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Archive for abril \15\UTC 2008

O Adeus do Baixinho


“Quando eu nasci, Deus apontou o dedo em minha direção e disse: esse é o cara.” Romário.

Lendo o noticiário esportivo, especificamente no Blog Pffeifer esportes, vejo que o Romário finalmente irá se aposentar. Considero um momento histórico para o futebol mundial. Nem entro na questão do número de gols assinalados, mas pela qualidade técnica, conquistas e temperamento peculiar que ostentou durante a última década.

Talvez esteja postando sobre isso – aqui no Tisserand – somente para salientar que o clube em que ele mais marcou gols em sua carreira foi o Grêmio. Ou até mesmo, pela Copa de 94, a única que torci de verdade para o Brasil.

Na copa de 94, como todos sabemos, ele “comeu” a bola, dando o Tetra para a nossa seleção num campeonato que teve o gozado goleiro sueco Ravelli, fazendo caretas e piruetas; o craque Maradona pego por doping; o louco do Leonardo dando uma cotovelada criminosa; e pasmem, a Bulgária numa semifinal de Copa do Mundo. Além de claro, o Baggio batendo um tiro de meta na final, na cobranças de pênaltis – semelhante a cobrança do Fernando, do Inter, contra o América Mineiro.

Mas, a minha admiração pelo Romário, nasceu um ano antes – nas eliminatórias – jogando no Maracanã, contra o Uruguai. O goleiro Sibolde tirava até a mãe de dentro do gol. Para o azar dele, o Baixinho tava em campo, arrematando dois golaços: um de cabeça – alto como ele é – e um driblando o arqueiro uruguaio. Virei fã.

E foi assim por anos. Romário jogando, Romário marcando – ou bagunçando, ou brigando, ou dizendo bobagem. Ele pode. Nos áureos tempos, era assim: ninguém segurava o Baixinho. Quer dizer, exceto o Márcio Tigrão.

Fábio

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eu, ela, nós

“Ainda não mataram os melhores devaneios”

Jorge Du Peixe

Eu ensaio um movimento inesperado para ela e puxo o corpo magro e despido de roupas, pudores e frescuras para junto do meu; e começo o ritual diário e dionisíaco de veneração de cada poro daquela pele, de cada som emitido em meio à dança descompassada de nossos membros. Eu inspiro seu cheiro, um aroma doce e salgado ao mesmo tempo, um gosto liso e áspero que bebo com a sede infantil de amante. Eu aliso o cabelo escuro já rebelde, porque suado, porque exigido em sua elasticidade por minhas e suas mãos angustiadas. Eu grito um canto rouco e sublime com os olhos alertas e mirando as linhas miúdas que os fios de cabelo comprido desenham em sua nuca.

Ela condiciona minhas mãos aos lugares que mais lhe agradam e minhas mãos são cegas ao ponto de se deixarem levar, gulosas e satisfeitas, por entre eles. Ela ensina a velocidade adequada e anuncia, em respirações ofegantes, que o espaço entre nós precisa ser reduzido, tornado quase nulo, imperceptível. Ela é uma estátua móvel com o corpo iluminado por um sol que não avisto, nem procuro, mas percorro-a sábio da presença dele. Ela encarna nos lábios avermelhados por meus dentes e boca esse sol, encarna nos olhos acesos a luminosidade de astro, de estrela lúbrica.

Nós engendramos jogos circenses de bailarinos que improvisam coreografias amorosas, censuráveis em nossas próprias mentes moralistas: transgredimo-nos. Pulsamos como uma torrente de água que escorre ligeira, apressada por um monte opulento – como o corpo que toco – e deságua saciada num mar receptivo, um mar de abraços e carícias íntimas, generoso como o ventre dela. Nós escalamos os degraus do quarto, ela depois eu, eu depois ela, depois ambos enrolados como plantas parasitas, envenenando-nos um pouco mais a cada beijo, cada gemido, cada silêncio construído pela dor. Nós estagnamos nossos corpos, acompanhamos o sonho em suas terras e reproduzimos – agora em terreno mágico – os contornos de nossas venturas.

Guilherme

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“Ser colorado não é torcer por um time de futebol,

Ser Colorado é simplesmente o sentido da palavra vida”

Norberto Guimarães, o Gordo, em texto publicado no livro Histórias coloradas II – As 100 melhores Histórias Campeãs da América.

Faço uso das palavras do meu amigo Gordo, para externar a felicidade em escrever esse post em comemoração aos 99 anos do nosso Inter. Poderia utilizar as próximas linhas, enumerando as dezenas de conquistas do Colorado, que todo mundo está careca de saber. Optei em agradecer ao Inter pelos momentos em que esteve ao meu lado.

Parabéns, Inter, e obrigado por…

• Ter me recebido pela primeira vez, no Beira-rio, no longínquo 91, e por ter ganho de 4 a 1, do Palmeiras;

•Por aproximar a relação com meu pai na minha primeira década de vida;

• Por me fazer chorar quase todos os jogos com o projeto criança colorada;

• Pelo Grenal do 5 a 2;

• Pelo Grenal com gol do Fabiano Cachaça;

• Pelo medo imensurável que senti quando fiquei com a cara presa no portão 5, – contra o Juventude – enquanto quebrou o pau no Intervalo, num campeonato Brasileiro.

• Pela cavada de falta do Celso, que originou o gol do Dunga, contra o Palmeiras;

• Pelo Gol do Librelato.;

• Por ter dormido num amistoso entre Inter e Flamengo. (1 a 1, gols de Cristian e Romário);

• Por me acalmar cantando o hino ao subir o altíssimo elevador do Beto Carrero World.

• Por ter dormido no Inter e Nacional, pela Libertadores 06 (de tão alcoolizado);

• Por ter sido assaltado por colorados num jogo que fui sozinho, e me deixaram com o dinheiro da passagem;

• Por minha primeira cantada em minha noiva: “Eu sabia que tu tinha um defeito” (ser gremista);

• Ao chegar na praia Brava, ser recebido pelo garçom com um “fala campeão do mundo”;

• Pelos inúmeros tragos;

• Pelos amigos que fiz no Estádio;

• Pela libertadores;

• Pelo Mundial FIFA;

Obrigado Inter, por outros inúmeros fatos marcantes em minha vida que no momento, não lembrei;

Obrigado por poder fazer parte deste quadro social, deixar meu nome no livro Histórias Coloradas II e fazer parte desta História.

Fabio

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