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Posts Tagged ‘Dunga’

 

Dunga fez feliz aqueles brasileirinhos que devoram Lênin e ignoram Neruda, e normalmente torcem contra a Seleção Brasileira, para que o trabalhador brasileiro – figura incauta e alienada – não seja ludibriada pelo ufanismo alardeado por nossa mídia, e considera o futebol uma ferramenta do Capeta: aniquilou o Imperialista de nossos tempos de uma forma que não fazíamos desde que a Angélica exibia sobrancelhas e coxas avolumadas, ou seja, na alvorada dos anos 90: aplicou três tentos a zero na poupança de Obama. Nos outros jogos na África do Sul, a Múmia calçou a Bota, o Joel despachou os Cangurus e uma Fúria foi arrefecida.

 

As promoções de Maicon, André Santos e Ramires ao time titular mostraram-se amplamente salutares no jogo contra os Estados Unidos. Maicon, na verdade, retomou seu posto, e com um belo gol. André Santos comprovou que joga mais que Kléber, o que não exige lá muita coisa, e deve seguir no time. Mas Ramires foi a grande confirmação. Conseguiu reproduzir com a camisa amarela o mesmo futebol que mescla a tenacidade de um maratonista etíope com o dinamismo dos grandes volantes. Participou de dois gols e cavou uma expulsão estadunidense. Além do gol de Maicon, Felipe Melo e Robinho, o Mídia Boy, ajudaram a enfeitar o placar de 3 a 0.

 

Itália 0 x 1 Egito

 

Ahmed Eid: Batoré egípcio

Ahmed Eid: Batoré egípcio

 

As dunas se eriçaram, as pirâmides estremeceram e uma centena de múmias foram vistas atravessando o deserto egípcio eufóricas, celebrando em cânticos a vitória de sua seleção diante de uma campeã mundial. A Itália contava com o neófito carcamano Rossi, cujas pernas resolveram a estreia contra os EUA, com os regressos de titulares importantes, como Canavarro e Gatuso, e nada disso bastou. Abu Terika e Zidan envolveram a Azzura com aquele mesmo toque de bola insolente que surpreendeu os brasileiros. Homos, que não é aquele adubo produzido pelas minhocas, fez o gol solitário do jogo.

 

Espanha 1 x 0 Iraque

A Fúria arrefeceu diante do Iraque, e, mesmo ensaiando aquelas linhas de passes de tontear até torcedor, os espanhóis só conseguiram o placar mínimo. Há ressalvas, como jogadores poupados e a postura a la Celso Roth dos Sadan Boys, raramente algum deles arriscava investidas no campo adversário. 

 

África do Sul 2 x 0 Nova Zelândia

A África do Sul frustrou os torcedores flamenguistas que incrivelmente sentem saudades de Joel Santana, vencendo a seleção neozelandeza por 2 a0. Os dois gols foram marcados pelo avante Parker, que divide o protagonismo na equipe com Pienaar, espécie de genérico do Davids, porém mais meia que volante, também revelado pelo holandês Ajax, no time que chegou às semifinais da Champions League em 2004. Os donos da casa dependem de um empate contra a Espanha, tarefa ingrata, para avançar no torneio.

 

Fotos: Tio Sam abatido: cronicaserrantes.wordpress.com; Ahmed Eid:nationscup.mtnfootball.com

 

Guilherme

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Esfinge magoada com derrota no final

Esfinge magoada com derrota no final

 

Uma Esfinge matreira colocou-se diante da Seleção Brasileira em terras sulafricanas. E, logo na primeira rodada da Copa das Confederações, invadiu um terreno no âmago do olhar de nosso treinador e casmurrinho camarada Dunga, sentenciando, insolente, como faz há milênios: decifra-me ou te devoro! É verdade que foi com algum esforço, mas deciframos, num 4 a 3 de fazer o trabalhador brasileiro chegar ao expediente da tarde com um atraso substancial, ainda que justificado.

 

A primeira partida de uma competição como essa sempre carrega consigo uma eletricidade própria, o que pode explicar o resultado apertado. Quem assistiu apenas ao primeiro tempo deve ter experimentado aquela estupefação amiga ao regressar para casa à tardinha ou acompanhar pelo rádio o desempenho do selecionado de Lula.

 

Mais uma vez o time oscilou momentos de uma lucidez madura, troca de passes indolentes e marcação audaciosa em terreno inimigo, com falhas individuais – sobretudo Felipe Melo -, floreios de enraivecer até um monge tibetano – vide Robinho – e uma preguiça momentânea na marcação. Com esses prós e com esse contras, foi construído o placar de 3 a 1 no primeiro tempo. Um golaço de Kaká, com direito a lençol em câmera lenta no zagueiro egípcio; além de Juan e Luis Fabiano, concluindo cruzamentos precisos de Elano.

 

Ciranda, cirandinha

Ciranda, cirandinha

 

Mas o Egito mostraria logo que não é somente um dos berços da história mundial. Há também futebol por lá. E bem jogado. A entrada de Ahmed Eid, camisa 10 abusado, e a formatação da trinca ofensiva com Aboutrika e Zidan, deixaram os defensores brasileiros de cabelo em pé. Mohamed Shawky diminuiu logo no começo do segundo tempo. E um minuto depois, o mesmo Zidan – sim, há algumas semelhanças com aquele Zidane, mas o futebol está longe de ser uma delas – arrematou com força para empatar o jogo.

 

Centroavante egípcio

Centroavante egípcio

 

Quando a pasmaceira já se havia chegado, instalado uma poltrona e se refestalava no gramado do Free State Stadium, quando os ingressos de Pato, Ramires e André Santos mostraram-se inofensivos, eis que um egípcio imita aquelas figuras que enfeitam as paredes de pirâmides da terrinha, dobra o cotovelo e impede o gol iminente de Lucio, cujo chute aparara um escanteio, num golpe de bíceps competente, mas ilícito.

 

Kaká cobrou com segurança, depois de uma reunião pouco amistosa envolvendo atletas de ambos os times e o juiz acerca da marcação ou não da penalidade.

 

 

No outro jogo do grupo, a Itália finalmente iniciou a aguardada e necessária renovação no seu plantel. O técnico Marcelo Lippi mandou a campo, no segundo tempo contra os Estados Unidos, Rossi, rapaz de 22 anos, que marcou dois dos três tentos italianos na virada sobre os americanos, e mostrou que tem na perna canhota uma habilidade que há tempos não se vê em seleções da Bota.

 

Apesar de uma baba, há que se comentar o grupo A. Onde a Espanha confirmou a vitória por 5 a 0 sobre a Nova Zelândia, o que não é lá mais do que a obrigação, visto que o selecionado do Novíssimo Continente perderia até para o União de Rondonópolis. E a África do Sul, de Joel Paizão Santana, igualou-se no marcador com o Iraque em placar nulo.

 

Amanhã tem mais Grupo A. Quinta, mas grupo B.

 

Fotos: esfinge: portalsaofrancisco.com.br ; Brasileiros: terra.com.br; Zidane: soccer-world-cup.za.org.

 

* A Terça Tisser Entrevista volta na próxima semana, com o craque norte-irlandês George Best.

 

Guilherme

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Robinho imita Jeremias: 'Quem botou pra nós beber foi o cão!'

'O cão foi quem botou pra nós beber'

 

Mesmo com toda a fama, com toda a brahma. Com toda a cama, com toda a lama, o Dunga vai levando, Chico Buarque teria composto essa música em nossos tempos e com a pequena alteração na letra caso outra situação em sua vida pregressa não o tivesse inspirado. Pois o anão mais contestado do país – é verdade que cada vez menos – segue sua sina de apresentações sob uma bruma de desconfianças, pouco convincentes e convocações recheadas de Gilbertos, Felipes e Elanos. Porém, para desespero da mídia Imperial e Bandeirante, Dunga vence. A última vitória, os 2 a 1 sobre o Paraguai, jogou o país vizinho à terceira posição, e alçou o Brasil a isolados e confortáveis 27 pontos.

 

A partida foi mais emocionante do que o esperado. Como o vazio no placar foi preenchido com gol guarany, uma atmosfera esperançosa, mas preocupada instalou-se no Big Wolrd of Arruda. El gordito Cabañas rolava junto da bola em direção à grande área brasileira e, ao sofrer uma descompostura de Juan, desabou feito donzela lívida de romances franceses do século 19, na sua fragilidade crua de filhote de baleia. Ele mesmo cobrou a falta e Elano desviou com categoria suficiente para encobrir Julio César. Tudo isso dos 23 aos 25 minutos de jogo.

 

O empate chegaria só aos 40, e depois de muita teimosia e inversões de bola brasileiras. Ela passou por Kleber, Kaká, Robinho, Felipe Melo e chegou aos pés de Daniel Alves. O lateral do Barcelona confirmou que começa a ganhar a posição de Maicon e encontrou novamente Robinho solitário em terreno paraguaio. O atacante mais marketeiro do mundo aparou de primeira, num bate-pronto hábil, igualando a peleia.

 

Já na volta para o segundo tempo do Maracatu, a Seleção estava sem a paciência que ritmou seus movimentos anteriormente. E logo aos quatro minutos, Felipe Melo arriscou com autoridade um lançamento vertical no peito de Nilmar. O menino dourado do Beira Rio optou por uma jogada parnasiana, e tentou uma assistência de futvôlei para Robinho. Os deuses do futebol não são tão injustos, e impediram, na pessoa do zagueiro paraguaio, que a bola chegasse ao Mídia Boy. Com isso, Nilmar encontrou o goleiro adversário mais desamparado que as dezenas de mães solteiras de filhos de bispos paraguaios, e marcou o gol da virada. São três vitórias consecutivas nas Eliminatórias e a confiança restabelecida para a Copa das Confederações.

 

 

Nas outras partidas, Maradona e sua estatura diminuta tiveram novamente problemas com a altitude e levaram 2 a 0 do emergente Equador. Os argentinos começam a entender porque Pelé nunca vai treinar nossa seleção. Outro destaque é a campanha do Chile, do treinador e Kamikaze El Loco Bielsa. Eles já estão em segundo, e depois de algum tempo têm uma chance concreta de regressar a uma Copa, coisa que não fazem desde 1998.

 

Resultados

Equador 2 x 0 Argentina

Colômbia 1 x 0 Peru

Venezuela 2 x 2 Uruguai

Brasil 2 x 1 Paraguai

Chile 4 x 0 Bolívia

 

Classificação

 Brasil 27

Chile 26

Paraguai 24

Argentina 22

Equador 20

Uruguai 18

Colômbia 17

Venezuela 17

Bolívia 12

Peru 7

 

Foto: globoesporte.com

 

Guilherme

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Bem bolado...

Bem bolado...

 

O Brasil segue na zona de classificação das Eliminatórias. A Seleção tem um time encaminhado para a Copa do Mundo do ano que vem e um jeito de jogar já conhecido por quase todos, o que os jornalistas que rodeiam a Granja Comary regozijam-se ao chamar de Padrão de Jogo. Nada disso, e nem o empate de ontem contra o Equador, o que não acontecia há mais de uma década – nos últimos dois confrontos na terra de Aguinaga, saímos derrotados –  bastam para assegurar a permanência Del Comandante en Chef Dunga até o Mundial da África do Sul.

 

É verdade que ele, seja por falta de experiência, seja por pura implicância com a imprensa Bandeirante, abraça causas perdidas: casos de Gilberto Silva, Josué, Adriano e Doni. Mas é também fato que Dunga escala a zaga que deve escalar, que encontrou, na Itália, o volante que a Seleção ainda não tinha, Felipe Melo, e que insiste muitos mais em mandar pra campo os melhores jogadores: a apatia de Ronaldinho Gaúcho deve ser uma incógnita para ele, como para todos os brasileiros.

 

Quarta-feira tem mais, contra os peruanos, aqui em Porto Alegre.  Antes disso, vamos às notas:

 

Julio César – Nome e atuação de imperador. Caso fosse europeu, já seria considerado o melhor goleiro do mundo. Como é oriundo do subdesenvolvido, lúbrico e libidinoso Rio de Janeiro, terá que comprovar tudo isso na Copa. Nota: 7,2.

 

Maicon – Caso curioso: jogador dependente dos músculos foi traído por um deles. A lesão no começo do jogo não permite avaliação alguma. Sem nota.

 

Lúcio – Joga com a mesma seriedade e vontade contra a Alemanha ou a Tailândia. O que é sua maior qualidade, mas seu maior defeito também. Acertou muito mais do que errou, como sempre. Nota: 6,1.

 

Luisão – A altura não compensa a falta de velocidade crônica. Desde os tempos de Cruzeiro não via futuro para ele na Seleção. Foi titular muito mais por tempo de serviço do que maior talento que Miranda ou Tiago Silva. Nota: 4,2.

 

Marcelo – Alterna boas e más atuações. Ontem, foi desastroso: lembrou os piores momentos de Roberto Carlos, mas sem a velocidade e a força do ex-latifundiário de nossa ala. Deve dar boa resposta, caso seja mantido no time para o jogo no Beira-Rio. Nota: 3,4.

 

Gilberto Silva – Volante em decadência. Após perder lugar no Arsenal para o também brasileiro e promessa prematuramente negociada para o exterrior, Denílson, deixou o campeonato inglês, o mais rico do mundo, para transitar pelas ruínas gregas. Nota: 2,8.

 

Felipe Melo – Lembra o Mauro Silva de 1994. Marca, passa e conduz a bola com a mesma facilidade. Não conseguiu faze-los com a habitual desenvoltura na tarde de ontem. Mas, para desespero da imprensa do Império, é mais volante que Hernanes e Ramires. Nota: 5,1.

 

Elano – O oxigênio escasso das alturas do Equador não fez bem a Elano. A ponto do bruxinho camarada de Dunga, no momento em que havia duas bolas em campo, recolher uma delas com as mãos e arremessar na direção do árbitro. Inchia, complacente, rapidamente livrou-se da bola e não expulsou o brasileiro. Nota: 4,2.

 

Ronaldinho Gaúcho – Sempre acredito na recuperação de craques. Quem sabe jogar, seja lá o que for, de Rugby a Peteca, desde que se dedique da forma que os pobres em talento o fazem, invariavelmente dá a volta por cima. Não parece ser o caso do Gaúcho. Em algum momento depois de perder o Mundial pro Inter, ele resolveu que não precisava mais de mobilidade. Hoje, se movimenta com a lentidão do Zidane, mas sem os recursos do francês. Nota: 2,1.

 

Robinho – Protegido de Dunga desde que emprenhou-se em disputar a Copa América de 2007. Junto de Julio César, Lúcio e Kaká, é titular fácil pra Copa. No Equador, lembrou o Robinho pipoqueiro que não amarra as chuteiras nem de Cristiano Ronaldo. Nota: 3,0.

 

Luis Fabiano – A solidão de um centroavante, quando ocorre, é a maior de todas as solidões no futebol. Luis Fabiano sofreu desse mal, ontem. Ele foi abandonado pelo restante do time. Nas duas vezes que o acionaram, levou perigo. Além de começar a jogada do gol. Mesmo assim, não me convenço de que possa ser o 9 numa Copa. Pato ainda não está pronto, mas, até o meio do ano que vem, quem sabe…  Nota: 4,8.

 

Julio Baptista – Homem de confiança de Dunga. Mesmo que nunca passe de um reserva, é nome certo pra África do Sul. Sempre que entra no time, contribui com o que tem de melhor: força, imposição física e arremates. Como o que originou o gol de ontem. Nota: 6,0.

 

Daniel Alves – Lateral de mesmo nível do Maicon. Vive grande fase no Barcelona. Tem qualidade nas bolas paradas. Nota: 5,1.

 

Josué – É útil a Dunga. Cão de guarda de pouco tamanho e muito empenho. Para desespero de todos nós, o time melhorou depois de seu ingresso. Nota: 4,0.

 

Foto: Ururau.com.br

 

Guilherme

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