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Posts Tagged ‘Copa do Mundo’

Cállate, Europa!

A surpreendente superioridade latina-subdesenvolvida-radical-indígiena sobre o futebol sóbrio-pragmático-enregelado-europeu, devolveu-me, de certa forma, o prazer de assistir a uma Copa. Desde 1994 que não me emocionava com quase todas as partidas. Claro, o mundo não permite que uma criança de nove anos carregue consigo as mesmas impressões otimistas da vida quando cresce. Mas, mesmo que a celebração por uma conquista brasileira não me entusiasme de maneira igual que há 16 anos, outras vitórias vestem-se de uma mística especial, daqueles momentos cuja sensação de que a história está se desenhando diante de nossos olhos, nos assombra, nos fascina.

À exceção dos triunfos brasileiros e argentinos, equipes obrigadas a avançarem às fases decisivas pelo currículo abundante em títulos e grandes feitos recentes, um sabor especial permeia cada vitória dos demais sulamericanos. Sobretudo quando se perfilam diante de esquadras européias, bandeiras defendidas por atletas longilíneos, olhos claros e a empáfia nórdica que exala a certeza de que foi beneficiada pela seleção natural – reforçada pela presença de índios no outro lado do gramado.

Pois quando termina toda aquela hipocrisia de adentrarem o campo lado a lado, de o árbitro sacar a bola do altar pagão que a resguarda e da audição apressada dos hinos, os impérios terminam por desabar. Uma correria desabalada, uma marcha incansável é empreendida por uruguaios, paraguaios e chilenos, cumprindo uma espécie de vingança aos colonizadores que dizimaram milhões de antepassados, que impuseram sua cultura à bala, que substituíram o paganismo vigente pela religião castradora. É nos dribles debochados de Jorge Valdívia, nos lançamentos enviesados de Diego Forlán e nos chutes guaranis de Enrique Vera que a rebeldia latina reinstala a organização do caos, daquele caos que possui, claro, uma ordenação própria, mas não admite intervenções de pranchetas positivistas.

O Uruguai já confirmou presença nas oitavas, e o primeiro lugar determina o enfrentamento com a Coréia do Sul, seleção emergente e operária – ainda que de pouca tradição. Paraguai e Chile também passam. E provavelmente em primeiro. Então as chances de pela primeira vez na história das Copas as quartas de final revelarem mais sulamericanos que europeus tomam corpo. Mas são apenas projeções. Resta retomar o acompanhamento do calvário das nações do Velho Mundo – um mundo aparentemente cansado. Resta acompanhar a redenção do Novo Mundo – um mundo aparentemente vingado. Aparentemente.

Veja a classificação dos grupos aqui.

Jogos de Hoje

11h Eslovênia  x  Inglaterra

11h EUA  x  Argélia

15h30min Gana  x  Alemanha

15h30min Austrália  x  Sérvia

Guilherme

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A chegada da Copa do Mundo carrega de arrasto as tão aguardadas atualizações do Tisserand Futebol Clube. Não poderíamos passar os 30 dias de desabaladas correrias no quintal de Nelson Mandela sem introduzirmos nosso dedo onde não fomos chamados. Aos milhões de leitores tisserânicos espalhados pelos continentes da terra e satélites, planetas e demais objetos voadores pelo espaço com acesso à internet, a Equipe Tisserand deseja novamente as boas vindas, e tasca entre dentes um fique-à-vontade sincero e acolhedor.

Bom, deixando a viadagem ensebada de lado, o TFC tem o orgulho de contar com repórteres de dezenas de países, todos eles, claro, disfarçados de funcionários dos maiores conglomerados de comunicação do mundo – Rede Globo, CBN, CNN, FOX, Al Jazeera, enfim – imbuídos de sabotarem o próprio distintivo e contribuírem para a maior cobertura Blogal de todos os tempos. Perfis dos principais atletas envolvidos no torneio, resenhas deveras abalizadas sobre as partidas mais importantes e novidades ornamentais, como um quadro de apelação barata e dissimulada misturando mulheres seminuas e poesia. Ou seja, somente aquilo que realmente interessa nessa vida.

Os próximos dias, horas e semanas serão muito bons. Avisem os amigos, os inimigos, as primas, irmãs, avós, enfim, até aquela titia enxuta que chegou a ver a Laranja Mecânica em 1974. Nós voltamos já, já.

Equipe TFC

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Divorciados

Divorciados

 

Depois de uma pequena temporada na atmosfera bucólica e ventosa de Arambaré, entre coqueteis etílicos e necessárias conversas infames, regresso às margens da Capital de todos os gaúchos com uma notícia frustrante, uma outra alentadora e uma terceira preocupante. O Grêmio encerrou seus sonhos de viajar pela América do Sul na próxima temporada ao obrigar-se a comemorar um empate caseiro com o Vitória. A Seleção, por outro lado, provocou em Maradona o nervoso ritual autofágico de comer os próprios dedos em situações adversas. E a mais dramática de todas, a que carrega consigo uma nuvem obscura e fiadora do apocalipse para todos nós gremistas: o Inter é candidato ao título brasileiro, e demonstrou isso de forma inequívoca em Santa Catarina.

 

Ocorre que não sou destes bastardos que ejaculam de balde com o falo alheio, e tampouco de outra estirpe baixa, que aproveita o momento exasperante do própprio time para enchê-lo de impropérios e, assim que uma vitória de avizinhe, embriague-se em elogios superficiais e repentinos. Não. O que me sobra, tragicamente, é ruminar pensamentos sobre o selecionado de Carlos Caetano, o Dunga, e projetar o futuro do Brasil nessas Eliminatórias já quase definidas, e a preparação para a Copa.

 

Para começar, qualquer voz descrente que não concordava com um Anão no cargo mais cobiçado entre os treinadores de todas as galáxias, teve finalmente o último vão de sua boca calado. Dunga assegurou desde seus primórdios como empregado da CBF uma defesa sólida, seja na manutenção de um losango de altura imponente mas futebol qualificado: Julio Cesar, Lúcio, Juan (Agora, Luisão) e Gilberto Silva. Perscrutou com olhos atentos os alas brasileiros espalhados pelo Mundo e pinçou dois deles para o lugar de Cafu, ambos consagrados em times da primeira linha europeia: Daniel Alves e Maicon. Deu todas as chances a Ronaldinho Gaúcho – e por claras e acertadas razões, sobretudo por representar, junto de Ronaldo Nazário, o que resta de extra classe ainda em atividade – e só desistiu dele depois do próprio resignar-se a um futebol medíocre e burocrático. E ainda achou em Kaká – embora eu e o Felipe Conti não nos conformemos com essa escolha – o jogador central e senhor dos movimentos de uma meia cancha operária e eficiente. Mas foi em Luis Fabiano, atleta de trajetória conturbada, agressões a adversários em campo, expulsões recorrentes, histórico que abreviou a vida de muitos craques na Seleção – vide Edmundo –, que Dunga encontrou o herdeiro da camisa 9, de Careca e Ronaldo, ainda que talhado com menos técnica, mas dotado da inconformidade e da convicção dos grandes goleadores. Luis Fabiano deve ter providenciado uma maracujina que outra, esquecendo as confusões campais e preocupando-se com seu labor de dominar a grande área.

 

E foi todo esse conjunto harmônico que vi, pelo telão de um boteco de Arambaré, desenvolver o futebol de marcação implacável, passes dedicados e contra-ataques mortais que fomos acostumados a torcer para desde a Copa América de 2007, foi consagrado na Copa das Confederações deste ano e amputou as últimas esperanças dos argentinos em Maradona Treinador. É preciso ressaltar a capacidade de Elano nas bolas paradas, aliás, sua titularidade também passa por isso, por ser o único especialista o grupo nessa tarefa. É preciso também destacar a recente afirmação de André Santos no flanco esquerdo – ainda que Kléber mostre alguma recuperação no Beira Rio e deva receber novas chances. É preciso ainda fazer uma ressalva sobre a heresia que é escalar como titular alguém tão pouco engajado e estéril como o Robinho. Mas esse e algum outro equívoco menor podem ser consertados até o meio do ano que vem. A certeza maior é que Dunga definitivamente conseguiu forjar-se – na chuva de críticas e fogueira abundante de vaidade que cerca seu posto – um treinador competente. E que a Seleção, a despeito de oscilações naturais e discordâncias necessárias para que a acomodação não adentre o recinto, ainda é a principal favorita ao título mundial.

 

Confere aqui a classificação das Eliminatórias e a situação periclitante dos argentinos. E aqui as três rodadas que restam.

 

Guilherme Lessa Bica

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Aproveitando que as principais ligas do velho continente seguem imóveis – no que diz respeito à bola rolando, pois as contas bancárias e transações… –, continuamos falando do maior evento futebolístico da Terra, apenas um pouquinho abaixo da Segundona do Catarinense, da Copa Renner e da Taça Emídio Perondi.

 

Sou apenas “uma criança e não entendo nada” (CARLOS, Erasmo) que viu 4 Copas até hoje, as últimas. Para muitos cronistas clássicos e românticos (Fernando Calazans, Tostão, Juca Kfouri, José Trajano, Renato Maurício Prado…), foram sem sombra de dúvidas as piores da história. Nível técnico beirando zero, poucos gols e seleções mais preocupadas em não perder do que ganhar. Até entendo que o futebol tenha mudado, e em muitos aspectos para pior, mas sou adepto da tese defendida pelo Oráculo Paulo Vinicius Coelho: em toda Copa , desde 30, existiram jogos épicos, sofríveis, espetaculares, regulares… Enfim, jogos ótimos e ruins. O que muda é a maneira como tu te envolves com a história.

 

Com 8 anos de idade, de férias da prisão escolar, aproveitando um friozinho esperto de junho/julho, olhando TODOS os jogos durante a tarde, tomando “achocolatado” (Nescau e Nestlé, combinamos o post patrocinado outra hora!) e colecionando as figurinhas num álbum novinho em folha, QUALQUER COPA é especial! Com 40 anos no lombo, tendo que pedir encarecidamente para o chefe escravocrata liberar do expediente 15 minutos antes do jogo de estréia do Brasil, e depois do jogo ter que VOLTAR para trabalhar, nenhuma Copa do Mundo vai ser emocionante.

 

Dito isso, elenco a seguir 5 dos jogos mais MEMORÁVEIS (não necessariamente os melhores) que vi em Mundiais. A escolha é difícil, muitos jogos que estão vivos na mente ficaram de fora, mas decidi escolher um jogo de cada Copa e um de “bônus”.

 

5º – Portugal 1 X 0 Holanda – Copa da Alemanha, 2006, oitavas de final.

(Dia 25 de junho, no estádio Frankestadion, em Nurenberg)

 

Uma batalha. Um jogo no qual o FAIR PLAY levou uma voadora pelas costas. Novo recorde de expulsões em um jogo de Copa, quatro. Além de 16 amarelos. Felipão conseguiu arranjar briga até com Van Basten! Apesar do nível de pancadaria ser exagerado para um mundial (parecia um Bra-Pel com grife), foi um jogo extremamente tenso e emocionante. Felipão deve ter achado tudo normal…

 

Portugal: Ricardo, Miguel, Fernando Meira, Ricardo Carvalho e Nuno Valente, Costinha, Maniche (GOL), Luís Figo (Tiago), Deco, Cristiano Ronaldo (Simão Sabrosa) e Pauleta (Petit). Técnico: Luis Felipe Scolari.

 

Holanda: Edwin van der Sar, Khalid Boulahrouz, Joris Mathijsen (Rafael van der Vaart), Giovanni van Bronckhorst, Dirk Kuyt, Phillip Cocu (Jan Hesselink) , Arjen Robben, Andre Ooijer, Robin van Persie, Mark van Bommel (John Heitinga) e Wesley Sneijder. Técnico: Marco Van Basten.

 

4º – Senegal 1 x 0 França – Copa da Coréia e do Japão, 2002, primeira fase.

(Dia 31 de maio de 2002, no estádio Seoul World Cup Stadium, em Seoul).

 

Primeiro jogo, primeira zebra. Do tamanho do continente africano! A Copa do Japão e da Coréia foi triste de acompanhar, em decorrência da diferença de 12 horas no fuso horário! Que o diga Sérgio Noronha

 

Este jogo foi às 7 da manhã, portanto fácil de ver. A França era a atual campeã, favorita disparada em seu grupo (e para o título). E ainda pegaria um estreante em copas, vindo das eliminatórias africanas. Páreo corrido. Depois dessa derrota os gauleses empataram dois jogos sem gols e os senegaleses foram a grande surpresa de 2002, chegando até as quartas de finais.

 

Senegal: Sylva; Daf, Diatta, Cissé, Coly; Malick Diop, Fadiga, Diao, Bouba Diop (GOL) e Ndiaye; Diouf.

 

França: Barthez; Thuram, Leboeuf, Desailly, Lizarazu; Vieira, Petit e Djorkaeff (Dugarry); Wiltord (Cisse), Trezeguet e Henry.

 

3º – Argentina 2 x 2 Inglaterra (Pênaltis 4 x 3 Argentina) – Copa da França, 1998, oitavas de final.

(Dia 30 de junho de 1998, no estádio Geoffroy Guichard, em Saint-Étienne).

 

Disparado o melhor jogo da Copa da França, seguido de perto pela virada dos Bleus na semifinal, contra a Croácia, com dois gols de Thuram. Argentina e Inglaterra, principalmente depois da Guerra das Malvinas, sempre é um jogo nervoso. Em 86 e 90 (e depois de 98 mais um jogo, pela primeira fase em 2002) os embates já haviam sido históricos, mas este teve de tudo. De golaço do piá Owen a tentativa de assassinato de Southgate, com uma tesoura por trás em Simeone. E este já havia até cuspido na cara de um britânico.

 

Depois de uma prorrogação muito tensa, as famigeradas penalidades máximas. Mas as duas seleções mereciam seguir adiante no torneio. Crespo e Ince perderam, e Roa defendeu a última cobrança inglesa. Argentina nas quartas, onde travaria outro duelo histórico, desta vez perdendo por 2 a 1 para a Holanda, com um golaço de Dennis Bergkamp.

 

Argentina: Roa, Vivas, Ayala e Chamot; Zanetti (GOL), Almeyda, Simeone (Berti), Verón e Ortega; Batistuta (GOL) (Crespo) e Claudio López (Gallardo). Técnico: Daniel Passarella.

 

Inglaterra: Seaman; G. Neville, Adams e Campbell ; Anderton (Batty), Ince, Scholes (Merson), Le Saux ( Southgate ) e Beckham; Owen (GOL) e Shearer (GOL). Técnico: Glenn Hoddle.

 

2º – Alemanha 0 x 2 Itália – Copa da Alemanha, 2006, semifinal.

(Dia 4 de julho de 2006, no Westfalenstadion, em Dortmund).

 

Uma semifinal envolvendo dois times tri campeões mundiais, na casa de um deles. Dizer que foi um jogo nervoso é chover no molhado. A Alemanha havia eliminado a Argentina uma fase antes nos pênaltis e chegava com moral elevado. A Itália vinha aos trancos e barrancos durante toda competição, como quase sempre acontece com a Squadra Azzurra.

 

Se os dois selecionados tinham chegado desacreditados para a Copa, agora isso era passado. No tempo normal nada de gols, mas os donos da casa pressionavam. O jogo era muito bom, mas ninguém se permitia a possibilidade do erro. Aos 118 minutos de jogo, Pirlo com um passe magistral encontra Grosso na área. O lateral pega de primeira um “canhotaço de esquerda”, como dizia Januário de Oliveira, e cala um país inteiro. Dois minutos depois Del Piero aproveita o desespero alemão e decreta o fim do sonho germânico. E a Squadra seguia rumo ao tetra.

 

Alemanha: Lehman; Friedrich, Metzelder, Mertesacker; Lahm, Schneider (Odonkor), Ballack, Kehl, Borowski (Schweinsteiger); Klose (Neuville) e Podolski. Técnico: Jürgen Klinsmann.

 

Itália: Buffon; Zambrotta, Cannavaro, Materazzi e Grosso (GOL); Gattuso, Perrotta (Del Piero GOL), Pirlo e Camoranesi (Iaquinta); Totti e Luca Toni (Gilardino). Técnico: Marcelo Lippi.

 

1º – Brasil 3 x 2 Holanda – Copa dos Estados Unidos, 1994, quartas de final.

(Dia 09 de julho de 1994, no estádio Cotton Bowl, em Dallas).

 

Note a quantidade de jogadores muito acima da média em campo neste jogo: Taffarel, Raí, Bebeto, Romário, Rijkaard, Koeman, Overmars e Bergkamp. Pelo menos dois desses são CRAQUES. 5 gols em um tempo, com jogadas polêmicas, marcação forte, gols bonitos… Tudo que um jogo de Copa clássico tem que ter, e foi no “fraco” Mundial dos Estados Unidos!

 

O Brasil ainda venceria a Suécia pelo placar mínimo (cabeçada desafiadora das leis da gravidade do Baixinho) e faria a final com a Itália. E o final todo mundo conhece…

 

Brasil: Taffarel; Jorginho, Márcio Santos, Aldair e Branco (GOL) (Cafu); Mauro Silva, Dunga, Mazinho (Raí) e Zinho; Bebeto (GOL) e Romário (GOL). Técnico: Carlos Alberto Parreira.

 

Holanda: Ed de Goey; Frank Rijkaard (Ronald de Boer), Ronald Koeman, Stan Valckx, Rob Witschge; Jan Wouters, Wim Jonk, Aron Winter (GOL); Overmars, Bergkamp (GOL), Peter van Vossen (Bryan Roy). Técnico: Dick Advocaat.

 

Para saber mais

http://selecaoargentina.blogspot.com

www.zerozero.pt

http://esportes.terra.com.br/futebol/copa2006

 

Felipe Conti é colorado, gaúcho, canoense, goleiro, esquerdista, aspirante a jornalista. Nascido para ser do contra, desde março de 86. Escreve costumeiramente no Grenalzinto e é titular das sextas aqui do Tisserand.

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FifaFever

 

O futebol deixou de ser apenas um esporte para tornar-se fenômeno social há muito tempo. E talvez a Copa do Mundo seja a síntese dessa afirmação. Para entender isso, o livro Futebol ao Sol e à Sombra, do uruguaio Eduardo Galeano, é a fonte ideal. Mas quem quer apenas admirar lances, times campeões e ídolos, sem muita preocupação com o que não está sendo dito ou a forma com que está sendo, existe um documentário imperdível.

 

FIFA Fever (2005, 195 minutos, narração em português do inacabável Orlando Duarte e sim, foi produzido nos States) é um documentário que pretende comemorar o centenário da entidade máxima do futebol – 1904 / 2004 – contando histórias de todas as copas disputadas até aquele momento, desde 1930 até 2002. A Hungria de 54, a Holanda de 74 e 78, o Brasil de 58, 70, 82 e 94, a Argentina de 86, a Alemanha de 90… Todos esses grandes times famosos estão lá, mas lado a lado com ilustres desconhecidos. Para alguns isso tira o brilho do projeto. Para outros este fato torna este documentário muito mais saboroso.

 

Confesso que pensei em apontar alguns pontos negativos do filme, como o pouco tempo destinado à grandes craques e para jogos clássicos e finais. Mas imagine ter de contar a história das Copas em duas horas, que é o tempo do documentário sem os extras? Tarefa inglória e que nunca agradaria a todos. Pensei também em elogiar muito a produção, mas com o material que os velhinhos lá da Suíça liberaram pros produtores, era praticamente IMPOSSÍVEL fazer algo ruim. Mais ou menos como um diretor de cinema estragar um filme do gênero “assaltantes charmosos, corajosos e sedutores”. Tem que se esforçar para conseguir!

 

 

O filme é dividido em várias capítulos e listas dos 10 mais, que vão auxiliando na amarração da narrativa. Desde os óbvios maiores técnicos (Zagallo, Guus Hiddink, Bora Milutinovic, Bilardo…), goleiros e defesas monumentais, (Yashin, Kahn, Carbajal, Banks…) e craques com lances de encher os olhos (Pelé, Maradona, Cruyff, Platini, Zidane), até listas inusitadas e com lances e imagens pouco vistas, como os 10 maiores gols de fora da área e as dez maiores “trapalhadas” (Gíria Sessão da Tarde), tudo bem ao estilo americanóide de ver o Soccer.

 

Mas dois capítulos em especial chamam a atenção, até pela estranheza: vários minutos falando sobre as Copas do Mundo de futebol feminino (domínio total dos EUA, daí o fato de darem tanta importância) e sobre os Mundiais Sub-20! Como Brasil e Argentina são os focos deste segmento, é possível reconhecer vários jogadores que hoje são estrelas, outros que até já pararam e alguns que sumiram do mapa. Alguns exemplos: D’alessandro, Saviola, Pablo Aimar, Nilmar, Daniel Carvalho, Ronaldinho Gaúcho, Dudu Cearense, Norton, Dunga, Simeone e por aí vai…

 

FIFA Fever é um belo documentário sobre futebol. Porém é indispensável para quem gosta do esporte mais popular do planeta (há controvérsias…) pelas imagens inéditas dos mundiais disputados na primeira metade do século. Gols de jogos obscuros do torneio disputado no Brasil em 1950 são apenas um aperitivo para cenas recuperadas da Copa de 1930, a primeira, jogada no e vencida pelo Uruguai. E ainda algumas imagens da Celeste Olímpica de Andrade “Maravilha Negra”, campeã dos Jogos de 1924 e 1928. Emocionante para quem só conhece esses jogadores pelas páginas de livros, como o de Galeano.

 

Felipe Conti é colorado, gaúcho, canoense, goleiro, esquerdista, aspirante a jornalista. Nascido para ser do contra, desde março de 86. Escreve costumeiramente no Grenalzinto e, a partir de hoje, é titular das sextas aqui do Tisserand.

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