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Posts Tagged ‘Seleção’

Divorciados

Divorciados

 

Depois de uma pequena temporada na atmosfera bucólica e ventosa de Arambaré, entre coqueteis etílicos e necessárias conversas infames, regresso às margens da Capital de todos os gaúchos com uma notícia frustrante, uma outra alentadora e uma terceira preocupante. O Grêmio encerrou seus sonhos de viajar pela América do Sul na próxima temporada ao obrigar-se a comemorar um empate caseiro com o Vitória. A Seleção, por outro lado, provocou em Maradona o nervoso ritual autofágico de comer os próprios dedos em situações adversas. E a mais dramática de todas, a que carrega consigo uma nuvem obscura e fiadora do apocalipse para todos nós gremistas: o Inter é candidato ao título brasileiro, e demonstrou isso de forma inequívoca em Santa Catarina.

 

Ocorre que não sou destes bastardos que ejaculam de balde com o falo alheio, e tampouco de outra estirpe baixa, que aproveita o momento exasperante do própprio time para enchê-lo de impropérios e, assim que uma vitória de avizinhe, embriague-se em elogios superficiais e repentinos. Não. O que me sobra, tragicamente, é ruminar pensamentos sobre o selecionado de Carlos Caetano, o Dunga, e projetar o futuro do Brasil nessas Eliminatórias já quase definidas, e a preparação para a Copa.

 

Para começar, qualquer voz descrente que não concordava com um Anão no cargo mais cobiçado entre os treinadores de todas as galáxias, teve finalmente o último vão de sua boca calado. Dunga assegurou desde seus primórdios como empregado da CBF uma defesa sólida, seja na manutenção de um losango de altura imponente mas futebol qualificado: Julio Cesar, Lúcio, Juan (Agora, Luisão) e Gilberto Silva. Perscrutou com olhos atentos os alas brasileiros espalhados pelo Mundo e pinçou dois deles para o lugar de Cafu, ambos consagrados em times da primeira linha europeia: Daniel Alves e Maicon. Deu todas as chances a Ronaldinho Gaúcho – e por claras e acertadas razões, sobretudo por representar, junto de Ronaldo Nazário, o que resta de extra classe ainda em atividade – e só desistiu dele depois do próprio resignar-se a um futebol medíocre e burocrático. E ainda achou em Kaká – embora eu e o Felipe Conti não nos conformemos com essa escolha – o jogador central e senhor dos movimentos de uma meia cancha operária e eficiente. Mas foi em Luis Fabiano, atleta de trajetória conturbada, agressões a adversários em campo, expulsões recorrentes, histórico que abreviou a vida de muitos craques na Seleção – vide Edmundo –, que Dunga encontrou o herdeiro da camisa 9, de Careca e Ronaldo, ainda que talhado com menos técnica, mas dotado da inconformidade e da convicção dos grandes goleadores. Luis Fabiano deve ter providenciado uma maracujina que outra, esquecendo as confusões campais e preocupando-se com seu labor de dominar a grande área.

 

E foi todo esse conjunto harmônico que vi, pelo telão de um boteco de Arambaré, desenvolver o futebol de marcação implacável, passes dedicados e contra-ataques mortais que fomos acostumados a torcer para desde a Copa América de 2007, foi consagrado na Copa das Confederações deste ano e amputou as últimas esperanças dos argentinos em Maradona Treinador. É preciso ressaltar a capacidade de Elano nas bolas paradas, aliás, sua titularidade também passa por isso, por ser o único especialista o grupo nessa tarefa. É preciso também destacar a recente afirmação de André Santos no flanco esquerdo – ainda que Kléber mostre alguma recuperação no Beira Rio e deva receber novas chances. É preciso ainda fazer uma ressalva sobre a heresia que é escalar como titular alguém tão pouco engajado e estéril como o Robinho. Mas esse e algum outro equívoco menor podem ser consertados até o meio do ano que vem. A certeza maior é que Dunga definitivamente conseguiu forjar-se – na chuva de críticas e fogueira abundante de vaidade que cerca seu posto – um treinador competente. E que a Seleção, a despeito de oscilações naturais e discordâncias necessárias para que a acomodação não adentre o recinto, ainda é a principal favorita ao título mundial.

 

Confere aqui a classificação das Eliminatórias e a situação periclitante dos argentinos. E aqui as três rodadas que restam.

 

Guilherme Lessa Bica

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A melhor Copa debuta

Dia 17 de julho fez 15 anos do Tetra brasileiro nos Estados Unidos. Ainda que com atraso, reforço o apreço que tenho por aquela Copa, republicando o texto que iniciou a série de crônicas minhas sobre o Mundial de 1994.

 

A melhor Copa

A Copa de 1994 foi a melhor de todas. Pelos menos pra geração que nasceu em meados dos anos 80. Essa que caminha entre os vinte e três e os vinte seis anos. Foi o primeiro mundial que vi sabendo o que estava acontecendo naquela tela verde com onze caras pra cada lado, duas goleiras e uma bola. Tinha nove anos. O Brasil não ganhava uma Copa havia vinte e quatro. E ninguém estava disposto a esperar até 1998 pra experimentar essa sensação.

 

A Copa de 1994 foi a mais colorida de todas. Basta ver o filme sobre ela e comparar com as que vieram antes e depois. Talvez ache isso pelo fato de ser uma criança à época – sim, na minha geração, quem tinha nove anos era criança – e carregar uma inocência que fazia os cheiros, as cores e cada instante daqueles anos adquirirem uma importância pontual, separada do resto e melhor que hoje. Deve ser assim com toda criança. O fato é que nenhuma Copa foi ou será melhor que aquela para mim. E sempre conservei os melhores lances da competição, sobretudo os jogos do Brasil – mas também jogadores de outras seleções – craques de continentes distantes, com a certeza de que tinha que escrever algo sobre.

 

E é isso que começo a partir de hoje. Inicio uma série de crônicas sobre os principais jogadores da Copa de 1994. Algo despretensioso, tanto que não está amparado em nenhuma data comemorativa ou no famigerado gancho jornalístico; só a pura e simples lembrança. E nada de biografias enfadonhas ou fichas técnicas burocráticas. Mas textos que acumulem em si informações básicas sobre o jogador, a participação dele na Copa e o estilo de jogo, além de uma ou outra peculiaridade ou extravagância.

 

A abundância de acimas-da-média e figuras insólitas no torneio contribuem pra isso. Nem só as seleções tradicionais possuíam seus exemplares de extra-classe. Equipes menores também desfilavam suas jóias: os canhotos Stoichkov, na Bulgária, e Hagi, na Romênia; Rincón e Valderrama, na Colômbia; Brolin e Dahlin, na Suécia; Okocha, na Nigéria; Preud’ Homme, goleiro belga; Al-Owairan, saudita autor do gol mais bonito do torneio. Além dos protagonistas, craques dos times grandes: Romário, Mathäus, Maradona – aliás, a última dele -, Baggio, Klinsmann, Taffarel, Bergkamp, Baresi e outros tantos que agora me escapam, mas que serão contemplados.

 

A série não será disciplinada. Ocupará meu quinhão no blog intercalada com postagens sobre o restante do universo do futebol. Sem pressa. Apalpando a memória com o cuidado que essas lembranças merecem. Com a lentidão e a paciência que qualquer nostalgia deve ser tratada. Mesmo a nostalgia daqueles que nem viveram tanto.

 

Guilherme

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For the left, for the right, in the middle...

For the left, for the right, in the middle...

 

Enfim, chegamos à esperada final da Copa das Confederações, ainda que com um equino de pelo listrado em preto e branco. Falo do Brasil, que surpreendeu os donos da casa com o 1 a 0 peleado, quando as senhoras e os senhores noveleiros já se lamentavam pela prorrogação iminente. Lá na quarta-feira, os Estados Unidos confirmaram a superioridade econômica e bélica mundial – o que leva muitos a lhes imputarem a pecha de imperialista – também no futebol, e derrotou os bambambans espanhóis com um 2 a 0 escorreito.

 

África do Sul 0 x 1 Brasil

O jogo foi assombrado pelos resultados surpreendestes que se estenderam por todo torneio, visto que Itália, Egito, de curiosa mutação zebra/favorito/eliminado, e Espanha haviam despencado do pedante salto alto não fazia muito tempo. Mas mesmo com as Vuvuzelas, mesmo com a empolgação comovente de jogadores e torcedores sulafricanos, mesmo com o nó de marinheiro tático do professor de inglês e técnico Joel for the Left Santana, mesmo assim o Brasil chegou à final.

 

A partida arrastou-se espinhosa, chances empilhando-se nas pranchetas para ambos os lados e os brasileiros encontrando mais dificuldade do que estavam acostumados. Quando chegávamos ao final, Dunga consultou alguma bola de cristal, astros, búzios ou algum crioulo pai de santo e visionário escondido nalgum canto da casamata, que lhe soprou o nome de Daniela Alves. O sobrinho do Shrek ingressou no lugar de André Santos e acertou um daqueles chutes que te fazem perder a consciência depois que vê a bola chegar às redes, seja na pelada do society com amigos bebuns, seja numa competição da Fifa.

 

Espanha 0 x 2 Estados Unidos

 

Eles querem o futebol

Eles querem o futebol

 

O imperialismo estadunidense tem um novo alvo: it’s the soccer, man! Depois de se fazer de Homer Simpson nas primeiras partidas, babando, arrotando cerveja e raciocinando com alguma lentidão, os americanos deixaram o fast food de lado e fizeram da seleção espanhola o que poucos esperavam. Permitiram a meia cancha inimiga trocar aqueles passes inofensivos e enfeitados em sua intermediária, inverterendo o jogo lentamente até parte do campo de Obama. Assim que tentavam avançar sobre a Casa Branca, defensores organizados expulsavam as investidas de Xavi, Fernando Torres e Villa.

 

Nos contra-ataques, os americanos chegaram aos dois gols: Altidore, num giro a la Ronaldo para cima de Piquet e concluindo no canto de Casilas; e Dempsey, depois da eficiente e curiosa assistência do anestesiado e adversário Sergio Ramos.

 

Domingo o Brasil reencontra os Estados Unidos, time que goleou na primeira fase. Resta a Dunga se convecer de que tem pela frente o Capitão América, e não o incauto Homer Simpson de outrora.

 

Foto: Joel: terra.com.br; Tio Sam: globoesporte.com.

 

Guilherme

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 Adriano Leite Ribeiro, um garoto de 27 anos, “que perdeu a alegria de jogar futebol”…

O Imperador sucumbiu?

O Imperador sucumbiu?

 

Como explicar tal decisão?

 

Pois, bem.

 

Muitos podem achar absurda a sua decisão, mas o fato é que vida de jogador de futebol não é tão fácil como se imagina.

 

A trajetória de Adriano no futebol profissional iniciou cedo, no Clube de Regatas Flamengo. O atleta despontou para o futebol precocemente aos 17 anos na equipe principal. Desde esse pontapé inicial, velozmente transformou-se em ídolo, iniciando a restrição para o mundo, fugindo realidade de vida de uma pessoal normal.

 

Adriano é o caso de mais brasileiro que tem sua ida precoce para o velho continente.

 

Entre a redenção do título de Imperador de Milão e o garoto criado em umas das favelas do Rio de Janeiro, tem a figura do ser humano de uma pessoa “meiga e querida” -segundo nosso eterno Zagallo – que simplesmente não teve forças para agüentar tal pressão. Depois do ápice como jogador, vê na sua família e em seus amigos, a cura para a restruturação da sua vida.

 

Existem as mais variadas opiniões sobre a situação do Imperador, mas o fato que além dos altos salários, carros importados, fama, roupas de grifes e mulheres, a vida de um jogador de futebol fica restrita, mediante aos argumentos citados, tornando-se impossível trafegar em vias publicas, ir ao shopping, cinema e restaurante, etc. Não há como conviver com parentes e amigos, pois o assédio da imprensa e da mídia em geral afeta demais vida de um jogador de futebol; não podemos esquecer que os mesmos são seres humanos e precisa de privacidade, mesmo sendo celebridades do mundo da bola, mundo esse que movimenta milhões por ano em TV e campeonatos, mundo esse que tem milhões de apaixonados que fazem loucuras para verem seus times e ídolos.

 

Coloque-se no lugar de um jogador de futebol e reflita; vá além das regalias já citadas acima, tente imaginar-se na situação de se privar para o mundo: não é tão fácil como se imagina.

 Jackson Rocha – Bekinho

 

FOTO: ACERVOGOOGLE

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No adormecido blog Futebol Diário, iniciei uma série de crônicas sobre a Copa de 1994. Empreitada que recomeço hoje. Já havia publicado quatro textos da série lá. Eles serão postados novamente; agora, aqui no Tisserand. Ao final deles, as crônicas passam a ser inéditas.

 

O baixinho e o anão; e Marcio Santos fingindo não ser fotografado

O Baixinho e o Anão (à frente); e Marcio Santos finge não ser fotografado (no fundo)

 

A Copa de 1994 foi a melhor de todas. Pelos menos pra geração que nasceu em meados dos anos 80. Essa que caminha entre os vinte e três e os vinte seis anos. Foi o primeiro mundial que vi sabendo o que estava acontecendo naquela tela verde com onze caras pra cada lado, duas goleiras e uma bola. Tinha nove anos. O Brasil não ganhava uma Copa havia vinte e quatro. E ninguém estava disposto a esperar até 1998 pra experimentar essa sensação.

 

A Copa de 1994 foi a mais colorida de todas. Basta ver o filme sobre ela e comparar com as que vieram antes e depois. Talvez ache isso pelo fato de ser uma criança à época – sim, na minha geração, quem tinha nove anos era criança – e carregar uma inocência que fazia os cheiros, as cores e cada instante daqueles anos adquirirem uma importância pontual, separada do resto e melhor que hoje. Deve ser assim com toda criança. O fato é que nenhuma Copa foi ou será melhor que aquela para mim. E sempre conservei os melhores lances da competição, sobretudo os jogos do Brasil – mas também jogadores de outras seleções – craques de continentes distantes, com a certeza de que tinha que escrever algo sobre.

 

E é isso que começo a partir de hoje. Inicio uma série de crônicas sobre os principais jogadores da Copa de 1994. Algo despretensioso, tanto que não está amparado em nenhuma data comemorativa ou no famigerado gancho jornalístico; só a pura e simples lembrança. E nada de biografias enfadonhas ou fichas técnicas burocráticas. Mas textos que acumulem em si informações básicas sobre o jogador, a participação dele na Copa e o estilo de jogo, além de uma ou outra peculiaridade ou extravagância.

 

A abundância de acimas-da-média e figuras insólitas no torneio contribuem pra isso. Nem só as seleções tradicionais possuíam seus exemplares de extra-classe. Equipes menores também desfilavam suas jóias: os canhotos Stoichkov, na Bulgária, e Hagi, na Romênia; Rincón e Valderrama, na Colômbia; Brolin e Dahlin, na Suécia; Okocha, na Nigéria; Preud’ Homme, goleiro belga; Al-Owairan, saudita autor do gol mais bonito do torneio. Além dos protagonistas, craques dos times grandes: Romário, Mathäus, Maradona – aliás, a última dele -, Baggio, Klinsmann, Taffarel, Bergkamp, Baresi e outros tantos que agora me escapam, mas que serão contemplados.

 

A série não será disciplinada. Ocupará meu quinhão no blog intercalada com postagens sobre o restante do universo do futebol. Sem pressa. Apalpando a memória com o cuidado que essas lembranças merecem. Com a lentidão e a paciência que qualquer nostalgia deve ser tratada. Mesmo a nostalgia daqueles que nem viveram tanto.

 

Foto: Correioweb.com

 

Guilherme

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