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Posts Tagged ‘Barcelona’

O estrangeiro

 

O Bom Pastor

 

Cinema Transcendental

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Todos sabemos que Iarley adentrou o Beira-Rio no último sábado e fez com o Inter o que costumava fazer aos adversários colorados em anos pregressos, confirmando-se como o Ryan “Interminável” Giggs do futebol brasileiro. Sabemos mais: que o Grêmio de mais sorte que juízo do Renato fiou mais uma vez uma vitória sua nos pactos e sangrias macabras cujos poderes selam o gol de Victor e inclinam os adversários a atos incompreensíveis, tal qual gols contra de invulgar categoria. Sabemos disso tudo.

Ocorre que isso tudo se reduz à categoria dos acontecimentos comezinhos, ordinários, à segunda rodada de um campeonato enfadonho de 38 delas e sem final. Enquanto isso, no reformado Wembley, também no sábado, um argentino de 24 anos, radicado na Catalunha desde o limiar da adolescência, fez ecoar as trombetas do apocalipse e sepultou qualquer crença sobre a necessidade dos três volantes no futebol, sobre a cultura defensivista, sobre tudo aquilo que Felipão, Celso Roth, Mano Menezes (pré-cariocalização) tomaram como verdade inequívoca e que eu e tantos outros reverenciamos numa liturgia ortodoxa nos últimos anos.

Uma a uma, Li(e)onel Messi fez tombar todas as certezas que o futebol gaúcho ou o futebol gaúcho que eu idealizei firmou durante décadas. E por mais que eu tentasse apagar o televisor, meus dedos não obedeciam. E por mais que eu desejasse praguejar depois de cada gol ou lance inverossímil do Barça, minha boca insistia nas gargalhadas, e as lágrimas eram todas de alegria, uma alegria perversa, mas verdadeira.

E aí o que me resta depois deste fim de semana é voltar a torcer pelo Grêmio, e aceitar que não se trata mais de futebol, trata-se de paixão, de fidelidade com uma bandeira, da construção de uma identidade e do engajamento em defendê-lo mesmo em terrenos inóspitos. O futebol de verdade, provou o Barça novamente no sábado, tem relação estreita com a beleza, e nesses casos o resultado quase é rebaixado à categoria do coadjuvante, numa utopia de se valorizar o jogo, a habilidade, o conjunto, nunca o placar. É claro que a doutrina de vida ocidental condenaria tal escolha e imporia sobre Barcelona algum embargo econômico ou forjaria armas químicas em seu território para não permitir a repetição de sua cultura romântica em outras localidades. Mas quem não pagaria para ver Messi, Xavi, Iniesta e todos os outros artistas catalães jogarem o que sabem, mesmo sem um placar para quantificar em gols o resultado? Restaria a medida da beleza nos olhos de cada espectador, produto abundante em mágica, contudo impossível de apalpar.

Mas nesta final da Champions ainda havia placar, ainda havia a medida pragmática, ainda havia a medida que sonega o real valor do futebol barcelonista. Restou a Pep Guardiola e seus asseclas, então, reafirmarem que vencem nas duas esferas, que alcançaram um grau de entrosamento tal que, mesmo diante de esquadras de erros escassos, esquadras de movimentos sub-reptícios e positivistas, esquadras pragmáticas, como a do Manchester United, reafirmarem que não há no momento time capaz de anular seu futebol vencedor, sua poesia redentora independente de resultados. Pedro, Messi e Villa fizeram os gols azul-grená. Rooney garantiu a honra dos ingleses no placar clássico de 3 a 1.

As próximas quartas, quintas, os próximos sábados e domingos virão, e com eles mais jogos do Brasileiro. O futebol, contudo, adormece até agosto, quando o Barcelona volta aos campos. Até lá, peço a Renato que não tente fazer seu time jogar futebol, peço a Renato que tente fazer seu time ganhar, tente fazer o que é possível, isso basta. O impossível, desde 2008, apenas um clube consegue. O resto é fidelidade, bandeira, paixão inalienável, mas nunca futebol.

 

Tudo sobre a final aqui.

 

Guilherme Lessa Bica

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Champions League

 

Na última terça-feira, dia 15, teve início o maior campeonato de clubes do mundo. Na verdade o campeonato já estava acontecendo, só que numa fase “pré-Champions”. Com os grupos formados (e pelo menos dois deles são “da morte”) os embates tiveram início. Como a temporada européia ainda engatinha, alguns grandes jogos desta fase de idas nos grupos serão decepcionantes (caso de Inter e Barça, já na primeira rodada). A falta de ritmo e entrosamento dos conjuntos é evidente, mas nada que um mês com as ligas nacionais a todo vapor não resolva.

 

Segue uma breve análise (com palpite dos dois classificados à próxima fase, resultados e classificação) grupo a grupo, do que acontece no campeonato que agrega o maior número de craques no futebol terrestre.

 

Grupo A

Bayern de Munique – 3

Juventus – 1

Bordeaux – 1

Maacabi Haifa – 0

 

Os bávaros foram até Israel e mostraram sua tradicional força. O novo estilo operário e veloz de Van Gaal começa a render frutos (assim como no início arrasador na Bundesliga). Dois gols de Thomas Muller e um de Van Buyten decretaram a vitória por 3 a 0 do Bayern sobre o Maacabi Haifa.

 

A Vecchia Signora sem Diego é um time totalmente comum. Ainda mais com Alessandro Del Piero machucado. Iaquinta abriu o placar em Turim, mas o tcheco com nome de remédio Plasil igualou o marcador para o Bordeaux, dos brasileiros Fernando, Henrique, Wendell e Jussiê. E Buffon fez pelo menos dois milagres…

 

Palpite da classificação: Bayern e Juventus. Com o Bordeaux muito vivo na briga.

 

Grupo B

Wolfsburg – 3

Manchester United – 3

Besiktas – 0

CSKA – 0

 

Grafite é o nome do momento na Alemanha (e por aqui também…). Fez os três gols na vitória por 3 a 1 do Wolfsburg contra o CSKA, em casa. É um time sem grandes nomes (o mais conhecido é o nigeriano Oba-Oba Martins!), porém entrosado. E o CSKA (Guilherme e Daniel Carvalho no elenco) com problemas financeiros é coadjuvante.

 

Já o “renovado” Manchester precisou dos serviços do “garoto” Paul Scholes para derrotar o Besiktas, na Turquia, por 0 a 1. Quem conseguiu acompanhar o jogo até o final, sem dormir, afirma que… foi sofrível! Sir Alex Ferguson terá muito trabalho nesta temporada…

 

Palpite da classificação: Manchester United e Wolfsburg, com o CSKA tentando o milagre.

 

Grupo C

Real Madrid – 3

Milan – 3

Olympique de Mareseille – 0

Zurich – 0

 

Os Galácticos II estrearam contra o time mais fraco da chave, o suíço Zurich, fora de casa. 2 a 5 pros Merengues, com direito a dois gols de falta de Cristiano Ronaldo (com colaboração do arqueiro rival). Raúl, Higuaín (que agora será convocado por Maradona) e Guti, num golaço de assistência “Kakética”, completaram o marcador.

 

Vindo de resultados pífios no início do Calcio (0 a 0 com o Siena por exemplo), o Milan foi visitar o promissor Olympique de Marseille do técnico e ex-jogador francês Deschamps. Com Ronaldinho (e Huntelaar, Gattuso…) no banco, Leonardo apostou nos velhos Pirlo, Seedorf e Pippo Inzaghi pra difícil tarefa de estrear bem na França. Com dois gols do Highlander de Milão (e duas assistências do holandês camisa 10) o Milan venceu por 1 a 2. O gol do Olympique foi do argentino Gabriel Heinze.

 

Palpite da classificação: Depois deste tropeço em casa, Real e Milan. Mas este Milan 2009 é uma surpresa completa…

 

Grupo D

Chelsea – 3

Atlético de Madrid – 1

APOEL – 1

Porto – 0

 

O chato e burocrático time londrino do Chelsea encontrou o treinador perfeito: Carlo Ancelotti, chato e burocrático. Com mais um 1 a 0 (gol de Anelka), os Blues venceram o Porto, em Stamford Bridge. Helton teve grande atuação, evitando um placar mais dilatado. Mas aí Ancelotti ficaria triste; Ele prefere um placar bem magrinho.

 

Sabe onde fica o Chipre? Nem eu. Pois o Atlético de Madrid conseguiu empatar em casa com o APOEL, equipe que representa o minúsculo país europeu. O 0 a 0 talvez seja pela má influência que as seleções exercem sobre os principais jogadores do time espanhol: Diego Forlán (Uruguai), Simão Sabrosa (Portugal) e Sério Agüero (Argentina).

 

Palpite da classificação: Chelsea e Porto. Atlético de Madrid está se esforçando para ser a decepção da temporada.

 

Grupo E

Liverpool – 3

Lyon – 3

Fiorentina – 0

Debrecen – 0

 

Jogar pela primeira vez a Champions deve ser difícil para qualquer clube. Se a partida for contra o gigante Liverpool, em Anfield, o negócio fica feio. Mas os húngaros do Debrecen mantiveram a dignidade e quase engrossaram pra gurizada do Professor Rafa Benítez, que venceram por magro 1 a 0. Gol do (caneleiro) holandês Dirk Kuyt.

 

Um dos confrontos mais equilibrados desta primeira rodada (e que fatalmente definirá uma vaga à próxima fase) aconteceu entre Lyon e Fiorentina, na França. Num possível duelo de ótimos centroavantes (Gilardino e Lisandro López), quem decidiu foi o jovem meia bósnio-francês Miralem Pjanić. 1 a 0 Lyon dos brasileiros Cris e Ederson.

 

Palpite da classificação: Liverpool e Lyon, sem surpresas.

 

Grupo F

Dynamo de Kiev – 3

Barcelona – 1

Internazionale de Milão – 1

Rubin Kazan – 1

 

O jogo que todos esperavam. A volta de Ibracadabra para o San Siro, agora defendendo o Barça. Samuel Eto’o contra seu ex-clube. Júlio César, Messi, Diego Milito, Xavi… E foi um 0 a 0 com quase nenhuma chance clara de gol. A Inter jogou recuada, como se estivesse no Camp Nou. O Barcelona controlou a bola, mas sem muita vontade de se expor para atacar. O jogo de volta PRECISA ser melhor que este!

 

Andriy Shevchenko está de volta ao seu clube de origem (e de coração), o Dynamo de Kiev. O maior clube da Ucrânia inaugurou mais uma participação na Champions em casa, contra o russo Rubin Kazan. E foi surpreendido no primeiro tempo, chegando no vestiário com 1 a 0 para o Kazan, gol de Alejandro Domínguez (muito russo este rapaz!). Na segunda etapa, com direito a gol do ex-cruzeirense Gérson Magrão, o Dynamo virou para 3 a 1.

 

Palpite da classificação: Que dúvida… Barcelona e Internazionale. Sheva terá que fazer chover, algumas vezes, para classificar o Dynamo.

 

Grupo G

Sevilla – 3

Glasgow Rangers – 1

Stuttgart – 1

Unirea – 0

 

Na Alemanha um duelo entre times tradicionais, mas com elencos modestos. O Stuttgart aposta no habilidoso bielo-russo Aleksander Hleb e no interminável atacante brasileiro Cacau. Os Rangers apostam… na marcação, na força e na ligação direta defesa-ataque, como qualquer time escocês que se preze. No fim o empate em 1 a 1 foi muito bom para o time de Glasgow, e pode valer a classificação às oitavas no final da primeira fase.

 

Com dois gols brasileños o Sevilla assumiu a liderança do grupo G. Renato e Luís Fabiano determinaram o 2 a 0 pra cima do romeno Unirea. Como o jogo foi na Espanha , nada de surpreendente nesta peleja. A não ser o fato de que o treinador do Unirea é o ex-craque da seleção romena Dan Petrescu.

 

Palpite da classificação: Sevilla e Rangers, nesta ordem.

 

Grupo H

Arsenal – 3

Olympiakos – 3

Standard de Liège – 0

AZ Alkmaar – 0

 

O tradicional clube grego Olympiacos (agora treinado pelo Galinho de Quintino) recebeu a surpresa do campeonato e atual campeão holandês AZ Alkmaar. Só por quebrar a hegemonia eterna de Ajax e PSV o AZ merece nossa simpatia. E acabou dificultando o jogo para o time de Diogo (ex-Portuguesa) e Dudu Cearense. O gol grego só saiu aos 35 do segundo tempo, com Vassilis Torosidis, decretando a magra vitória por 1 a 0.

 

No limiar de uma crise técnica, de resultados e interna, os Gunners viajaram até a Bélgica buscando recuperação. Depois de duas derrotas em clássicos na Premier League (3 a 1 para o Manchester United e 4 a 2 para o Manchester City, com direito a gol e desabafo tresloucado de Adebayor), os comandados de Wenger necessitavam da vitória. Aos 5 minutos de jogo o modesto Standard abria 2 a 0! Aos trancos e barrancos o Arsenal conseguiu a virada, com direito a gol irregular (mão E impedimento no MESMO lance). O tento da vitória por 3 a 2 foi anotado por Eduardo da Silva.

 

Palpite da classificação: Arsenal e Olympiakos. A surpresa holandesa do AZ já surpreendeu demais!

 

Felipe Conti é colorado, gaúcho, canoense, goleiro, esquerdista, aspirante a jornalista. Nascido para ser do contra, desde março de 86. Escreve costumeiramente no Grenalzito e é titular das sextas aqui do Tisserand.

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Barcelona e Real Madrid são opostos complementares. Sem a alva aristocracia merengue não poderia haver a vibrante bravura catalã. Para os nascidos na Província de São Pedro, torna-se fácil compreender o sentimento que envolve esta rivalidade: ou tu estás de um lado, ou estás automaticamente do outro. O meio termo é um inadmissível e hediondo disparate! Neste caso ou estás com os conservadores, “franquistas”, neoliberais e orgulhosos de serem da capital Madrilenhos, ou estás com os separatistas, explosivos, revolucionários e orgulhosos de formarem uma “nação independente” Catalães.

 

Nesta temporada o embate entre as duas forças que dividem a Espanha futebolística, política e ideologicamente será inesquecível. As duas filosofias de futebol dos clubes estão, como quase sempre estiveram, muito claras. O Barça aposta em vários jogadores forjados na Catalunha (muitos nascidos no país Basco e por conseqüência símbolos de um povo), além de jogadores de características extremamente agressivas ofensivamente. Quem precisa defender quando os que prendem a bola no ataque chamam-se Lionel Messi, Thierry Henry e Zlatan Ibrahimovic? “Defendam vocês”, é o que deve pensar o empolgado torcedor barcelonista!

 

Só que do outro lado há um ataque completamente novo e recheado com jovens estrelas do futebol mundial. Com jogadores sedentos pela fama merengue e prontos para levar o Real às conquistas que sumiram nos últimos anos do Bernabéu. O problema é que cada um está pronto individualmente, e não como um time, com uma mecânica de jogo definida. Se no último clássico (nada menos que 6 a 2 Barcelona em Madrid) a linha de frente Madrilenha era Raúl e Higuaín, no próximo pode ser Raúl, Karim Benzema e Cristiano Ronaldo. E com Kaká armando as jogadas ofensivas. Contra este ataque (infelizmente) se faz NECESSÁRIO defender além de atacar…

 

Vamos analisar cada elenco, o que pretendem na temporada e até onde podem chegar:

 

Real Madrid

 

O Almofadinha

O Almofadinha

 

Florentino Pérez, o doidão, voltou a dar as cartas em Madrid. Sua conhecida política “não interessa o preço, vamos contratar” está de volta e fazendo estragos por toda Europa. Cinco nomes chegaram com impacto para montar um pretenso “Galácticos II”. Pelo dinheiro gasto, até poderíamos dizer isso.

 

Kaká e Cristiano Ronaldo vieram à peso de diamante. Dois Melhores do Mundo (assim como Figo e Zidane no começo da década) e que podem mudar uma partida em uma fração de segundo. Ainda para o ataque, chegou a jovem revelação francesa Karim Benzema. Jogador do Lyon e apontado como sucessor de Zidane nos Bleus, ainda parece muito verde para carregar responsabilidades nas paletas. Vem para ser coadjuvante, portanto pode jogar mais tranquilamente.

 

Muitos diziam que o técnico chileno Manuel Pellegrini nunca conseguiria montar uma equipe equilibrada com a direção contratando apenas jogadores do meio para frente. Ainda mais com os que já estavam no elenco! Portanto o zagueiro Albiol chegou do Valencia (pela bagatela de 15 milhões de euros) e o xerifão Xabi Alonso deixou o Liverpool para jogar no capital espanhola. Além de mandarem Huntelaar procurar seu futebol esquecido dos tempos de Ajax no time de Leonardo, Pato e cia.

 

O time-base merengue pode ficar assim:

Casillas, Sérgio Ramos, Pepe, Albiol e Marcelo; Gago, Xabi Alonso e Kaká; Benzema, Cristiano Ronaldo e Raúl.

 

Barcelona 

“Nós formamos craques, não compramos” – Joan Laporta, presidente do Barcelona desde 2003.

 

O Endiabrado

O Endiabrado

 

Atual campeão espanhol e da Copa dos Campeões da UEFA. Aí pega esse grupo campeão, não negocia praticamente ninguém e contrata algumas peças importantes. Dentre elas o lateral esquerdo Maxwell, da Inter de Milão. E o principal: troca teu centroavante nota 8,5 por um jaqueta 9 nota 9,5. Eto’o foi tentar a sorte na Inter e Ibrahimovic realizou o sonho de atuar no futebol espanhol.

 

O Barça segue atuando num 4-3-3 estilo holandês. Aliás, esta é a marca registrada do clube catalão: ataque impiedoso e meio de campo criativo. Frank Rijkaard, em sua bem sucedida passagem pelo comando técnico da equipe, montou um esquema no qual os atacantes abertos pelas pontas atuam com a perna preferencial “invertida”. Pep Guardiola segue montando seu time desta maneira, mas com um meio de campo mais participativo nos tabelamentos ofensivos.

 

Yaya Touré (ou Busquets) guarda posição como cabeça de área, liberando Iniesta e Xavi. Os dois jogam como Guiñazús muito mais habilidosos e com poder de chegar á frente. E no ataque… Messi pela direita, Henry pela esquerda e Eto’o (agora IBRA) no comando. E no banco o garoto forjado na base barcelonista Bojan Krkic. Desta maneira o Barcelona ultrapassou a marca de 150 gols na temporada 2008/2009. Inapelável.

 

Para esta temporada o time já tem uma espinha dorsal muito bem definida, e com acréscimos de muita qualidade. Guardiola seguirá com seu jeito tresloucado à beira do gramado do Camp Nou e armando o time que dá mais gosto de ver no futebol mundial. Só que este ano o favoritismo está carimbado na equipe, e isso pode ser um fator negativo (vide o Manchester United da temporada passada).

 

Provável time-base:

Valdés, Daniel Alves, Puyol, Rafa Márquez e Abidal; Touré, Xavi e Iniesta; Henry, Messi e Ibrahimovic.

 

Ps.: Na história d’El Clásico, as estátisticas são as seguintes:

¬ Número de partidas: 238

 

¬ Vitórias do Barcelona: 97

 

¬ Vitórias do Real Madrid: 89

 

¬ Empates: 52

 

Felipe Conti é colorado, gaúcho, canoense, goleiro, esquerdista, aspirante a jornalista. Nascido para ser do contra, desde março de 86. Escreve costumeiramente no Grenalzito e é titular das sextas aqui do Tisserand.

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O jogador de futebol encarna nos dias de hoje o estereótipo de algumas mulheres modernas: há um carinho e respeito pelo primeiro homem, quem lhe ensinou os primeiros passos, deu as primeiras aulas diante e longe da sociedade, mas inexiste a preocupação com a fidelidade de outrora; há que se aproveitar o que a vida lhe oferece, os prazeres que a abundância de dinheiro gera.

 

Pois o mercado europeu voltou a promover em maior escala essa promiscuidade consentida neste ano. Depois de uma janela de cifras tímidas na temporada passada, os milhões de euros voltaram a transitar no destino contrário às mercadorias que compram. Real Madrid, como já comentado aqui na semana passada, é o epicentro destas movimentações frenéticas. Mas Manchester United, que perdeu Cristiano Ronaldo, e Juventus, equipe que tradicionalmente faz aquisições pontuais e ruminadas, também desembolsaram alguns milhões de notas. Nesta semana, análises das perspectivas dos grandes clubes espanhois e italianos para o calendário que se inicia em agosto.

 

Espanha

O futebol espanhol acena com a repetição do protagonismo que exerceu na Europa na temporada passada. O Barcelona mantém a equipe que venceu a Champoions, cuja base são jogadores formados nas Canteiras catalãs, categorias de base do Barça. Há tentativas de reforçar o banco de reservas, com a contratação de Fórlan, atleta uruguaio, artilheiro por duas temporadas consecutivas da Liga, mas que esbarra na certeza de possuir uma esquadra vencedora e no alto valor pedido pelo Atlético de Madrid.

 

Já o Real Madrid, voltou à fórmula de Florentino Pérez, investindo em jogadores de reconhecida categoria, e admitindo que, afora Casillas e Raul, há tempos não revela um grande jogador. Diferente da primeira geração galáctica, quando obrigou os treinadores a mudarem de escalação todo ano – visto que se contratava um craque por temporada -, Florentino arrematou logo dois dos três melhores do mundo, e alguns coadjuvantes para os demais setores – medida que pode acelerar o entendimento interno e a conquista de títulos.

 

Itália

O Milan é quem mais perdeu nestes dois meses sem futebol de clubes europeu. Kaká era quem alçava o time de Milão ao panteão de clubes candidatos a qualquer campeonato que disputam. Sem o brasileiro, o Milan é uma equipe que recende lentidão e burocracia. Estão, por hora, amparadas sobre os pés de Pato (Rá!) e Ronaldinho Gaúcho as esperanças de Berlusconi para 2009/10. Um sintoma da insegurança dos cartolas de lá em seus novos protagonistas, é a insistência na contratação de Luis Fabiano. O que trava a negociação com o Sevilla é o preço inflacionado do atacante de indiscutível titularidade na Seleção: 14 milhões de euros.

 

Já a Inter, depois do quarto campeonato nacional seguido, reza, ora, faz pactos com entidades divinas, usa de todas as mandingas existentes para que volte a vencer a Liga dos Campeões, o que não faz desde antes do nascimento de todos os seus atletas. Mas José Mourinho já alertou os dirigentes que não detém poderes sobrenaturais, e munido da coragem que sua arrogância permite, exige reforços para que conquiste algo fora da Bota. Recebeu Kérlon, aquele guri que apareceu no Cruzeiro imitando foca e dependurando a bola no próprio nariz, o argentino Diego Milito e o português e genérico de Cristiano Ronaldo, Ricardo Quaresma. Ou seja: adornos insuficientes para ambições maiores.

 

Mas é uma senhora experiente que deve voltar a se adonar de troféus nacionais este ano. A Juventus retomou no Calcio passado o seu lugar entre os três melhores times do país. Mas penou com a limitação do elenco e o cansaço de jogadores em fase crepuscular, como Nedved. O retorno de Canavarro e a chegada de Felipe Melo devem aumentar a segurança da já sólida defesa de Turin. Porém, é na figura de Diego que se pretende resgatar, junto de Del Piero e Amauri, aquele jogo de contra-ataques mortais e ágeis, filho de um futebol pragmático e vitorioso. Os mesmo contra-ataques que no começo dos anos 90 eram feitos por Baggio, Ravanelli e Viali e, já na segunda metade daquela década, orquestrados por Zidane, o ainda jovem Del Piero e Filippo Inzaghi: os dois últimos grandes momentos da Vecchia Signora no cenário europeu.

 

Guilherme

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Voadora campeã no Capeta

Voadora catalã no Capeta

 

O Vaticano é uma cidade-estado encravada em solo romano desde 1929, doada pelo Tata italiano Benito Mussolini. Pois na tarde de hoje, a alguns quilômetros dali, no estádio Olímpico, um Diabo Vermelho ousou reafirmar seu domínio europeu e estendê-lo inadvertidamente sobre as terras do velinho boa-praça Ratzinger. É claro que Nosso Senhor não permitiu. E o Barcelona mais uma vez ensaiou as ciranda-cirandinhas dos baixinhos Xavi, Iniesta e Messi que tanto encantam e enganam os desavisados e românticos da bola, levando a Copa dos Campeões pela terceira vez em sua história por convincentes 2 a 0.

 

Quem escapuliu do labor enfadonho de todos os dias para espiar o começo de partida e viu apenas os primeiros nove minutos, certamente tomou aquele cagaço quando chegou em casa e conferiu o resultado. O Manchester não só dominou o começo de jogo, mas tomou a iniciativa com arremates e arrancadas incisivas, sobretudo de Cristiano Ronaldo. Todas elas para fora. Todas flertando com a trave de Valdes.

 

Mas foi só. Depois daquele começo insinuante, amedrontando catalães e anulando o pequeno notável Messi, o time de Alex Ferguson se perdeu, virou um amontoado de jogadores medianos e explicitou os equívocos que seu treinador promovera na escalação. Já na primeira investida do Barca, aos 10 minutos, Iniesta recolheu a bola na meia cancha, livrou-se com facilidade de dois adversários e enxergou Eto’o solitário no vértice da grande área inglesa. O camaronês dominou com a afobação habitual, deu um corte telegrafado no zagueiro e bicou a bola contra parte da palma da mão esquerda de Van der Sar, marcando o primeiro tento. A vitória começava a se desenhar com pouco mais de dez por cento do tempo total de partida.

 

Daí para a frente o time de Pepe (Já tirei a vela!) Guardiola transformou a final num treino de dois toques. Sem pressa, chegava como queria na retaguarda britânica. Ao passo que os vermelhos batiam cabeça. O sul-coreano Park parecia aquele guri ansioso nos bancos das quadras de society, à espera de uma chance no jogo de adultos, mas cuja atuação desaponta quando ingressa na partida e é humilhado nas divididas pela desproporção na envergadura das panturrilhas, pelas pernas ainda curtas e insuficientes para ocupar o seu quinhão no campo. Giggs não sabia se marcava ou armava: absteve-se das duas tarefas. E o máximo que Ronaldo fez até o final foi ensaiar caretas e pequenos esgares que acentuam ainda mais sua inerente arrogância.

 

Homem não chora (Pssss!)

Homem não chora (Pssss!)

 

O segundo tempo arrastou-se incrivelmente com uma letargia que se costuma ver nas fases preliminares da Champions, jamais numa decisão. Nem os ingressos de Tevez e Berbatov animavam os diabinhos cabisbaixos. O primeiro lance interessante foi a tentativa adolescente de Ronaldo acertar uma bola, jogada a campo pelo banco catalão quando a partida já estava reiniciada, no treinador adversário. Ali, naquela iniciativa, ele iniciou uma série de infortúnios ingleses que prosseguiu na agachada ridícula de Evra, evitando um lançamento de Van der Sar e entregando a bola a Puyol, e alcançou seu apogeu no lançamento diagonal de Xavi para Messi e a perícia incomum do argentino no cabeceio que definiu o placar final.

 

 

O Diabo era, enfim, sepultado. Messi sacramentava a condição de melhor do mundo e resolvia, dez meses antes da data prevista, a eleição da FIFA a seu favor. O Barcelona promove uma ode a equipes perdedoras das quais é herdeiro (Brasil de 1982, Holandas de 1974 e 1978) e mostra que se pode vencer com alguma frescura. E a alguns quilômetros dali, no Vaticano, Ratzinger certamente ensaiou um trocadilho em alguma das línguas que domina, sobre o Diabo ser derrotado na terra de Deus.

 

Fotos: espn.com.br

 

Guilherme

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Algumas pendengas nacionais europeias já foram resolvidas. Na verdade, as três principais: Liga Espanhola, o Calccio Italiano e a Premier League Inglesa. E dois dos campeões dissecados a seguir transformam-se em Gladiadores na próxima semana, em Roma, e degolam-se mutuamente pela honraria de imitar Napoleão e olhar o continente por debaixo do próprio queixo: Barça e Manchester.

 

Dois chopes em quatro dias

 

Henry perscruta arquibancada atrás de parentes

Henry perscruta arquibancada atrás de parentes

 

Guardiola conseguiu devolver ao Barcelona o futebol que o time esqueceu nas duas temporadas passadas. Recuperou para a Catalunha, em menos de uma semana, a Copa do Rei e a Liga das Estrelas. As saídas salutares de Ronalducho Gaínho e Deco tiraram da coadjuvância o melhor canhoto do mundo, Messi, e os dois melhores jogadores da seleção espanhola campeã da Eurocopa: Iniesta e Xavi.

 

O trio rege o meio-campo do time que conquistou a Liga Espanhola no último final de semana. O título chegou com uma derrota para o Mallorca por 1 a 2, providenciado pelo revés do Real Madri, por 3 a 2, para o Villareal.

 

Das quatro vagas para a Liga dos Campeões do ano que vem, resta apenas uma, e para a fase preliminar. Atlético de Madri, Villareal e Valencia são seus postulantes. Caso o Barcelona vença a Champions dessa temporada, a Espanha ganha uma quinta vaga.

 

Classificação: 1º) Barcelona, 86 2º) Real Madrid, 78 3º) Sevilla 64

¬ Duas rodadas para o final

 

Coração valente, longevo e vencedor

 

Ferguson antes de chegar à Inglaterra

Ferguson chegando à Inglaterra

 

Alex Ferguson trilhou o caminho inverso do compatriota William Wallace, libertador escocês encarnado por mel Gibson no filme Coração Valente e inimigo mortal da Coroa Inglesa: migrou para o país vizinho, tornou-se o maior treinador de times da Inglaterra e ainda foi condecorado Sir.

 

Pois, no último final de semana, esse filho da terra do uísque e daqueles saiões xadrez venceu pela décima primeira vez a primeira divisão inglesa, e com uma rodada de antecedência. São mais de mil partidas e 22 anos como treinador do Manchester. O dado que sempre impressiona os pagãos desavisados que transitam pelas efemérides (Te mete!) futebolísticas, trata dos sete primeiros anos de Ferguson na terra de Oasis: nada de taças, nem umazinha, nadica. Depois tudo engrenou e ele venceu tudo o que poderia. E tudo mesmo, nada dessas invencionices capengas de beira de rio.

 

Classificação: 1º) Manchester, 87 2º) Liverpool, 83 3º) Chelsea, 80

¬ Uma rodada para o final

 

Filme de sessão da tarde

 

Mourinho: o Luxa deles

Mourinho: o Luxa deles

  

 

A Inter, de Milão, virou o São Paulo do Calccio. A diferença está no campeonato conquistado a mais: já são quatro consecutivos. Beneficiada pela balburdia que acossou o Milan nessa temporada, pelo começo trágico da Roma e, sobretudo, pelos parcos recursos da Juventus recém regressa da segundona, o time de José Mourinho sobrou de novo.

 

Fica para a próxima temporada a mesma questão capciosa que emerge quando a Liga dos Campeões inicia: quando que a Inter vai vencer longe de casa?

 

Mas esse tipo de provocação é só para quando o carnaval chegar. Até lá, Mourinho pode desfilar sua arrogância Luxariesca e comemorar o primeiro título no comando Nerazzurri.

 

Classificação: 1º) Internazionale, 81 2º) Milan, 71 3º) Juventus, 68

¬ Duas rodadas para o final

 

Fotos: Henry: tvi24.iol.pt; Mel Gibson: sobrecarga.com.br; Mourinho: spectrum.weblog.com.pt

 

Guilherme

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E lá vamos nós, cumprindo um dever deveras urgente: içar velas e corromper mares europeus com o suor latinoamericano. As caravelas Tisserandas atormentam os monstros que habitam o Atlântico e navegam rumo à civilização para acompanhar os últimos movimentos dos mais importantes campeonatos e Copas nacionais de uma senhora milenar, mãe de romanos e atenienses, bárbaros e visigodos. Sim, estamos falando da Europa.

 

Pragmática Inglaterra

Só um atentado à lógica pode tirar o título do Manchester United. Não. Nem um atentado à lógica pode tirar o título do Manchester United. Os vermelhinhos mais queridos de Manchester venceram mais uma, na última quarta-feira. Um jogo atrasado contra o Wygan, fora de casa.

 

Na verdade, o adiamento quase eterno dessa partida foi o que tornou o campeonato um pouco mais emocionante. Os gols de Tevez e Carrik livraram os Red Devils seis pontos do segundo colocado, o Liverpool.

 

 

Restam duas rodadas para acabar a Premier League. E o único jogo que pode tirar pontos do Manchester é a partida deste sábado contra o Arsenal, o mesmo que Cristiano Ronaldo despachou com duas vitórias da Champions League.

 

Classificação: 1º) Manchester, 86 2º) Liverpool, 80 3º) Chelsea, 77.

¬ Duas rodadas para o final

 

A Copa é do time Mussolini. E ele nem obrigou ninguém a isso

 

Aprendiz de Duce: Lazio voltou a ser campeã depois de se livrar de Di Canio

Aprendiz de Duce: Lazio voltou a ser campeã depois de se livrar de Di Canio

 

Benito Mussolini, aquele mau caráter que amordaçou a Itália entre 1922 e 1943 e era chamado pelos italianos de Il Duce (Isso mesmo, tem que fazer biquinho pra falar), deve estar soltando piadinhas em alguma mesa de bar no mármore do inferno, talvez num bate papo sobre genocídios e censura com Hitler e Stálin. Pois seu time do coração, a Lazio, voltou a conquistar um título esta semana. A Copa da Itália, torneio que há quatro anos tinha nas finais Roma e Inter, ficou nas mãos da equipe romana celeste, que derrotou a Sampdoria nos pênaltis.

 

Foi curioso acompanhar a transmissão da final. O primeiro tempo, sobretudo, transcorreu com as câmeras em movimentos caóticos, alternando os lados do campo, deixando o telespectador tonto e constrangendo Silvio Lancellotti, aquele comentarista que virou mito nas manhãs da Band e agora presta serviços à ESPN.

 

O tempo normal terminou empatado em 1 a 1. Mauro Zarate, o argentino que eliminou o Inter na primeira fase da Libertadores 2007, jogando pelo Velez, marcou primeiro para a Lazio. Mas, ainda antes dos primeiros 45 minutos, naquele balé amalucado das câmeras, Pazzini igualou numa curiosa tabela de cabeça.

 

Nos pênaltis, o goleiro Muslera defendeu as cobranças de Cassano e Campagnaro. Ao passo que, pelos romanos, só o veterano Rocchi, o Smegal deles, desperdiçou.

 

 

A Copa do Rei de Copas do Rei de Copas…

 

Barcelona

Barcelona

 

Seria bacana se o Athletic Bilbao vencesse a via láctea Barcelona na final da Copa do Rei. Seja pela conturbada relação dos bascos com o restante da Espanha, seja pelo jejum de títulos do Bilbao, que não ganha nada desde 1984 – é verdade também que o time mantém uma tradição corajosa para nossos dias: só joga lá, quem é nascido no país Basco. Assim eles estão entre as três equipes que nunca foram rebaixadas na Espanha, junto do Barça e do Real, mesmo que flertem com a segunda divisão há algumas temporadas.

 

E, da mesma forma, vão penar bastante até reconquistarem algo de expressão. A goleada de 4 a 1 para o Barcelona denuncia claramente o abismo que separa as duas equipes.

 

 

Os catalãos distanciaram-se dos adversários da final em conquistas de Copas: agora são 25 a 23; confirmaram-se como o Rei das Copas do Rei e ganharam confiança para a final da Liga dos Campeões, dia 27, contra o Manchester.

 

Fotos: Di Canio: repubblica.it; Carta: tathy.com.

 

Guilherme

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Carótida prestes a explodir

Carótida e adversários prestes a explodir

 

Cristiano Ronaldo é um inconformado. Aos 43 minutos do segundo tempo, jogo e confronto semifinal da Champions League contra o Arsenal resolvidos a favor de seu time, dois gols dos três que o Manchester marcara na partida feitos por ele, o português se posiciona para cobrar uma falta de distância pretensiosa. Marcha para a bola, prende o pé e vê o chute se perder longe do gol do já resignado Almunia. O que faz Ronaldo? Grita, esperneia, se lamenta como se daquela falta dependesse a classificação de seu time. E não foi só ali que ele fez isso.

 

Quando chegou ao Manchester, apontado como substituto de David Beckham, Ronaldo não parecia que ia dar conta. A pouca idade, dezoito anos, as firulas em excesso e a preocupação recorrente em fazer caras e bocas para as câmeras, tudo sinalizava para um genérico português de Robinho. Mas duas sumidades do futebol cruzaram seu caminho, e certamente ensinaram a arte do inconformismo: Alex Ferguson e Luiz Felipe Scolari. Desde que começou a trabalhar com ambos, Ronaldo caminhou com passos seguros para ser o melhor do mundo. Ambos convenceram-no de que precisaria correr muito mais, chutar muito mais, treinar muito mais do que Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e Zidane, por exemplo, se quisesse chegar lá. E ele quis.

 

Por que o Manchester está na final?

 

Um time bem ajustado, com jogadores competentes e um deles com coragem para resolver pode ser um time campeão. É o caso do Manchester. E não é o caso do Arsenal, derrotado ontem por 3 a 1. Fabregas, Adebayor e Van Persie, teoricamente os craques dos Gunner’s, não sabem fazer isso. É verdade que o time de Londres acaba de contratar o russo Arshavin – impedido de atuar ontem porque já jogou na primeira fase pelo Zenit –, e a partir daí começa a formar uma equipe forte para a próxima Champions.

 

Mas aí recairíamos em previsões longínquas e precipitadas. A única certeza sobre tudo isso é que o Manchester está novamente na final da Copa dos Campeões.

 

Curte aí os melhores momentos do jogo.

 

 

Aos cinco e sessenta

 

Que horas são, Papai Papudo?

Que horas são, Papai Papudo?

 

No outro entrevero, que repartiu o gramado londrino de Stamford Bridge, o Barcelona avançou ao jogo decisivo em Roma. Pouco adiantaram a superioridade do Chelsea, a postura amedrontada, mas eficiente, que novamente amordaçou Messi, Eto’o e Henry, tampouco as jogadas criadas e desperdiçadas por Drogba.

 

Essien marcou para os Blues, logo no início, e o placar permaneceu apenas com o gol dele até os 47 minuntos do segundo tempo. Quando as esperanças catalãs já esmoreciam e Papai Papudo já se despedia da criançada, Iniesta vestiu a fatiota de vilão do dia e empatou o jogo, decretando a eliminação dos donos da casa, visto que o marcador do confronto de ida não teve gols.

 

Iniesta: o cara que fez o Barça se livrar de Deco

Iniesta: o cara que fez o Barça se livrar de Deco

 

Manchester e Barcelona se encontram dia 27 de maio, na terra de Nero, Augusto e Marco Aurélio para resolver quem é o melhor time da Europa.

 

Fotos: Ronaldo: telegraph.co.uk; Bozo e sua turma: picasaweb.google.com; Iniesta: elcalccioblog.it.

 

Guilherme

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Daniel Alves rindo de nervoso

Dani Alves depois de ir fumar na praça

 

O futebol recentemente apresentado por Barcelona e Manchester nos campeonatos nacionais e na Champions League me empolgaram. Pois o conservadorismo europeu, povo tão conhecido pela ponderação, pela parcimônia, fez sucumbir minhas profecias de placares elásticos. Apenas um gol nos dois jogos semifinais da Copa dos Campeões. E tudo será definido semana que vem.

 
Barcelona 0 x 0 Chelsea

 

Não fosse Petr Chec, o Barça sairia em vantagem na semifinal contra o Chelsea. É verdade que aquele chocolate prometido por mim não compareceu ao Camp Nou na última terça-feira. Messi foi discreto e Eto’o e Henry prudentemente marcados por Alex e Terry. Restou a Xavi e Daniel Alves a responsabilidade pelas grandes jogadas, belos passes e chutes perigosos. No grande lance do jogo, Eto’o – talvez na única iniciativa relevante dele – girou com velocidade sobre Alex, empurrou a bola entre as pernas de Terry e marchou na direção do gol. Ainda deixou, já na grande área, o zagueiro brasileiro, que se recuperara, deslizando a bunda no gramado, num drible desconcertante. Até parar, como todo o Barcelona, no reflexo das pernas de Chec.

 

No jogo de volta, em Londres, a postura do Chelsea deve ser diferente da única alternativa encontrada por Gus Hidink para travar o jogo envolvente catalão, a retranca amiga. Os Blues vão utilizar a supremacia física para exercitar duas de suas armas principais: a bola aérea e os chutes de longa distância.

 

Já o Barça não sabe, desde os tempos de Rijkaard, se defender. É um time de compulsória postura ofensiva, e assim o fará, mesmo em terras estrangeiras.

 

Manchester 1 x 0 Arsenal

 

Que gol, que nada! Cristiano Ronaldo tem mais com o que se preocupar

Que gol, que nada! Ronaldo tem mais com o que se preocupar

 

No confronto semifinal de hoje, o Manchester também me desmentiu. Foi mais incisivo que o Barcelona, o outro mandante, mas conseguiu apenas a vantagem de um gol, marcado pelo coadjuvante lateral John O’shea.

 

Cristiano Ronaldo (Na foto acima), acompanhou o principal rival na briga pelo título de melhor do mundo, o argentino Messi, e passou em branco. Rooney, Tevez, Anderson e o veterano Ryan Giggs, que ingressou no segundo tempo, foram o demais impedidos por Almunia, goleiro espanhol e arqueiro do Arsenal, a ampliar o placar.

 

É preciso considerar os desfalques titulares de Arsene Wenger: Van Persie, atacante canhoto habilidoso e de chute mortal; Clichy, lateral esquerdo veloz e mais experiente que Gibs, seu substituto; e o meia russo Arshavin, grande revelação do futebol europeu dos últimos dois anos, impedido de atuar na Champions League porque defendeu o Zenit na primeira fase.

 

Semana que vem tem mais. E os dois jogos em Londres:

 

Dia    Confronto    Horário    (Canal)

05/05   Arsenal x Manchester  15h45min   (ESPN)

06/05   Chelsea x Barcelona   15h45min    (ESPN)

 

Fotos: Daniel Alves rindo: news.bbc.co.uk; Cristiano e companhia: dalgum canto do Google.

 

Guilherme

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