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Archive for maio \31\UTC 2011

Leandro Guerreiro: símbolo de uma década perdida

Fábio Araujo relembra década sem conquistas do Inter e compara o lado anímico dos jogadores com atual momento colorado. No Arena Vermelha. Clique aqui para ler.

Trecho do texto:

Era sempre assim. O relógio marcava uns dez, talvez quinze do segundo tempo e o Haroldo de Souza inciava, sabendo que não ia dar certo, a motivar a torcida colorada. E naquela época – de dirigentes muito piores – o gol derradeiro nunca daria título. De repente uma vaga entre os OITO classificados do Brasileiro, ou uma mirrada classificação para outra fase, nunca uma final. O gol nunca saiu. Nenhuma vez.

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Todos sabemos que Iarley adentrou o Beira-Rio no último sábado e fez com o Inter o que costumava fazer aos adversários colorados em anos pregressos, confirmando-se como o Ryan “Interminável” Giggs do futebol brasileiro. Sabemos mais: que o Grêmio de mais sorte que juízo do Renato fiou mais uma vez uma vitória sua nos pactos e sangrias macabras cujos poderes selam o gol de Victor e inclinam os adversários a atos incompreensíveis, tal qual gols contra de invulgar categoria. Sabemos disso tudo.

Ocorre que isso tudo se reduz à categoria dos acontecimentos comezinhos, ordinários, à segunda rodada de um campeonato enfadonho de 38 delas e sem final. Enquanto isso, no reformado Wembley, também no sábado, um argentino de 24 anos, radicado na Catalunha desde o limiar da adolescência, fez ecoar as trombetas do apocalipse e sepultou qualquer crença sobre a necessidade dos três volantes no futebol, sobre a cultura defensivista, sobre tudo aquilo que Felipão, Celso Roth, Mano Menezes (pré-cariocalização) tomaram como verdade inequívoca e que eu e tantos outros reverenciamos numa liturgia ortodoxa nos últimos anos.

Uma a uma, Li(e)onel Messi fez tombar todas as certezas que o futebol gaúcho ou o futebol gaúcho que eu idealizei firmou durante décadas. E por mais que eu tentasse apagar o televisor, meus dedos não obedeciam. E por mais que eu desejasse praguejar depois de cada gol ou lance inverossímil do Barça, minha boca insistia nas gargalhadas, e as lágrimas eram todas de alegria, uma alegria perversa, mas verdadeira.

E aí o que me resta depois deste fim de semana é voltar a torcer pelo Grêmio, e aceitar que não se trata mais de futebol, trata-se de paixão, de fidelidade com uma bandeira, da construção de uma identidade e do engajamento em defendê-lo mesmo em terrenos inóspitos. O futebol de verdade, provou o Barça novamente no sábado, tem relação estreita com a beleza, e nesses casos o resultado quase é rebaixado à categoria do coadjuvante, numa utopia de se valorizar o jogo, a habilidade, o conjunto, nunca o placar. É claro que a doutrina de vida ocidental condenaria tal escolha e imporia sobre Barcelona algum embargo econômico ou forjaria armas químicas em seu território para não permitir a repetição de sua cultura romântica em outras localidades. Mas quem não pagaria para ver Messi, Xavi, Iniesta e todos os outros artistas catalães jogarem o que sabem, mesmo sem um placar para quantificar em gols o resultado? Restaria a medida da beleza nos olhos de cada espectador, produto abundante em mágica, contudo impossível de apalpar.

Mas nesta final da Champions ainda havia placar, ainda havia a medida pragmática, ainda havia a medida que sonega o real valor do futebol barcelonista. Restou a Pep Guardiola e seus asseclas, então, reafirmarem que vencem nas duas esferas, que alcançaram um grau de entrosamento tal que, mesmo diante de esquadras de erros escassos, esquadras de movimentos sub-reptícios e positivistas, esquadras pragmáticas, como a do Manchester United, reafirmarem que não há no momento time capaz de anular seu futebol vencedor, sua poesia redentora independente de resultados. Pedro, Messi e Villa fizeram os gols azul-grená. Rooney garantiu a honra dos ingleses no placar clássico de 3 a 1.

As próximas quartas, quintas, os próximos sábados e domingos virão, e com eles mais jogos do Brasileiro. O futebol, contudo, adormece até agosto, quando o Barcelona volta aos campos. Até lá, peço a Renato que não tente fazer seu time jogar futebol, peço a Renato que tente fazer seu time ganhar, tente fazer o que é possível, isso basta. O impossível, desde 2008, apenas um clube consegue. O resto é fidelidade, bandeira, paixão inalienável, mas nunca futebol.

 

Tudo sobre a final aqui.

 

Guilherme Lessa Bica

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Há uma dicotomia de cinco séculos, há um maniqueísmo ancestral, há uma clara confrontação de duas visões de mundo irreconciliáveis nessa final da Champions League entre Barcelona e Manchester United. Há mais, muito mais. Há o calor, a pulsação frenética, a natureza sanguinea de uma Catalunha – região onde fica Barcelona e cuja emancipação é reivindicada nos dias de hoje com o mesmo fervor que os estancieiros levantaram guerra por aqui, em 1835 – representada em detrimento da Espanha. Há, de outra parte, o calculismo enregelado, a sobriedade aristocrata, até mesmo o céu plúmbeo industrial de uma Manchester que prova a cada dia ser a capital inglesa do futebol, ainda que Liverpool e Londres insistam em sonegá-la. Há, portanto, o romantismo azul-grená cujo futebol remete a textos de Cortázar, Faulkner, Raduan Nassar, a prosa que se assanha em bailes promíscuos e libidinosos com a linguagem poética. Dividindo o campo com o pragmatismo vermelho britânico que pouco erra, que engendra construções táticas em claro objetivo de anular o adversário e açoitá-lo, no minuto seguinte, em contra-ataques inapeláveis.

A verdade inexorável, vos digo, é que a decisão em Wembley permite a famosa ‘Nega’ no par ou ímpar, pedra tesoura e papel, jogo da velha ou qualquer outro jogo de azar ou sorte que as duas equipes travam em gramados europeus e que resultou num empate de duas Copas dos Campeões para cada lado na última dezena de anos. Além do favoritismo nascido da natureza alienígena que inventou em seu futebol, o Barça traz consigo as lembranças benfazejas da decisão de dois anos atrás, quando derrotou os Diabos Rubros ainda com o patrício, modelo, gogoboy e quilôMetrossexual Cristiano Ronaldo.

Rooney: o leitão rebelde

Ocorre que o gajo não alinha há duas temporadas o time inglês. O que reinstalou a soberania do maior fiador que o Manchester possui em seu futebol há mais de 20 anos. Alex Ferguson. O escocês de tez rosada, olhos pequenos e ruminação eterna de um chicle – que deve ser o mesmo que o ajudou a largar o tabagismo há uns 150 anos –, o escocês e Sir é o treinador eternoem Old Traford, mago incontestável do terreno lindeiro ao campo, responsável maior pela ascensão de seu time ao panteão de grandes europeus, ou retorno a ele, algo que não acontecia desde as décadas de 60 e 70, décadas de Bob Charlton e George Best.

Para a contenda de amanhã, Ferguson aposta em alguns figurões, ainda que o coletivo seja o craque propulsor da equipe. Van Der Sar – El Maledeto! – encerra a carreira em Wembley; Vidic, zagueiro sérvio cuja frieza remete ao lendário Dolph Lundberg, vive seu melhor momento; Giggs, o interminável, aos 37 anos e com as têmporas denunciando a idade avançada numa coloração cinza claro, distribui assistências com a saúde de um neófito; e Rooney, o leitão rebelde, carrega nalgum canto de seu temperamento explosivo um futebol de mesma proporção, basta saber se ele estará disponível desta vez.

Ferguson, contudo, terá que lidar com algo que está além de nossas vãs compreensões, de nossos cérebros arcaicos e subdesenvolvidos de primatas pouco mais elaborados. O Barcelona sempre carregou consigo a empáfia futebol bem jogado, do passe simples e belo, sempre encampou a doutrina do não-balão. O que Pep Guardiola fez nestes últimos anos à frente da principal bandeira esportiva catalã, porém, foi elevar esse conceito ao seu máximo, torná-lo inviável de se copiar em qualquer outro time do mundo que não tenha sido forjado nas canteiras – divisões de base do Barcelona – quintal mágico onde esses homens de agora são iniciados ainda meninos em matérias pautadas na elegância de Beckenbauer, na inteligência de Kroeff, no chute de Rivelino, na condução de bola de Maradona, na realeza de Pelé.

O Barcelona é a prova de que qualquer garoto, por mais desajeitado que seja, pode aprender os meandros básicos do drible, do passe, do chute, vide Piqué e Valdés. Puyol, é claro, configura-se na exceção para confirmar a regra. Xavi, Iniesta, Busquets e sobretudo Messi, o ET Messi, o ‘QuePorraÉEssaQueEleTáFazendo’ Messi, representam o mais alto grau desta crença. Messi desmancha marcações com a mesma facilidade inverossímil que um homem médio derrubaria uma parede grossa de concreto empurrando-a com cuidado, sem forçar nada, como se a marcação, no caso de Messi, a parede, no caso do homem, aceitassem sua condição coadjuvante, e se rendessem ao futebol mágico do argentino.

Xará de Brizola; futebol de Maradona

A dicotomia, o maniqueísmo, o confronto ancestral entre romantismo e pragmatismo não cessará depois deste sábado. Mas que conceitos serão revistos, certezas cairão por terra, sonhos tombarão esquartejados, suor e lágrimas copiosas derramar-se-ão pelo gramado derradeiro, numa resolução bela e trágica ao mesmo tempo, sobre isso não restam dúvidas. As feridas e as alegrias de qualquer final tatuam-se por tempo considerável na pele daqueles que a acompanham mesmo à distância, protegidos pelo anonimato. As feridas e as alegrias de uma final de Champions League cobram sua memória para sempre.          

 

Tanto a imprensa espanhola quanto a inglesa cravaram as escalações nos pergaminhos heréticos de seus jornais, e asseguram que Pep Guardiola e Alex Ferguson adentram o gramado adestrandro os pupilos abaixo.

Barcelona: Valdés; Daniel Alves, Piqué, Mascherano e Puyol; Busquets, Iniesta e Xavi; Pedro, Villa e Messsi.

Manchester United: Van der Sar; Fabio, Ferdinand, Vidic e Evra; Carrick, Giggs, Park e Valencia; Rooney e Hernandez.

 

BARCELONA  x  MANCHESTER UTD (Amanhã, às 15h45min, “Estádio, Tempo, irmão gêmeo do Maracanã” Wembley, Londres/ Inglaterra)

 

Guilherme Lessa Bica  

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Derrota do Avai: dignidade do futebol mantida

Eu realmente sequei o pastor Paulo Silas nessa semifinal contra o Vasco. Não apenas por ele sucatear o time do Grêmio até a metade do ano passado, expôr jogadores à sanha macabro da boca de repórteres setoristas, iludir-nos a todos com sua retórica neo-evangélica cuja invalidez é sonegada pela aparência confiável da calça na altura do umbigo resguardando a camisa de botão e nalgumas caretas que denotam sapiência a quem o faz. Eu realmente seguei Paulo Silas porque ele deixou o Grêmio e ainda conseguiu enganar os flamenguistas por algumas rodadas mais no ano passado – é bem verdade que a torcida do Flamengo gosta de uma mentira. Ele fez ainda mais: no ano presente, Paulo Silas voltou a lançar seu feitiço ecumênico sobre a mídia sorridente do sudeste brasileiro, cujo discurso versava sobre a afirmação do treinador diante da boa campanha na Copa VielaCurtaPorémEspinhosaQueLevaÀLibertadores do Brasil.

Ricardo Gomes reparou esse engano. Não é lá o melhor treinador do país – nem o segundo, terceiro, quarto ou quinto –, mas montou um time como se deve: seis jogadores de linha capazes de marcar, o restante de proporcional vocação para o ataque, ainda que estabeleçam a digna cercada ao adversário que possua a bola. No primeiro tempo de ontem, o Vasco exerceu esse sistema como jamais fizera em 2011 – e como não se via desde os tempos de Eurico Miranda e dos bolsos cheios de cédulas maculadas. Felipe, Diego Souza, Eder Luis e Alecsandro – sim, eles ainda acham que têm um centroavante de verdade – envolveram o escrete de Silas em constrangedoras e herméticas tabelas, assessorados por um Eduardo Costa que marcava e avançava ao campo adversário com a desenvoltura de um Rockemback e Alan, um ala direito incisivo, tal qual o Maurinho daquele Santos de 2002.

A parte do jogo que realmente merece contar recai mesmo sobre o primeiro tempo. Foi lá que Felipe cobrou falta em diagonal para a área Avaiana e o zagueiro Revson marcou seu segundo gol na competição num cabeceio subreptício e certeiro, o segundo gol contra. A Maria Fumaça da Colina manteve-se ativa e altiva, e Alan, Alecsandro, Felipe e Eder Luis obrigaram o mancebo e goleiro Renan a algumas intervenções do quilate de Rodolfo Rodrigues. Ele não conseguiu, porém, evitar a arrancada de AlecGol, na sua vagarosa marcha até o limiar da grande área, o passe para Diego Souza, o toque sutil e preciso deste último sobre o arqueiro. O 0 a 2 estava selado. Como quando o deus pagão que administra o destino do futebol impediu que Luxemburgo fosse campeão da Libertadores com Palmeiras, Corinthians, como quando o mesmo deus retirou das mãos inaptas de Luis Alberto e Fernando Henrique a mesma Líber, em 2008, Silas foi ceifado da Copa do Brasil. Há uma dignidade sobrenatural nestas sentenças. É sempre bom respeitar sentenças sobrenaturais.

Coxa branca, torcedor roxo

De outra parte, eu de fato torci para que o Coritiba vencesse o Ceará e confirmasse a campanha abundante em gols e vitórias e reafirmasse o reerguimento definitivo como clube e time tradicional. É curioso o sentimento que nutro por times imbatíveis, claro, quando não se trata do Grêmio. Ao mesmo tempo que um desejo sádico de que ele perca e aquele encanto seja quebrado, que assuma sua condição de time formado por humanos, passíveis, portanto, do erro recorrente, e não daquele engano de somente vitórias, de somente alegrias, ao mesmo tempo resiste uma tristeza de ver a natureza superior da mitologia que é construída em grandes invencibilidades ser devastada de uma só vez.      

Mas o Coritiba é um time sábio. Perdeu quando e onde podia. Perdeu a invencibilidade para o Palmeiras depois de humilhar Felipão e seus asseclas, como um monarca condescendente que resolve aceitar a clemência de um bandido condenado à morte no instante anterior de se cumprir a sentença. A vitória magra de ontem sobre o Ceará, 1 a0 gol de Anderson Aquino, mostrou que chegou a maturidade depois de o tempo provar que nenhum time é imbatível.

Para a final das próximas duas semanas, os paranaenses chegam em condições iguais ao Vasco, ainda que a camisa pese menos. Há Emerson, zagueiro oriundo do Avaí, capitão e goleador ocasional; há Léo Gago, volante de múltiplos pulmões e uma perna esquerda de chute forte; há David, canhoto habilidoso cuja visão de jogo e displicência lembram Arílson pré-1998. Há Bill, centroavante corpulento. Mas há, sobretudo, Marcelo Oliveira, treinador competente que conseguiu extrair de jogadores médios, e todos os citados acima são jogadores médios – a parcela superior que habita cada um. O mesmo Marcelo Oliveira que veio duas vezes ao Olímpico em anos pregressos como técnico interino do Atlético Mineiro e promoveu peleias suarentas e belicosas, numa amostragem do que viria logo adiante.

 

Guilherme Lessa Bica

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Única piada do texto

 

Se, por ventura, o nobre leitor é carnavalesco da Terra da Garoa e
pousou neste sítio devido ao título, esqueça. Qualquer referência a
Carnaval, o que não é o caso, seria sobre o Rio de Janeiro ou Grande
Guaíba. O resto é piada. Pois, nessa semana, algum x-9 infiltrado no
Conselho Deliberativo do Sport Club Internacional “vazou” as contas
que eram fiscalizadas pelo CF do Colorado, atirando fezes ao vento, o
que rendeu matéria de capa no Correio do Povo.

Os números, não muito surpreendentes; o documento aponta que “o
resultado negativo efetivo da gestão, no exercício de 2010, atingiu o
elevadíssimo montante de R$ 42.945.244,85, considerando o valor
amealhado com a venda do estádio Eucaliptos”. Barbada de reverter.

Segundo a matéria, os cartões corporativos também foram citados. “O
acurado exame procedido pelos auditores contratados pelo Conselho
Fiscal em relação a esse item (cartões) demonstrou que os problemas de
controle de despesas do clube não se devem à boa ou à má utilizações
dos referidos cartões, mas sim a forma como foram feitas as prestações
de contas de tais desembolsos.” Uêla, boi.

 

Contas Aprovadas

A grande verdade é que, na próxima segunda-feira, as contas devem
ser aprovadas pelo Conselho – e segue o barco. Talvez uma pequena
discussão, para apimentar a noite. Somente isso. Logo, fica o
questionamento de qual a vantagem de vazar tais informações à
Imprensa? Fins políticos? Num médio prazo, eleitoreiro? Em entrevista
ao CP, a Gestão citada mostrou-se tranquila quanto aos números e crê
plenamente na aprovação das contas.

Tirando o duplo pagamento de uma mesma fatura no valor R$ 362.250,00
em novembro, segundo o estudo, nada demais – além do déficit.
Convenhamos que, para quem dizia que o Inter teria condições de bancar
a reformulação do Beira-Rio sozinho, é, no mínimo, constrangedor.

 

Politicagem

Uma jogada política que, ao contrário dos atentados da Al-Qaeda,
ninguém assumiu. Uma pena. A política clubística, infelizmente, por
vezes, assemelha-se à política partidária: podridão. O pior é quando
tentam unir os dois, como faz muito deputado meia sola por aí. Por
isso respeito a Manoela (não votei nela); nunca utilizou o Inter para
buscar votos.

Os dados divulgados hoje eram para ser discutidos internamente, como
de costume. Mas, como de costume, existem outras forças por trás de
tudo isso – o que torna o bastidor do futebol um terreno desprezível.

Azar.

Sábado tem peleia contra o Ceará.

 

Fábio Araujo

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Fábio Araujo prega pela renovação imediata do plantel colorado, sob pena de mais um Campeonato Nacional ser derramado pelo ralo geriátrico que condenou o colorado a derrotas recentes. No Arena Vermelha, só clicar aqui.

Leia um trecho:

Ao contrário das aulas de ensino religioso, que desprezava por completo, as afirmativas rubras colocavam combustível na esperança da possível conquista da quarta estrela nacional. Finalmente, conseguiríamos nos livrar das amarras de 2006 e entender que alguns jogadores não têm mais o que oferecer ao clube, apesar de estarem na história; compreenderíamos, sabiamente, que o plantel tem muitas carências em quase todas as posições; e, mesmo que tardiamente, mandaríamos embora nabas medianas que recebem acima de R$ 150 mil.

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A dupla Grenal promoveu um dos maiores embates que sua rivalidade centenária já presenciou, engendrou dois encontros belicosos com um saldo estratosférico de dez gols, esmigalhou o coração de cada torcedor vermelho, de cada torcedor azul, numa decisão por pênaltis alienígena, enfim, conduziu os mais ingênuos da província à crença de que a Libertadores estava superada, de que há futebol em quantia generosa por aqui, de que é possível confrontar os outros grandes brasileiros e conquistar, ao menos beliscar, a caneca de chope de Ricardo Teixeira que todos aceitamos como Campeonato Brasileiro. A dupla Grenal promoveu uma farsa. Não conseguiu vencer o time XY ou XX do Santos e quebrar o tabu na Vila. Não conseguiu nem um constrangedor empate no Olímpico, o que manteria a digna marca de não perder em estréias do torneio. O céu segue plúmbeo na terra de Túlio Milman. E a previsão não encomenda dias azuis ou vermelhos.

O quinhão mais vexatório dessa farsa gaudéria foi, sem dúvida, protagonizado pelo Grêmio, ontem à tarde. Há uma fidelidade inócua e perene mesmo no coração do torcedor mais reticente. Uma entidade que obriga essa criatura por vezes tão calejada de derrotas a dar demonstrações de amor pela camisa que escolheu, ainda que o momento recomende tapas, pontapés e outras agressões.

Pois essa fidelidade foi novamente maltratada pelos tricolores na derrota por2 a1 para o Corinthians. O jogo não diferiu daquilo que ocorreu nos cinco longos e derrotados meses de 2011 na Azenha. Um amontoado de jogadores de azul, preto e branco, em correria desabalada, inversões improvisadas, lançamentos apressados, tudo numa assimetria que confunde o adversário – na mesma proporção que confunde os próprios jogadores gremistas – e que, normalmente, contribui para o Grêmio marcar seus gols. Foi o que aconteceu quando Leandro, uma das poucas almas daquele time que não ardem num inferno imaginado por todo torcedor tricolor nesta segunda-feira, apossou-se da bola e marchou obstinado em direção à área paulistana, projetou-se sobre o gramado num roçar de ombros com o zagueiro e cavou o pênalti que Douglas configuraria em gol.

Mas todos sabíamos, lá no fundo, lá naquele recanto onde descansam as certezas que resistimos em admitir, todos sabíamos que o placar era um engodo. Quando o Grêmio de hoje sai vencedor, duas figuras fundamentais precisam estar em dia inspirado: Rockemback e Douglas. Ambos arrastavam-se em campo, errando passes simplórios e enredando a bola em movimentos inábeis até que ela os abandonasse em laterais ou desarmes adversários.

A virada corinthiana, gols de Chicão – noutro pênalti enganoso – e Liedon – aí está um centroavante de verdade – apenas confirmou as suspeitas de que há algo de muito podre na Azenha, de que não é normal um time que joga domingo começar a treinar na quinta-feira, de que, por fim e tragicamente, o Grêmio está colocando unanimidade que Renato Portaluppi forjou nos maiores títulosdo clube em atuações inverossímeis como jogador em cheque, vide os xingamentos e a revolta dos torcedores, anteriormente dedicados com exclusividade a jogadores e dirigentes.   

 

Martírio na Vila 

A Vila Belmiro é o terreno mais inóspito do Brasil para visitantes. Nalgum canto daquele gramado maldito onde Edson Arantes do Pelé, O Nascimento desfilou seu futebol monarca, deve residir a carcaça de um xangô macabro, os restos mortais de um bispo beatificado, a burca mágica de alguma entidade muçulmana, ou todos eles, mancomunados todos em ajudar o time de Santos.

Mesmo o Inter tendo um conjunto plural de talheres, não somente a faca – mas colheres e garfos para saborear Escargot e outros pratos de paladar exigentes – e o queijo nas mãos, emperrou novamente nas convicções européias de seu treinador. Numa partida de valor técnico reduzido, restou a Zé Roberto, dono do gol de empate colorado e de alguns bons lances individuais o protagonismo solitário. O Santos abrira o placar com um Keirrisson outrora pretendido pela Dupla Grenal, mas que desaprendeu a jogar futebol, de pênalti. O um a um melancólico persistiu.

É preciso ressaltar que Falcão ressentiu-se das ausências de Andrezinho, Indio, Rodrigo, Nei? e, sobretudo, D’Alessandro. O argentino fez muita falta num meio-campo combativo, mas previsível.

Resultados e Classificação aqui.

 

Guilherme Lessa Bica

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