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Posts Tagged ‘Santos’

São sete títulos continentais espalhados por um gramado de 80 anos. É mais do que isso. São duas conquistas olímpicas num tempo remoto e quase inverossímil sem Copas do Mundo, num tempo quando o campeão olímpico era o campeão do mundo. Mas é ainda mais. São cinco Copas, mais de vinte Libertadores e catorze mundiais de clubes. É Santos e Peñarol, uma final repetida quase 50 anos depois. Mas é, sobretudo, Brasil contra Uruguai. E não adianta Galvão Bueno ou qualquer outro membro da imprensa sudestina bradar nacionalismo, não adiantam o talento de Neymar ou a competência de Muricylha. Pela raça inimitável, pela crise financeira interminável, pela decadência insolúvel, por 24 anos sem La Copa: é uma questão de dignidade torcer pelo Peñarol nesta final.

 

Club Atlético Peñarol

A incredulidade de quem respeita uma final de Copa

O Peñarol é o terceiro clube mais vencedor da Libertadores. São cinco títulos, outras tantas finais. Em tempos de vitórias, nos anos de conquistas consecutivas, essas taças expostas numa estante servem para intimidar o adversário, demonstrar grandeza. Quando se passa 24 anos sem sequer cogitar repetir parte daqueles feitos, o dourado e a prata dos troféus desbotam, os atletas vencedores morrem, os títulos transformam-se em fantasmas inatingíveis.

Foi preciso que Diego Aguirre, um dos remanescentes do último triunfo continental em 1987, regressasse, agora como treinador, para exorcizar os espectros que povoam todo imaginário de um clube sem taças importantes há muito tempo. No ano passado, comandou a equipe na conquista do Clausura. Neste ano, depois de ausentar-se e ver que, diferente de outros tempos, era o Peñarol quem mais precisava dele e não o contrário, voltou a Las Acácias para recolocar os aurinegros novamente no rumo das vitórias.

Depois de uma primeira fase irregular, justificada pela presença num dos grupos mais equilibrados de La Copa – na companhia de LDU, Independiente e Godoy Cruz –, os uruguaios voltaram a forjar o futebol de passes atribulados, balões intencionais e cruzamentos ladinos que identifica há quase um século as principais conquistas de seu país e levou a Celeste Olímpica ao quarto lugar na Copa da África.

Inter, Católica e Vélez já foram exorcizados por Aguirre, juntamente com os mesmos fantasmas do passado. O Santos pode ser o próximo.

 

Santos Futebol Clube

Eles não merecem. Mas eles devem vencer

O Santos, ao contrário do adversário portenho, é um clube acostumado com títulos na última década. Foram dois Brasileiros e uma Copa do Brasil. O vice da Libertadores em 2003, no fim do sonho ingênuo e feliz que Robinho e Diego engendraram até encontrarem o Boca de Tevez e Schiavi, é ferida que somente cicatrizará com a vitória dessa geração ainda mais talentosa, sobretudo pelos pés de Neymar e Ganso.

O Curioso é que, assim como o Peñarol, os santistas trilharam um caminho pedregoso no início de La Copa. Os pontos foram minguados nos primeiros jogos,  Adilson Baptista fracassou pela segunda vez consecutiva no estado de São Paulo e outros problemas, como repartir Neymar com a Seleção Sub-20, as lesões de Ganso, Elano e Johnatan, alertaram a diretoria que a demissão de Muricylha do Flu configurava-se num bálsamo divino.

O amigo de Vagner Martins emprestou seu quinhão ao Feitiço da Vila, desafrescurou o time, empilhou de volantes a intermediária quando o jogo recomendava parcimônia defensiva, não teve medo de imitar Felipão e Celso Roth e corrigiu os equívocos ofensivistas que lhe custaram a Líber de 2006, deixando o América mexicano, Once Caldas e Cerro Porteño, respectivamente, nas covas do mata mata. Resta saber se essa comunhão de talento e casmurrice é suficiente para suplantar a mística aurinegra. A noite de hoje começa a nos dar a resposta.

 

PEÑAROL   X   SANTOS  (Estádio Centenário, 21h50min / Montevideu, Uruguai)

 

Guilherme Lessa Bica

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Ali onde os parentes menos abonados da coruja dormem

O Santos já é campeão da Libertadores. E o fiador maior deste título, é bem verdade que assessorado de perto por um cobrador de faltas e escanteios competente, Elano, por um treinador calejado e vencedor, Muricylha, acompanhado no protagonismo até a metade da competição por um Ganso confuso fora de campo e seguro dentro dele, o fiador maior deste título, resisto o que posso e prolongo o parágrafo porque sei que ele encerrará com seis letras que maculam para sempre a história de La Copa, seis letras que representam a verdade do futebol brasileiro e americano atual, seis letras que sustentam um moicano emo, doses carregadas de pretensão e futebol abundantes, o fiador maior deste título atende pelo nome de Neymar.

E Neymar é a personificação de tudo aquilo que sempre rebaixei à categoria escatológicas do bom futebol, a personificação de arestas dispensáveis e arabescos que prendem a atenção muito mais pela pose do que pela posse da bola, a personificação sulamericana da doutrina fundada em Cristiano Ronaldo: o jogador que divide a atenção na bola com a preocupação permanente com câmeras e ângulos favorecidos.

Ocorre que o neófito da Vila, embora refém das mesmas idiossincrasias no comportamento que reduzem o futebol de jogadores talentosos à mera extensão de suas personalidades controversas, carrega consigo uma herança que nem o Ronaldo gajo, tampouco qualquer outro europeu receberia: a malícia do futebol brasileiro. Há no talento de Neymar qualquer coisa de Romário quando espalma a mão no peito e intima o companheiro a reconhecê-lo como o destino inexorável do passe, há no taleno de Neymar qualquer coisa de Ronaldo quando anuncia numa pedalada premeditada o lado que escolherá para avançar e ainda assim esnoba no arranque a marcação resfolegante e frustrada, há qualquer coisa de Pelé na cabeça erguida, no chute certeiro, aquele que retira goleiros das fotografias mesmo nos lances de bola rolando. Se a elegância de Ganso remete à parcela europeia de nosso futebol, o jogador aristocrata que decide jogos sem macular o uniforme, Neymar encarna com fidelidade o estereótipo do guri que jogaria da mesma forma descalço em campos calvos e inóspitos o que joga nos melhores gramados do mundo, ainda que tenha sido preparado desde o nascimento para as chuteiras, ainda que nunca tenha jogados em praças sem grama, algo que se explica somente em teorias que versam sobre heranças congênitas ou esprituais.

O empate de 3 a 3 na noite de ontem no Defensores Del Chaco reafirmou duas certezas: o Santos será campeão da América e Neymar é jogador de Libertadores. Como deve confirmar-se também, com o devido tempo, jogador de Copa América, Champions League, Mundial de Clubes, Copa do Mundo e qualquer outro torneio deste ou de outro sistema solar. Apesar do moicano emo, apesar de couverizar Cristiano Ronaldo, apesar das arestas. Porque o jogador talentoso, feito escritor de mesma capacidade, anula qualquer idiossincrasia moral com uma obra prima. Neymar está construido a sua.

 

A outra semifinal:

Hoje, às 21h50min  VÉLEZ  x  PEÑAROL

 

Guilherme Lessa Bica

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A dupla Grenal promoveu um dos maiores embates que sua rivalidade centenária já presenciou, engendrou dois encontros belicosos com um saldo estratosférico de dez gols, esmigalhou o coração de cada torcedor vermelho, de cada torcedor azul, numa decisão por pênaltis alienígena, enfim, conduziu os mais ingênuos da província à crença de que a Libertadores estava superada, de que há futebol em quantia generosa por aqui, de que é possível confrontar os outros grandes brasileiros e conquistar, ao menos beliscar, a caneca de chope de Ricardo Teixeira que todos aceitamos como Campeonato Brasileiro. A dupla Grenal promoveu uma farsa. Não conseguiu vencer o time XY ou XX do Santos e quebrar o tabu na Vila. Não conseguiu nem um constrangedor empate no Olímpico, o que manteria a digna marca de não perder em estréias do torneio. O céu segue plúmbeo na terra de Túlio Milman. E a previsão não encomenda dias azuis ou vermelhos.

O quinhão mais vexatório dessa farsa gaudéria foi, sem dúvida, protagonizado pelo Grêmio, ontem à tarde. Há uma fidelidade inócua e perene mesmo no coração do torcedor mais reticente. Uma entidade que obriga essa criatura por vezes tão calejada de derrotas a dar demonstrações de amor pela camisa que escolheu, ainda que o momento recomende tapas, pontapés e outras agressões.

Pois essa fidelidade foi novamente maltratada pelos tricolores na derrota por2 a1 para o Corinthians. O jogo não diferiu daquilo que ocorreu nos cinco longos e derrotados meses de 2011 na Azenha. Um amontoado de jogadores de azul, preto e branco, em correria desabalada, inversões improvisadas, lançamentos apressados, tudo numa assimetria que confunde o adversário – na mesma proporção que confunde os próprios jogadores gremistas – e que, normalmente, contribui para o Grêmio marcar seus gols. Foi o que aconteceu quando Leandro, uma das poucas almas daquele time que não ardem num inferno imaginado por todo torcedor tricolor nesta segunda-feira, apossou-se da bola e marchou obstinado em direção à área paulistana, projetou-se sobre o gramado num roçar de ombros com o zagueiro e cavou o pênalti que Douglas configuraria em gol.

Mas todos sabíamos, lá no fundo, lá naquele recanto onde descansam as certezas que resistimos em admitir, todos sabíamos que o placar era um engodo. Quando o Grêmio de hoje sai vencedor, duas figuras fundamentais precisam estar em dia inspirado: Rockemback e Douglas. Ambos arrastavam-se em campo, errando passes simplórios e enredando a bola em movimentos inábeis até que ela os abandonasse em laterais ou desarmes adversários.

A virada corinthiana, gols de Chicão – noutro pênalti enganoso – e Liedon – aí está um centroavante de verdade – apenas confirmou as suspeitas de que há algo de muito podre na Azenha, de que não é normal um time que joga domingo começar a treinar na quinta-feira, de que, por fim e tragicamente, o Grêmio está colocando unanimidade que Renato Portaluppi forjou nos maiores títulosdo clube em atuações inverossímeis como jogador em cheque, vide os xingamentos e a revolta dos torcedores, anteriormente dedicados com exclusividade a jogadores e dirigentes.   

 

Martírio na Vila 

A Vila Belmiro é o terreno mais inóspito do Brasil para visitantes. Nalgum canto daquele gramado maldito onde Edson Arantes do Pelé, O Nascimento desfilou seu futebol monarca, deve residir a carcaça de um xangô macabro, os restos mortais de um bispo beatificado, a burca mágica de alguma entidade muçulmana, ou todos eles, mancomunados todos em ajudar o time de Santos.

Mesmo o Inter tendo um conjunto plural de talheres, não somente a faca – mas colheres e garfos para saborear Escargot e outros pratos de paladar exigentes – e o queijo nas mãos, emperrou novamente nas convicções européias de seu treinador. Numa partida de valor técnico reduzido, restou a Zé Roberto, dono do gol de empate colorado e de alguns bons lances individuais o protagonismo solitário. O Santos abrira o placar com um Keirrisson outrora pretendido pela Dupla Grenal, mas que desaprendeu a jogar futebol, de pênalti. O um a um melancólico persistiu.

É preciso ressaltar que Falcão ressentiu-se das ausências de Andrezinho, Indio, Rodrigo, Nei? e, sobretudo, D’Alessandro. O argentino fez muita falta num meio-campo combativo, mas previsível.

Resultados e Classificação aqui.

 

Guilherme Lessa Bica

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Presságio

Separa alguns centavos a mais no orçamento e avisa a negavéia que a partir da noite deste sábado o ano não será o mesmo. Infla o peito, tira o palito dos dentes e segue rumo ao mercado do Tonho. Tudo bem, pode ser o do Juarez, ou Valdir, que seja. Encesta um fardo de skoles, acotovela umas outras avulsas e aguarda, repousando na cadeira do papai – com a petulância que somente os embriagados possuem – a entrada da esquadra Rubra na Vila Belmiro pela estreia do Brasileirão. Vamos começar com o pé direito. O Inter precisa somente fazer o que nunca fez: vencer na Vila.

Dezenas de milhares de incautos insistem em bradar que os anos renascem após a última escola de samba desfilar na Passarela; o ano útil, realmente, dá largada no próximo sábado, para alegria do Palocci e alguns de seus companheiros bem sucedidos. A queda na Dow Jones passará despercebida, a tensão com a inflação sucumbirá e o mundo não se tornará todo azul, como recitam os afeminados, mas sim, Vermelho. Assim esperamos, ao menos o Brasil.

A grande verdade é que, mesmo com resultados adversos, a sensatez nos faz prever com certa facilidade numa esperança débil: a felicidade irá imperar!   

Talvez consiga tirar os olhos mirados cerradamente para a vulva da Renata Fan e prestar, ao menos um pouco, atenção no teu time. Tenho certeza que verá fundamento nos argumentos do Ribeiro Neto e achará graça nos longos Boataaaarde do Paulo Britto. Já diria o Gilberto Gil, ‘sem correr, bem devagar, a felicidade voltou pra mim…’

 

O Elenco Promissor

Se olharmos o terreno do vizinho, a grama dele estará bem pior que a nossa. O selecionado do Rei de Roma, no entanto, para os céticos, apresenta severas carências. Juntando dois goleiros, talvez consigamos um; a defesa, tem consulta geriatrica três vezes por semana – o que prejudica os treinamentos; lateral direito, Nei, tem de ser defenestrado urgentemente; e na esquerda, Kleber tem potencial, mas joga quando quer. E quando ele quer? Nas volância e meia, uma Zona qualificada, a Tia Carmem do time; no ataque, o Damião ficará afastado por causa da seleção, abrindo espaço para os novos avantes contratados, e todos, até o momento, não passam de promessas.

 

Um bom time

Ouvir os resmungos e reclamações de ter de jogar na quarta e domingo, com o início do Brasileirão, renovam as esperanças de conquistar a quarta estrela nacional (tirando a roubada, em 2005). Apesar do Nei, do Mathias e da Linha Burra.

Pensando nos 80% dos gaúchos que torcem para o Campeão de Tudo, separamos a cartilha de jogos do Colorado. Te agenda aí, Macanudo!.

 

Fábio Araujo

 

Primeiro Turno

21/05/2011  (21:00) – Santos X Internacional – (Vila Belmiro, Santos)

28/05/2011 (18:30) – Internacional X Ceará – (Beira-Rio, Porto Alegre)

05/06/2011 (16:00) – América-MG X Internacional – (A definir, A definir)

12/06/2011 (16:00) – Internacional X Palmeiras – (Beira-Rio, Porto Alegre)

18/06/2011 (18:30) – Coritiba X Internacional – (Couto Pereira, Curitiba)

26/06/2011 (18:30) – Internacional X Figueirense – (Beira-Rio, Porto Alegre)

30/06/2011  (21:00) – Atlético-MG X Inter (Arena do Jacaré, Sete Lagoas)

31/07/2011 (19:30) – Internacional X Atlético-PR – (Beira-Rio, Porto Alegre)

09/07/2011 (18:30) – Vasco da Gama X Inter (São Januário, Rio de Janeiro)

14/07/2011 (21:00) – Corinthians X Internacional – (Pacaembu, São Paulo)

17/07/2011 (18:30) – Internacional X São Paulo – (Beira-Rio, Porto Alegre)

23/07/2011  (21:00) – Avaí X Internacional – (Ressacada, Florianópolis)

31/07/2011 (16:00) – Internacional X Atlético-GO – (Beira-Rio, Porto Alegre)

04/08/2011 (21:00) – Fluminense X Internacional – (Engenhão, Rio de Janeiro)

07/08/2011 (16:00) – Internacional X Cruzeiro – (Beira-Rio, Porto Alegre)

14/08/2011 (18:30) – Bahia X Internacional – (Pituaçu, Salvador)

17/08/2011 (21:50) – Internacional X Botafogo – (Beira-Rio, Porto Alegre)

21/08/2011 (16:00) – Internacional X Flamengo – (Beira-Rio, Porto Alegre)

28/08/2011 (16:00) – Grêmio X Internacional – (Olímpico, Porto Alegre)

 2º Turno

01/08/2011 Internacional X Santos – (Beira-Rio, Porto Alegre)

03/09/2011 Ceará X Internacional – (Presidente Vargas, Fortaleza)

07/09/2011 Internacional X América-MG – (Beira-Rio, Porto Alegre)

10/09/2011 Palmeiras X Internacional – (Pacaembu, São Paulo)

17/09/2011 Internacional X Coritiba – (Beira-Rio, Porto Alegre)

21/09/2011 Figueirense X Internacional – (Orlando Scarpelli, Florianópolis)

24/09/2011 Internacional X Atlético-MG – (Beira-Rio, Porto Alegre)

01/10/2011 Atlético-PR X Internacional – (Arena da Baixada, Curitiba)

08/10/2011 Internacional X Vasco da Gama – (Beira-Rio, Porto Alegre)

12/10/2011  São Paulo X Internacional – (Morumbi, São Paulo)

15/10/2011 Internacional X Avaí – (Beira-Rio, Porto Alegre)

22/10/2011 Internacional X Corinthians – (Beira-Rio, Porto Alegre)

29/10/2011 Atlético-GO X Internacional – (Serra Dourada, Goiânia)

05/11/2011 Internacional X Fluminense – (Beira-Rio, Porto Alegre)

12/11/2011 Cruzeiro X Internacional – (Arena do Jacaré, Sete Lagoas)

16/11/2011  Internacional X Bahia – (Beira-Rio, Porto Alegre)

19/11/2011  Botafogo X Internacional – (João Havelange, Rio de Janeiro)

26/11/2011  Flamengo X Internacional – (A definir, A definir)

03/12/2011  Internacional X Grêmio – (Beira-Rio, Porto Alegre

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Pinochet: arauto da democracia sulamericana

Dois paraguaios. Um brasileiro. Um argentino. Um colombiano. Um mexicano. Um uruguaio. Um chileno. Não, caro leitor, não estamos contabilizando os integrantes de uma repentina guerrilha latinoamericana que resolveu retomar os ideais revolucionários de décadas passadas e ambiciona expurgar o imperialismo estadunidense de nosso pago. Não, caro leitor, tampouco contabilizamos chefes de estado latinos que escolheram  ignorar seus pares do Equador, da Venezuela, da Bolívia e daqueles outros terrenos que aprendemos por Guianas e Suriname no colégio e depois nunca mais ouvimos falar sobre, reunidos nalgum encontro diplomático para abordar fronteiras controversas ou acordos econômicos obscuros. Não, caro leitor, falamos de futebol. Falamos de La Copa. Falamos da quartas de final mais plural e insólita da Libertadores de América em muitos anos. E adiantamos, como bem o fazem os donos das penas mais corajosas, para quem torcemos, ainda que a razão reconheça quem deve classificar.

 

Universidad Católica x Peñarol

Partida talhada para que colorados e gremistas sentem-se lado a lado diante de um telão de bar, transfigurados em integrantes de algum culto diante de seu altar sagrado, compartilhem muitos copos de iguarias alcoólicas e aprendam, no sofrimento mútuo da eliminação, como se joga uma Libertadores; como não se pode prescindir de zagueiros confiáveis; como é importante um lateral que domine seu terreno de natureza periférica; como deve jogar um centroavante.

Pelo que se viu nas oitavas, o time chileno é melhor, tem nos argentinos Lucas Pratto e Cañete os fiadores de um inédito título, e deve derrotar a tradição tão maltratada e decadente do Peñarol, apesar de Martinuccio, apesar de Olivera. A classificação sobre o Inter já representou a confirmação de uma retomada do futebol uruguaio, ensaiada há alguns anos com o Nacional em semifinais de Libertadores recentes e, sobretudo, reafirmada com o quarto lugar na Copa do Mundo do ano passado.

Minha Torcida: Peñarol      

Minha Previsão

No Uruguai: Peñarol 2 x 1 Católica.

No Cilhe: Católica 2 x 0 Peñarol.

Católica classificada

 

Once Caldas x Santos

Muricylha é um aluno dedicado. Depois de colecionar cicatrizes profundas nas derrotas em Libertadores por São Caetano, São Paulo e, até algumas semanas, Fluminense, aprendeu que a retranca gera constrangimentos apenas para quem perde. A partida contra o América, no México, revelou o amadurecimento continental do treinador, cuja prudência necessária acumulou volantes e zagueiros em campo, para segurar o redentor zero a zero.

A ausência de Ganso é importante, mas ainda há Elano, ainda há Neymar, ainda há Jonanthan, ainda há Arouca. Rentería e Moreno são copeiros. Mas os outros Nove Caldas não os acompanham em futebol e mística.

Minha Torcida: Onde Caldas

Minha Previsão

Na Colômbia: Once Caldas 0 x 1 Santos

No Brasil: Santos 3 x 1 Once Caldas

Santos classificado

 

Vélez Sarsfield x Libertad

Único argentino a sobreviverem La Copa, o Vélez tem melhor time que o Libertad. Lidera o campeonato argentino, tem uma esquadra equilibrada e que joga junto há um bom tempo, além de valores individuais importantes como o diminuto e veloz camisa 10 Maximiliano Morález, o centroavante Santiago Silva e, sobretudo, o canhoto e longilíneo ponteiro Ricardo Alvarez.

Já o Libertad aposta na juventude de revelações paraguaias e na correria desacorçoada de Gamarra e Samúdio. Tem bom toque de bola, perdeu acidentalmente para o Fluminense no Brasil e comprovou sua superioridade com os3 a0 e a classificação no Defensores del Chaco. Contudo, ainda se ressente de tradição e da torcida pouco numerosa.

 Minha Torcida: Vélez Sarsfield

 Minha Previsão

Na Argentina: Vélez 3 x 0 Libertad

No Paraguai: Libertad 1 x 1 Vélez

Vélez classificado

 

Jaguares x Cerro Porteño

A presença do Jaguares nessa fase é fruto de um acidente. Mexicanos não deveriam jogar a Libertadores. A não ser que se filiem à Conmebol. Além disso, o Junior, de Barranquilha, implorou, rogou, rezou, fez promessas a deuses vários para alcançar a eliminação. Foi atendido. Os colombianos adoram contrariar a lógica, vide Once Caldas. Mas a reparação já está a caminho. O Jaguares enfrenta o melhor Cerro Porteño em muitos anos, com o goleador da competição, Nani, e uma das revelações do futebol argentino, um canhoto insinuante e pretensioso de nome Juan Manuel Iturbe.

Minha torcida: Cerro Porteño

Minha Previsão

No México: Jaguares 1 x 0 Cerro

No Paraguai: Cerro 2 x 0 Jaguares    

Cerro classificado  

 

Dia e horário das partidas de hoje e amanhã:

Dia          Hora                      Jogo
11/05   19h30min   Peñarol x Universidad Católica
11/05   21h50min   Once Caldas x Santos
12/05   20h15min   Vélez Sarsfied x Libertad
12/05   22h45min   Jaguares x Cerro Porteño

Guilherme Lessa Bica

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Ganso se passa por Marreca antes de atacar

Ganso se passa por Marreca antes de atacar

 

Há algumas certezas neste vale de lágrimas ao qual decalcam o nome de vida. Aquelas pieguices de que vamos viver, morrer, chorar, sorrir, de que o Roberto Carlos fará um show de fim de ano na Globo, enfim, por hora, não nos interessam. Pois o torcedor do Grêmio, como qualquer cidadão que paga impostos e adquire o direito de administrar o próprio bigode, também tem as suas. E a mais flagrante e dorida dos últimos meses pode amputar a Libertadores dos sonhos gremistas e afundá-los no terreno pantanoso e insosso dos classificados à Copa Sulamericana: o time de Paulo Autuori não vence quando deixa as cercanias de seu berçario. A noite de ontem cristalizou mais uma vez o drama de um time dependente de sua casa e derrotado pelo exílio efêmero.

 

O Santos não é um grande time. Há Kleber Pereira, um centroavante de alguma pujança, mas uma pujança cansada. Há Madson, e sua hiperatividade estéril. Há Fabão, zagueiro tão experiente quanto veterano. Tudo isso misturado de forma competente com algumas revelações pelo ziguifrido que faz trepidar os corações franciscanos, Wanderlei Luxemburgo.

 

Ocorre que o Grêmiio se transforma numa equipe esquizofrênica quando deixa Porto Alegre. Joga-se claramente para empatar. Souza, Tcheco e Adílson abusam de passes horizontais, especula-se aqui e ali algum escanteio, mas a avidez agressiva que um visitante deve transparecer, ao menos em contragolpes, inexiste nos tricolores. Restaria, então, a humilde atitude de travar o jogo, reconhecer a inferioridade técnica e sentar-lhe o sarrafo no lombo inimigo. Mas essa filosofia esbarra na postura aristrocática do treinador.

 

E nessa toada indecisa, sem saber se é agressor ou agredido, mais três pontos fugiram pelas curvas sinuosas de Santos. O único gol aconteceu num cruzamento orinudo de um momento de desatenção de Bruno Colaço e aproveitado com autoridade pelo jovem canhoto de corpo longilíneo, Paulo Henrique, o Ganso.

 

Cordeirinho a caminho do abate

Cordeirinho a caminho do abate

 

Já na Beira do Guaíba, Mano Menezes seguiu aprontando das suas. Como já fizera em tempos azuis, como já fizera há poucos meses, adentrou a casa colorada com seu passo regular, sua fala pausada e lúcida, improvisou um mistão alijado de alguns titulares importantes e, à base de chutões, rodízio de faltas e alguma entrega, encerrou a série de vitórias coloradas e venceu a segunda consecutiva contra equipes que encabeçam a tabela.

 

A despeito dos erros de arbitragem, abundantes nos dois lados, mas claramente mais prejudiciais ao Inter, o torcedor colorado deve estar peocupado com a derrota diante de um time igual, depois de ter acumulado vitórias sobre equipes menores – Barueri, Oita, Sport e Santo André.

 

De resto, o São Paulo aproveita a abrupta estiagem na pontuação dos adversários pelo título e ascende vertiginosamente na tabela. Ontem, venceu o Fluminense com o solitário gol de Richarlyson.

 

Tabela de Classificação.

 

Resultados

Vitória 2 x 1 Atlético-PR

Santos 1 x 0 Grêmio

Botafogo 1 x 2 Santo André

São Paulo 1 x 0 Fluminense

Barueri 2 x 1 Sport

Internacional 1 x 2 Corinthians

Coritiba 1 x 0 Palmeiras

 

Jogos de hoje

Náutico x Goiás

Atlético-MG x Avaí

Flamengo x Cruzeiro

 

Guilherme Lessa Bica

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¬ Cruzeiro faz Leão brincar de Gato Mia. Time de Adílson Baptista, o verdadeiro Capitão América, empilhou logo 5 a 0 na primeira partida contra o Atlético pela final do Mineiro.
Miau!

Miau!

 

¬ Ronaldo impõe ao Santos a segunda derrota em cinco dias. Ele fez dois gols – um deles de placa – na vitória por 3 a 1, dentro da Vila Belmiro.

Toma, Mancini!

Toma, Mancini!

 

¬ Ouviram do Ypiranga o grito de campeão gaúcho na noite de ontem. O time de Erechim venceu o Caxias por 1 a 0 e desbancou os favoritos Brasil, de Pelotas, e Sapucaiense na briga pelo título do Interior.

Amarelo: como um Girassol

Amarelo: como um Girassol

 

Fotos: Simba: secure.bebo.com; Ronaldo e Pepino e Galera do Ypiranga: 3.bp.blogsspot.com

 

Guilherme

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