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Archive for setembro \24\UTC 2009

Intervalo

Vinicius de Moraes, aquele rapaz inquieto, comedor incorrigível, casamenteiro inveterado, amante do uísque, de charutos e da beleza, sacramentou há algum tempo que o amor deve ser infinito enquanto dure, posto que é chama. Pois o Tisserand, nosso amado, idolatrado e abobadado blog futebológico, fará uma redução considerável em seu fogo. E sustentar-se-á, pelo menos até janeiro do ano que vem, com as lembranças provenientes de suas postagens mais memoráveis – como um fogo de chão alimentado por um liquinho.

 

A equipe Tisserânica agradece, por hora, os milhões de acessos que ainda estão por vir, e se comove verdadeiramente, tascando-lhe um upa apertado em cada dorso amigo dos outros milhares que por aqui já se abancaram. Uma vez lá que outra, nesse ínterim, reciclaremos postagens, seja regressando à Libertadores semifinalística do Grêmio, seja na Copa do Brasil locupletada do Inter por Ronaldo, como um túnel do tempo recente e anárquico encharcado de compaixão pelos órfãos que tomarão as ruas do Brasil cometendo loucuras e se despindo completamente da lucidez a partir desta leitura.

 

Mas dois mil e dez é logo ali, caro leitor, e o tempo, tal qual a uva tão seca e enrugada quanto essa tua vizinha viúva ensimesmada e bisbilhoteira, certamente passa.

 

Um abraço,

Equipe Tisserand

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Adriano erra em bola e faz um golaço; Edson Bastos, com expressão bovina, antevê a tragédia

Adriano erra em bola e faz um golaço; Edson Bastos, com expressão bovina, antevê a tragédia

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Champions League

 

Na última terça-feira, dia 15, teve início o maior campeonato de clubes do mundo. Na verdade o campeonato já estava acontecendo, só que numa fase “pré-Champions”. Com os grupos formados (e pelo menos dois deles são “da morte”) os embates tiveram início. Como a temporada européia ainda engatinha, alguns grandes jogos desta fase de idas nos grupos serão decepcionantes (caso de Inter e Barça, já na primeira rodada). A falta de ritmo e entrosamento dos conjuntos é evidente, mas nada que um mês com as ligas nacionais a todo vapor não resolva.

 

Segue uma breve análise (com palpite dos dois classificados à próxima fase, resultados e classificação) grupo a grupo, do que acontece no campeonato que agrega o maior número de craques no futebol terrestre.

 

Grupo A

Bayern de Munique – 3

Juventus – 1

Bordeaux – 1

Maacabi Haifa – 0

 

Os bávaros foram até Israel e mostraram sua tradicional força. O novo estilo operário e veloz de Van Gaal começa a render frutos (assim como no início arrasador na Bundesliga). Dois gols de Thomas Muller e um de Van Buyten decretaram a vitória por 3 a 0 do Bayern sobre o Maacabi Haifa.

 

A Vecchia Signora sem Diego é um time totalmente comum. Ainda mais com Alessandro Del Piero machucado. Iaquinta abriu o placar em Turim, mas o tcheco com nome de remédio Plasil igualou o marcador para o Bordeaux, dos brasileiros Fernando, Henrique, Wendell e Jussiê. E Buffon fez pelo menos dois milagres…

 

Palpite da classificação: Bayern e Juventus. Com o Bordeaux muito vivo na briga.

 

Grupo B

Wolfsburg – 3

Manchester United – 3

Besiktas – 0

CSKA – 0

 

Grafite é o nome do momento na Alemanha (e por aqui também…). Fez os três gols na vitória por 3 a 1 do Wolfsburg contra o CSKA, em casa. É um time sem grandes nomes (o mais conhecido é o nigeriano Oba-Oba Martins!), porém entrosado. E o CSKA (Guilherme e Daniel Carvalho no elenco) com problemas financeiros é coadjuvante.

 

Já o “renovado” Manchester precisou dos serviços do “garoto” Paul Scholes para derrotar o Besiktas, na Turquia, por 0 a 1. Quem conseguiu acompanhar o jogo até o final, sem dormir, afirma que… foi sofrível! Sir Alex Ferguson terá muito trabalho nesta temporada…

 

Palpite da classificação: Manchester United e Wolfsburg, com o CSKA tentando o milagre.

 

Grupo C

Real Madrid – 3

Milan – 3

Olympique de Mareseille – 0

Zurich – 0

 

Os Galácticos II estrearam contra o time mais fraco da chave, o suíço Zurich, fora de casa. 2 a 5 pros Merengues, com direito a dois gols de falta de Cristiano Ronaldo (com colaboração do arqueiro rival). Raúl, Higuaín (que agora será convocado por Maradona) e Guti, num golaço de assistência “Kakética”, completaram o marcador.

 

Vindo de resultados pífios no início do Calcio (0 a 0 com o Siena por exemplo), o Milan foi visitar o promissor Olympique de Marseille do técnico e ex-jogador francês Deschamps. Com Ronaldinho (e Huntelaar, Gattuso…) no banco, Leonardo apostou nos velhos Pirlo, Seedorf e Pippo Inzaghi pra difícil tarefa de estrear bem na França. Com dois gols do Highlander de Milão (e duas assistências do holandês camisa 10) o Milan venceu por 1 a 2. O gol do Olympique foi do argentino Gabriel Heinze.

 

Palpite da classificação: Depois deste tropeço em casa, Real e Milan. Mas este Milan 2009 é uma surpresa completa…

 

Grupo D

Chelsea – 3

Atlético de Madrid – 1

APOEL – 1

Porto – 0

 

O chato e burocrático time londrino do Chelsea encontrou o treinador perfeito: Carlo Ancelotti, chato e burocrático. Com mais um 1 a 0 (gol de Anelka), os Blues venceram o Porto, em Stamford Bridge. Helton teve grande atuação, evitando um placar mais dilatado. Mas aí Ancelotti ficaria triste; Ele prefere um placar bem magrinho.

 

Sabe onde fica o Chipre? Nem eu. Pois o Atlético de Madrid conseguiu empatar em casa com o APOEL, equipe que representa o minúsculo país europeu. O 0 a 0 talvez seja pela má influência que as seleções exercem sobre os principais jogadores do time espanhol: Diego Forlán (Uruguai), Simão Sabrosa (Portugal) e Sério Agüero (Argentina).

 

Palpite da classificação: Chelsea e Porto. Atlético de Madrid está se esforçando para ser a decepção da temporada.

 

Grupo E

Liverpool – 3

Lyon – 3

Fiorentina – 0

Debrecen – 0

 

Jogar pela primeira vez a Champions deve ser difícil para qualquer clube. Se a partida for contra o gigante Liverpool, em Anfield, o negócio fica feio. Mas os húngaros do Debrecen mantiveram a dignidade e quase engrossaram pra gurizada do Professor Rafa Benítez, que venceram por magro 1 a 0. Gol do (caneleiro) holandês Dirk Kuyt.

 

Um dos confrontos mais equilibrados desta primeira rodada (e que fatalmente definirá uma vaga à próxima fase) aconteceu entre Lyon e Fiorentina, na França. Num possível duelo de ótimos centroavantes (Gilardino e Lisandro López), quem decidiu foi o jovem meia bósnio-francês Miralem Pjanić. 1 a 0 Lyon dos brasileiros Cris e Ederson.

 

Palpite da classificação: Liverpool e Lyon, sem surpresas.

 

Grupo F

Dynamo de Kiev – 3

Barcelona – 1

Internazionale de Milão – 1

Rubin Kazan – 1

 

O jogo que todos esperavam. A volta de Ibracadabra para o San Siro, agora defendendo o Barça. Samuel Eto’o contra seu ex-clube. Júlio César, Messi, Diego Milito, Xavi… E foi um 0 a 0 com quase nenhuma chance clara de gol. A Inter jogou recuada, como se estivesse no Camp Nou. O Barcelona controlou a bola, mas sem muita vontade de se expor para atacar. O jogo de volta PRECISA ser melhor que este!

 

Andriy Shevchenko está de volta ao seu clube de origem (e de coração), o Dynamo de Kiev. O maior clube da Ucrânia inaugurou mais uma participação na Champions em casa, contra o russo Rubin Kazan. E foi surpreendido no primeiro tempo, chegando no vestiário com 1 a 0 para o Kazan, gol de Alejandro Domínguez (muito russo este rapaz!). Na segunda etapa, com direito a gol do ex-cruzeirense Gérson Magrão, o Dynamo virou para 3 a 1.

 

Palpite da classificação: Que dúvida… Barcelona e Internazionale. Sheva terá que fazer chover, algumas vezes, para classificar o Dynamo.

 

Grupo G

Sevilla – 3

Glasgow Rangers – 1

Stuttgart – 1

Unirea – 0

 

Na Alemanha um duelo entre times tradicionais, mas com elencos modestos. O Stuttgart aposta no habilidoso bielo-russo Aleksander Hleb e no interminável atacante brasileiro Cacau. Os Rangers apostam… na marcação, na força e na ligação direta defesa-ataque, como qualquer time escocês que se preze. No fim o empate em 1 a 1 foi muito bom para o time de Glasgow, e pode valer a classificação às oitavas no final da primeira fase.

 

Com dois gols brasileños o Sevilla assumiu a liderança do grupo G. Renato e Luís Fabiano determinaram o 2 a 0 pra cima do romeno Unirea. Como o jogo foi na Espanha , nada de surpreendente nesta peleja. A não ser o fato de que o treinador do Unirea é o ex-craque da seleção romena Dan Petrescu.

 

Palpite da classificação: Sevilla e Rangers, nesta ordem.

 

Grupo H

Arsenal – 3

Olympiakos – 3

Standard de Liège – 0

AZ Alkmaar – 0

 

O tradicional clube grego Olympiacos (agora treinado pelo Galinho de Quintino) recebeu a surpresa do campeonato e atual campeão holandês AZ Alkmaar. Só por quebrar a hegemonia eterna de Ajax e PSV o AZ merece nossa simpatia. E acabou dificultando o jogo para o time de Diogo (ex-Portuguesa) e Dudu Cearense. O gol grego só saiu aos 35 do segundo tempo, com Vassilis Torosidis, decretando a magra vitória por 1 a 0.

 

No limiar de uma crise técnica, de resultados e interna, os Gunners viajaram até a Bélgica buscando recuperação. Depois de duas derrotas em clássicos na Premier League (3 a 1 para o Manchester United e 4 a 2 para o Manchester City, com direito a gol e desabafo tresloucado de Adebayor), os comandados de Wenger necessitavam da vitória. Aos 5 minutos de jogo o modesto Standard abria 2 a 0! Aos trancos e barrancos o Arsenal conseguiu a virada, com direito a gol irregular (mão E impedimento no MESMO lance). O tento da vitória por 3 a 2 foi anotado por Eduardo da Silva.

 

Palpite da classificação: Arsenal e Olympiakos. A surpresa holandesa do AZ já surpreendeu demais!

 

Felipe Conti é colorado, gaúcho, canoense, goleiro, esquerdista, aspirante a jornalista. Nascido para ser do contra, desde março de 86. Escreve costumeiramente no Grenalzito e é titular das sextas aqui do Tisserand.

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Alex Bruno prova que consegue apoiar o queixo no ombro; Fernandão dorme

Alex Bruno prova que consegue apoiar o queixo no ombro; Fernandão dorme

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Crédito: Site do Grêmio

Não há uma explicação sensata para justificar a paixão por um clube de futebol. Para aqueles que se colocam do lado de lá da cerca, distante de arquibancadas e alambrados, inexiste um argumento contundente, ou ainda eficaz, para convencer de que essa idolatria, essa fidelidade possui alguma validade prática, alguma recompensa física ou financeira. E vos digo, senhores de pouca fé que nunca empunharam um escudo e mandaram à merda os torcedores e jogadores rivais: a justificativa simples e indubitavelmente não existe, simples e indubitavelmente porque não se faz necessária. Como qualquer tipo de arte, o futebol escapa de regramentos sociais, e transitando na anarquia que rege os sentimentos mais nobres, pode fazer de um maltrapilho e maltratado senhor de havaianas surradas e contas atrasadas o homem mais feliz do mundo até a próxima partida.

 

Pois desde 1992, ano das Olimpíadas de Barcelona, da Eco-92, da defenestração de Collor de Melo, passei a ter consciência que uma tatuagem azul, preta e branca fora demarcada nalgum canto de meu peito. Desde lá, basta que o manto imortalizado pela voz de Lupi adentre qualquer gramado, para que o coração acelere, o que há de vida em volta se torne inanimado, e tudo o que passa a importar são aqueles movimentos ilógicos que a camisa tricolor empreende, por vezes parecendo subordinar o corpo ordinário que por ora a veste a sua vontade, sábia da imponência de sua imortalidade diante daquele jogador passageiro.

 

Foi assim no começo tumultuoso dessa relação, em 1992, nos jogos melancólicos da segunda divisão brasileira. Foi assim poucos anos depois, vencendo novamente a América, numa recuperação meteórica. É assim até hoje – e provavelmente permanecerá assim: louco, lúdico, inexplicável, mas abençoado por uma imortalidade pagã que levou e leva tantos outros amalucados a migrarem para a Azenha, a alojarem fones nos ouvidos, a suplantarem a novela da mulher na televisão, a beijarem o escudo, baterem no peito e afogarem-se no mar tricolor que estes 106 anos de história forjaram.

 

Parabéns, meu Grêmio. Nada pode ser maior.

 

Guilherme Lessa Bica

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Jonas ganha bitoca enquanto Tcheco aguarda a vez

Jonas ganha bitoca enquanto Tcheco aguarda a vez

 

A primeira vez carrega consigo algumas inconveniências. Como se a espera interminável esticasse o fio da ansiedade ao máximo, o momento em que o invólucro da imaturidade é rompido e a marca da idade adulta se incrusta na pele de forma irrevogável não ocorre livre dos rituais e traumas inerentes aos grandes acontecimentos. Pois o Grêmio passou por essa situação na noite de ontem. No benfazejo estádio dos Alívios, que tantas alegrias nos remetem a um passado recente, o time de Autuori livrou-se da chaga que atravancava ambições maiores no Campeonato Brasileiro, venceu longe do Olímpico e alinha já na sexta posição da tabela – ainda que com a mesma pontuação do oitavo colocado.

 

O jogo alojou desde os primeiros minutos uma pulga renitente por detrás de cada orelha gremista. A bola já rolava, o Grêmio controlava todas as ações, Fabio Rochemback e Adílson senhores da meia cancha, Tcheco e Souza flanando com a desenvoltura dos jogos em casa, Jonas articulando dribles indolentes, ou seja, alguma coisa estava errada. Tanto que não demorou para o cruzamento de Tcheco encontrar a testa de Souza e o placar passar a marcar 1 a 0.

 

O gol não mudou o jogo, como poderiam temer alguns torcedores supersticiosos que torcem para que o time marque somente no final das partidas, o que facilitaria a manutenção da vitória. Carlinhos Bala e seu penteado ridículo continuavam bailando feito criança em playgroud, mas tão inofensivos quanto, a zaga de Autuori continuava caminhando em terreno ermo e tranquilo. E foi com certa naturalidade insólita que Jonas dominou dentro da área parnambucana ainda na primeira etapa, enlaçou o zagueiro com um belo lençol, driblou outro marcador e chutou com convicção – logo Jonas, o atacante sem convicção por excelência – no canto rasteiro esquerdo do goleiro: 2 a 0.

 

O segundo tempo perdeu em energia do lado Tricolor e permaneceu incapaz do lado recifense. Algumas chances foram criadas pelo Náutico, muito mais pelo relaxamento gaúcho do que orinudas de uma organização e melhora adversária, salvas todas pela trave e pelas mãos de Victor. Maxi López ainda achou tempo para uma expulsão, inflando a aflição dos gremistas mais céticos, que só acreditaram-se vencedores fora de casa quando Senemi imprimiu o silvo derradeiro. Uma vitória em casa na próxima rodada pode minguar ainda mais a distância para o Gê Quatro, que hoje é de quatro pontos.

 

Já no Beira Rio, o Inter fez a torcida lembrar de um passado não muito distante, quando o colorado ainda não estava ambientado na arte de confirmar favoritismos, antes ainda das conquistas continentais e mundiais, e escorregava inexplicavelmente e para os adversários mais incautos nas horas erradas. É verdade que o jogo de ontem tinha o competente Cruzeiro na cancha inimiga, mas numa rodada em que o líder tropeça e um empate bastaria para colocar o Inter na liderança, deixando Tite e seus cordeiros adestrado com a faca, o queijo, a goiabada e outros quitutes mais na mão, não há permissão alguma para perder em casa.

 

Tiago Ribeiro segura vela e Fabiano Eller segura bola

Tiago Ribeiro segura vela e Fabiano Eller segura bola

 

Mas o futebol não funciona assim. E os mineiros lançaram mão de duas figuras que já vrestiram azul, preto e branco e tiraram diploma nas disciplinas grenalísticas. Adílson Baptista cozinhou Tite no fogo baixo e soube engessar os meias colorados. E Gilberto, maestro maior do Cruzeiro, assombrou com sua canhota pragmática a zaga vermelha.

 

O resultado negativo é minimizado pela derrota do Palmeiras, mas permitiu ao São Paulo igualar o Inter em pontos, o que torna a luta pelo título deveras emocionante, visto que um ponto separa Muricylha de Tite e Ricardo Gomes. Inter e Palmeiras invertem os adversários na próxima rodada, viajando, respectivamente, a Salvador e Belo Horizonte, no encalço da recuperação e reafirmação.

 

Confere aqui a tabela de classificação. E aqui os resultados da rodada.

 

Guilherme Lessa Bica

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El Capitán!

El Capitán!

 

O estádio Centenário, construído de forma hercúlea nos idos da década de 20 para abrigar a primeira Copa do Mundo – 1930 –, receberá uma partida digna do tamanho de sua história. Ainda que em circunstâncias melancólicas.

 

Uruguai e Argentina decidirão uma vaga direta (ou “repescada”) para o Mundial de 2010. Para tanto, os discípulos d’El Diez necessitam da vitória diante do combalido Peru (perdão pelo involuntário trocadilho) e os comandados de Oscar Tabárez precisam de pelo menos um empate com o Equador, nas nuvens de Quito. Com esta combinação de resultados (ou algumas outras, levando em conta que nada menos que SEIS seleções disputam TRÊS vagas nas duas últimas rodadas das Eliminatórias Sul-Americanas) o embate do dia 14 de outubro em Montevideo será épico. Não como a final dos Jogos Olímpicos de 1928, na Holanda, ou na própria final do Mundial de 1930, ocasiões em que o Uruguai maravilhou o mundo com seu futebol assombroso para aqueles tempos amadores. E de quebra venceu a rival Argentina. Mas ainda assim este confronto no próximo outubro será épico em sua (dupla) decadência.

 

Quarta-feira o cimento do Centenário ameaçou ruir, mais uma vez, quando o palmeirense Pablo Armero cruzou da esquerda e o dublê de arqueiro, o botafoguense Castillo, saltou algo entre 2 e 5 centímetros para interceptar um cruzamento. 1 a 1 no placar, Colômbia muito melhor em campo, platenses com um jogador a menos. Era possível sentir a desesperança de um povo pela tela da televisão.

 

Os 3 a 1 acabaram saindo tão suavemente quanto uma prisão de ventre de sete dias e noites suarentas ao trono. Muito em função da historicamente irresponsável Colômbia, que também ficou com um homem a menos em campo, do que pela qualidade técnica dos colegas do Diego Forlán.

 

 Forlán, um Recoba melhorado

Forlán, um Recoba melhorado

 

O que fica claro para quem é amante do esporte bretão é que um dia, ninguém imagina quando ou como, o Uruguai voltará a ter uma seleção forte (não apenas no aspecto físico) e campeã. O último esquadrão Charrúa que ergueu uma taça foi o time de Francéscoli e Bengoechea, que bateu o Brasil na final da Copa América de 1995, no Centenário e nos pênaltis. Querer que a Celeste volte aos tempos de glória é uma espécie de desejo romântico de quem já chutou uma bola.

 

Apesar dos sabidos desmandos na administração das “coisas do futebol” no país vizinho ao Rio Grande do Sul, a justiça está sendo aplicada muito severa e longamente com o pessoal da Banda Oriental. O Inter é um bom exemplo do que tento dizer: teve suas glórias em décadas longínquas, passou por longos anos de inverno espesso, com uma torcida que aprendeu a carregar uma tristeza inerente ao uniforme rubro. Dilapidaram o clube e o nome da instituição, até que um dia a grandeza histórica do gigante ferido veio à tona (culminando em dezembro de 2006).

 

Isso acontecerá para a Celeste Olímpica, e o povo com ar derrotado daquele pequeno e brioso pedaço do Pampa poderá sentir o que seus antepassados sentiram. Assim como o Botafogo um dia voltará a ser Botafogo.

 

Felipe Conti é colorado, gaúcho, canoense, goleiro, esquerdista, aspirante a jornalista. Nascido para ser do contra, desde março de 86. Escreve costumeiramente no Grenalzito e é titular das sextas aqui do Tisserand.

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