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Posts Tagged ‘Copa das Confederações’

For the left, for the right, in the middle...

For the left, for the right, in the middle...

 

Enfim, chegamos à esperada final da Copa das Confederações, ainda que com um equino de pelo listrado em preto e branco. Falo do Brasil, que surpreendeu os donos da casa com o 1 a 0 peleado, quando as senhoras e os senhores noveleiros já se lamentavam pela prorrogação iminente. Lá na quarta-feira, os Estados Unidos confirmaram a superioridade econômica e bélica mundial – o que leva muitos a lhes imputarem a pecha de imperialista – também no futebol, e derrotou os bambambans espanhóis com um 2 a 0 escorreito.

 

África do Sul 0 x 1 Brasil

O jogo foi assombrado pelos resultados surpreendestes que se estenderam por todo torneio, visto que Itália, Egito, de curiosa mutação zebra/favorito/eliminado, e Espanha haviam despencado do pedante salto alto não fazia muito tempo. Mas mesmo com as Vuvuzelas, mesmo com a empolgação comovente de jogadores e torcedores sulafricanos, mesmo com o nó de marinheiro tático do professor de inglês e técnico Joel for the Left Santana, mesmo assim o Brasil chegou à final.

 

A partida arrastou-se espinhosa, chances empilhando-se nas pranchetas para ambos os lados e os brasileiros encontrando mais dificuldade do que estavam acostumados. Quando chegávamos ao final, Dunga consultou alguma bola de cristal, astros, búzios ou algum crioulo pai de santo e visionário escondido nalgum canto da casamata, que lhe soprou o nome de Daniela Alves. O sobrinho do Shrek ingressou no lugar de André Santos e acertou um daqueles chutes que te fazem perder a consciência depois que vê a bola chegar às redes, seja na pelada do society com amigos bebuns, seja numa competição da Fifa.

 

Espanha 0 x 2 Estados Unidos

 

Eles querem o futebol

Eles querem o futebol

 

O imperialismo estadunidense tem um novo alvo: it’s the soccer, man! Depois de se fazer de Homer Simpson nas primeiras partidas, babando, arrotando cerveja e raciocinando com alguma lentidão, os americanos deixaram o fast food de lado e fizeram da seleção espanhola o que poucos esperavam. Permitiram a meia cancha inimiga trocar aqueles passes inofensivos e enfeitados em sua intermediária, inverterendo o jogo lentamente até parte do campo de Obama. Assim que tentavam avançar sobre a Casa Branca, defensores organizados expulsavam as investidas de Xavi, Fernando Torres e Villa.

 

Nos contra-ataques, os americanos chegaram aos dois gols: Altidore, num giro a la Ronaldo para cima de Piquet e concluindo no canto de Casilas; e Dempsey, depois da eficiente e curiosa assistência do anestesiado e adversário Sergio Ramos.

 

Domingo o Brasil reencontra os Estados Unidos, time que goleou na primeira fase. Resta a Dunga se convecer de que tem pela frente o Capitão América, e não o incauto Homer Simpson de outrora.

 

Foto: Joel: terra.com.br; Tio Sam: globoesporte.com.

 

Guilherme

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Esfinge magoada com derrota no final

Esfinge magoada com derrota no final

 

Uma Esfinge matreira colocou-se diante da Seleção Brasileira em terras sulafricanas. E, logo na primeira rodada da Copa das Confederações, invadiu um terreno no âmago do olhar de nosso treinador e casmurrinho camarada Dunga, sentenciando, insolente, como faz há milênios: decifra-me ou te devoro! É verdade que foi com algum esforço, mas deciframos, num 4 a 3 de fazer o trabalhador brasileiro chegar ao expediente da tarde com um atraso substancial, ainda que justificado.

 

A primeira partida de uma competição como essa sempre carrega consigo uma eletricidade própria, o que pode explicar o resultado apertado. Quem assistiu apenas ao primeiro tempo deve ter experimentado aquela estupefação amiga ao regressar para casa à tardinha ou acompanhar pelo rádio o desempenho do selecionado de Lula.

 

Mais uma vez o time oscilou momentos de uma lucidez madura, troca de passes indolentes e marcação audaciosa em terreno inimigo, com falhas individuais – sobretudo Felipe Melo -, floreios de enraivecer até um monge tibetano – vide Robinho – e uma preguiça momentânea na marcação. Com esses prós e com esse contras, foi construído o placar de 3 a 1 no primeiro tempo. Um golaço de Kaká, com direito a lençol em câmera lenta no zagueiro egípcio; além de Juan e Luis Fabiano, concluindo cruzamentos precisos de Elano.

 

Ciranda, cirandinha

Ciranda, cirandinha

 

Mas o Egito mostraria logo que não é somente um dos berços da história mundial. Há também futebol por lá. E bem jogado. A entrada de Ahmed Eid, camisa 10 abusado, e a formatação da trinca ofensiva com Aboutrika e Zidan, deixaram os defensores brasileiros de cabelo em pé. Mohamed Shawky diminuiu logo no começo do segundo tempo. E um minuto depois, o mesmo Zidan – sim, há algumas semelhanças com aquele Zidane, mas o futebol está longe de ser uma delas – arrematou com força para empatar o jogo.

 

Centroavante egípcio

Centroavante egípcio

 

Quando a pasmaceira já se havia chegado, instalado uma poltrona e se refestalava no gramado do Free State Stadium, quando os ingressos de Pato, Ramires e André Santos mostraram-se inofensivos, eis que um egípcio imita aquelas figuras que enfeitam as paredes de pirâmides da terrinha, dobra o cotovelo e impede o gol iminente de Lucio, cujo chute aparara um escanteio, num golpe de bíceps competente, mas ilícito.

 

Kaká cobrou com segurança, depois de uma reunião pouco amistosa envolvendo atletas de ambos os times e o juiz acerca da marcação ou não da penalidade.

 

 

No outro jogo do grupo, a Itália finalmente iniciou a aguardada e necessária renovação no seu plantel. O técnico Marcelo Lippi mandou a campo, no segundo tempo contra os Estados Unidos, Rossi, rapaz de 22 anos, que marcou dois dos três tentos italianos na virada sobre os americanos, e mostrou que tem na perna canhota uma habilidade que há tempos não se vê em seleções da Bota.

 

Apesar de uma baba, há que se comentar o grupo A. Onde a Espanha confirmou a vitória por 5 a 0 sobre a Nova Zelândia, o que não é lá mais do que a obrigação, visto que o selecionado do Novíssimo Continente perderia até para o União de Rondonópolis. E a África do Sul, de Joel Paizão Santana, igualou-se no marcador com o Iraque em placar nulo.

 

Amanhã tem mais Grupo A. Quinta, mas grupo B.

 

Fotos: esfinge: portalsaofrancisco.com.br ; Brasileiros: terra.com.br; Zidane: soccer-world-cup.za.org.

 

* A Terça Tisser Entrevista volta na próxima semana, com o craque norte-irlandês George Best.

 

Guilherme

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