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Posts Tagged ‘Messi’

Todos sabemos que Iarley adentrou o Beira-Rio no último sábado e fez com o Inter o que costumava fazer aos adversários colorados em anos pregressos, confirmando-se como o Ryan “Interminável” Giggs do futebol brasileiro. Sabemos mais: que o Grêmio de mais sorte que juízo do Renato fiou mais uma vez uma vitória sua nos pactos e sangrias macabras cujos poderes selam o gol de Victor e inclinam os adversários a atos incompreensíveis, tal qual gols contra de invulgar categoria. Sabemos disso tudo.

Ocorre que isso tudo se reduz à categoria dos acontecimentos comezinhos, ordinários, à segunda rodada de um campeonato enfadonho de 38 delas e sem final. Enquanto isso, no reformado Wembley, também no sábado, um argentino de 24 anos, radicado na Catalunha desde o limiar da adolescência, fez ecoar as trombetas do apocalipse e sepultou qualquer crença sobre a necessidade dos três volantes no futebol, sobre a cultura defensivista, sobre tudo aquilo que Felipão, Celso Roth, Mano Menezes (pré-cariocalização) tomaram como verdade inequívoca e que eu e tantos outros reverenciamos numa liturgia ortodoxa nos últimos anos.

Uma a uma, Li(e)onel Messi fez tombar todas as certezas que o futebol gaúcho ou o futebol gaúcho que eu idealizei firmou durante décadas. E por mais que eu tentasse apagar o televisor, meus dedos não obedeciam. E por mais que eu desejasse praguejar depois de cada gol ou lance inverossímil do Barça, minha boca insistia nas gargalhadas, e as lágrimas eram todas de alegria, uma alegria perversa, mas verdadeira.

E aí o que me resta depois deste fim de semana é voltar a torcer pelo Grêmio, e aceitar que não se trata mais de futebol, trata-se de paixão, de fidelidade com uma bandeira, da construção de uma identidade e do engajamento em defendê-lo mesmo em terrenos inóspitos. O futebol de verdade, provou o Barça novamente no sábado, tem relação estreita com a beleza, e nesses casos o resultado quase é rebaixado à categoria do coadjuvante, numa utopia de se valorizar o jogo, a habilidade, o conjunto, nunca o placar. É claro que a doutrina de vida ocidental condenaria tal escolha e imporia sobre Barcelona algum embargo econômico ou forjaria armas químicas em seu território para não permitir a repetição de sua cultura romântica em outras localidades. Mas quem não pagaria para ver Messi, Xavi, Iniesta e todos os outros artistas catalães jogarem o que sabem, mesmo sem um placar para quantificar em gols o resultado? Restaria a medida da beleza nos olhos de cada espectador, produto abundante em mágica, contudo impossível de apalpar.

Mas nesta final da Champions ainda havia placar, ainda havia a medida pragmática, ainda havia a medida que sonega o real valor do futebol barcelonista. Restou a Pep Guardiola e seus asseclas, então, reafirmarem que vencem nas duas esferas, que alcançaram um grau de entrosamento tal que, mesmo diante de esquadras de erros escassos, esquadras de movimentos sub-reptícios e positivistas, esquadras pragmáticas, como a do Manchester United, reafirmarem que não há no momento time capaz de anular seu futebol vencedor, sua poesia redentora independente de resultados. Pedro, Messi e Villa fizeram os gols azul-grená. Rooney garantiu a honra dos ingleses no placar clássico de 3 a 1.

As próximas quartas, quintas, os próximos sábados e domingos virão, e com eles mais jogos do Brasileiro. O futebol, contudo, adormece até agosto, quando o Barcelona volta aos campos. Até lá, peço a Renato que não tente fazer seu time jogar futebol, peço a Renato que tente fazer seu time ganhar, tente fazer o que é possível, isso basta. O impossível, desde 2008, apenas um clube consegue. O resto é fidelidade, bandeira, paixão inalienável, mas nunca futebol.

 

Tudo sobre a final aqui.

 

Guilherme Lessa Bica

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Há uma dicotomia de cinco séculos, há um maniqueísmo ancestral, há uma clara confrontação de duas visões de mundo irreconciliáveis nessa final da Champions League entre Barcelona e Manchester United. Há mais, muito mais. Há o calor, a pulsação frenética, a natureza sanguinea de uma Catalunha – região onde fica Barcelona e cuja emancipação é reivindicada nos dias de hoje com o mesmo fervor que os estancieiros levantaram guerra por aqui, em 1835 – representada em detrimento da Espanha. Há, de outra parte, o calculismo enregelado, a sobriedade aristocrata, até mesmo o céu plúmbeo industrial de uma Manchester que prova a cada dia ser a capital inglesa do futebol, ainda que Liverpool e Londres insistam em sonegá-la. Há, portanto, o romantismo azul-grená cujo futebol remete a textos de Cortázar, Faulkner, Raduan Nassar, a prosa que se assanha em bailes promíscuos e libidinosos com a linguagem poética. Dividindo o campo com o pragmatismo vermelho britânico que pouco erra, que engendra construções táticas em claro objetivo de anular o adversário e açoitá-lo, no minuto seguinte, em contra-ataques inapeláveis.

A verdade inexorável, vos digo, é que a decisão em Wembley permite a famosa ‘Nega’ no par ou ímpar, pedra tesoura e papel, jogo da velha ou qualquer outro jogo de azar ou sorte que as duas equipes travam em gramados europeus e que resultou num empate de duas Copas dos Campeões para cada lado na última dezena de anos. Além do favoritismo nascido da natureza alienígena que inventou em seu futebol, o Barça traz consigo as lembranças benfazejas da decisão de dois anos atrás, quando derrotou os Diabos Rubros ainda com o patrício, modelo, gogoboy e quilôMetrossexual Cristiano Ronaldo.

Rooney: o leitão rebelde

Ocorre que o gajo não alinha há duas temporadas o time inglês. O que reinstalou a soberania do maior fiador que o Manchester possui em seu futebol há mais de 20 anos. Alex Ferguson. O escocês de tez rosada, olhos pequenos e ruminação eterna de um chicle – que deve ser o mesmo que o ajudou a largar o tabagismo há uns 150 anos –, o escocês e Sir é o treinador eternoem Old Traford, mago incontestável do terreno lindeiro ao campo, responsável maior pela ascensão de seu time ao panteão de grandes europeus, ou retorno a ele, algo que não acontecia desde as décadas de 60 e 70, décadas de Bob Charlton e George Best.

Para a contenda de amanhã, Ferguson aposta em alguns figurões, ainda que o coletivo seja o craque propulsor da equipe. Van Der Sar – El Maledeto! – encerra a carreira em Wembley; Vidic, zagueiro sérvio cuja frieza remete ao lendário Dolph Lundberg, vive seu melhor momento; Giggs, o interminável, aos 37 anos e com as têmporas denunciando a idade avançada numa coloração cinza claro, distribui assistências com a saúde de um neófito; e Rooney, o leitão rebelde, carrega nalgum canto de seu temperamento explosivo um futebol de mesma proporção, basta saber se ele estará disponível desta vez.

Ferguson, contudo, terá que lidar com algo que está além de nossas vãs compreensões, de nossos cérebros arcaicos e subdesenvolvidos de primatas pouco mais elaborados. O Barcelona sempre carregou consigo a empáfia futebol bem jogado, do passe simples e belo, sempre encampou a doutrina do não-balão. O que Pep Guardiola fez nestes últimos anos à frente da principal bandeira esportiva catalã, porém, foi elevar esse conceito ao seu máximo, torná-lo inviável de se copiar em qualquer outro time do mundo que não tenha sido forjado nas canteiras – divisões de base do Barcelona – quintal mágico onde esses homens de agora são iniciados ainda meninos em matérias pautadas na elegância de Beckenbauer, na inteligência de Kroeff, no chute de Rivelino, na condução de bola de Maradona, na realeza de Pelé.

O Barcelona é a prova de que qualquer garoto, por mais desajeitado que seja, pode aprender os meandros básicos do drible, do passe, do chute, vide Piqué e Valdés. Puyol, é claro, configura-se na exceção para confirmar a regra. Xavi, Iniesta, Busquets e sobretudo Messi, o ET Messi, o ‘QuePorraÉEssaQueEleTáFazendo’ Messi, representam o mais alto grau desta crença. Messi desmancha marcações com a mesma facilidade inverossímil que um homem médio derrubaria uma parede grossa de concreto empurrando-a com cuidado, sem forçar nada, como se a marcação, no caso de Messi, a parede, no caso do homem, aceitassem sua condição coadjuvante, e se rendessem ao futebol mágico do argentino.

Xará de Brizola; futebol de Maradona

A dicotomia, o maniqueísmo, o confronto ancestral entre romantismo e pragmatismo não cessará depois deste sábado. Mas que conceitos serão revistos, certezas cairão por terra, sonhos tombarão esquartejados, suor e lágrimas copiosas derramar-se-ão pelo gramado derradeiro, numa resolução bela e trágica ao mesmo tempo, sobre isso não restam dúvidas. As feridas e as alegrias de qualquer final tatuam-se por tempo considerável na pele daqueles que a acompanham mesmo à distância, protegidos pelo anonimato. As feridas e as alegrias de uma final de Champions League cobram sua memória para sempre.          

 

Tanto a imprensa espanhola quanto a inglesa cravaram as escalações nos pergaminhos heréticos de seus jornais, e asseguram que Pep Guardiola e Alex Ferguson adentram o gramado adestrandro os pupilos abaixo.

Barcelona: Valdés; Daniel Alves, Piqué, Mascherano e Puyol; Busquets, Iniesta e Xavi; Pedro, Villa e Messsi.

Manchester United: Van der Sar; Fabio, Ferdinand, Vidic e Evra; Carrick, Giggs, Park e Valencia; Rooney e Hernandez.

 

BARCELONA  x  MANCHESTER UTD (Amanhã, às 15h45min, “Estádio, Tempo, irmão gêmeo do Maracanã” Wembley, Londres/ Inglaterra)

 

Guilherme Lessa Bica  

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Paraguaia acompanha anúncio das seleções do TFC

Apesar de não lotar estádios como o Torneio de Florianópolis e tampouco inflamar a torcida como um amistoso em Rivera, a Copa do Mundo 2010 até que teve e tem suas atrações. Como se alcançou na última terça-feira a zona pantanosa das quartas de final, o Tisserand FC resolveu acatar a sugestão do colunista Felipe Conti e publicar um selecionado provisório das peladas disputadas nos quintais de Râguebi de Madiba.

Por preguiça, soberba ou outra desculpa esfarrapada que, por hora, escapa ao conhecimento de nossa equipe (Trabalho de conclusão de curso, talvez), Fabio Araujo ausentou-se da empreitada, o que deve ser saldado ao final do cotejo com uma seleção definitiva.

No mais, abaixo, as duas listas mais esperadas de todos os tempos.

 

Por Felipe Conti, colorado, gaúcho, canoense, goleiro, esquerdista, aspirante a jornalista. Nascido para ser do contra, desde março de 86. Escreve costumeiramente no Grenalzito.

O esquema tático é o famigerado e anárquico 3-4-3, porque laterais são o veneno do futebol. Mas destaco alguns, como Lahm (ALE), Coentrão (POR), Maicon (BRA) e Cha Du Ri (COR). Vamo lá:

Seleção:

Tim Howard (EUA), Diego Godín (URU), Juan Silveira dos Santos (BRA) e Lucimar “Lúcio” da Silva Ferreira (BRA); Kevin-Prince Boateng (GAN), Bastian Schweinsteiger (ALE), Mesut Özil (ALE) e Wesley Sneijder (HOL); Lionel Andrés Messi (ARG), Diego Martin Forlán Corazo (URU) e David Villa Sanchéz (ESP).

Menções honrosas para:

Vera e Alcaráz (PAR), Birsa (ESL), Muller (ALE), Donovan (EUA), Arévolo (URU), Tevez (ARG) e Elano (BRA).

 

Por Guilherme Lessa Bica, editor e cronista do Tisserand.

O time está armado no Celsorothiano quatro quatro dois. Ainda que livre do ranço defensivo que nos custou o brasileiro de 2008 e custará a Liber 2010 aos rubros (Se deus nosso senhor quiser!!!). Como o nível dos laterais esquerdos dacaiu deveras nesta contenda, escalei no setor um ala do lado oposto, mas que já bailou por ali no Mundial passado.

Seleção:

Eduardo (POR), Maicon (BRA), Lúcio (BRA), Godín (URU) e Lahm (ALE); Schweinsteiger (ALE), Xavi (ESP), Messi (ARG) e Honda (JAP); Villa (ESP) e Forlan (URU).

Treinador: o degustador de tatus, Joachim Löw (ALE).

Menções honrosas para: Julio César (BRA), Hernandez (MEX), Higuaín (ARG) e Sanchez (CHI).

Fiascos: Cristiano Ronaldo (POR), Gerrard (ING), Lampard (ING) e Domenech (FRA).

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Champions League

 

Na última terça-feira, dia 15, teve início o maior campeonato de clubes do mundo. Na verdade o campeonato já estava acontecendo, só que numa fase “pré-Champions”. Com os grupos formados (e pelo menos dois deles são “da morte”) os embates tiveram início. Como a temporada européia ainda engatinha, alguns grandes jogos desta fase de idas nos grupos serão decepcionantes (caso de Inter e Barça, já na primeira rodada). A falta de ritmo e entrosamento dos conjuntos é evidente, mas nada que um mês com as ligas nacionais a todo vapor não resolva.

 

Segue uma breve análise (com palpite dos dois classificados à próxima fase, resultados e classificação) grupo a grupo, do que acontece no campeonato que agrega o maior número de craques no futebol terrestre.

 

Grupo A

Bayern de Munique – 3

Juventus – 1

Bordeaux – 1

Maacabi Haifa – 0

 

Os bávaros foram até Israel e mostraram sua tradicional força. O novo estilo operário e veloz de Van Gaal começa a render frutos (assim como no início arrasador na Bundesliga). Dois gols de Thomas Muller e um de Van Buyten decretaram a vitória por 3 a 0 do Bayern sobre o Maacabi Haifa.

 

A Vecchia Signora sem Diego é um time totalmente comum. Ainda mais com Alessandro Del Piero machucado. Iaquinta abriu o placar em Turim, mas o tcheco com nome de remédio Plasil igualou o marcador para o Bordeaux, dos brasileiros Fernando, Henrique, Wendell e Jussiê. E Buffon fez pelo menos dois milagres…

 

Palpite da classificação: Bayern e Juventus. Com o Bordeaux muito vivo na briga.

 

Grupo B

Wolfsburg – 3

Manchester United – 3

Besiktas – 0

CSKA – 0

 

Grafite é o nome do momento na Alemanha (e por aqui também…). Fez os três gols na vitória por 3 a 1 do Wolfsburg contra o CSKA, em casa. É um time sem grandes nomes (o mais conhecido é o nigeriano Oba-Oba Martins!), porém entrosado. E o CSKA (Guilherme e Daniel Carvalho no elenco) com problemas financeiros é coadjuvante.

 

Já o “renovado” Manchester precisou dos serviços do “garoto” Paul Scholes para derrotar o Besiktas, na Turquia, por 0 a 1. Quem conseguiu acompanhar o jogo até o final, sem dormir, afirma que… foi sofrível! Sir Alex Ferguson terá muito trabalho nesta temporada…

 

Palpite da classificação: Manchester United e Wolfsburg, com o CSKA tentando o milagre.

 

Grupo C

Real Madrid – 3

Milan – 3

Olympique de Mareseille – 0

Zurich – 0

 

Os Galácticos II estrearam contra o time mais fraco da chave, o suíço Zurich, fora de casa. 2 a 5 pros Merengues, com direito a dois gols de falta de Cristiano Ronaldo (com colaboração do arqueiro rival). Raúl, Higuaín (que agora será convocado por Maradona) e Guti, num golaço de assistência “Kakética”, completaram o marcador.

 

Vindo de resultados pífios no início do Calcio (0 a 0 com o Siena por exemplo), o Milan foi visitar o promissor Olympique de Marseille do técnico e ex-jogador francês Deschamps. Com Ronaldinho (e Huntelaar, Gattuso…) no banco, Leonardo apostou nos velhos Pirlo, Seedorf e Pippo Inzaghi pra difícil tarefa de estrear bem na França. Com dois gols do Highlander de Milão (e duas assistências do holandês camisa 10) o Milan venceu por 1 a 2. O gol do Olympique foi do argentino Gabriel Heinze.

 

Palpite da classificação: Depois deste tropeço em casa, Real e Milan. Mas este Milan 2009 é uma surpresa completa…

 

Grupo D

Chelsea – 3

Atlético de Madrid – 1

APOEL – 1

Porto – 0

 

O chato e burocrático time londrino do Chelsea encontrou o treinador perfeito: Carlo Ancelotti, chato e burocrático. Com mais um 1 a 0 (gol de Anelka), os Blues venceram o Porto, em Stamford Bridge. Helton teve grande atuação, evitando um placar mais dilatado. Mas aí Ancelotti ficaria triste; Ele prefere um placar bem magrinho.

 

Sabe onde fica o Chipre? Nem eu. Pois o Atlético de Madrid conseguiu empatar em casa com o APOEL, equipe que representa o minúsculo país europeu. O 0 a 0 talvez seja pela má influência que as seleções exercem sobre os principais jogadores do time espanhol: Diego Forlán (Uruguai), Simão Sabrosa (Portugal) e Sério Agüero (Argentina).

 

Palpite da classificação: Chelsea e Porto. Atlético de Madrid está se esforçando para ser a decepção da temporada.

 

Grupo E

Liverpool – 3

Lyon – 3

Fiorentina – 0

Debrecen – 0

 

Jogar pela primeira vez a Champions deve ser difícil para qualquer clube. Se a partida for contra o gigante Liverpool, em Anfield, o negócio fica feio. Mas os húngaros do Debrecen mantiveram a dignidade e quase engrossaram pra gurizada do Professor Rafa Benítez, que venceram por magro 1 a 0. Gol do (caneleiro) holandês Dirk Kuyt.

 

Um dos confrontos mais equilibrados desta primeira rodada (e que fatalmente definirá uma vaga à próxima fase) aconteceu entre Lyon e Fiorentina, na França. Num possível duelo de ótimos centroavantes (Gilardino e Lisandro López), quem decidiu foi o jovem meia bósnio-francês Miralem Pjanić. 1 a 0 Lyon dos brasileiros Cris e Ederson.

 

Palpite da classificação: Liverpool e Lyon, sem surpresas.

 

Grupo F

Dynamo de Kiev – 3

Barcelona – 1

Internazionale de Milão – 1

Rubin Kazan – 1

 

O jogo que todos esperavam. A volta de Ibracadabra para o San Siro, agora defendendo o Barça. Samuel Eto’o contra seu ex-clube. Júlio César, Messi, Diego Milito, Xavi… E foi um 0 a 0 com quase nenhuma chance clara de gol. A Inter jogou recuada, como se estivesse no Camp Nou. O Barcelona controlou a bola, mas sem muita vontade de se expor para atacar. O jogo de volta PRECISA ser melhor que este!

 

Andriy Shevchenko está de volta ao seu clube de origem (e de coração), o Dynamo de Kiev. O maior clube da Ucrânia inaugurou mais uma participação na Champions em casa, contra o russo Rubin Kazan. E foi surpreendido no primeiro tempo, chegando no vestiário com 1 a 0 para o Kazan, gol de Alejandro Domínguez (muito russo este rapaz!). Na segunda etapa, com direito a gol do ex-cruzeirense Gérson Magrão, o Dynamo virou para 3 a 1.

 

Palpite da classificação: Que dúvida… Barcelona e Internazionale. Sheva terá que fazer chover, algumas vezes, para classificar o Dynamo.

 

Grupo G

Sevilla – 3

Glasgow Rangers – 1

Stuttgart – 1

Unirea – 0

 

Na Alemanha um duelo entre times tradicionais, mas com elencos modestos. O Stuttgart aposta no habilidoso bielo-russo Aleksander Hleb e no interminável atacante brasileiro Cacau. Os Rangers apostam… na marcação, na força e na ligação direta defesa-ataque, como qualquer time escocês que se preze. No fim o empate em 1 a 1 foi muito bom para o time de Glasgow, e pode valer a classificação às oitavas no final da primeira fase.

 

Com dois gols brasileños o Sevilla assumiu a liderança do grupo G. Renato e Luís Fabiano determinaram o 2 a 0 pra cima do romeno Unirea. Como o jogo foi na Espanha , nada de surpreendente nesta peleja. A não ser o fato de que o treinador do Unirea é o ex-craque da seleção romena Dan Petrescu.

 

Palpite da classificação: Sevilla e Rangers, nesta ordem.

 

Grupo H

Arsenal – 3

Olympiakos – 3

Standard de Liège – 0

AZ Alkmaar – 0

 

O tradicional clube grego Olympiacos (agora treinado pelo Galinho de Quintino) recebeu a surpresa do campeonato e atual campeão holandês AZ Alkmaar. Só por quebrar a hegemonia eterna de Ajax e PSV o AZ merece nossa simpatia. E acabou dificultando o jogo para o time de Diogo (ex-Portuguesa) e Dudu Cearense. O gol grego só saiu aos 35 do segundo tempo, com Vassilis Torosidis, decretando a magra vitória por 1 a 0.

 

No limiar de uma crise técnica, de resultados e interna, os Gunners viajaram até a Bélgica buscando recuperação. Depois de duas derrotas em clássicos na Premier League (3 a 1 para o Manchester United e 4 a 2 para o Manchester City, com direito a gol e desabafo tresloucado de Adebayor), os comandados de Wenger necessitavam da vitória. Aos 5 minutos de jogo o modesto Standard abria 2 a 0! Aos trancos e barrancos o Arsenal conseguiu a virada, com direito a gol irregular (mão E impedimento no MESMO lance). O tento da vitória por 3 a 2 foi anotado por Eduardo da Silva.

 

Palpite da classificação: Arsenal e Olympiakos. A surpresa holandesa do AZ já surpreendeu demais!

 

Felipe Conti é colorado, gaúcho, canoense, goleiro, esquerdista, aspirante a jornalista. Nascido para ser do contra, desde março de 86. Escreve costumeiramente no Grenalzito e é titular das sextas aqui do Tisserand.

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Divorciados

Divorciados

 

Depois de uma pequena temporada na atmosfera bucólica e ventosa de Arambaré, entre coqueteis etílicos e necessárias conversas infames, regresso às margens da Capital de todos os gaúchos com uma notícia frustrante, uma outra alentadora e uma terceira preocupante. O Grêmio encerrou seus sonhos de viajar pela América do Sul na próxima temporada ao obrigar-se a comemorar um empate caseiro com o Vitória. A Seleção, por outro lado, provocou em Maradona o nervoso ritual autofágico de comer os próprios dedos em situações adversas. E a mais dramática de todas, a que carrega consigo uma nuvem obscura e fiadora do apocalipse para todos nós gremistas: o Inter é candidato ao título brasileiro, e demonstrou isso de forma inequívoca em Santa Catarina.

 

Ocorre que não sou destes bastardos que ejaculam de balde com o falo alheio, e tampouco de outra estirpe baixa, que aproveita o momento exasperante do própprio time para enchê-lo de impropérios e, assim que uma vitória de avizinhe, embriague-se em elogios superficiais e repentinos. Não. O que me sobra, tragicamente, é ruminar pensamentos sobre o selecionado de Carlos Caetano, o Dunga, e projetar o futuro do Brasil nessas Eliminatórias já quase definidas, e a preparação para a Copa.

 

Para começar, qualquer voz descrente que não concordava com um Anão no cargo mais cobiçado entre os treinadores de todas as galáxias, teve finalmente o último vão de sua boca calado. Dunga assegurou desde seus primórdios como empregado da CBF uma defesa sólida, seja na manutenção de um losango de altura imponente mas futebol qualificado: Julio Cesar, Lúcio, Juan (Agora, Luisão) e Gilberto Silva. Perscrutou com olhos atentos os alas brasileiros espalhados pelo Mundo e pinçou dois deles para o lugar de Cafu, ambos consagrados em times da primeira linha europeia: Daniel Alves e Maicon. Deu todas as chances a Ronaldinho Gaúcho – e por claras e acertadas razões, sobretudo por representar, junto de Ronaldo Nazário, o que resta de extra classe ainda em atividade – e só desistiu dele depois do próprio resignar-se a um futebol medíocre e burocrático. E ainda achou em Kaká – embora eu e o Felipe Conti não nos conformemos com essa escolha – o jogador central e senhor dos movimentos de uma meia cancha operária e eficiente. Mas foi em Luis Fabiano, atleta de trajetória conturbada, agressões a adversários em campo, expulsões recorrentes, histórico que abreviou a vida de muitos craques na Seleção – vide Edmundo –, que Dunga encontrou o herdeiro da camisa 9, de Careca e Ronaldo, ainda que talhado com menos técnica, mas dotado da inconformidade e da convicção dos grandes goleadores. Luis Fabiano deve ter providenciado uma maracujina que outra, esquecendo as confusões campais e preocupando-se com seu labor de dominar a grande área.

 

E foi todo esse conjunto harmônico que vi, pelo telão de um boteco de Arambaré, desenvolver o futebol de marcação implacável, passes dedicados e contra-ataques mortais que fomos acostumados a torcer para desde a Copa América de 2007, foi consagrado na Copa das Confederações deste ano e amputou as últimas esperanças dos argentinos em Maradona Treinador. É preciso ressaltar a capacidade de Elano nas bolas paradas, aliás, sua titularidade também passa por isso, por ser o único especialista o grupo nessa tarefa. É preciso também destacar a recente afirmação de André Santos no flanco esquerdo – ainda que Kléber mostre alguma recuperação no Beira Rio e deva receber novas chances. É preciso ainda fazer uma ressalva sobre a heresia que é escalar como titular alguém tão pouco engajado e estéril como o Robinho. Mas esse e algum outro equívoco menor podem ser consertados até o meio do ano que vem. A certeza maior é que Dunga definitivamente conseguiu forjar-se – na chuva de críticas e fogueira abundante de vaidade que cerca seu posto – um treinador competente. E que a Seleção, a despeito de oscilações naturais e discordâncias necessárias para que a acomodação não adentre o recinto, ainda é a principal favorita ao título mundial.

 

Confere aqui a classificação das Eliminatórias e a situação periclitante dos argentinos. E aqui as três rodadas que restam.

 

Guilherme Lessa Bica

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Barcelona e Real Madrid são opostos complementares. Sem a alva aristocracia merengue não poderia haver a vibrante bravura catalã. Para os nascidos na Província de São Pedro, torna-se fácil compreender o sentimento que envolve esta rivalidade: ou tu estás de um lado, ou estás automaticamente do outro. O meio termo é um inadmissível e hediondo disparate! Neste caso ou estás com os conservadores, “franquistas”, neoliberais e orgulhosos de serem da capital Madrilenhos, ou estás com os separatistas, explosivos, revolucionários e orgulhosos de formarem uma “nação independente” Catalães.

 

Nesta temporada o embate entre as duas forças que dividem a Espanha futebolística, política e ideologicamente será inesquecível. As duas filosofias de futebol dos clubes estão, como quase sempre estiveram, muito claras. O Barça aposta em vários jogadores forjados na Catalunha (muitos nascidos no país Basco e por conseqüência símbolos de um povo), além de jogadores de características extremamente agressivas ofensivamente. Quem precisa defender quando os que prendem a bola no ataque chamam-se Lionel Messi, Thierry Henry e Zlatan Ibrahimovic? “Defendam vocês”, é o que deve pensar o empolgado torcedor barcelonista!

 

Só que do outro lado há um ataque completamente novo e recheado com jovens estrelas do futebol mundial. Com jogadores sedentos pela fama merengue e prontos para levar o Real às conquistas que sumiram nos últimos anos do Bernabéu. O problema é que cada um está pronto individualmente, e não como um time, com uma mecânica de jogo definida. Se no último clássico (nada menos que 6 a 2 Barcelona em Madrid) a linha de frente Madrilenha era Raúl e Higuaín, no próximo pode ser Raúl, Karim Benzema e Cristiano Ronaldo. E com Kaká armando as jogadas ofensivas. Contra este ataque (infelizmente) se faz NECESSÁRIO defender além de atacar…

 

Vamos analisar cada elenco, o que pretendem na temporada e até onde podem chegar:

 

Real Madrid

 

O Almofadinha

O Almofadinha

 

Florentino Pérez, o doidão, voltou a dar as cartas em Madrid. Sua conhecida política “não interessa o preço, vamos contratar” está de volta e fazendo estragos por toda Europa. Cinco nomes chegaram com impacto para montar um pretenso “Galácticos II”. Pelo dinheiro gasto, até poderíamos dizer isso.

 

Kaká e Cristiano Ronaldo vieram à peso de diamante. Dois Melhores do Mundo (assim como Figo e Zidane no começo da década) e que podem mudar uma partida em uma fração de segundo. Ainda para o ataque, chegou a jovem revelação francesa Karim Benzema. Jogador do Lyon e apontado como sucessor de Zidane nos Bleus, ainda parece muito verde para carregar responsabilidades nas paletas. Vem para ser coadjuvante, portanto pode jogar mais tranquilamente.

 

Muitos diziam que o técnico chileno Manuel Pellegrini nunca conseguiria montar uma equipe equilibrada com a direção contratando apenas jogadores do meio para frente. Ainda mais com os que já estavam no elenco! Portanto o zagueiro Albiol chegou do Valencia (pela bagatela de 15 milhões de euros) e o xerifão Xabi Alonso deixou o Liverpool para jogar no capital espanhola. Além de mandarem Huntelaar procurar seu futebol esquecido dos tempos de Ajax no time de Leonardo, Pato e cia.

 

O time-base merengue pode ficar assim:

Casillas, Sérgio Ramos, Pepe, Albiol e Marcelo; Gago, Xabi Alonso e Kaká; Benzema, Cristiano Ronaldo e Raúl.

 

Barcelona 

“Nós formamos craques, não compramos” – Joan Laporta, presidente do Barcelona desde 2003.

 

O Endiabrado

O Endiabrado

 

Atual campeão espanhol e da Copa dos Campeões da UEFA. Aí pega esse grupo campeão, não negocia praticamente ninguém e contrata algumas peças importantes. Dentre elas o lateral esquerdo Maxwell, da Inter de Milão. E o principal: troca teu centroavante nota 8,5 por um jaqueta 9 nota 9,5. Eto’o foi tentar a sorte na Inter e Ibrahimovic realizou o sonho de atuar no futebol espanhol.

 

O Barça segue atuando num 4-3-3 estilo holandês. Aliás, esta é a marca registrada do clube catalão: ataque impiedoso e meio de campo criativo. Frank Rijkaard, em sua bem sucedida passagem pelo comando técnico da equipe, montou um esquema no qual os atacantes abertos pelas pontas atuam com a perna preferencial “invertida”. Pep Guardiola segue montando seu time desta maneira, mas com um meio de campo mais participativo nos tabelamentos ofensivos.

 

Yaya Touré (ou Busquets) guarda posição como cabeça de área, liberando Iniesta e Xavi. Os dois jogam como Guiñazús muito mais habilidosos e com poder de chegar á frente. E no ataque… Messi pela direita, Henry pela esquerda e Eto’o (agora IBRA) no comando. E no banco o garoto forjado na base barcelonista Bojan Krkic. Desta maneira o Barcelona ultrapassou a marca de 150 gols na temporada 2008/2009. Inapelável.

 

Para esta temporada o time já tem uma espinha dorsal muito bem definida, e com acréscimos de muita qualidade. Guardiola seguirá com seu jeito tresloucado à beira do gramado do Camp Nou e armando o time que dá mais gosto de ver no futebol mundial. Só que este ano o favoritismo está carimbado na equipe, e isso pode ser um fator negativo (vide o Manchester United da temporada passada).

 

Provável time-base:

Valdés, Daniel Alves, Puyol, Rafa Márquez e Abidal; Touré, Xavi e Iniesta; Henry, Messi e Ibrahimovic.

 

Ps.: Na história d’El Clásico, as estátisticas são as seguintes:

¬ Número de partidas: 238

 

¬ Vitórias do Barcelona: 97

 

¬ Vitórias do Real Madrid: 89

 

¬ Empates: 52

 

Felipe Conti é colorado, gaúcho, canoense, goleiro, esquerdista, aspirante a jornalista. Nascido para ser do contra, desde março de 86. Escreve costumeiramente no Grenalzito e é titular das sextas aqui do Tisserand.

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Voadora campeã no Capeta

Voadora catalã no Capeta

 

O Vaticano é uma cidade-estado encravada em solo romano desde 1929, doada pelo Tata italiano Benito Mussolini. Pois na tarde de hoje, a alguns quilômetros dali, no estádio Olímpico, um Diabo Vermelho ousou reafirmar seu domínio europeu e estendê-lo inadvertidamente sobre as terras do velinho boa-praça Ratzinger. É claro que Nosso Senhor não permitiu. E o Barcelona mais uma vez ensaiou as ciranda-cirandinhas dos baixinhos Xavi, Iniesta e Messi que tanto encantam e enganam os desavisados e românticos da bola, levando a Copa dos Campeões pela terceira vez em sua história por convincentes 2 a 0.

 

Quem escapuliu do labor enfadonho de todos os dias para espiar o começo de partida e viu apenas os primeiros nove minutos, certamente tomou aquele cagaço quando chegou em casa e conferiu o resultado. O Manchester não só dominou o começo de jogo, mas tomou a iniciativa com arremates e arrancadas incisivas, sobretudo de Cristiano Ronaldo. Todas elas para fora. Todas flertando com a trave de Valdes.

 

Mas foi só. Depois daquele começo insinuante, amedrontando catalães e anulando o pequeno notável Messi, o time de Alex Ferguson se perdeu, virou um amontoado de jogadores medianos e explicitou os equívocos que seu treinador promovera na escalação. Já na primeira investida do Barca, aos 10 minutos, Iniesta recolheu a bola na meia cancha, livrou-se com facilidade de dois adversários e enxergou Eto’o solitário no vértice da grande área inglesa. O camaronês dominou com a afobação habitual, deu um corte telegrafado no zagueiro e bicou a bola contra parte da palma da mão esquerda de Van der Sar, marcando o primeiro tento. A vitória começava a se desenhar com pouco mais de dez por cento do tempo total de partida.

 

Daí para a frente o time de Pepe (Já tirei a vela!) Guardiola transformou a final num treino de dois toques. Sem pressa, chegava como queria na retaguarda britânica. Ao passo que os vermelhos batiam cabeça. O sul-coreano Park parecia aquele guri ansioso nos bancos das quadras de society, à espera de uma chance no jogo de adultos, mas cuja atuação desaponta quando ingressa na partida e é humilhado nas divididas pela desproporção na envergadura das panturrilhas, pelas pernas ainda curtas e insuficientes para ocupar o seu quinhão no campo. Giggs não sabia se marcava ou armava: absteve-se das duas tarefas. E o máximo que Ronaldo fez até o final foi ensaiar caretas e pequenos esgares que acentuam ainda mais sua inerente arrogância.

 

Homem não chora (Pssss!)

Homem não chora (Pssss!)

 

O segundo tempo arrastou-se incrivelmente com uma letargia que se costuma ver nas fases preliminares da Champions, jamais numa decisão. Nem os ingressos de Tevez e Berbatov animavam os diabinhos cabisbaixos. O primeiro lance interessante foi a tentativa adolescente de Ronaldo acertar uma bola, jogada a campo pelo banco catalão quando a partida já estava reiniciada, no treinador adversário. Ali, naquela iniciativa, ele iniciou uma série de infortúnios ingleses que prosseguiu na agachada ridícula de Evra, evitando um lançamento de Van der Sar e entregando a bola a Puyol, e alcançou seu apogeu no lançamento diagonal de Xavi para Messi e a perícia incomum do argentino no cabeceio que definiu o placar final.

 

 

O Diabo era, enfim, sepultado. Messi sacramentava a condição de melhor do mundo e resolvia, dez meses antes da data prevista, a eleição da FIFA a seu favor. O Barcelona promove uma ode a equipes perdedoras das quais é herdeiro (Brasil de 1982, Holandas de 1974 e 1978) e mostra que se pode vencer com alguma frescura. E a alguns quilômetros dali, no Vaticano, Ratzinger certamente ensaiou um trocadilho em alguma das línguas que domina, sobre o Diabo ser derrotado na terra de Deus.

 

Fotos: espn.com.br

 

Guilherme

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