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Archive for the ‘Boletim Europeu’ Category

 

Cara de guri, futebol de gente grande

Cara de guri, futebol de gente grande

 

Há sete primaveras o posto de 10 da seleção brasileira está vago ou semi preenchido. Depois do introvertido e genial Rivaldo desfilar a nobre arte dos armadores clássicos (Platini) em terras asiáticas, nunca mais houve a figura do “cérebro” do time. Tentativas sim, mas nunca com a contundência e aprovação que a posição exige. Alex, Ronaldinho Gaúcho, Kaká… Algum destes peitou todo mundo, disse que era O CARA do time e assumiu a bronca de receber o mundo nas paletas em caso de derrota?

 

Amanhã na mística e mítica Rosário, Kaká será “El Diez” dos canarinhos. Bom moço, limpinho, barba feita pela marca famosa da qual é garoto propaganda, crente. Nada contra, muito menos a favor de tudo isso. Mas desde quando um 10, o pilar de uma seleção brasileira, pode ser alguém tão insosso, um “picolé de chuchu”, por assim dizer? O 10 é um homem atormentado por mil demônios que os mundanos desconhecem. Seus olhos são ora vidrados em algo além da percepção (Riquelme), ora flamejantes por uma raiva atroz e sem sentido (Zidane). A glória e a lama andam de mãos dadas, logo atrás de seus calcanhares. Kaká pode ser um excelente jogador, mas seu futebol nunca emocionará ninguém, nunca terá seguidores. E aquelas meninas pré-adolescentes não contam…

 

Um jogador foi testado algumas vezes na seleção brasileira, mas sempre deslocado de seu lugar de origem. Ou então recebia uma convocação, jogava alguns minutos, ficava no banco para os “medalhões” atuarem e logo após sumia das listas de convocados. Diego surgiu assombrando o país naquele iluminado Santos de 2002. Com 17 anos apresentava uma maturidade descomunal, e ainda trajava a 10 mais pesada do planeta. Além disso, esbravejava contra adversários com o dobro de sua idade, comemorava tripudiando em símbolos alheios, levava cartão em quase todos os jogos e ainda achava tempo para fazer gols e distribuir assistências. Um craque venal, Maradoniano, por assim dizer.

 

Sexta-feira passada destacamos os três (supostos) principais clássicos que aconteceriam nos campeonatos pelo velho continente. O estreante Robben e o maluco Ribéry comandaram o 3 a 0 do Bayern pra cima do time da Volks.

 

Na Inglaterra uma injustiça sem tamanho com os Gunners de Wenger: controlaram a posse da bola, criaram mais chances, marcaram as principais jogadas do United… Mas num pênalti (gol e “cavamento” de Rooney) duvidoso e num gol contra “Oseístico” de Diaby os Red Devils venceram por 2 a 1. O gol do Arsenal foi uma pintura do 10 da seleção russa Arshavin.

 

Em Milão, um massacre. 4 a 0 inapelável para os comandados de José Mourinho. Ao lado do Barcelona, a Inter candidata-se ao título da Champions. O Milan ainda não tem um time, e sim um amontoado de boas peças que não encaixam de jeito nenhum.

 

Mas no domingo um jogo (e um jogador, mais especificamente) destacou-se mais que os três supracitados. Roma e Juventus travaram um clássico como manda o figurino: tensão, correria, parcas chances de estufar os cordéis da cidadela adversária e, para não dizer violento, um embate TRUNCADO. O 28 da Juve (dois + oito) era um dos poucos que fazia a bola rodar, de resto era um festival de nervosismo e patadas. Totti estava encarnando o 10 descontrolado, e o time de Luciano Spaletti não conseguia reter a bola no ataque.

 

E então numa falta boba perto da área romanista, Perrota foi dizer para Diego algumas expressões idiomáticas que ele certamente já aprendeu a responder em italiano. O barbudo brasileiro levantou e berrou, em italiano e com o nariz à uns cinco centímetros do volante carcamano, palavras intraduzíveis neste espaço internético tão respeitador. Os dois levaram uma advertência verbal do apitador, mas o estrago já estava feito. Depois deste lance o armador da Vecchia Signora esmigalhou a já combalida equipe da capital, e em duas arrancadas da intermediária driblou Riise e Méxes (respectivamente) para depois fuzilar o goleiro ex-Santos Júlio Sérgio.

 

De Rossi empatou o jogo no primeiro tempo, e Felipe Mello de canhota decretou a vitória da equipe de Turim. 1 a 3 Juventus e manchetes nos jornais esportivos da Bota comparando o antigo craque do Werder Bremen, Porto e Santos à Maradona e Zico. Exageros à parte, Diego há muito tempo merecia ser o 10 do Brasil. Se não tem o nome ou a mídia de seus concorrentes, possui as características exigidas para a função (inclusive a desconfiança da maioria!).

 

Até porque amanhã, com a disputa ficando entre Lionel Messi e Kaká, não há maneira de torcer pelo garoto propaganda da Renascer.

 

Com o DNA Mararoniano

Com o DNA Mararoniano

 

Para quem quiser saber mais da mística da 10, este livro  é fundamental.

 

Aqui um trecho da obra.

 

Felipe Conti é colorado, gaúcho, canoense, goleiro, esquerdista, aspirante a jornalista. Nascido para ser do contra, desde março de 86. Escreve costumeiramente no Grenalzito e é titular das sextas aqui do Tisserand.

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Hooligans "lights"

Hooligans "lights"

 

Uma das surpresas deste embrião de temporada no Idoso Continente atende pelo apelido de “Spurs”. Como o assunto aqui no Tisser não é o esporte da bola laranja, os Spurs de San Antonio ficam para outro momento.

 

O norte – londrino Tottenham Hotspur tem este apelido em função do seu mascote, um galo. Portanto, os “esporas”! O que esta informação agrega ao leitor? Pois é…

 

O tradicional clube, fundado em 1884 por enfurecidos jogadores de cricket, ganhou espaço na mídia nos últimos dias pela incrível arrancada na Premier League. Três partidas, três vitórias. A última vez que o Tottenham arrancou tão bem no campeonato inglês sagrou-se campeão. E isto ocorreu na longínqua temporada 60/61. Deste trio de resultados positivos, dois chamam atenção: o triunfo de virada por 2 a 1, contra o West Ham fora de casa, e a estréia, em casa (o histórico White Hart Lane), contra o gigante e candidato ao título Liverpool. 2 a 1 com direito a golaço do lateral esquerdo francês Benoit Assou –Ekotto.

 

Além da bela arrancada, o time inglês ultimamente está constantemente no noticiário esportivo gaudério. Sandro, volante classudo de 20 anos e forjado na base da Padre Cacique, despertou o interesse dos sóbrios dirigentes britânicos. 15 milhas (em euros) é a suposta proposta. COICIDENTEMENTE o Anão-Em-Chefe da Seleção Brasileirinha chamou o guri para substituir o contundido, insípido e inodoro Josué nos próximos jogos das eliminatórias.

 

Enfim. O interesse do Tottenham é pertinente, já que do meio e adiante seu elenco já é muito qualificado. Falta a tal da CONSISTÊNCIA DEFENSIVA, coisa que está para o futebol gaúcho como a velocidade está para o futebol africano.

 

A lista de atacantes bons (ou de nome) dos Spurs impressiona. Jermaine Defoe é o 9 titular. Rápido, oportunista, forte e matreiro, o avante nunca se firmou na seleção ou em times maiores em função de seguidas lesões (ou das loucuras dos Coach’s). Com Capello está tendo chances no English Team e correspondendo. Um dos problemas do rapaz é que parece ser meio introvertido demais. Nesse futebol marqueteiro, atacantes inferiores mas com potencial de mídia acabam se destacando.

 

Seu camarada no ataque é o irmão menos talentoso da família irlandesa dos Keane. Robbie Keane vagou por uma longa e tenebrosa estrada na terra dos Beatles, não vingou e voltou para Londres, onde é capitão, dono das camisas, da bola e responsável pelo horário semanal na quadra.

 

Não contentes com esta dupla titular de respeito, na suplência estão dois jogadores que tem gravado em seu registro profissional a inscrição CENTROAVANTE. O meio alienígena / meio vara de pescar Peter Crouch (saiu do decadente Portsmouth e também faz parte do grupo de Fábio Capello na seleção), e o tanque da seleção russa Roman Pavlyuchenko (melhor nome de jogador do futebol atual). Depois da saída conturbada do ex-ídolo búlgaro Dimitar Berbatov do time, para o Manchester United, os caras resolveram investir pesado no ataque! Tanto que contrataram a jovem revelação mexicana do Barcelona, Giovani dos Santos por 6 milhões de euros. Adaptação e comportamento complicados levaram o piá ao modesto Ipswich Town, por empréstimo. Nesta temporada pode ser uma arma para mudar jogos encardidos.

 

Beleza e perna esquerda são fundamentais

Beleza e perna esquerda são fundamentais

 

Municiando estes malucos com sangue nos olhos para fazer gols, estão dois dos melhores meias ofensivos da Liga Inglesa. Pela direita, uma das esperanças dos súditos da rainha para conquistar o bicampeonato mundial (ao lado de Theo Walcott e Wayne Ronney, pra citar os mais jovens), Aaron Lennon, 22 anos. Já pela esquerda, um jogador quase perfeito. O croata Luka Modrić, 24 anos, revelado pelo Dínamo Zagreb, tem a habilidade dos jogadores do leste europeu (como bom ex-Iugoslavo, considerados os brasileiros da Europa), senso de marcação, jogadas verticais e diagonais, além de um potente chute de média distância e lançamentos precisos. Típico caso de jogador sem mídia, mas com mais bola que muitos medalhões por aí. Como era o Bielo-Russo Hleb no Arsenal, hoje no Stuttgart. Quando transferiu-se pro Barcelona, era necessário imposição de personalidade. Aí a coisa complica. Modrić é titular e um dos principais jogadores da seleção da camiseta toalha de mesa. Completando o meio os volantes Boateng e Palacios. Sandro jogaria na vaga do Boateng fácil, alçando o Tottenham à candidato sério para a Champions League da próxima temporada.

 

Ps.: O goleiro titular dos Spurs é o brasileiro (Cruzeiro, PSV, Seleção) Gomes, alternando atuações monumentais e frangos vergonhosos. Carlo Cudicini, goleiro italiano que estava no banco do Chelsea será a sombra do arqueiro verde e amarelo nesta temporada. Reparem na foto como o uniforme é parecido com o do Victor, do Grêmio. “Bonito” como toda linha de uniformes que a Puma desenvolveu, com aquelas “asas” diagonais.

 

Padronização da tosquice

Padronização da tosquice

 

Ps. 2: Amanhã, para quem tem oportunidade de ver os canais por assinatura ESPN e ESPN Brasil, três jogos imperdíveis:

 

¬ 13:15 Manchester United e Arsenal. Clássico equilibrado, com dois times leves e que privilegiam o ataque. Teste de fogo para o jovem time de Wenger, que ano passado não teve sorte nos clássicos na Liga. Uma derrota pode colocar o ótimo trabalho do começo da temporada em dúvida. Para os Devils, uma oportunidade para mostrar que seguem como principal força da Inglaterra. Torço pro Arsenal fortemente neste jogo, 3 a 1 Gunners.

 

¬ 15:30 Bayern de Munique e Wolfsburg. O gigante Bávaro contra o campeão da montadora! Grafite e sua trupe tentam um inusitado bicampeonato numa das ligas mais disputadas do mundo. Isso quando o Bayern deixa… Louis Van Gaal aposta em Olic e Mário Gomes no comando do ataque. Jogo decisivo já nas primeiras rodadas. Aposto no Bayern, mais pela camiseta do que por qualquer outro motivo. 2 a 0 com gol do Lahm, melhor lateral do mundo hoje.

 

¬ 15:30 Inter de Milão e Milan. O clássico de Milão, já na segunda rodada! Pato e Ronaldinho tentando provar que podem levar este Milan reformulado à vôos mais altos. Eto’o contra a desconfiança, sempre. O que pode pesar num jogo desta magnitude é a experiência dos donos da casamata: Leonardo é um novato, contra o sagaz e ovelheiro José Mourinho. Ainda assim aposto num empate com gols, 1 a 1 movimentado.

 

Felipe Conti é colorado, gaúcho, canoense, goleiro, esquerdista, aspirante a jornalista. Nascido para ser do contra, desde março de 86. Escreve costumeiramente no Grenalzito e é titular das sextas aqui do Tisserand.

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Très Bien!

Très Bien!

 

Imaginem o Flamengo jogando com uma pilha de zagueiros, volantes, laterais de contenção e sem meias ofensivos. E a FLAMANGUAÇA achando tudo lindo! Ou o Boca praticando um futebol leve, com apenas um volante (com características ofensivas, óbvio) e laterais-alas. E La 12 pedindo mais atacantes!

 

O francês com cara de mocinho de filme de faroeste Arsène Wenger cometeu uma quase silenciosa revolução no berço do football. Fez um time com um estilo de jogo (e uma história) secular mudar da água da torneira para o azeite de oliva EXTRA VIRGEM. O Arsenal, clube do norte de Londres, era uma espécie de Corinthians inglês. Não este Corinthians de Dualib, MSI, Andrés… Mas sim o das mais de duas décadas de fila, de Basílio, de Zenon e da Democracia de Sócrates, Wladimir… Ou seja, os Gunners sempre foram muito populares, valentes, raçudos, com uma torcida apaixonada, mas com um futebol limitado e que sempre tentava matar o pobre torcedor do coração.

 

Para entender bem o que significa o “sentimento” Arsenal, o livro de 1992 Fever Pitch, ou Febre de Bola do gênio da cultura pop Nick Hornby cumpre muito bem o papel.

 

Desde 1996 como manager, Wenger criou uma escola de jogar bola. Trocou o ruim e velho balão + chuveirinho n’área inglês pelo toque de bola, tabelas e velocidade dos franceses. E em pouco tempo encontrou o equilíbrio entre a força do futebol britânico com a técnica dos gauleses. Até a temporada 2005/2006, quando o Arsenal foi vice-campeão da Champions (e escapou de perder o mundial no Japão para Pato e Cia. Ltda…), Wenger foi três vezes campeão inglês, conquistou quatro taças da Copa da Inglaterra e da Supercopa da Inglaterra. Pirés, Thierry Henry, Dennis Bergkamp, Sol Campbell, Ljunberg, Lehmann e Ashley Cole eram alguns dos principais jogadores deste início de transição do estilo de jogar bola dos Gunners.

 

Esquema de jogo do Arsenal neste começo de temporada. Retirado do ótimo blog do Vítor Sérgio Rodrigues, da TV Esporte Interativo http://vitorsergio.zip.net

Esquema de jogo do Arsenal neste começo de temporada. Retirado do ótimo blog do Vítor Sérgio Rodrigues, da TV Esporte Interativo http://vitorsergio.zip.net

 

Com a derrota na Champions e a construção do novíssimo Emirates Stadium (substituindo o histórico Highbury), as finanças rarearam. Finalmente a renovação do elenco propiciou ao comandante francês variar esquemas táticos e maneiras de aproveitar jogadores leves, jovens e técnicos. Claro que contra os milionários elencos dos grandes times ingleses a disputa é quase abismal (vide a última semifinal da Liga dos Campeões e o massacre aplicado pelos Red Devils), mas é sempre um alento ao bom futebol ver um time com toques envolventes e de jovens promessas.

 

Com a saída de Adebayor e Touré para o petrolífero Manchester City, a responsabilidade está nos pés do habilidoso espanhol Cesc Fábregas e do genial, porém instável russo Andrey Arshavin.

 

Estréia na Premier League: 1 a 6 para os Gunners contra o Everton, gols de Fábregas (duas vezes), Denílson (um golaço, o primeiro, de fora da área), o zagueiro e capitão Gallas, o zagueiro dinamarquês e estreante Vermaelen e encerrando o massacre o croata e “ex-brasileiro” Eduardo da Silva.

 

Estréia na Pré-Champions League: 0 a 2 Arsenal contra o Celtic, em Glasgow, com um gol contra do zagueiro Caldwell e um gol sem querer de Gallas.

 

Felipe Conti é colorado, gaúcho, canoense, goleiro, esquerdista, aspirante a jornalista. Nascido para ser do contra, desde março de 86. Escreve costumeiramente no Grenalzito e é titular das sextas aqui do Tisserand.

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O futebol inglês tornou-se o mais rico do Mundo. O caráter comercial que assumiu nos últimos anos, sobretudo com a compra de times por investidores internacionais, numa opulenta injeção de euros e mais euros nos cofres da Premier League, alavancou times intermediários no cenário nacional e permitiu campanhas vitoriosas na Chmapions League. Mas na temporada que inicia em semanas, algo mudará. O Manchester perdeu Cristiano Ronaldo. O Liverpool administra o mesmo plantel do último ano, cujo número de títulos foi nulo. O Chelsea inicia nova era com Carlo Ancelotti. E o Arsenal segue apostando em atletas baratos e ágeis, filosofia ainda derrotada. Nenhum deles, portanto, merece o decalque de favorito à Copa dos Campeões, correndo risco, inclusive, de perderem as primeiras posições para os emergentes Everton, Manchester City e Aston Vlila na corrida interna.

 

Manchester United

O interminável Alex Fergusson promove mais uma reformulação do elenco. Como já fizera depois da Champions de 1999, quando os Diabos Vermelhos dominaram a Europa, o escocês mantêm coadjuvantes de confiança, assegura a permanência de sua defesa e aposta em novos talentos. No começo da década, errou com Nilsterooy, Saha e Kléberson, até que acertasse com Cristiano Ronaldo.

 

Agora, deve ocorrer algo parecido. Ronaldo e Tevez saíram. Giggs e Scholes resfolegam, provavelmente em derradeiras temporadas. E quem aparece para substituí-los? A eterna promessa Michel Owen, Antonio Valencia, jovem equatoriano de muita força e alguma técnica e um patrício de Cristiano, Nani, já presente há duas temporadas no elenco, cujos únicos atributos parecidos com o ex-ídolo são as firulas demasiadas. 2009 e 2010 devem mesmo ser anos de muito trabalho e minguadas conquistas para Fergusson.

 

Arsenal

O time londrino segue a mesma receita que adotou desde a saída de Henry: jogo de bola no chão, passes indolentes, tabelas fulgurantes e baixa capacidade de finalização. Fabregas, a personificação deste estilo, ainda é o maestro maior, mas agora assessorado pelo russo Arshavin e por Rosicky, hábil tcheco egresso do departamento médico, depois de longa e penosa recuperação.

 

A saída de Adebayor permite a Brendtner assumir o comando ofensivo, o que pode não ser definitivo, sobretudo pelas claras dificuldades do centravante dinamarquês em tratar a bola com os pés. Há também a ausência de Kolo Touré e um descréscimo no setor defensivo, claramente a caixa de pandora dos Gunners.

 

Chelsea

Roman Abramovich, engessado pelos petrodólares perdidos em tempos de crise, economizou na compra de jogadores, ao passo que mudou mais uma vez de treinador. Carlo Ancelotti chega ao clube com a missão de repetir a façanha que comandou no Milan e alcançar algo inédito para os londrinos: vencer a Liga dos Campeões. Para isso, dispõe do mesmo elenco que os últimos treinadores dos Blues – Grant, Felipão e Hiddink -, a única novidade é o reforço do canhoto e selecionável russo Yuri Zhirkov.

 

E isso não é pouca coisa: Petr Chec, John Terry, Frank Lampard e Didier Drogba ainda formam o sólido e longilíneio esqueleto que levou o time à final da Champions de 2007/08 e à semi de 2008/09. Há também Ballak, Kalou, Anelka, Deco, Mikel e Malouda, ou seja: o elenco mais equilobrado e forte do futebol inglês.

 

Liverpool

O time inglês que mais venceu Liga dos Campeões lida, desde o ano passado, de forma negligente com a principal Copa europeia. Há uma explicação clara e pertinente para isso: os Red’s babam, sonham, fazem planos e sofrem delírios e alucinações com a taça da Premier League, a primeira divisão inglesa – há vinte anos o Liverpool não vence o campeonato nacional.

 

E a atual temporada pode ser a resposável pelo fim desse jejum. O time não perdeu o principal jogador, como o Manchester; não carece de um atleta que decida partidas, como o Arsenal; muito menos trocou de técnico recentemente, como o Chelsea: Gerrard nasceu e morrerá no Anfield Road, é torcedor e principal nome do clube, e Rafa Benitez, o treinador, caminha para sua sexta temporada no rincão dos Beatles.

 

Além deles, há Fernando Torres, Jamie Carrager, Dirk Kuyt, Javier Mascherano, Pepe Reina… Todos motivos de sobra para inflar de otimismo os vermelhinhos conterrâneos de John Lennon.

 

Forasteiros

Manchester City

Quem contrata Adebayor, Kolo Touré, Carlitos Tevez e Roque Santa Cruz em poucas semanas sempre merece atenção.

 

Everton

O rival maior do Liverpool sempre transita pela zona periférica para a Liga dos Campeões. Na última temporada, garantiu vaga na Copa da Uefa.

 

Aston Villa

Maior surpressa do último campeonato, assegurou a permanência dos principais jogadores – John Carew, Ashley Young, Gabriel Agbonlahor –, e do competente treinador Martin O’neal.

 

Guilherme Lessa Bica

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O jogador de futebol encarna nos dias de hoje o estereótipo de algumas mulheres modernas: há um carinho e respeito pelo primeiro homem, quem lhe ensinou os primeiros passos, deu as primeiras aulas diante e longe da sociedade, mas inexiste a preocupação com a fidelidade de outrora; há que se aproveitar o que a vida lhe oferece, os prazeres que a abundância de dinheiro gera.

 

Pois o mercado europeu voltou a promover em maior escala essa promiscuidade consentida neste ano. Depois de uma janela de cifras tímidas na temporada passada, os milhões de euros voltaram a transitar no destino contrário às mercadorias que compram. Real Madrid, como já comentado aqui na semana passada, é o epicentro destas movimentações frenéticas. Mas Manchester United, que perdeu Cristiano Ronaldo, e Juventus, equipe que tradicionalmente faz aquisições pontuais e ruminadas, também desembolsaram alguns milhões de notas. Nesta semana, análises das perspectivas dos grandes clubes espanhois e italianos para o calendário que se inicia em agosto.

 

Espanha

O futebol espanhol acena com a repetição do protagonismo que exerceu na Europa na temporada passada. O Barcelona mantém a equipe que venceu a Champoions, cuja base são jogadores formados nas Canteiras catalãs, categorias de base do Barça. Há tentativas de reforçar o banco de reservas, com a contratação de Fórlan, atleta uruguaio, artilheiro por duas temporadas consecutivas da Liga, mas que esbarra na certeza de possuir uma esquadra vencedora e no alto valor pedido pelo Atlético de Madrid.

 

Já o Real Madrid, voltou à fórmula de Florentino Pérez, investindo em jogadores de reconhecida categoria, e admitindo que, afora Casillas e Raul, há tempos não revela um grande jogador. Diferente da primeira geração galáctica, quando obrigou os treinadores a mudarem de escalação todo ano – visto que se contratava um craque por temporada -, Florentino arrematou logo dois dos três melhores do mundo, e alguns coadjuvantes para os demais setores – medida que pode acelerar o entendimento interno e a conquista de títulos.

 

Itália

O Milan é quem mais perdeu nestes dois meses sem futebol de clubes europeu. Kaká era quem alçava o time de Milão ao panteão de clubes candidatos a qualquer campeonato que disputam. Sem o brasileiro, o Milan é uma equipe que recende lentidão e burocracia. Estão, por hora, amparadas sobre os pés de Pato (Rá!) e Ronaldinho Gaúcho as esperanças de Berlusconi para 2009/10. Um sintoma da insegurança dos cartolas de lá em seus novos protagonistas, é a insistência na contratação de Luis Fabiano. O que trava a negociação com o Sevilla é o preço inflacionado do atacante de indiscutível titularidade na Seleção: 14 milhões de euros.

 

Já a Inter, depois do quarto campeonato nacional seguido, reza, ora, faz pactos com entidades divinas, usa de todas as mandingas existentes para que volte a vencer a Liga dos Campeões, o que não faz desde antes do nascimento de todos os seus atletas. Mas José Mourinho já alertou os dirigentes que não detém poderes sobrenaturais, e munido da coragem que sua arrogância permite, exige reforços para que conquiste algo fora da Bota. Recebeu Kérlon, aquele guri que apareceu no Cruzeiro imitando foca e dependurando a bola no próprio nariz, o argentino Diego Milito e o português e genérico de Cristiano Ronaldo, Ricardo Quaresma. Ou seja: adornos insuficientes para ambições maiores.

 

Mas é uma senhora experiente que deve voltar a se adonar de troféus nacionais este ano. A Juventus retomou no Calcio passado o seu lugar entre os três melhores times do país. Mas penou com a limitação do elenco e o cansaço de jogadores em fase crepuscular, como Nedved. O retorno de Canavarro e a chegada de Felipe Melo devem aumentar a segurança da já sólida defesa de Turin. Porém, é na figura de Diego que se pretende resgatar, junto de Del Piero e Amauri, aquele jogo de contra-ataques mortais e ágeis, filho de um futebol pragmático e vitorioso. Os mesmo contra-ataques que no começo dos anos 90 eram feitos por Baggio, Ravanelli e Viali e, já na segunda metade daquela década, orquestrados por Zidane, o ainda jovem Del Piero e Filippo Inzaghi: os dois últimos grandes momentos da Vecchia Signora no cenário europeu.

 

Guilherme

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Florentino Perez

Florentino Pérez, pão e circo com brioches

 

Florentino Perez tem o dom de cativar as massas. Como um Getúlio, um Perón espanhol, nunca economiza empenho e dinheiro quando trabalha na esfera de grandes contratações. Foi assim há quase dez anos, na saga de aquisições milionárias, uma por ano, que encaminhou ao Santiago Bernabeu Figo, Zidane, Ronaldo e Beckham.

 

O regresso ao comando daquele que é considerado pela Fifa o maior clube do Mundo cumpriu com precisão o roteiro ambicionado por Pérez: voltou aclamado por torcedores como cartola de atitudes excêntricas, mas com magnetismo de grandes conquistas – aliás, a última Liga dos Campeões vencida pelo Real Madrid foi sob sua gestão.

 

Assim desembarcaram Karim Benzema, Raúl Albiol, Kaká e Cristiano Ronaldo. Para treiná-los junto dos demais atletas que já compunham o grupo madrilenho, Manuel Pellegrini, técnico chileno de passagem competente pelo Villareal, quando transformou o Submarino Amarelo na terceira força da Espanha, inclusive levando a equipe até as semifinais da Copa dos Campeões em 2006.

 

As contratações somam cifras impensáveis, mas parecem bem razoáveis. Benzema é o herdeiro de Henry no comando do ataque da seleção francesa, jogador de técnica refinada com os pés, ainda que domine a arte da simplicidade, indispensável aos grandes centroavantes. Albiol é um zagueiro versátil, cujo destaque no Valência autorizou-o a ser o substituto de Canavarro, de volta à Juventus. Kaká é sem dúvida a melhor aquisição para dentro do campo. Atleta centrado, decorou todo o discurso responsável que flerta por vezes com a hipocrisia que a mídia tanto exalta, mas é inegável que seu jogo vertical e eficiente não tem paralelo noutro jogador. E Cristiano Ronaldo foi contratado para ser o que Ronaldinho Gaúcho foi no Barcelona: o show man, aquele que extasia torcedores, vende camisas e também tem a coragem para resolver partidas espinhosas.

 

O único entrave que pode murchar o peito inflado de Florentino se chama Raul, e é assessorado em menor escala por Casillas e Gutti. Os espanhois que empilham desafetos com estrangeiros, sobretudo os mais talentosos, desde os tempos de Beckham e Ronaldo. Mas é verdade também que Raul não é o mesmo de há dez anos, já está cansado, acostumando-se com o banco de reservas, além de apartado há um bom tempo da Fúria. Florentino deve ter mesmo um caminho mais tranquilo e vencedor nesta nova passagem.

 

Guilherme

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Passado

Passado

 

Não foi sem um oh de estupefação que se anunciou a transferência de Kaká para o Real Madrid. Não faz muito tempo ele era taxativo ao dizer que encerraria a carreira na cidade de Milão e vestindo vermelho e preto. É verdade que o brasileiro não resolveu por conta própria se mandar para a Espanha, tampouco viabilizou sorrateiramente a saída, como Figo quando trocou Barça por Real, por exemplo. Não. O time de Berlusconi acumula dívidas impagáveis amealhadas sob o nebuloso manto que cobre as cifras na Bota. E somente por elas que Florentino Pérez, o folclórico presidente que regressou ao comando merengue recentemente, cumpriu sua promessa de campanha e comprou o meia brasileiro por 67 milhões de euros.

 

A negociação é protagonista do balé oneroso e pontilhado de boatos que se promove durante a basculante entre o fim de uma temporada e o começo de outra no futebol europeu. Além de Kaká, o meia Diego já foi anunciado como principal reforço da Juventus para os próximos Calccio e Champions League. E Zhirkov, canhoto habilidoso e que divide as atenções na seleção russa com Arshavin, migrou do CSKA para o Chelsea.

 

Ainda há muito pranto para rolar, mais do que água da cachoeira (Saravá, Vinícius de Moraes) nos olhos de torcedores órfãos de seus craques até que os mercadores da bola guardem os cheques nos bolsos. Como é sempre instigante mapear a cara dos clubes antes, durante e depois das negociações, confere algumas que já foram fechadas e outras que podem se concretizar:

 

CONCRETIZOU-SE

Jogador                Ex-Clube                     Clube Atual                     Valor (Euros)

Kaká                       Milan                           Real Madrid           67 mi

Diego                     Werder Bremen        Juventus               25 mi   

Yuri Zhirkov              CSKA                    Chelsea                   30 mi*

Marcelo Moreno   Shakhtar            Werder Bremen   2 mi (empréstimo)

Ramires                     Cruzeiro                 Benfica                     7, 5 mi

 

ESPECULA-SE

Jogador                                      Clube  Atual                           Futuro

Zlatan Ibrahimovic           Inter, de Milão             Barcelona

Amauri                                        Juventus                 Milan

Juninho Pernambucano         Lyon                         Genova 

Juan                                          Roma                           Milan

 

* Negociação em dólares.

 

Foto: Reuters

 

Guilherme

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