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A direita, o articulista do Tisserand FC, Bekinho, comanda a Popular Guaíba

O articulista do TFC, Bekinho (D), comanda a Popular Guaíba

 

   

Colorado (a)

 

Caso você esteja lendo essas palavras é sinal de que temos algo em comum. Ao entrar nesse Galpão, você optou por celebrar o Centenário do Internacional, junto de centenas de colorados de Guaíba.

 

Para nós, é uma honra. Obrigado pela presença.

 

Mas, nesta da histórica, queremos um pouco mais de ti, Colorado. Nas próximas horas, pedimos uma entrega total ao Inter. Desprenda-se das amarras do dia-a-dia, esqueça as mazelas do cotidiano e deixe as aflições do cheque especial e contas a pagar do lado de fora deste gaudério galpão, que hoje transformou-se em nosso Tempo Vermelho. Vamos encher as mesas de alegria, as cadeiras de boas vibrações, formando uma corrente Vermelha, que irá ganhar forças junto as dezenas de festas Coloradas pelo resto do Planeta.

 

Hoje, Colorado de Guaíba, estamos fazendo história. Desfrute do almoço como se fosse um manjar em homenagens aos nossos eternos. Bodinho, Oreco, Claudiomiro, Falcão, Fernandão e todos os outros craques alvirrubros que selaram em seus corações, o Centenário Escudo Vermelho.

 

Pense que, enquanto estiver em um despretensioso bate-papo, estará fazendo-o em saudação aos inúmeros títulos do Rolo Compressor e aos craques da década de 70. Ao entrar na fila do buffet, perceba quantos coloradinhos estão surgindo. Alguns nem entenderam bem a importância do Mundial FIFA. A nova geração, sem dúvida, é Vermelha.

 

Esta tarde será para relembrar o nosso passado, Colorado. Um passado cheio de glórias, de Títulos, de Tudo. No momento em que estiver sendo sorteado um brinde, recorde do maior presente de nossas vidas, que culminou com o gol do Gabiru.

 

Somos vitoriosos, somos Primeira Divisão, somos de Guaíba. Para celebrar esta data magna Colorada, muitos de nós, sorverão uma cervejinha em saudação ao Inter. Para estes, por favor, não dirijam. No entanto, nas rotineiras idas ao banheiro, lembre o quanto amassamos o nosso rival. Todas as goleadas, todos os títulos e todas as humilhações. Após, volte revigorado.

 

Nas últimas semanas, nossos dias tiveram mais de 24 horas. Por vezes, perdemos horas de sono para organizar esta grandiosa festa para ti, Colorado de Guaíba. Neste início de tarde de 4 de abril, mostramos mais uma vez que Guaíba é e sempre será Vermelha.

 

Agradecemos a tua presença e aos nossos patrocinadores que tornaram esse sonho possível. Para encerrar, deixamos mais um pedido: quando formos cantar o Hino Colorado, cante alto, forte, com amor, com euforia, lembrando de todas as alegrias que o Inter nos proporcionou.

 

Os fundadores colorados já não estão mais entre nós. Mas permanecerão sempre em nossa história e no bi-centenário, é bem provável que não estejamos mais por aqui. Hoje é o nosso momento, Colorado. Vamos realizar a maior festa esportiva na história de Guaíba, cantar o Celeiro de Ases como nunca cantamos na vida e voltar para casa com o sentimento de dever cumprido.

 

Fabio

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 Já fui esquerdista, falso comunista, idolatrava o Che, entendia que o Chavez era um enorme sabidão e tinha plena convicção que o 11 de setembro era um mal necessário. Cresci acreditando em ideologias retrogradas, vomitando argumentos falidos, tendo a certeza que iria mudar o mundo.

 

 Aos poucos, fui abandonando minhas cartilhas até chegar ao ponto de não entender como tinha certos posicionamentos na minha vizinha juventude. Nunca imaginei tantas mudanças durante tão abreviado tempo. Um único sentimento permanece intacto: o de ser Colorado.

  

Recordei de tudo isso ao chegar na Casa Colorada, no domingo, 8, para assistir o 1 º Gre-Nal de 2009. Lembrei de todos os gre-nais da minha vida, dando destaque para o gauchão de 1997 – época de vacas magras para os colorados, bem no momento em que voltamos a ter a hegemonia do Estado. Por incrível que pareça, estava sóbrio – sorvi uma duas caipirinhas, o que, com o meu organismo tarimbado, não faz diferença alguma.

 

 Absorto, olhava para todos os lados. Casa cheia. Policial, músicos, contadores, publicitários, artistas, loucos, comunistas e reacionários, todos ali. Vestindo o mesmo manto, esperando ansiosos o toque de bola inicial. Como era a primeira vez na Casa, me prendi nos detalhes estruturais do estabelecimento. Enquanto percebia detalhes das luminárias colocadas ao chão, com uma pequena proteção para evitar problemas com os bebuns de plantão, ouvi a voz de um integrante da Popular que não é do movimento islamita extremista nacionalista, mas, conhecido como Talibã.

 

 -Vai ser 2 a 1.

  

Agora estava tranquilo.

 

 Até poderia ter me exaltado como os outros colorados da minha volta, quando um dos torcedores gritou gol no momento em que o D’Alessandro batia a falta na tv – devido ao intervalo de tempo nas transmissões de rádio/payperview. Deveria ter ficado brabo com os comentários esquálidos do gordo, sobre a permanência do Índio, após a falha primária que originou o gol deles. Mas pra mim, tudo era festa. Só esperava o segundo gol. E ele veio no finalzinho, momento em que alguns já estavam desacreditados.

  

Em uma arrancada brilhante, após a rebatida de Índio, Taison saiu em velocidade atravessou o gramado como um guepardo e lançou para Nilmar. Nesse instante, veio a tona o lance do gol do Fabiano, em 1997. Galguei um degrau e comecei a gritar, tendo a certeza do gol. Em meio a tapas, socos e abraços, só lembro de ter grunhido “igual, igual”. Após comemorar com os colorados mais próximos, percebi um senhor de meia idade já, – naqueles tempos conhecido por Bitoca – que ia no bus, na época ruim do Inter e não me contive e dei uma gravata.

 

 – Me lembro de ti no Scaranto em 97…. É nos de novo, porra.

 

 Creio que ele não entendeu muito. Pelo menos eu sabia que agora era só esperar terminar a partida.

 

 Nos minutos finais nem me apeguei muito no jogo. Fiquei pensando na força do Inter, em poder unir pessoas tão diferentes: mais a frente, o prefeito; pouco atrás, a ala feminina; no fundão claro, a Popular Guaíba; e espalhados pelo pátio, pessoas de diferentes áreas, etnias, condições sócio-econômicas, tendo como principal elo o amor pelo nosso Colorado.

  

Nunca tinha ido na Casa Colorada. Confesso que estava bem receoso, porque na Refinaria sempre dava Zebra. Mas em um local aconchegante, pé-quente, a Casa conseguiu reunir a família colorada de Guaíba, reavivando algumas lembranças que já estavam guardadas no baú do esquecimento.

 

 Fabio

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Caro amigo ladrão.

Perdoe-me por usar deste recurso, mas como nem imagino seu nome, tampouco seu endereço ou telefone, quero te falar algumas coisas por aqui.

Na sexta-feira à noite, quando encontrei meu apartamento completamente revirado, juro que tive vontade de te perseguir até a China e te-cagar-a-pau – apesar de não conseguir matar uma mosca. Com o tempo, percebi o quanto eu e minha esposa fomos privilegiados por não estarmos em casa no momento da tua investida. Talvez tu soubesse que não estávamos, então, fico agradecido.

Ao registrar ocorrência policial, me senti adentrando no mundo da estatística, sendo mais um lesado do rotineiro “furto em residência”, que cansei de noticiar nos últimos anos, aqui na imprensa local. Ao ler o “Boletim”, antes de meu nome, vinha a palavra “Vítima”, eis o motivo de estar escrevendo esta carta: a vítima não sou eu, e, sim, você.

Calma, te explico.

É provável e plenamente aceitável que não esteja entendendo o que falo, pois todos os livros que tinha em meu apartamento continuaram no mesmo lugar. E eles estavam ali, prontinhos para serem furtados. Essa é a nossa diferença, amigo – se é que posso te chamar assim. O sol nasce pra todos. Sempre. O que nos diferencia não é nossa cor ou classe social. O que te torna vítima são tuas escolhas.

E não me venha com discursos que és um excluído, que não tem outra saída a não ser viver às margens de uma sociedade hipócrita e bla-bla-blá. Sempre há saída, basta querer.

Entendo que deve ser chato olhar para o teu vizinho que consegue adquirir diversos bens através do roubo e do tráfico. É mais cansativo ter que batalhar num trabalho correto. Mas acredite, muitos optam por esse caminho. E pena, você não escolheu.

Hoje os teus dias estão contados.

E não é uma ameça, longe disso. Mas se tu gostasse um pouco de leitura – o mínimo que fosse -, perceberia o que acontece com os que optam pelo mundo da criminalidade. Sempre estoura no mais fraco.

Para mim não será fácil, pode ter certeza. Ainda tenho 14 prestações do notebook que tu já deves ter trocado por umas pedras por aí. Deve ter ganhado uns trocados, tudo bem, mas há de convir comigo, se arriscando ao extremo. Já eu, vou continuar com minha vida, procurando mais oportunidades que não se cansam de aparecer. E acredite: elas aparecem pra ti também e deixas passar.

Em breve, vou recuperar tudo o que me levaste e, ainda por cima, irei adquirir experiência com isso. Depois do susto, percebi o quanto amo minha esposa e nos tornamos um casal mais forte. Apesar de não ter dinheiro para pagar minha mensalidade – e não poder assistir Inter e Chivas, no Beira-Rio -, o que me deixou profundamente revoltado, considero que esse episódio foi importante para meu amadurecimento.

Te desejo sorte nessa caminhada ao buraco sem fundo. Apesar de ser o lesado do momento, a verdadeira vítima dessa história tu deves saber bem quem é.

Um abraço

Fabio
 

 

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