição do Grêmio. O San Martín atirava-se ao campo adversário e se descuidava de brechas na própria defesa, como qualquer jogador da NBA que pegou um jens emprestado do Romário e insiste em puxá-lo até a cintura, descobrindo, obviamente, as canelas. Pois numa dessas distrações, Souza deixou o marcador deitado e chutou firme de canhota para abrir o placar.

 

O gol não animou o Grêmio. Ao contrário: a criança Martín deixou o campo, e um adolescente rebelde e assanhado entrou em seu lugar, como esses que costumam se eleger presidentes bolivarianos. O meio-campo do Grêmio transformou-se em território peruano e os cruzamentos repetidos à exaustão foram premiados ao final do primeiro tempo. Arsuaga aplicou o drible em Fabio Santos no mesmo toque em que dominou um lançamento longo e envolvente, e completou, no toque seguinte, maculando as redes de Victor.

 

Os 45 minutos iniciais terminavam como deveriam, em enfadonha igualdade: de um lado, um adolescente corajoso, mas incapaz de cuidar do próprio nariz; de outro: um adulto medroso, mas sábio sobre as coisas da vida.

 

Pois Marcelo Rospide deve ter umedecido os jogadores com aquela mijada amiga durante o intervalo, digna das grandes mudanças de comportamento. Porque logo aos 25 segundos de reingresso ao jogo, Souza confirmou a condição de jogador mais importante do Grêmio na Libertadores e alçou a bola até a cabeleira luzidia de Maxi López. O argentino adiantou-se à zaga e escorou para o gol.

 

Esse foi pra ti, Vanda!

Esse foi pra ti, Wanda!

 

O resultado já era satisfatório, mesmo que a atuação não correspondesse. Estava encaminhada a vaga, até uma derrota por 0 a 1 no Olímpico faria o Grêmio avançar às quartas. Mas ainda faltava um gol. Jonas recebeu belo passe de Ruy e trotou para a linha de fundo, simulou um cruzamento e driblou o marcador, um peruano displicente, jogando a bola para dentro da área, antes que ela cruzasse a linha de fundo. Lá estava, como sempre, Maxi López. Ali, naquela cabeçada, ele deve ter finalmente assustado quem torce contra os azuis. Porque não foi simplesmente um gol. Foi um gol de centroavante que domina a arte da bola aérea. Um gol de centroavante que há muito tempo não se via na Azenha. O 3 a 1 estava decretado. E a partir daí, Martin ficou sonolento, como qualquer criança que tenta acompanhar as conversas de adultos que se estendem pela madrugada.

 

 

Mais importante que ter encaminhado a classificação. Mais importante que ter a convicção de que é melhor do que os possíveis adversários nas quartas, Caracas ou Deportivo Quenca. Mais importante que tudo isso, é a afirmação de um triângulo que permite aos gremistas sonharem alto: Victor, Souza e Maxi López. As mãos, o cérebro e as pernas (e a testa também) – respectivamente – do Grêmio nessa Libertadores.

 

Fotos: Gurizada: quebarato.com.br; Maxi: abril.com.br.

 

Guilherme

Read Full Post »

O pequenino competente, diria Ribeiro Neto

O pequenino competente, diria Ribeiro Neto

 

O Grêmio começou o jogo de ontem, contra o Boyacá Chicó, imprimindo um ritmo que dizia: veja cá, moça rubra, e aprenda como se empilha oito em um adversário numa competição de verdade. Logo aos 16 minutos Souza havia marcado dois, o primeiro, um três dedos insinuante e de contribuição importante do arqueiro colombiano Prono Velásquez. 

 

Quando Léo confirmou que a noite era de goleada, a certeza de que os tentos não caberiam em uma só mão se impôs. O que logo foi desmentido por uma apatia repentina. Algo compreensível: o Grêmio já era, na metade do primeiro tempo, o melhor time da primeira fase da Libertadores 2009, aquele com o melhor ataque e o que menos sofrera gol.

 

O segundo tempo transcorreu com lentidão. Exceto pelo pênalti que Larrionda assinalou nos primeiros minutos para os colombianos. Depois de um dos filhos de Macondo afobar-se e invadir a zona do agrião antes do permitido e o árbitro uruguaio anular o gol recém marcado, Victor voou no canto esquerdo, espalmou a bola para os pés da defesa gremista e protagonizou o último lance relevante da partida.

 

Enquanto isso, na terra de Evo, quase que o Universidad, de Chile, entrega a papoula. La U permitiu ao Aurora a ilusão momentânea de que marcaria seu primeiro e único ponto. Mas no segundo tempo o time do uruguaio Sergio Markarián resolveu o jogo e se classificou em segundo para as oitavas com um 2 a 1.

 

O Grêmio deve reencontrar o Defensor nas oitavas, aquele que incomodou em 2007. Ainda com Rospide no comando e cumprindo tudo o que prometeu para a Copa.

 

Foto: Clic Esportes

 

Guilherme

Read Full Post »