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Posts Tagged ‘Tisserand’

 

Multidão acampou em frente a sede do TFC para exigir a volta do Blog. Diretoria cedeu à pressão

 

O homem começa a morrer na idade em que perde o entusiasmo, poder-se-ia ler em algum para choque de caminhão cujo condutor avançou o sinal dos lugares comuns. Uma parada estratégica, contudo, pode ser interessante, desde que o vivente tenha tesão de, num futuro próximo, inflar o peito, colocar suas intimidades (Vulgo cacete!) pra fora e dizer: chegou a hora.

Pois bem, enquanto o suposto mártir Bin Laden está fornicando com suas dezenas virgens abraçado em Alá; enquanto os eloquentes torcedores do maior rubro-negro do sul do Brasil profetizam que o Paraná vai acabar; enquanto o Juventude vira time Distrital; enquanto o torcedor do Grêmio comemora pesquisa Data Folha; é neste momento épico, em que a mulher do Valdívia tem seus minutos de fama falando algumas peraltices e bonde do Ronaldinho leva o título do Campeonato Carioca, neste momento a equipe Tisserânica atende a dezenas de e-mails, cartas e abraços bêbados: estamos de volta.

 

Dama de Cabaré

Tenho o maior respeito pelo primeiro e único time gaúcho a sagrar-se campeão intercontinental, no longínquo ano de 1983. Bem como, admiro a força de vontade das profissionais que trabalham no serviço de acompanhantes. A única forma que encontro, no entanto, para externar o sentimento do último Gre-Nal, que garantiu o Inter na final do Tradicional Gauchão, é de ter comido uma puta de cabaré. Na hora, até rola uma euforia, uma animação, depois vem um remorso. Desprezo.

As bandas da Azenha estão com elenco medíocre. Apesar de dominar 70 minutos de jogo, fizemos apenas um gol; o aloprado Guiñazu aprontou a dele e quase deu zebra. A sorte acompanha os bons, diria algum medíocre. E pode ter sido isso. Ser melhor que o Rival é pouco, muito pouco.

 

O Gigante me Espera

No melhor horário para prejudicar aqueles que irão ao Estádio Beira-Rio, no vespertino desta quarta, às 19h30min, o Inter enfrenta o Peñarol no jogo de volta das oitavas, podendo defender um valioso empate em zeros para ficar com a vaga. Gostaria até que anulassem dois gols legítimos do adversário, tal qual 2006 contra o Nacional, e dar uma dose de alegria na noite do coirmão.

A preliminar da partida do Beira aconteceu na tarde de terça-feira, entre Barcelona 1 x 1 Real Madri. Joguinho mais ou menos, diga-se de passagem.

Fabio Araujo

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Intervalo

Vinicius de Moraes, aquele rapaz inquieto, comedor incorrigível, casamenteiro inveterado, amante do uísque, de charutos e da beleza, sacramentou há algum tempo que o amor deve ser infinito enquanto dure, posto que é chama. Pois o Tisserand, nosso amado, idolatrado e abobadado blog futebológico, fará uma redução considerável em seu fogo. E sustentar-se-á, pelo menos até janeiro do ano que vem, com as lembranças provenientes de suas postagens mais memoráveis – como um fogo de chão alimentado por um liquinho.

 

A equipe Tisserânica agradece, por hora, os milhões de acessos que ainda estão por vir, e se comove verdadeiramente, tascando-lhe um upa apertado em cada dorso amigo dos outros milhares que por aqui já se abancaram. Uma vez lá que outra, nesse ínterim, reciclaremos postagens, seja regressando à Libertadores semifinalística do Grêmio, seja na Copa do Brasil locupletada do Inter por Ronaldo, como um túnel do tempo recente e anárquico encharcado de compaixão pelos órfãos que tomarão as ruas do Brasil cometendo loucuras e se despindo completamente da lucidez a partir desta leitura.

 

Mas dois mil e dez é logo ali, caro leitor, e o tempo, tal qual a uva tão seca e enrugada quanto essa tua vizinha viúva ensimesmada e bisbilhoteira, certamente passa.

 

Um abraço,

Equipe Tisserand

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‘Em 1969, eu abandonei das mulheres e do álcool. Foram os 20 piores minutos da minha vida.’
 
 
George Best
 
 
 
 
 

'Odeio táticas, elas me aborrecem'

'Odeio táticas, elas me aborrecem'

 
  

George Best forjou ainda nos amalucados anos 60 e 70 a doutrina que moldaria as atitudes dentro e fora de campo de jogadores como Renato Gaúcho, Paul Gascoine e Adriano: liberdade desregrada na vida particular, inclusive abusando de vícios incomuns para desportistas, como a bebida, noitadas enrquecidas por orgias opulentas – mesmo em vésperas de jogos –, tudo isso aliado a um rendimento impressionante nos gramados, como se as partidas fossem uma extensão dos prazeres experimentados fora delas.

 

Em campo, o norte-irlandês se transformou num Garrincha europeu, sobretudo nos anos em que defendeu e carregou o Manchester United, junto de Bobby Charlton, ao topo do futebol de clubes mundial. Não conseguiu, a despeito de tudo isso, classificar seu país a uma Copa do Mundo. Mas compensou a frustração com sequencias de dribles inacreditáveis, enfrentando as tentativas recorrentes de quebrarem sua perna – jogou numa época que as punições para jogadas desleais eram tímidas – com a arrogância e indiferença que dispensava também aos moralistas de plantão; e suportando com dignidade o caminho mais fácil para uma Copa: naturalizar-se inglês.

 

Por tudo isso, mas principalmente pela lembrança salutar de Felipe Conti, George Best é o segundo convidado das bandas do Além a ser sabatinado na Terça Tisser Entrevista.

 

Tisserand – O senhor jogou numa época em que a transgressão era uma regra, o Rock, uma febre, sobretudo na Inglaterra, onde bandas como Beatles e Rolling Stones surgiram. As músicas dessas duas bandas, por exemplo, pelos elementos contestadores que elas carregam, serviram de inspiração para o seu futebol, igualmente subversivo?

George Best – Olha, se há alguém que se inspirou em outrem foram eles. Eu sempre fui vanguardista e nunca tive medo disso. Eu tenho certeza que muitos riffs e acordes que (John) Lennon e (Keit) Richards nasceram dos meus pés. Só não os processei porque seria complicado provar que eles verteram as canções me vendo jogar. Aquela canção, Revolution, por exemplo, é a minha cara.

 

Tisserand – Mr. George Best, quem é, para o sennhor, o melhor jogador de futebol de todos os tempos?

Best – Olha, rapaz, essa pergunta é complicada. Há jogadores que marcaram história em muitos países. Mas nenhum chega perto de mim, e digo isso com toda a modéstia que sempre norteou minhas atitudes e declarações. É aquela coisa: Maradona é bom; Pelé, ótimo. Mas George, ah, o George é Best!

 

Tisserand – Quem é o George Best no atual cenário do futebol mundial?

Best – Sem dúvida, Best só houve e sempre haverá um. Aliás, aquela época nunca mais voltará. As músicas eram melhores, os jogadores eram melhores e, o mais importante: as mulheres tinham seios de verdade – mas, enfim, estou saindo um pouco do assunto. Não há alguém que me represente nos dias de hoje. O Cristiano Ronaldo poderia tentar, mas está mais preocupado em fazer as sobrancelhas e ensaiar biquinhos para as câmeras; o Kaká chega a dar sono, de tão metódico; e o Messi, além de ser argentino, não tem porte: a evolução não o previlegiou com o tamanho, e a verdadeira presunção requer uma altivez que só a altura concede. Enfim, não me vejo em ninguém.

 

Tisserand – Para encerrar, o senhor poderia deixar um recado para a guriazada que quer ser como o senhor, vencer no futebol…

Best – Bom, há que se ter talento. Acaso não haja, desista já, e dedique-se a outra atividade, sei lá, vá ser funcionário público! Algumas doses de uísque e meia dúzia de outros vícios, além de orgias descomunais, também são indicadas. Ah, e não esqueçam de ir para a escola: não há entidade que promova um desvio de caráter melhor do que ela. A receita é basicamente essa.

 

Foto: espn.terra.com.br

 

Guilherme

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A menos de um mês para o Tisserand completar quatro anos de circulação via web ininterruptos, temos o orgulho em ressaltar que muitas novidades estão por vir. Recorde de acessos, sorteio de brindes, entrevistas especiais e posts temáticos são algumas das inovações que virão, para buscarmos transformar os milhares de acessos, para centenas de milhares até a Copa de 2014.

 

Como não garantimos vaga nem na Copa da África do Sul, trilhamos caminhos truculentos para aumentar a cobertura nacional e decidimos firmar nossa bandeira em Mato Grosso, fundando a segunda sucursal do TFC, desta vez em Rondonópolis, com o nosso Enviado Especial, Jacson Rocha, o Bekinho – a primeira é localizada no Litoral Norte Gaúcho, sob o comando de Leandro Luz.

 

Por discrição e planejamento estratégico, não vamos revelar maiores detalhes da nossa escolha. Contudo, acreditamos que nossos leitores saibam na ponta da língua que o Brasil venceu cinco copas, a Itália, quatro, a Alemanha , três, Uruguai e Argentina, 2, França e Inglaterra, 1, e que o União Rondonópolis foi um dos poucos que derrotou o melhor time do Brasil.

 

No próximo mês, os primeiros escritos da nova sucursal chegarão diretamente em sua telinha, a não ser que esteja no Orkut, ou vendo putaria na web, ou algum ladrão safado tenha roubado seu computador. Bata na Madeira!

 

Aguardem.

 

Equipe TFC

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Michel Houellebecq é uma metralhadora, um serial-killer literário, como definiu Juremir Machado da Silva. Não há concessões para ele. Não há, como nunca deve haver e como, infelizmente, estamos acostumados a ver entre os medíocres, o menor resquício de pena na literatura dele. Apenas sentimentos nobres sobrevivem em seus textos. O que há, e em robusta quantidade, é amor – seja na ausência (Velada), na busca (Insinuada) ou na reflexão (Explícita) sobre ele. O mesmo amor que adensa as obras de Dostoievski, Neruda e Cortázar. Quem passa os olhos pelos romances do francês misantropo pode experimentar tudo, exceto a indiferença. Ninguém que tenha coragem de dizer o que Houellebecq diz, tem direito a ela. Ninguém.  Extensão do domínio da luta (1994), seu primeiro livro, comprova isso.   

A história é narrada por um francês de trinta anos, bem empregado no ramo da informática, solteiro (um casamento frustrado às costas), mais, solitário – como todos nós, segundo Houellebecq. A narração trata, na realidade, da decadência deste homem – ou, mais especificamente, da decadência de uma geração; ou, ainda mais especificamente, a decadência de uma espécie: a entidade homem. As liberdades conquistadas, sobretudo a partir da segunda metade do século vinte, são expostas como marco inicial de uma letargia afetiva e social nas reflexões do protagonista. Há liberdade para comer quantas muheres ele quiser; para ganhar quanto dinheiro lhe contentar; para experimentar todas as sensações que a luxúria lhe apetecer. Mas isso não basta. E a exposição é simples: “A sexualidade é um sistema de hierarquia social”. Tanto no campo sexual quanto no financeiro, há quem triunfe, mas há quem decline. O narrador vence financeiramente, mas fracassa com sobras em relação ao sexo. O trabalho o entedia, a publicidade o segrega, as mulheres o ignoram e as ilusões dos vinte anos ressecaram. Por isso as assertivas soam como o monólogo de um espectador amargurado. O que é, de fato, uma definição simplista. Mas quem melhor do que um espectador para julgar ou analisar algo, já que os protagonistas estão sempre cegos de tanta luz?

Contudo, é Raphael Tisserand, colega de trabalho do narrador, figura que encarna a antítese do ideal estético atual – baixo, gordo, atarracado, calvo e de uma feiúra comovente -, que ascende como principal personagem ou personifica com maior propriedade a derrocada dessa geração. Também empregado de informática, bem remunerado, carrega uma castidade forçada pela repugnância que causa nas mulheres. Apesar dos dissabores que a vida de três decadas lhe acumulou, ele não desiste, e cumpre com empenho o papel de lutar até o fim, até mesmo quando não acredita mais que vá encontrar algo de bom.   

Houellebecq manipula e analisa o homem, a espécie, com a mesma compaixão e seriedade que o narrador manipula e analisa Tisserand: cientistas que apegam-se a suas cobaias. É isso que pode causar tanta estranheza e revolta numa primeira leitura; mas não resiste a uma nova passada de olhos. É um romântico travestido de pragmático, como outros tantos gênios literários. Embora muitos não queiram enxergar, ele já garantiu um lugar cativo na história da literatura. Pode-se odiar, ofender, maldizer, criticar Houellebecq. Silenciar sobre ele, jamais.

Quem se interessar pela escrita cáustica do francês, pode aproveitar para adquirir os outros três romances dele, posteriores ao Extensão: Partículas Elementares, Plataforma e A possibilidade de uma ilha.  

Guilherme

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