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Archive for abril \30\UTC 2009

Todo dia é dia de sofá

Todo dia é dia de futebol. Todo dia é dia de sofá

 

Nos tempos em que os subversivos tinham de carregar bolitas nos bolsos para despistar a Cavalaria; num passado não tão longínquo, época em que no futebol os zagueiros amarravam cachorro com lingüiça, como diria o do Bigode; a quarta-feira era considerada o Dia Nacional do Sofá.

 

Nesta sagrada data, os jovens enamorados iam para a casa de seus pais para trocar discretas carícias e, quando surgia oportunidade, até alguns beijos e amassos. Tudo isso assistindo a um longa do Grande Otelo.

 

Hoje, virou putaria. Todo o dia é dia, ninguém é de ninguém e tá tudo liberado.

 

A Equipe do Tisserand FC, por sua vez, sempre prezando pela moral e os bons costumes, desconstruiu o esteriótipo do Dia do Sofá, criando seu próprio padrão: abrir uma lata, sentar numa pltrona ensebada e assistir às rodada da Copa do Brasil e da Libertadores da América.

 

O resultado de tudo isso, a seguir:

 

Placar Magro

O Inter podia ter garantido a vaga ontem à noite, contra o Náutico, mas acabou entregando a rapadura, como já é de costume contra times medíocres – principalmente jogando fora de casa.

 

 

Os cavaleiros do apocalipse afirmavam que este seria o primeiro grande teste do ano e foram apenas três gols. Com isso, a média nas últimas quatro partidas caiu para simplórios 4,5. Ou o time começa a jogar fora de casa ou vai se complicar logo ali, pego de calças curtas.

 

Time Cagão

Confesso que até deixei escapar um sorriso quando vi o terceiro gol do Atlético Paranaense contra o Timão. Mas esqueci que o Furacão é time pequeno. Em seguida, entregou uma partida ganha. 1 a o no jogo de volta e Bye Bye, Tristeza.

 

Ninguém é de ninguém

Deste confronto sairá, se não der Zebra e os pernambucanos confirmarem os prováveis 4 a 0 no Beira-Rio, o adversário do Náutico. Tinha, até certo ponto, um pequeno receio do Rubro-negro carioca, mas não conseguir vencer o Fortaleza em casa, é de desanimar.

 

Grande Galo

E a Galoucura continua na mesma. Desta vez, a derrota veio contra o Vitória.

  

Paraíba e o cartão

Eu sou Paraíba e taqui o meu cartão. Campeão da Copa do Brasil pelo Grêmio, Marcelinho está de volta. Marcou dois gols na vitória do Coxa de 4 a 0, sobre o CSA – o Paulo Britto, no entanto, admirador do atleta, creditou o gol do outro Paraiba, do Coxa, para Marcelo. Vo te contá, heinhô, Batista.

 

Cartão de visitas premiado

Cartão de visitas premiado

 

Até Quando?

O Sport venceu o LDU por 3 a 2 e, junto do Grêmio, são os dois clubes enganadores do Brasil. Em seguida, vão tropeçar. Antes de ficar brabo, caro leitor, o Palmeiras não conta; Luxa não engana ninguém…

 

Salvadores do Inter

Em partida histórica, dois ex-colorados salvaram o verdão, garantindo mais alguns armanis para o Luxa.

 

O Marcão, solícito, fez a boa ação do dia: foi expulso. Ao sair do campo, ganhou uma estrela verde na testa, de condecoração.

 

E Cleiton Xavier, com um petardo bem semelhante aos que dava no Inter, credenciou o Verdão a seguir em frente na competição continental. Podia dormir sem essa.

 

 

Fotos: sofá: veiorosa.blogspot.com; Marcelinho: forumdocoritiba.com.br.

 

Fabio

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Daniel Alves rindo de nervoso

Dani Alves depois de ir fumar na praça

 

O futebol recentemente apresentado por Barcelona e Manchester nos campeonatos nacionais e na Champions League me empolgaram. Pois o conservadorismo europeu, povo tão conhecido pela ponderação, pela parcimônia, fez sucumbir minhas profecias de placares elásticos. Apenas um gol nos dois jogos semifinais da Copa dos Campeões. E tudo será definido semana que vem.

 
Barcelona 0 x 0 Chelsea

 

Não fosse Petr Chec, o Barça sairia em vantagem na semifinal contra o Chelsea. É verdade que aquele chocolate prometido por mim não compareceu ao Camp Nou na última terça-feira. Messi foi discreto e Eto’o e Henry prudentemente marcados por Alex e Terry. Restou a Xavi e Daniel Alves a responsabilidade pelas grandes jogadas, belos passes e chutes perigosos. No grande lance do jogo, Eto’o – talvez na única iniciativa relevante dele – girou com velocidade sobre Alex, empurrou a bola entre as pernas de Terry e marchou na direção do gol. Ainda deixou, já na grande área, o zagueiro brasileiro, que se recuperara, deslizando a bunda no gramado, num drible desconcertante. Até parar, como todo o Barcelona, no reflexo das pernas de Chec.

 

No jogo de volta, em Londres, a postura do Chelsea deve ser diferente da única alternativa encontrada por Gus Hidink para travar o jogo envolvente catalão, a retranca amiga. Os Blues vão utilizar a supremacia física para exercitar duas de suas armas principais: a bola aérea e os chutes de longa distância.

 

Já o Barça não sabe, desde os tempos de Rijkaard, se defender. É um time de compulsória postura ofensiva, e assim o fará, mesmo em terras estrangeiras.

 

Manchester 1 x 0 Arsenal

 

Que gol, que nada! Cristiano Ronaldo tem mais com o que se preocupar

Que gol, que nada! Ronaldo tem mais com o que se preocupar

 

No confronto semifinal de hoje, o Manchester também me desmentiu. Foi mais incisivo que o Barcelona, o outro mandante, mas conseguiu apenas a vantagem de um gol, marcado pelo coadjuvante lateral John O’shea.

 

Cristiano Ronaldo (Na foto acima), acompanhou o principal rival na briga pelo título de melhor do mundo, o argentino Messi, e passou em branco. Rooney, Tevez, Anderson e o veterano Ryan Giggs, que ingressou no segundo tempo, foram o demais impedidos por Almunia, goleiro espanhol e arqueiro do Arsenal, a ampliar o placar.

 

É preciso considerar os desfalques titulares de Arsene Wenger: Van Persie, atacante canhoto habilidoso e de chute mortal; Clichy, lateral esquerdo veloz e mais experiente que Gibs, seu substituto; e o meia russo Arshavin, grande revelação do futebol europeu dos últimos dois anos, impedido de atuar na Champions League porque defendeu o Zenit na primeira fase.

 

Semana que vem tem mais. E os dois jogos em Londres:

 

Dia    Confronto    Horário    (Canal)

05/05   Arsenal x Manchester  15h45min   (ESPN)

06/05   Chelsea x Barcelona   15h45min    (ESPN)

 

Fotos: Daniel Alves rindo: news.bbc.co.uk; Cristiano e companhia: dalgum canto do Google.

 

Guilherme

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O pequenino competente, diria Ribeiro Neto

O pequenino competente, diria Ribeiro Neto

 

O Grêmio começou o jogo de ontem, contra o Boyacá Chicó, imprimindo um ritmo que dizia: veja cá, moça rubra, e aprenda como se empilha oito em um adversário numa competição de verdade. Logo aos 16 minutos Souza havia marcado dois, o primeiro, um três dedos insinuante e de contribuição importante do arqueiro colombiano Prono Velásquez. 

 

Quando Léo confirmou que a noite era de goleada, a certeza de que os tentos não caberiam em uma só mão se impôs. O que logo foi desmentido por uma apatia repentina. Algo compreensível: o Grêmio já era, na metade do primeiro tempo, o melhor time da primeira fase da Libertadores 2009, aquele com o melhor ataque e o que menos sofrera gol.

 

O segundo tempo transcorreu com lentidão. Exceto pelo pênalti que Larrionda assinalou nos primeiros minutos para os colombianos. Depois de um dos filhos de Macondo afobar-se e invadir a zona do agrião antes do permitido e o árbitro uruguaio anular o gol recém marcado, Victor voou no canto esquerdo, espalmou a bola para os pés da defesa gremista e protagonizou o último lance relevante da partida.

 

Enquanto isso, na terra de Evo, quase que o Universidad, de Chile, entrega a papoula. La U permitiu ao Aurora a ilusão momentânea de que marcaria seu primeiro e único ponto. Mas no segundo tempo o time do uruguaio Sergio Markarián resolveu o jogo e se classificou em segundo para as oitavas com um 2 a 1.

 

O Grêmio deve reencontrar o Defensor nas oitavas, aquele que incomodou em 2007. Ainda com Rospide no comando e cumprindo tudo o que prometeu para a Copa.

 

Foto: Clic Esportes

 

Guilherme

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Barça e Chelsea: namoro antigo

Barça e Chelsea: namoro antigo

 

Hoje iniciam as semifinais da Copa dos Campeões da Europa. Como não poderia deixar de ser, alçamos as velas das Neo-Caravelas Tisserandas, singramos o Atlântico numa rota do descobrimento ao contrário e ferimos o céu azul que nos cobre nas últimas semanas para chegar a tempo no Camp Nou, palco maior do futebol Catalão, e assistir a Barcelona e Chelsea. 

 

E temos todos, como o senhorio que nos acompanha neste momento ou sua respeitosa senhora, a plena certeza de que o Barça deve vencer. Não será aquele mumu – congelado e servido no palito, já que o verão ainda não aportou no velho continente – como contra o Bayern, mas acreditamos que se habilite, com um resultado convincente, a chegar à final. O que pode arrastar pedras e transformar a temporada até aqui asfaltada e livre de maiores acidentes num paralelepípedo daqueles, é a maratona de decisões – entre as duas partidas contra os ingleses, um clássico no próximo domingo, contra o Real Madri, vice-líder do Espanhol, quatro pontos atrás dos catalãos.

 

Na partida de amanhã, o Arsenal joga ainda mais contra as probabilidades que o Chelsea. Se não acredito que Lampard e Drogba podem mais uma vez deixar o time de Londres entre os dois melhores da Europa, não levo fé, e aí suponho que o senhorio e sua parcimoniosa senhora também me acompanham – mesmo que corra o risco de ser acusado de pedante -, que o clone mais tosco de Drogba, Adebayor, o amarelão Fabregas ou as firulas de Wallcot possam aspirar maiores pretensões frente a Cristiano Ronaldo, Rooney e suas talentosas companhias.

 

É curioso que Barcelona e Manchester, os favoritos a ingressarem no Olímpico, em Roma, para a grande final, tenham sido sorteados mandantes do primeiro jogo da contenda semifinalística. Isso permite uma possibilidade não completamente provável, mas plenamente possível (e paro com os advérbios por aqui, antes que me acusem de plagiar o professor Ruy), de o segundo confronto ser mera formalidade ou cumprimento de tabela.

 

Desocupados do mundo detentores de canais fechados, uni-vos na assistência das partidas, que ocorrem em noites européias e tardes suadas de labor no Brasil.

 

Mais tardar, na próxima semana, assim que regressarmos do Além Mar, a cobertura das duas partidas e confirmações ou não dos resultados prometidos.

 

Achismos:

Barcelona 3 x 1 Chelsea (Messi acabará com o jogo, mas Lampard vai descontar para os ingleses)

Manchester 3 x 0 Arsenal (O time mais experiente e melhor de Fergusson não dará chances aos garotos de Londres)

 

Serviço:

Dia  Confronto  Horário  (Canal)

Hoje  Barcelona x Chelsea  15h45min  (ESPN)

Amanhã  Manchester Utd x Arsenal  15h45min  (ESPN)

 

Foto: independent.co.uk

 

Guilherme

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Para onde?

Para onde?

 “Se você gritasse,
Se você gemesse,
Se você tocasse
A valsa vienense,
Se você dormisse,
Se você cansasse,
Se você morresse…
Mas você não morre,
Você é duro, José!”

Carlos Drummond de Andrade”

 

 

Com o término do Gauchão, a minha rotina dominical sofreu algumas alterações: disponibilizo uma atenção maior para minha esposa, posso almoçar sem pressa e tenho tempo para assistir aos outros campeonatos regionais do país.

 

Ontem, o gordo Ronaldo fez um gol de placa e o timão venceu o peixe por 3 a 1. Ponto.

 

O que me deixou consternado, no entanto, foi mais uma derrocada do Galo Mineiro frente ao seu maior rival: 5 a 0 de novo. É muita humilhação.

 

Disparado a torcida mais sofrida do Brasil. O time nunca ganha. Nunca. E goleada de 5 a 0 é de amargar a noite de qualquer torcedor. Ainda mais em clássico.

 

Deixo claro que sempre tive uma grande simpatia pelo Atlético MG, devido às cores do Cruzeiro; mas chega um momento que extrapola. Ninguém aguenta tanto martírio.

 

Por anos, vivi tempos amargos com o Inter, contudo, chegou a nossa vez. O Grêmio teve sua fase ruim e voltou; o Timão também; o São Paulo também; o Vasco e até o Flu também. E por aí vai. Só quem perde sempre é o Galo. Ganhou um brasileirão no tempo do Ariri Pistola e nécas. Zé-fi-ni.

 

A cada partida que passa, o torcedor atleticano sabe que irá mais uma Porta dos Desesperados – e certamente em nenhuma delas estará o Pogobol do Malandro.

 

 

Talvez tanta paulada na cabeça seja o principal combustível que torne a Galoucura tão apaixonada pelo seu clube. Lembro do Brasileirão de 1997: fase final da competição. Os mineiros invadiram o Beira-Rio fazendo uma grandiosa festa, que acabou não dando em nada, vencemos por dois a zero.

 

O atleticano é duro na queda. Perde, mas continua com fé que um dia chegará a sua vez.

 

apesar de não ir bem no futebol, a torcida do galo tem motivos para comemorar

Musa atleticana: fora dos gramados a torcida do Galo tem motivos para comemorar

 

A seguir, deixo um texto de um torcedor desacreditado com a recuperação do Galo Mineiro. Um dos poucos que não aguentou a peleia.

 

Aí vai…

 

Escrevo com a experiência de 45 anos como torcedor do Atlético Mineiro. Hoje não sou mais! Hoje eu, finalmente, desisti! Alguns dirão que nunca fui atleticano. Mas fui! Estive no Mineirão, em 1977, e vi o São Paulo arrancar de meu coração o grito de campeão. Estive em 1980, no Maracanã, e vi o time do Zico vencer o meu time! Na época era um duelo de titãs! Meu time, mais uma vez, perdeu… Vi Toninho Cerezo tremer no frio de Buenos Aires e meter um gol contra, na partida contra o River Plate! Alguém se lembra? Essa partida foi na Argentina … 2 x 0 … e eu estava lá! Em seguida, vi um time que não conseguiu fazer um gol no Santos, em 1983, e perder a chance de uma final. Em 1985, outra vez! Perdemos de 1 x 0 em Coritiba, e a final foi Coritiba e Bangu. Não posso me esquecer de 3 x 2 contra o Flamengo (mais uma vez) no Mineirão – na verdade 2 x 3, engolindo o Bebeto e o Renato Gaúcho. Lembro-me, ainda, de uma vitória contra o Rosário Central, por 4 x 0, que redundou em derrota – também por 0 x 4. Disputa de pênaltis: resultado – Rosário campeão! Vi, ainda, um jogo em ganhávamos por 2 x 0 do Fortaleza, e o resultado – vitória – não foi alcançado. Vi o time cair prá segunda divisão.


Afora tudo isso, não posso deixar de lembrar as infinitas vitórias pro nosso maior rival, dentro e fora do campo. Perdemos de 5 x 1, com Cerezo como técnico (olha ele aí, de novo), aquele mesmo que nos traiu e vestiu a camisa azul. Esse ano assisti o 5 x 0, vergonhoso!


Fora de campo, vi diretorias medíocres perder jogadores para o Cruzeiro, e posso citar: Fred – sem comentários; Elivelton – autor do gol do título da Libertadores de 1997; Aristizabal – grande artilheiro; Jadilson; Camilo; Gerson Magrão. Minha memória me trai, mas vários outros existem!

 

Cansei-me! Absolutamente, me cansei! Hoje, após mais uma derrota, peguei todas as minhas camisas – mais de 20 – de épocas diferentes, e após mergulhar em álcool, ateei fogo. Foi um exorcismo. A partir de hoje não sou mais atleticano! Não sou mais um otário. Compreendi que na vida alguns são os atores principais, outros são – e serão sempre – os coadjuvantes. Os atleticanos são assim – coadjuvantes! Como os torcedores da Portuguesa e da Ponte Preta, por exemplo.

Por certo nunca mais vestirei outra camisa de time de futebol, não serei flamenguista, ou santista, ou o que for. Mas atleticano não serei mais. Cansei, absolutamente cansei!

E não é um cansaço de quem nunca sofreu ou viveu o âmago dessa paixão. Nada disso! Sempre tive no sangue o borbulhar da nação atleticana. Digamos, então, que sofri uma transfusão! Não quero mais sofrer. E torcer pelo Atlético é uma dor que não tem fim. Dor que alguns profetizam e que outros eternizam em nobres versos, mas que, em resultado prático, em alegria de viver, pouco resultado alcança.


Cansei de ser um idiota! Com muita dor no coração promovo o exorcismo – Atlético… nunca mais! Fica a saudade, que como tal, não tem explicação! Fui!

 

 

 

 

P. M. R.

 

Fotos: Torcedor do Galo: do Google; Musa: globoesporte.com.

 

 Fabio

 

 

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¬ Cruzeiro faz Leão brincar de Gato Mia. Time de Adílson Baptista, o verdadeiro Capitão América, empilhou logo 5 a 0 na primeira partida contra o Atlético pela final do Mineiro.
Miau!

Miau!

 

¬ Ronaldo impõe ao Santos a segunda derrota em cinco dias. Ele fez dois gols – um deles de placa – na vitória por 3 a 1, dentro da Vila Belmiro.

Toma, Mancini!

Toma, Mancini!

 

¬ Ouviram do Ypiranga o grito de campeão gaúcho na noite de ontem. O time de Erechim venceu o Caxias por 1 a 0 e desbancou os favoritos Brasil, de Pelotas, e Sapucaiense na briga pelo título do Interior.

Amarelo: como um Girassol

Amarelo: como um Girassol

 

Fotos: Simba: secure.bebo.com; Ronaldo e Pepino e Galera do Ypiranga: 3.bp.blogsspot.com

 

Guilherme

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A bola escondida entre as pernas cambotas

A bola escondida entre as pernas cambotas

 

O grande centroavante não precisa fazer o tipo garanhão, boêmio e dono da noite. O grande centroavante não precisa ser ateu, desdenhar de convenções morais ou ser um cobrador de pênaltis competente. O grande centroavante não precisa nem ser o mais boa pinta do time, com o melhor penteado ou dirigir o melhor carro estacionado nas garagens contíguas ao estádio. Não. O grande centroavante só precisa PARECER fazer e PARECER ser tudo isso. E, nessa arte, poucos foram (e nenhum é) maiores que Romário.

 

Contrariando a altura diminuta, menos de um e setenta, as pernas cambotas e a origem humilde que normalmente condiciona crianças do Jacarezinho e da Penha, bairros que foram o palco da criação de Romário, e de outros tantos guris pobres do Brasil, a serem iniciados precocemente no trabalho, a tomarem nos braços seu quinhão no sustento do lar e palmilhar ruas atrás de moedas, ele venceu. E trilhou seu caminho passando pela peneira num coadjuvante do futebol carioca, o Olaria, ingressando no Vasco e impondo ao Flamengo um jejum de títulos estaduais até sua saída para o PSV, no final da década de oitenta.

 

Virou o rei de um futebol que já era emergente naquela época e alvoroçou os bolsos do Barcelona. Transferiu-se para a Catalunha, e lá, onde os holofotes eram de proporções colossais comparados aos clubes anteriores, lá se forjou a personalidade que permanece até hoje no imaginário de todos quando se trata do camisa 11: no Barcelona ele reconheceu o tamanho de seu talento, e estendeu o fio da paciência de todos, torcedores, treinador, companheiros de time, alternando rebeldia – baladas e agressões a adversários – e talento – ele certamente é citado em qualquer lista de gols mais bonitos ou qualquer escalação do melhor Barça de todos os tempos – com uma rapidez impressionante. E foi assim, já com a aura maniqueísta, amado ou odiado, dificilmente causando indiferença, que Romário foi convocado por Parreira para resolver as carências da Seleção e trazer a Copa que há 24 anos repelia mãos brasileiras.

 

Já na estreia do torneio, contra os russos, Romário assumiu o posto e fez o primeiro gol brasileiro nos Estados Unidos. Diferente da seleção que surpreendeu na Eurocopa do ano passado com passes assanhados e bom futebol, a Rússia era uma equipe capenga, que se ressentia dos antigos reforços de países como Ucrânia, por exemplo, de pequenas repúblicas que transformaram, na época da Cortina de Ferro, a União Soviética numa potência, sobretudo, olímpica. A vitória contra Camarões, por três a zero, também foi decalcada com a marca do Baixinho. Mas foi no terceiro jogo que ele confirmou de maneira definitiva sua condição.

 

Confronto encardido contra os suecos. Estádio coberto. O dia raiava lá fora, mas era impedido de iluminar a partida pela ainda incipiente tecnologia do teto móvel – um ensaio do que viria nas próximas Copas. Talvez a melhor Suécia de todos os tempos pela frente – não consultei nossos antepassados sobre aquele time que levou 5 a 2 na final de 1958. Parreira impaciente no banco. Brolin, Dahlin e Kennet Anderson a todo momento revezavam-se na tarefa de assediar o gol de Taffarel. Até que o último deles, um gringo desajeitado de quase dois metros, apara um lançamento com o lado externo do pé direito, e a bola morre em nossas redes.

 

Estava na hora de Romário agir. Depois de ameaçar algumas arrancadas tímidas, ele intimou Zinho, que ensaiava mais uma vez aquele balé estéril cunhado por muitos de ‘enceradeira’, a entregar-lhe a bola. Recebeu o passe e iniciou a marcha. Até Galvão Bueno sabia que empataríamos naquele lance. Romário inflou o peito e avançou, sem precisar imprimir grande velocidade. Parecia que os gigantes nórdicos não acreditavam naquela figura que não conseguiria ver por cima dos seus ombros. Quando estava por chegar à grande área, o brasileiro usou da simplicidade, quase um acinte, uma provocação. Bateu de bico, no meio da bola: e até desconfio que tenha saído pra comemorar antes mesmo de Ravelli ser vencido pelo quique matreiro.

 

Romário fazia com os suecos o que já fizera com a vida de privações na periferia carioca, aquilo que irritava treinadores, torcedores adversários e até alguns companheiros de time: mostrou que é o cara. E iniciou ali, naquele jogo nublado artificialmente, num empate suado, o caminho para sua redenção.

 

O grande centroavante não precisa ser galã ou dirigir carrões. O grande centroavante não precisa de carisma ou saber discursar aos microfones. O grande centroavante precisa fazer gols. O grande centroavante, desde 1994, precisa ser Romário.

 

Foto: br.oleole.com

 

Guilherme

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