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El Capitán!

El Capitán!

 

O estádio Centenário, construído de forma hercúlea nos idos da década de 20 para abrigar a primeira Copa do Mundo – 1930 –, receberá uma partida digna do tamanho de sua história. Ainda que em circunstâncias melancólicas.

 

Uruguai e Argentina decidirão uma vaga direta (ou “repescada”) para o Mundial de 2010. Para tanto, os discípulos d’El Diez necessitam da vitória diante do combalido Peru (perdão pelo involuntário trocadilho) e os comandados de Oscar Tabárez precisam de pelo menos um empate com o Equador, nas nuvens de Quito. Com esta combinação de resultados (ou algumas outras, levando em conta que nada menos que SEIS seleções disputam TRÊS vagas nas duas últimas rodadas das Eliminatórias Sul-Americanas) o embate do dia 14 de outubro em Montevideo será épico. Não como a final dos Jogos Olímpicos de 1928, na Holanda, ou na própria final do Mundial de 1930, ocasiões em que o Uruguai maravilhou o mundo com seu futebol assombroso para aqueles tempos amadores. E de quebra venceu a rival Argentina. Mas ainda assim este confronto no próximo outubro será épico em sua (dupla) decadência.

 

Quarta-feira o cimento do Centenário ameaçou ruir, mais uma vez, quando o palmeirense Pablo Armero cruzou da esquerda e o dublê de arqueiro, o botafoguense Castillo, saltou algo entre 2 e 5 centímetros para interceptar um cruzamento. 1 a 1 no placar, Colômbia muito melhor em campo, platenses com um jogador a menos. Era possível sentir a desesperança de um povo pela tela da televisão.

 

Os 3 a 1 acabaram saindo tão suavemente quanto uma prisão de ventre de sete dias e noites suarentas ao trono. Muito em função da historicamente irresponsável Colômbia, que também ficou com um homem a menos em campo, do que pela qualidade técnica dos colegas do Diego Forlán.

 

 Forlán, um Recoba melhorado

Forlán, um Recoba melhorado

 

O que fica claro para quem é amante do esporte bretão é que um dia, ninguém imagina quando ou como, o Uruguai voltará a ter uma seleção forte (não apenas no aspecto físico) e campeã. O último esquadrão Charrúa que ergueu uma taça foi o time de Francéscoli e Bengoechea, que bateu o Brasil na final da Copa América de 1995, no Centenário e nos pênaltis. Querer que a Celeste volte aos tempos de glória é uma espécie de desejo romântico de quem já chutou uma bola.

 

Apesar dos sabidos desmandos na administração das “coisas do futebol” no país vizinho ao Rio Grande do Sul, a justiça está sendo aplicada muito severa e longamente com o pessoal da Banda Oriental. O Inter é um bom exemplo do que tento dizer: teve suas glórias em décadas longínquas, passou por longos anos de inverno espesso, com uma torcida que aprendeu a carregar uma tristeza inerente ao uniforme rubro. Dilapidaram o clube e o nome da instituição, até que um dia a grandeza histórica do gigante ferido veio à tona (culminando em dezembro de 2006).

 

Isso acontecerá para a Celeste Olímpica, e o povo com ar derrotado daquele pequeno e brioso pedaço do Pampa poderá sentir o que seus antepassados sentiram. Assim como o Botafogo um dia voltará a ser Botafogo.

 

Felipe Conti é colorado, gaúcho, canoense, goleiro, esquerdista, aspirante a jornalista. Nascido para ser do contra, desde março de 86. Escreve costumeiramente no Grenalzito e é titular das sextas aqui do Tisserand.

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