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Posts Tagged ‘Avaí’

Derrota do Avai: dignidade do futebol mantida

Eu realmente sequei o pastor Paulo Silas nessa semifinal contra o Vasco. Não apenas por ele sucatear o time do Grêmio até a metade do ano passado, expôr jogadores à sanha macabro da boca de repórteres setoristas, iludir-nos a todos com sua retórica neo-evangélica cuja invalidez é sonegada pela aparência confiável da calça na altura do umbigo resguardando a camisa de botão e nalgumas caretas que denotam sapiência a quem o faz. Eu realmente seguei Paulo Silas porque ele deixou o Grêmio e ainda conseguiu enganar os flamenguistas por algumas rodadas mais no ano passado – é bem verdade que a torcida do Flamengo gosta de uma mentira. Ele fez ainda mais: no ano presente, Paulo Silas voltou a lançar seu feitiço ecumênico sobre a mídia sorridente do sudeste brasileiro, cujo discurso versava sobre a afirmação do treinador diante da boa campanha na Copa VielaCurtaPorémEspinhosaQueLevaÀLibertadores do Brasil.

Ricardo Gomes reparou esse engano. Não é lá o melhor treinador do país – nem o segundo, terceiro, quarto ou quinto –, mas montou um time como se deve: seis jogadores de linha capazes de marcar, o restante de proporcional vocação para o ataque, ainda que estabeleçam a digna cercada ao adversário que possua a bola. No primeiro tempo de ontem, o Vasco exerceu esse sistema como jamais fizera em 2011 – e como não se via desde os tempos de Eurico Miranda e dos bolsos cheios de cédulas maculadas. Felipe, Diego Souza, Eder Luis e Alecsandro – sim, eles ainda acham que têm um centroavante de verdade – envolveram o escrete de Silas em constrangedoras e herméticas tabelas, assessorados por um Eduardo Costa que marcava e avançava ao campo adversário com a desenvoltura de um Rockemback e Alan, um ala direito incisivo, tal qual o Maurinho daquele Santos de 2002.

A parte do jogo que realmente merece contar recai mesmo sobre o primeiro tempo. Foi lá que Felipe cobrou falta em diagonal para a área Avaiana e o zagueiro Revson marcou seu segundo gol na competição num cabeceio subreptício e certeiro, o segundo gol contra. A Maria Fumaça da Colina manteve-se ativa e altiva, e Alan, Alecsandro, Felipe e Eder Luis obrigaram o mancebo e goleiro Renan a algumas intervenções do quilate de Rodolfo Rodrigues. Ele não conseguiu, porém, evitar a arrancada de AlecGol, na sua vagarosa marcha até o limiar da grande área, o passe para Diego Souza, o toque sutil e preciso deste último sobre o arqueiro. O 0 a 2 estava selado. Como quando o deus pagão que administra o destino do futebol impediu que Luxemburgo fosse campeão da Libertadores com Palmeiras, Corinthians, como quando o mesmo deus retirou das mãos inaptas de Luis Alberto e Fernando Henrique a mesma Líber, em 2008, Silas foi ceifado da Copa do Brasil. Há uma dignidade sobrenatural nestas sentenças. É sempre bom respeitar sentenças sobrenaturais.

Coxa branca, torcedor roxo

De outra parte, eu de fato torci para que o Coritiba vencesse o Ceará e confirmasse a campanha abundante em gols e vitórias e reafirmasse o reerguimento definitivo como clube e time tradicional. É curioso o sentimento que nutro por times imbatíveis, claro, quando não se trata do Grêmio. Ao mesmo tempo que um desejo sádico de que ele perca e aquele encanto seja quebrado, que assuma sua condição de time formado por humanos, passíveis, portanto, do erro recorrente, e não daquele engano de somente vitórias, de somente alegrias, ao mesmo tempo resiste uma tristeza de ver a natureza superior da mitologia que é construída em grandes invencibilidades ser devastada de uma só vez.      

Mas o Coritiba é um time sábio. Perdeu quando e onde podia. Perdeu a invencibilidade para o Palmeiras depois de humilhar Felipão e seus asseclas, como um monarca condescendente que resolve aceitar a clemência de um bandido condenado à morte no instante anterior de se cumprir a sentença. A vitória magra de ontem sobre o Ceará, 1 a0 gol de Anderson Aquino, mostrou que chegou a maturidade depois de o tempo provar que nenhum time é imbatível.

Para a final das próximas duas semanas, os paranaenses chegam em condições iguais ao Vasco, ainda que a camisa pese menos. Há Emerson, zagueiro oriundo do Avaí, capitão e goleador ocasional; há Léo Gago, volante de múltiplos pulmões e uma perna esquerda de chute forte; há David, canhoto habilidoso cuja visão de jogo e displicência lembram Arílson pré-1998. Há Bill, centroavante corpulento. Mas há, sobretudo, Marcelo Oliveira, treinador competente que conseguiu extrair de jogadores médios, e todos os citados acima são jogadores médios – a parcela superior que habita cada um. O mesmo Marcelo Oliveira que veio duas vezes ao Olímpico em anos pregressos como técnico interino do Atlético Mineiro e promoveu peleias suarentas e belicosas, numa amostragem do que viria logo adiante.

 

Guilherme Lessa Bica

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Vergonha alheia

A Copa do Brasil é o torneio de futebol mais traiçoeiro deste planeta cujo habitat não pertence mais a Osama Nissin Lamen. Como vencedor contumaz, ao lado dos cruzeirenses, o gremista bem o sabe que é no confronto com a equipe de tradição diminuta onde reside o desafio macabro, onde mora a peçonha sobrenatural, onde hiberna o animal subreptício e calculista, sábio de sua inferioridade, auscultador solene daquele que lhe é superior.

Pois a vida segue perpetuando inexoravelmente a profecia de Nelson Mota, em sua inda e vinda obstinada, levada e trazida de volta pelas ondas do mar – ou do chocolatão aí perto de sua casa que alguns nominam valo, outros esgoto mesmo – e os times grandes não aprendem a domar essa jovem senhora chamada Copa do Brasil. Há exceções – e recentes –: os dois últimos torneios foram vencidos pelos melhores participantes, Santos e Corinthians. O de 2009, inclusive, com a final previsível, e o vice do Inter.

Ocorre que isso aconteceu em virtude de acidentes impeditivos às participações daqueles clubes nas edições de Libertadores da época, seja pelo resvalo no Brasileirão do ano anterior, seja pela recente ascensão da Série B. O natural é que as melhores equipes brasileiras rumem para competir pelo continente e o restante contente-se em visitar os rincões mais inóspitos do país até que o desafio macabro, o animal subreptício, a peçonha sobrenatural abandone a hibernação e devore favoritos com a avidez que um integrante de uma tribo canibal da Somália alimentar-se-ia de um rosado e pançudo britânico.

Botafogo, Atlético Mineiro, Palmeiras, São Paulo e Flamengo sabem disso. Todos, sem exceção, discursaram o mesmo prólogo decorado há muito pelos mais prudentes, cujo teor recomenda respeito, parcimônia e cuidado com o adversário de menor tradição, mas cuja prática denuncia a empáfia e a pretensão que transformam num epílogo melancólico a participação abreviada na taça.

A noite de ontem selou mais uma semifinal pouco comum, de quebrar a banca em casas de apostas. O Coritiba confirmou-se favorito já pelo caminho, com uma respeitável seqüência de duas dezenas e meia de vitórias consecutivas. O Avaí reafirma sua condição emergente e permite a Paulo Silas regressar ao “grupo de quatro” e enganar a todos novamente com sua retórica de pastor evangélico do interior paulista. O Ceará vislumbra a oportunidade redentora de reparar a derrota para o Grêmio, na final de 1994 (Nildo Eterno!), e tem em Iarley e Vagner Mancini os fiadores de seu time aparentemente copeiro. E, por fim, há o Vasco, o invasor corpulento na terra dos homúnculos – é bem verdade que apequenado há, pelo menos, meia década.

O desafio macabro novamente apresenta-se como invencível, agora já exposto aos olhos de todos, assumindo-se como tal, como peçonha sobrenatural, mas verossímil. A única certeza que trazemos neste mar de incertezas periclitante, é que a taça deste ano repousará em berço desconhecido, haja vista que nenhum dos semifinalistas tomou-a nos braços, tascou-lhe um beijo em sua pele dourada ou pôde chamá-la de sua nas vinte e duas edições anteriores.       

Melhores momentos de Vasco 1 x 1 Altético – PR. Melhores momentos de Avaí 3 x 1 São Paulo.

 

Semifinais

Avaí x Vasco

Coitiba x Ceará

 

Guilherme Lessa Bica

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Não é este o modelo

Não é este o modelo

 

 

A camiseta da coca-cola já não servia mais e tinha estrelas de menos, o que me levou a adquirir uma nova Camisa Vermelha. Com o tempo, fui apreendendo a observar as meninas de uma forma diferente e a vida passou a ter um real sentido. Por vezes, nas vacas magras, eram comuns as derrotas no Beira. Apreendi a buscar nas presenças-femininas-de-calça-atolada a distração e refúgio para amargar os incessantes insucessos. Em 1998, contra o JU, na Copa do Brasil, se não fosse uma alemoa com a bunda do tamanho da minha cintura, teria entrado em profunda depressão.

Trecho do texto de Fabio Araujo em sua Coluna no Arena Vermelha.

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Souza usa de gesto obsceno para ludibriar adversário

Souza usa de gesto obsceno para ludibriar adversário

 

O Grêmio encarnou na última rodada aquele gordinho abnegado que palmilha compenetrado sua esteira nas academias da vida. Cumpre seu trajeto imóvel e quilométrico diário, dá de ombros para os esgares malvados de donos de corpos mais atraentes que zombam de seu esforço, e segue acreditando, mesmo que os espelhos lhe joguem a verdade crua na cara, que pode chegar lá. Pois ainda que tenha amolestando os mineiros do Altético com quatro gols, o time de Paulo Autuori praticamente não ascendeu na tabela, visto que Corinthians, Avaí e Barueri também pontuaram. Não há problemas: o palmilhar prossegue, e – mesmo que alguns incréus ousem duvidar – no inexorável encalço da Libertadores.

 

Já não há mais aquela euforia em goleadas tricolores no próprio galpão. Assim como não há muita lamúria nas derrotas longe de seu pago. A harmonia que une time e torcida no Olímpico é inversamente proporcional à sombria e solitária atmosfera que inibe resultados alvissareiros em outros estados. E foi novamente embalado por ela que o Grêmio patrolou os comandados de seu ex-chefe.

 

O enredo se repetiu. Tcheco e Souza senhores da meia-cancha. Réver fazendo de sua corpulência uma imposição física e não uma idiossincrasia mongól. Perea e Jonas donos da confiança inerente aos atacantes competentes. E Victor, bem, Victor foi Victor. O Atlético ficou submetido à marcação gremista, e apenas no segundo tempo conseguiu ensaiar algumas tabelas indolentes, sobretudo com Diego Tardelli e Renan Oliveira, mas Éder Luis já havia deixado o campo, e Rentería, seu substituto, mostrou que não perdeu o vigor na arte de maltratar a bola e acabou gradualmente com as esperanças ofensivas do Galo.

 

Danny constrangido com relação libidinosa de inimigos

Danny constrangido com relação libidinosa entre inimigos

 

Ainda no sábado, o Palmeiras estreou uniforme livrando-se da sequencia de três jogos sem vencer, repassando às mãos de Tite o mini tabu de vitórias, com um 2 a 1 fundamental a quem persegue o caneco. Há quem diga que a fatiota pigmentada com a cor azul influenciou no resultado, mas adianto que não revelo a fonte e que a mesma carece de comprovação científica.

 

Sobre o jogo, não se pode dizer que houve uma supremacia paulista. O Inter soube marcar os principais jogadores adversários, agrediu, inclusive, o time de Muricy em certos momentos, mas repetiu o futebol meia boca cujo resultado foi o revés caseiro diante do Corinthians. O mesmo futebol que aliado de alguma correria é suficiente para derrotar equipes menores, porém inútil contra iguais.

 

No meio da semana o Inter começa a sanar a dívida de dois jogos que pode alçá-lo ao panteão dos candidatos ao título, caso vença; e pode estagná-lo na zona intermediária e esquartejar a já alquebrada moral de Tite no Beira Rio, caso perca.

 

Além do supracitado isolamento do Palmeiras no primeiro lugar, única equipe na casa dos 40, restou também ao Avaí o protagonismo da rodada. Já são 11 partidas de invencibilidade, mas não aquela invencibilidade enganosa, abundante de empates. Não. Os 3 a 0 sobre o Flamengo somaram a oitava vitória no bolso de Silas e abriram as portas do Gê Quatro aos catarinenses.

 

Tabela de Classificação.

 

Resultados

Santo André 1 x 0 Coritiba

Palmeiras 2 x 1 Internacional

Sport 2 x 0 Vitória

Corinthians 3 x 3 Botafogo

Grêmio 4 x 1 Atlético-MG

Atlético-PR 1 x 0 São Paulo

Fluminense 0 x 0 Barueri

Cruzeiro 4 x 2 Náutico

Goiás 2 x 1 Santos

Avaí 3 x 0 Flamengo

 

Guilherme Lessa Bica

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