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Refinamento a serviço do Real Madrid

Nome:  Fernando Carlos Neri Redondo.

Idade: 41 anos.

Cidade Natal: Adrogué, Buenos Aires – Argentina.

Clubes: Argentinos Juniors, Tenerife, Real Madrid, Milan.

Títulos mais importantes: Ligas Espanholas (1994/95, 1996/97), Liga dos Campeões (1997/98, 1999/00).

Função: renovar a doutrina forjada em Beckenbauer nos anos 70, cuja teoria outorga ao volante a função de sustentação técnica da equpe, nascedouro maior das jogadas de ataque, e não somente de guardião do próprio gol. 

Estilo: aristocrata liberal. De um refinamento encontrado apenas nos meias de futebol mais elegante – Zinedine Zidane –, provando não haver contradição em privilegiar a técnica atuando numa posição de natureza destrutiva. O caráter monarca do futebol de Redondo rendeu a mesma postura fora de campo. Um exemplo: a resistência à poda das madeixas argentinas que o treinador Passarela promoveu na Copa de 1998. Apenas Redondo e Caniggia desobedeceram. Apenas Redondo e Caniggia mantiveram a rebeldia do rabo de cavalo. Apenas Redondo e Caniggia não foram à França.

Influências: todo defensor que privilegiu o passe lúcido em detrimento do balão estérico – Nilton Santos. Todo canhoto cuja simplicidade genial suplantou a sedução de dribles parnasianos – Gersón. O nome Fernando Carlos já indica alguma herança real, alguma carga genética orinunda de algum reino esquecido nalgum canto do interior argentino para onde deve ter voltado após encerrar a carreira em 2004. 

Relevância: figura central na mudança de paradigam sobre os volantes. Redondo assumia com frequencia a função de meia. Na marcha paciente e persistente que a habilidade incomum para o corpo longilíneo que ostenta permitia, não raro alcançava a área adversária, conciliando os desarmes obrigatórios à função com assistências de camisa 10. O caso mais marcante ocorreu no segundo jogo semifinal da Liga dos Campeões de 1999/00, em Old Trafford. Redondo roubou a bola de um jogador do Manchester, avançou para a lateral da grande área, aplicou um drible desconcertante no zagueiro Berg, algo que mesclou toque de calcanhar e meia lua, até rolar para Raul classifica-los à final. Sir Alex Ferguson, já treinador dos Diabos Vermelhos à época, perguntava para os outros, para si mesmo, para os deuses, as mãos compondo movimentos desconexos como quem pede clemência aos céus: “O que este jogador tem nas chuteiras? Imãs?”

 

Guilherme Lessa Bica

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Champions League

 

Na última terça-feira, dia 15, teve início o maior campeonato de clubes do mundo. Na verdade o campeonato já estava acontecendo, só que numa fase “pré-Champions”. Com os grupos formados (e pelo menos dois deles são “da morte”) os embates tiveram início. Como a temporada européia ainda engatinha, alguns grandes jogos desta fase de idas nos grupos serão decepcionantes (caso de Inter e Barça, já na primeira rodada). A falta de ritmo e entrosamento dos conjuntos é evidente, mas nada que um mês com as ligas nacionais a todo vapor não resolva.

 

Segue uma breve análise (com palpite dos dois classificados à próxima fase, resultados e classificação) grupo a grupo, do que acontece no campeonato que agrega o maior número de craques no futebol terrestre.

 

Grupo A

Bayern de Munique – 3

Juventus – 1

Bordeaux – 1

Maacabi Haifa – 0

 

Os bávaros foram até Israel e mostraram sua tradicional força. O novo estilo operário e veloz de Van Gaal começa a render frutos (assim como no início arrasador na Bundesliga). Dois gols de Thomas Muller e um de Van Buyten decretaram a vitória por 3 a 0 do Bayern sobre o Maacabi Haifa.

 

A Vecchia Signora sem Diego é um time totalmente comum. Ainda mais com Alessandro Del Piero machucado. Iaquinta abriu o placar em Turim, mas o tcheco com nome de remédio Plasil igualou o marcador para o Bordeaux, dos brasileiros Fernando, Henrique, Wendell e Jussiê. E Buffon fez pelo menos dois milagres…

 

Palpite da classificação: Bayern e Juventus. Com o Bordeaux muito vivo na briga.

 

Grupo B

Wolfsburg – 3

Manchester United – 3

Besiktas – 0

CSKA – 0

 

Grafite é o nome do momento na Alemanha (e por aqui também…). Fez os três gols na vitória por 3 a 1 do Wolfsburg contra o CSKA, em casa. É um time sem grandes nomes (o mais conhecido é o nigeriano Oba-Oba Martins!), porém entrosado. E o CSKA (Guilherme e Daniel Carvalho no elenco) com problemas financeiros é coadjuvante.

 

Já o “renovado” Manchester precisou dos serviços do “garoto” Paul Scholes para derrotar o Besiktas, na Turquia, por 0 a 1. Quem conseguiu acompanhar o jogo até o final, sem dormir, afirma que… foi sofrível! Sir Alex Ferguson terá muito trabalho nesta temporada…

 

Palpite da classificação: Manchester United e Wolfsburg, com o CSKA tentando o milagre.

 

Grupo C

Real Madrid – 3

Milan – 3

Olympique de Mareseille – 0

Zurich – 0

 

Os Galácticos II estrearam contra o time mais fraco da chave, o suíço Zurich, fora de casa. 2 a 5 pros Merengues, com direito a dois gols de falta de Cristiano Ronaldo (com colaboração do arqueiro rival). Raúl, Higuaín (que agora será convocado por Maradona) e Guti, num golaço de assistência “Kakética”, completaram o marcador.

 

Vindo de resultados pífios no início do Calcio (0 a 0 com o Siena por exemplo), o Milan foi visitar o promissor Olympique de Marseille do técnico e ex-jogador francês Deschamps. Com Ronaldinho (e Huntelaar, Gattuso…) no banco, Leonardo apostou nos velhos Pirlo, Seedorf e Pippo Inzaghi pra difícil tarefa de estrear bem na França. Com dois gols do Highlander de Milão (e duas assistências do holandês camisa 10) o Milan venceu por 1 a 2. O gol do Olympique foi do argentino Gabriel Heinze.

 

Palpite da classificação: Depois deste tropeço em casa, Real e Milan. Mas este Milan 2009 é uma surpresa completa…

 

Grupo D

Chelsea – 3

Atlético de Madrid – 1

APOEL – 1

Porto – 0

 

O chato e burocrático time londrino do Chelsea encontrou o treinador perfeito: Carlo Ancelotti, chato e burocrático. Com mais um 1 a 0 (gol de Anelka), os Blues venceram o Porto, em Stamford Bridge. Helton teve grande atuação, evitando um placar mais dilatado. Mas aí Ancelotti ficaria triste; Ele prefere um placar bem magrinho.

 

Sabe onde fica o Chipre? Nem eu. Pois o Atlético de Madrid conseguiu empatar em casa com o APOEL, equipe que representa o minúsculo país europeu. O 0 a 0 talvez seja pela má influência que as seleções exercem sobre os principais jogadores do time espanhol: Diego Forlán (Uruguai), Simão Sabrosa (Portugal) e Sério Agüero (Argentina).

 

Palpite da classificação: Chelsea e Porto. Atlético de Madrid está se esforçando para ser a decepção da temporada.

 

Grupo E

Liverpool – 3

Lyon – 3

Fiorentina – 0

Debrecen – 0

 

Jogar pela primeira vez a Champions deve ser difícil para qualquer clube. Se a partida for contra o gigante Liverpool, em Anfield, o negócio fica feio. Mas os húngaros do Debrecen mantiveram a dignidade e quase engrossaram pra gurizada do Professor Rafa Benítez, que venceram por magro 1 a 0. Gol do (caneleiro) holandês Dirk Kuyt.

 

Um dos confrontos mais equilibrados desta primeira rodada (e que fatalmente definirá uma vaga à próxima fase) aconteceu entre Lyon e Fiorentina, na França. Num possível duelo de ótimos centroavantes (Gilardino e Lisandro López), quem decidiu foi o jovem meia bósnio-francês Miralem Pjanić. 1 a 0 Lyon dos brasileiros Cris e Ederson.

 

Palpite da classificação: Liverpool e Lyon, sem surpresas.

 

Grupo F

Dynamo de Kiev – 3

Barcelona – 1

Internazionale de Milão – 1

Rubin Kazan – 1

 

O jogo que todos esperavam. A volta de Ibracadabra para o San Siro, agora defendendo o Barça. Samuel Eto’o contra seu ex-clube. Júlio César, Messi, Diego Milito, Xavi… E foi um 0 a 0 com quase nenhuma chance clara de gol. A Inter jogou recuada, como se estivesse no Camp Nou. O Barcelona controlou a bola, mas sem muita vontade de se expor para atacar. O jogo de volta PRECISA ser melhor que este!

 

Andriy Shevchenko está de volta ao seu clube de origem (e de coração), o Dynamo de Kiev. O maior clube da Ucrânia inaugurou mais uma participação na Champions em casa, contra o russo Rubin Kazan. E foi surpreendido no primeiro tempo, chegando no vestiário com 1 a 0 para o Kazan, gol de Alejandro Domínguez (muito russo este rapaz!). Na segunda etapa, com direito a gol do ex-cruzeirense Gérson Magrão, o Dynamo virou para 3 a 1.

 

Palpite da classificação: Que dúvida… Barcelona e Internazionale. Sheva terá que fazer chover, algumas vezes, para classificar o Dynamo.

 

Grupo G

Sevilla – 3

Glasgow Rangers – 1

Stuttgart – 1

Unirea – 0

 

Na Alemanha um duelo entre times tradicionais, mas com elencos modestos. O Stuttgart aposta no habilidoso bielo-russo Aleksander Hleb e no interminável atacante brasileiro Cacau. Os Rangers apostam… na marcação, na força e na ligação direta defesa-ataque, como qualquer time escocês que se preze. No fim o empate em 1 a 1 foi muito bom para o time de Glasgow, e pode valer a classificação às oitavas no final da primeira fase.

 

Com dois gols brasileños o Sevilla assumiu a liderança do grupo G. Renato e Luís Fabiano determinaram o 2 a 0 pra cima do romeno Unirea. Como o jogo foi na Espanha , nada de surpreendente nesta peleja. A não ser o fato de que o treinador do Unirea é o ex-craque da seleção romena Dan Petrescu.

 

Palpite da classificação: Sevilla e Rangers, nesta ordem.

 

Grupo H

Arsenal – 3

Olympiakos – 3

Standard de Liège – 0

AZ Alkmaar – 0

 

O tradicional clube grego Olympiacos (agora treinado pelo Galinho de Quintino) recebeu a surpresa do campeonato e atual campeão holandês AZ Alkmaar. Só por quebrar a hegemonia eterna de Ajax e PSV o AZ merece nossa simpatia. E acabou dificultando o jogo para o time de Diogo (ex-Portuguesa) e Dudu Cearense. O gol grego só saiu aos 35 do segundo tempo, com Vassilis Torosidis, decretando a magra vitória por 1 a 0.

 

No limiar de uma crise técnica, de resultados e interna, os Gunners viajaram até a Bélgica buscando recuperação. Depois de duas derrotas em clássicos na Premier League (3 a 1 para o Manchester United e 4 a 2 para o Manchester City, com direito a gol e desabafo tresloucado de Adebayor), os comandados de Wenger necessitavam da vitória. Aos 5 minutos de jogo o modesto Standard abria 2 a 0! Aos trancos e barrancos o Arsenal conseguiu a virada, com direito a gol irregular (mão E impedimento no MESMO lance). O tento da vitória por 3 a 2 foi anotado por Eduardo da Silva.

 

Palpite da classificação: Arsenal e Olympiakos. A surpresa holandesa do AZ já surpreendeu demais!

 

Felipe Conti é colorado, gaúcho, canoense, goleiro, esquerdista, aspirante a jornalista. Nascido para ser do contra, desde março de 86. Escreve costumeiramente no Grenalzito e é titular das sextas aqui do Tisserand.

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Barcelona e Real Madrid são opostos complementares. Sem a alva aristocracia merengue não poderia haver a vibrante bravura catalã. Para os nascidos na Província de São Pedro, torna-se fácil compreender o sentimento que envolve esta rivalidade: ou tu estás de um lado, ou estás automaticamente do outro. O meio termo é um inadmissível e hediondo disparate! Neste caso ou estás com os conservadores, “franquistas”, neoliberais e orgulhosos de serem da capital Madrilenhos, ou estás com os separatistas, explosivos, revolucionários e orgulhosos de formarem uma “nação independente” Catalães.

 

Nesta temporada o embate entre as duas forças que dividem a Espanha futebolística, política e ideologicamente será inesquecível. As duas filosofias de futebol dos clubes estão, como quase sempre estiveram, muito claras. O Barça aposta em vários jogadores forjados na Catalunha (muitos nascidos no país Basco e por conseqüência símbolos de um povo), além de jogadores de características extremamente agressivas ofensivamente. Quem precisa defender quando os que prendem a bola no ataque chamam-se Lionel Messi, Thierry Henry e Zlatan Ibrahimovic? “Defendam vocês”, é o que deve pensar o empolgado torcedor barcelonista!

 

Só que do outro lado há um ataque completamente novo e recheado com jovens estrelas do futebol mundial. Com jogadores sedentos pela fama merengue e prontos para levar o Real às conquistas que sumiram nos últimos anos do Bernabéu. O problema é que cada um está pronto individualmente, e não como um time, com uma mecânica de jogo definida. Se no último clássico (nada menos que 6 a 2 Barcelona em Madrid) a linha de frente Madrilenha era Raúl e Higuaín, no próximo pode ser Raúl, Karim Benzema e Cristiano Ronaldo. E com Kaká armando as jogadas ofensivas. Contra este ataque (infelizmente) se faz NECESSÁRIO defender além de atacar…

 

Vamos analisar cada elenco, o que pretendem na temporada e até onde podem chegar:

 

Real Madrid

 

O Almofadinha

O Almofadinha

 

Florentino Pérez, o doidão, voltou a dar as cartas em Madrid. Sua conhecida política “não interessa o preço, vamos contratar” está de volta e fazendo estragos por toda Europa. Cinco nomes chegaram com impacto para montar um pretenso “Galácticos II”. Pelo dinheiro gasto, até poderíamos dizer isso.

 

Kaká e Cristiano Ronaldo vieram à peso de diamante. Dois Melhores do Mundo (assim como Figo e Zidane no começo da década) e que podem mudar uma partida em uma fração de segundo. Ainda para o ataque, chegou a jovem revelação francesa Karim Benzema. Jogador do Lyon e apontado como sucessor de Zidane nos Bleus, ainda parece muito verde para carregar responsabilidades nas paletas. Vem para ser coadjuvante, portanto pode jogar mais tranquilamente.

 

Muitos diziam que o técnico chileno Manuel Pellegrini nunca conseguiria montar uma equipe equilibrada com a direção contratando apenas jogadores do meio para frente. Ainda mais com os que já estavam no elenco! Portanto o zagueiro Albiol chegou do Valencia (pela bagatela de 15 milhões de euros) e o xerifão Xabi Alonso deixou o Liverpool para jogar no capital espanhola. Além de mandarem Huntelaar procurar seu futebol esquecido dos tempos de Ajax no time de Leonardo, Pato e cia.

 

O time-base merengue pode ficar assim:

Casillas, Sérgio Ramos, Pepe, Albiol e Marcelo; Gago, Xabi Alonso e Kaká; Benzema, Cristiano Ronaldo e Raúl.

 

Barcelona 

“Nós formamos craques, não compramos” – Joan Laporta, presidente do Barcelona desde 2003.

 

O Endiabrado

O Endiabrado

 

Atual campeão espanhol e da Copa dos Campeões da UEFA. Aí pega esse grupo campeão, não negocia praticamente ninguém e contrata algumas peças importantes. Dentre elas o lateral esquerdo Maxwell, da Inter de Milão. E o principal: troca teu centroavante nota 8,5 por um jaqueta 9 nota 9,5. Eto’o foi tentar a sorte na Inter e Ibrahimovic realizou o sonho de atuar no futebol espanhol.

 

O Barça segue atuando num 4-3-3 estilo holandês. Aliás, esta é a marca registrada do clube catalão: ataque impiedoso e meio de campo criativo. Frank Rijkaard, em sua bem sucedida passagem pelo comando técnico da equipe, montou um esquema no qual os atacantes abertos pelas pontas atuam com a perna preferencial “invertida”. Pep Guardiola segue montando seu time desta maneira, mas com um meio de campo mais participativo nos tabelamentos ofensivos.

 

Yaya Touré (ou Busquets) guarda posição como cabeça de área, liberando Iniesta e Xavi. Os dois jogam como Guiñazús muito mais habilidosos e com poder de chegar á frente. E no ataque… Messi pela direita, Henry pela esquerda e Eto’o (agora IBRA) no comando. E no banco o garoto forjado na base barcelonista Bojan Krkic. Desta maneira o Barcelona ultrapassou a marca de 150 gols na temporada 2008/2009. Inapelável.

 

Para esta temporada o time já tem uma espinha dorsal muito bem definida, e com acréscimos de muita qualidade. Guardiola seguirá com seu jeito tresloucado à beira do gramado do Camp Nou e armando o time que dá mais gosto de ver no futebol mundial. Só que este ano o favoritismo está carimbado na equipe, e isso pode ser um fator negativo (vide o Manchester United da temporada passada).

 

Provável time-base:

Valdés, Daniel Alves, Puyol, Rafa Márquez e Abidal; Touré, Xavi e Iniesta; Henry, Messi e Ibrahimovic.

 

Ps.: Na história d’El Clásico, as estátisticas são as seguintes:

¬ Número de partidas: 238

 

¬ Vitórias do Barcelona: 97

 

¬ Vitórias do Real Madrid: 89

 

¬ Empates: 52

 

Felipe Conti é colorado, gaúcho, canoense, goleiro, esquerdista, aspirante a jornalista. Nascido para ser do contra, desde março de 86. Escreve costumeiramente no Grenalzito e é titular das sextas aqui do Tisserand.

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O jogador de futebol encarna nos dias de hoje o estereótipo de algumas mulheres modernas: há um carinho e respeito pelo primeiro homem, quem lhe ensinou os primeiros passos, deu as primeiras aulas diante e longe da sociedade, mas inexiste a preocupação com a fidelidade de outrora; há que se aproveitar o que a vida lhe oferece, os prazeres que a abundância de dinheiro gera.

 

Pois o mercado europeu voltou a promover em maior escala essa promiscuidade consentida neste ano. Depois de uma janela de cifras tímidas na temporada passada, os milhões de euros voltaram a transitar no destino contrário às mercadorias que compram. Real Madrid, como já comentado aqui na semana passada, é o epicentro destas movimentações frenéticas. Mas Manchester United, que perdeu Cristiano Ronaldo, e Juventus, equipe que tradicionalmente faz aquisições pontuais e ruminadas, também desembolsaram alguns milhões de notas. Nesta semana, análises das perspectivas dos grandes clubes espanhois e italianos para o calendário que se inicia em agosto.

 

Espanha

O futebol espanhol acena com a repetição do protagonismo que exerceu na Europa na temporada passada. O Barcelona mantém a equipe que venceu a Champoions, cuja base são jogadores formados nas Canteiras catalãs, categorias de base do Barça. Há tentativas de reforçar o banco de reservas, com a contratação de Fórlan, atleta uruguaio, artilheiro por duas temporadas consecutivas da Liga, mas que esbarra na certeza de possuir uma esquadra vencedora e no alto valor pedido pelo Atlético de Madrid.

 

Já o Real Madrid, voltou à fórmula de Florentino Pérez, investindo em jogadores de reconhecida categoria, e admitindo que, afora Casillas e Raul, há tempos não revela um grande jogador. Diferente da primeira geração galáctica, quando obrigou os treinadores a mudarem de escalação todo ano – visto que se contratava um craque por temporada -, Florentino arrematou logo dois dos três melhores do mundo, e alguns coadjuvantes para os demais setores – medida que pode acelerar o entendimento interno e a conquista de títulos.

 

Itália

O Milan é quem mais perdeu nestes dois meses sem futebol de clubes europeu. Kaká era quem alçava o time de Milão ao panteão de clubes candidatos a qualquer campeonato que disputam. Sem o brasileiro, o Milan é uma equipe que recende lentidão e burocracia. Estão, por hora, amparadas sobre os pés de Pato (Rá!) e Ronaldinho Gaúcho as esperanças de Berlusconi para 2009/10. Um sintoma da insegurança dos cartolas de lá em seus novos protagonistas, é a insistência na contratação de Luis Fabiano. O que trava a negociação com o Sevilla é o preço inflacionado do atacante de indiscutível titularidade na Seleção: 14 milhões de euros.

 

Já a Inter, depois do quarto campeonato nacional seguido, reza, ora, faz pactos com entidades divinas, usa de todas as mandingas existentes para que volte a vencer a Liga dos Campeões, o que não faz desde antes do nascimento de todos os seus atletas. Mas José Mourinho já alertou os dirigentes que não detém poderes sobrenaturais, e munido da coragem que sua arrogância permite, exige reforços para que conquiste algo fora da Bota. Recebeu Kérlon, aquele guri que apareceu no Cruzeiro imitando foca e dependurando a bola no próprio nariz, o argentino Diego Milito e o português e genérico de Cristiano Ronaldo, Ricardo Quaresma. Ou seja: adornos insuficientes para ambições maiores.

 

Mas é uma senhora experiente que deve voltar a se adonar de troféus nacionais este ano. A Juventus retomou no Calcio passado o seu lugar entre os três melhores times do país. Mas penou com a limitação do elenco e o cansaço de jogadores em fase crepuscular, como Nedved. O retorno de Canavarro e a chegada de Felipe Melo devem aumentar a segurança da já sólida defesa de Turin. Porém, é na figura de Diego que se pretende resgatar, junto de Del Piero e Amauri, aquele jogo de contra-ataques mortais e ágeis, filho de um futebol pragmático e vitorioso. Os mesmo contra-ataques que no começo dos anos 90 eram feitos por Baggio, Ravanelli e Viali e, já na segunda metade daquela década, orquestrados por Zidane, o ainda jovem Del Piero e Filippo Inzaghi: os dois últimos grandes momentos da Vecchia Signora no cenário europeu.

 

Guilherme

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Florentino Perez

Florentino Pérez, pão e circo com brioches

 

Florentino Perez tem o dom de cativar as massas. Como um Getúlio, um Perón espanhol, nunca economiza empenho e dinheiro quando trabalha na esfera de grandes contratações. Foi assim há quase dez anos, na saga de aquisições milionárias, uma por ano, que encaminhou ao Santiago Bernabeu Figo, Zidane, Ronaldo e Beckham.

 

O regresso ao comando daquele que é considerado pela Fifa o maior clube do Mundo cumpriu com precisão o roteiro ambicionado por Pérez: voltou aclamado por torcedores como cartola de atitudes excêntricas, mas com magnetismo de grandes conquistas – aliás, a última Liga dos Campeões vencida pelo Real Madrid foi sob sua gestão.

 

Assim desembarcaram Karim Benzema, Raúl Albiol, Kaká e Cristiano Ronaldo. Para treiná-los junto dos demais atletas que já compunham o grupo madrilenho, Manuel Pellegrini, técnico chileno de passagem competente pelo Villareal, quando transformou o Submarino Amarelo na terceira força da Espanha, inclusive levando a equipe até as semifinais da Copa dos Campeões em 2006.

 

As contratações somam cifras impensáveis, mas parecem bem razoáveis. Benzema é o herdeiro de Henry no comando do ataque da seleção francesa, jogador de técnica refinada com os pés, ainda que domine a arte da simplicidade, indispensável aos grandes centroavantes. Albiol é um zagueiro versátil, cujo destaque no Valência autorizou-o a ser o substituto de Canavarro, de volta à Juventus. Kaká é sem dúvida a melhor aquisição para dentro do campo. Atleta centrado, decorou todo o discurso responsável que flerta por vezes com a hipocrisia que a mídia tanto exalta, mas é inegável que seu jogo vertical e eficiente não tem paralelo noutro jogador. E Cristiano Ronaldo foi contratado para ser o que Ronaldinho Gaúcho foi no Barcelona: o show man, aquele que extasia torcedores, vende camisas e também tem a coragem para resolver partidas espinhosas.

 

O único entrave que pode murchar o peito inflado de Florentino se chama Raul, e é assessorado em menor escala por Casillas e Gutti. Os espanhois que empilham desafetos com estrangeiros, sobretudo os mais talentosos, desde os tempos de Beckham e Ronaldo. Mas é verdade também que Raul não é o mesmo de há dez anos, já está cansado, acostumando-se com o banco de reservas, além de apartado há um bom tempo da Fúria. Florentino deve ter mesmo um caminho mais tranquilo e vencedor nesta nova passagem.

 

Guilherme

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Editor do TFC fazendo ponta em Senhor dos Anéis

Editor do TFC fazendo ponta em Senhor dos Anéis

 

Os editores do TFC, figuras míticas que atravessaram os séculos revisando pergaminhos, evoluiram com a criação e modernização da imprensa e entraram pelo Tisserand na era digital, adornados daquela barba branca e hirsuta, tal qual o Lima Duarte na novela das oito, apreciam a samaritana arte da benevolência. Para demonstrá-lo de forma mais explícita, comprometeram-se em publicar semanalmente uma escala breve mas digna dos próximos textos e seus respectivos conteúdos e autores.

 

Nos dias de hoje e amanhã, por exemplo, a Serra Gaúcha e uma constelação europeia serão os temas maiores.

 

Fabio Araujo inicia ainda hoje sua peregrinação de superstições, mandingas e outras magias negras para que o Juventude não volte nunca mais à Série A, numa série de crônicas de dar calafrios nos verdes de Caxias.

 

E amanhã Guilherme Lessa Bica esquadrinha a segunda geração dos galácticos do Real Madrid e a vocação populista de Florentino Pérez.

 

Equipe TFC

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