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Posts Tagged ‘Felipão’

É gratificante exercitar essa tarefa promíscua que é lembrar de coisas boas. O presente fica um tanto enciumado, visto que o olhar se perde e a boca ensaia um sorriso que mistura satisfação e melancolia quando saboreamos o passado.

 

Foi mais ou menos isto que senti quando me embrenhei nos anos noventa e selecionei em minha memória o melhor Grêmio que vi jogar. Fabio e Bekinho fizeram o mesmo em abril, mas com o Inter. Começo a acertar, agora, minha dívida com a metade azul deste blog.

 

Fonte inesgotável de calafrios rubros

Fonte inesgotável de calafrios rubros

 

1 – Danrlei

Victor é mais goleiro. Mas Danrlei carrega consigo a mística de defesas impossíveis em Grenais e uma tonelada de faixas conquistadas na década de 90. É a personalidade maior do time de Felipão e dos últimos 20 anos de Grêmio.

 

2 – Arce

Um dos melhores batedores de faltas e escanteios do Mundo. Era curiosa a forma como se postava para cobrá-los: os braços soltos, como se adormecidos, e o corpo num ângulo de 90 graus em relação a bola. Maior lateral direito da história do Grêmio.

 

3 – Mauro Galvão

Os mais puristas escolheriam Rivarola. E ele é relacionado para o banco, logo abaixo. Mas Galvão era muito mais jogador, e foi tão relevante quanto o paraguaio. Comandou a zaga na final do Brasileiro de 1996, com a suspensão de Adilson, e liderou, já veterano, o Grêmio campeão da Copa do Brasil de 2001.

 

4 – Adílson

Capitão América. Havia em Adílson a mesma inconformidade encontrada em Lucio, o do Bayern, ex-colorado. Mas aliada à técnica, posicionamento perfeito e um senso lúcido da própria limitação.

 

6 – Gilberto

Roger é o maior vencedor da história do Grêmio, foi um grande lateral, embora sua verdadeira vocação fosse defender. O que logo se comprovaria com natural migração para a zaga nos anos seguintes. O Gilberto que esteve por aqui, entre 2002 e 2003, jogou mais que ele. Faltou a confirmação com um título de expressão. Mesmo assim, sempre que o assisti no Olímpico em Libertadores, principalmente, esbanjou categoria, força e muita disposição.

 

5 – Dinho

O volante mais volante que vi. Aliava força, técnica e violência (muito mais na maneira de ser, no biótipo e na expressão do rosto, do que em agressões. Embora também distribuísse seus pontapés e voadoras de quando em vez) necessárias para a posição.

 

Técnica efetiva de desarme

Técnica efetiva de desarme

 

8 – Sandro Goiano

Único titular dessa seleção que jogou pelo Grêmio na Série B. Talvez tenha sido o jogador mais importante do campeonato. Chegou em meio à competição e logo assumiu como capitão. Segundo volante mais volante que vi.

 

10 – Zinho

Foi o melhor meia no Brasil entre 2001 e 2002. Era o maestro do time campeão da Copa do Brasil, regia os operários Tinga, Anderson Lima, Rubens Cardoso e companhia. Lembro de um jogo, particularmente. O Grêmio venceu o River Plate, na Argentina, por 4 a 2, pela extinta Copa Mercosul, e Zinho, em atuação impecável, foi aplaudido de pé pelos hermanos.

 

11 – Carlos Miguel

A perna esquerda mais precisa que vi jogar no Olímpico. É gremista, e isso ajuda na escolha. Mas o que Miguel jogou entre 1994 e 1997, vencendo Libertadores, Campeonato Brasileiro e duas Copas do Brasil, poucos jogaram no Grêmio. É curioso que só seria convocado para a Seleção Brasileira quando jogador do São Paulo, em 2000.

 

7 – Ronaldinho Gaúcho

Rechaçado pela torcida depois de praticar uma manobra arquitetada pelo irmão para deixar o Grêmio sem render um tostão, Ronaldinho não integra a seleção de muitos torcedores. Sobretudo quando falhou na tarefa de derrotar os colorados no Japão. Mas o que ele fez com o Inter, enquanto esteve aqui, deve ser considerado. Eu estava no Olímpico naquele Grenal em que humilhou Dunga e decidiu o Gauchão de 1999. O Ronaldinho que ganharia o Mundo no Barça nasceu naquele dia.

 

9 – Jardel

Não vi outro jogador com mais facilidade para marcar gols. E ele fazia de todas as formas possíveis (e impossíveis). Além da especialidade, os cabeceios, chutes de dentro e fora da área, de esquerda ou direita, voleio, bicicleta, até quando acertado por um chute de outro jogador e ao aparar a bola com as bolas. Danrlei é o personagem principal dos últimos 20 anos de Grêmio. Jardel, o centroavante.

 

Treinador: Luiz Felipe Scolari

Uma unanimidade. O que ele fez com o time do Grêmio nos anos noventa, diante de tantas limitações financeiras, foi inacreditável. Se não fosse Felipão, o Palmeiras seria o maior time do Brasil na década passada, e Luxemburgo o maior treinador – na verdade, na segunda metade da década, já que Telê e São Paulo foram imbatíveis na primeira.

 

Reservas

12 – Victor

13 – Rivarola

14 – Roger

15 – Tcheco

16 – Dener

17 – Anderson

18 – Paulo Nunes

 

Menções honrosas: Saja, Agnaldo Liz, Nildo, Lucas, Carlos Eduardo, Arílson, Diego Souza e Mano Menezes.

 

Fotos: Grêmio: italodorneles,blogspot.com; Dinho: insanos.org;

 

Guilherme

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O Grêmio de 2009 é melhor que o time de Mano que tomou cinco do Boca em 2007. O Grêmio de 2009 é, inclusive, melhor que o Grêmio de Roth que entregou a rapadura para o São Paulo no Brasileirão do ano passado. O Grêmio de 2009 tem o melhor goleiro em atividade do país, três zagueiros que são tão bons com os pés quanto com a cabeça – algo fundamental em times com três defensores -, dois alas rápidos, técnicos e insinuantes e acaba de ganhar com Adílson um volante mais eficiente que Willian Magrão; além de meias e atacantes complementares. O Grêmio de 2009 tinha tudo para estrear na Libertadores empilhando gols na Universidad, do Chile. E nem essa comunhão de fatores, nem os 33 mil torcedores azuis, nem a ajuda de alguns zagueiros de “La U” que fariam corar até o comunista poeta Neruda foram suficientes para que o gol de Miguel Pinto fosse maculado.

 

Logo em seus primeiros movimentos a partida encaminhou-se para um arremedo de treino ataque contra defesa. Afora um escanteio no primeiro minuto, quando os chilenos foram soberanos e Vitor salvo por uma furada monumental, o goleiro gremista manteve-se um espectador privilegiado do jogo. O restante da primeira etapa foi marcado pela profusão de oportunidades desperdiçadas. Rever cabeceou duas vezes e a bola costeou a trave em ambas. Souza esforçou-se para errar a goleira de uma distância semelhante a um pênalti depois de passe de peito do Jonas. Tcheco obrigou o arqueiro chileno Miguel Pinto à intervenção rasteira. Jonas fez fila no flanco esquerdo da defesa sub-andina, jogou para o fedor e viu a bola ser retribuída do mesmo fedor e encaminhar-se mansa para a lateral. E Tudo isso em apenas treze minutos. Não haveria como manter tal intensidade o jogo todo. E o Grêmio diminuiu o ímpeto. Povoou a área chilena em jogadas pontuais, como chute na trave de Souza. Mas já sem a mesma energia.    

 

O fim do primeiro tempo ensaiou um gosto amargo no canto da boca dos gremistas. Notem, apenas no canto da boca. Ainda se acreditava na vitória. Os pedidos tornavam-se mais comedidos, um golzinho basta, meio gol, vá lá!

 

Pois o gosto amargo era o prenúncio de que pouca coisa mudaria. A novela do primeiro tempo repetiu-se, e com os mesmo atores: Jonas, Tcheco, Rever, Ruy alternavam-se em chances impossíveis perdidas ou impedidas de efetivarem-se em gols por Miguel Pinto. Mas a mais impressionante delas perdeu o centroavante zen budista Alex Mineiro. Tcheco ensaiou um olhar enviesado para o bandeirinha e se fez de louco para o passe de Ruy, no que logo se configurou como um corta-luz magnífico – não fosse a bola chegar aos pés de Alex Mineiro com o gol escancarado em sua frente, o bandeirinha poderia duvidar das reais intenções do capitão gremista. Enfim, Mineiro livrou-se do goleiro, enquadrou o corpo e chutou com a displicência de um Romário e o talento de um Warley. É provável que a bola nem chegasse a sair, o que provocaria risos e o constrangimento do atacante, mas um zagueiro chileno atirou-se sobre ela e empurrou-a para um digno escanteio. 

Alex no Tibet antes de vir jogar futebol no Brasil

Alex Mineiro, ainda criança, no Tibet

De resto, pouca coisa vale comentar. A atuação impecável e convincente de Adílson, que deve assegurar a titularidade, já que a concorrência resume-se aos inofensivos Makelele e Orteman. A expulsão de Marcel Diaz aos 26 minutos do segundo tempo, que pouco adiantou a um Grêmio já afoito e ansioso. E a certeza de que o cinco a zero era o placar mais adequado para o jogo.

 

O Grêmio de 2009 é melhor que o de 2007. E o Grêmio de 2009 estreou como estrearam os times campeões de Espinosa e Felipão: sem vencer. Para quem acredita em superstição, mais uma para apegar-se. Como não é meu caso, aguardo o jogo do dia onze de março, na Colômbia, contra o Boyaca Chicó. Para, enfim, comemorar um gol do Grêmio na Libertadores.

 

Foto: site img.olhares.com

Guilherme

 

 

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