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Posts Tagged ‘Vitória’

Giuluano Matos / Gazeta Press

 

A Sulamericana, aquela competição infame que estragou o final de ano de todos nós gremistas no limiar do verão passado e postergou a consagração de Sebastian Verón para a Libertadores deste ano, começa a definir seus verdadeiros postulantes, encaminhando os dezesseis times das oitavas de final.

 

Na noite de ontem, o Coritiba escalou a escada asceta e pedregosa que leva ao paraíso da remissão quando igualou os 2 a 0 sofridos para o Vitória no jogo de ida. Ney Franco já projetava a recuperação no Campeonato Brasileiro, embalado em sonhos densos de triunfos do Coxa em campos internacionais, fazia planos para o futuro, uma casa no litoral, talvez, por que não?, exorcizava os demônios do pessimismo com os gols de Marcelinho Paraíba e Renatinho e marchava confiante para os pênaltis.

 

Mas esquecera de chamar o zagueiro Gessy para um bate papo amigo, convencê-lo de fazer a cobrança da penalidade como todo defensor honrado deve, uma marretada digna exatamente no meio do gol, infalível. Gessy não o fez, deslocou o goleiro como se fosse um Souza, um D’Alessandro, e jogou a bola e as esperanças do Coritiba para a sarjeta. O Vitória, cuja classificação confirma o reerguimento ameaçado no brasileiro desde que Vagner Mancini reassumiu, aguarda a definição do amalucado confronto entre o boliviano Blooming e o uruguaio e cover River Plate. O primeiro confronto encerrou-se com apenas 45 minutos, em virtude da invasão e agressão promovida por um torcedor da Bolívia num atleta do River, quando o placar era de 1 a 0 para os forasteiros.

 

Outra peleja ardida e controversa ocorreu no Estádio Defensores del Chaco, em Assunção – para os não iniciados na leitura de mapas e demais artes georgráficas, capital paraguaia. Pois a abençoada LDU, consagrada recentemente quando adonou-se da Recopa Sulamericana, fez valer o 1 a o sobre o Libertad no jogo de ida e fatiou o empate em um gol, suficiente para avançar.

 

Os paraguaios, que já travam diálogos nada amistosos com o governo brasileiro pela pendenga com Itaipu, somaram a esse imbróglio mais um desentendimento diplomático, indignados com dois gols anulados no final da partida pelo árbitro brazuca Paulo César Oliveira. Ainda assim, o olho indiscreto e fofoqueiro das câmeras televisivas desmentem as suspeitas guaranis e confirmam o acerto do juiz canarinho.

 

A Liga espera por River Plate, o verdadeiro, e Lanús, que venceu a primeira partida, em território inimigo, o Monumental de Nuñez, pelo placar de 1 a 2.

 

O Inter, como atual campeão, não participou da primeira fase, e enfrenta a Universidad, de Chile, nas oitavas, a mesma equipe que integrou o grupo do Grêmio na Libertadores deste ano.

 

Jogos de Hoje

Atlético MG x Goiás

Flamengo x Fluminense

Rver Plate (URU) x Blooming

 

Guilherme Lessa Bica

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Velhinha de Taubaté lendo O Tisserand FC

Velhinha de Taubaté lendo o Tisserand FC

 

Para os que não me conhecem pessoalmente, adianto que vejo pessoas mortas. Os espíritas e seguidores de religiões Afro que me leem, não encontrarão anormalidades nessa informação. Contudo, para mim, que não acredito nisso, é um tanto desagradável.

 

O último contato que tive com pessoas não vivas foi ontem à tarde, no empate em 0 a 0, com o Vitória, no Gigante da Beira-Rio. Estava na Superior, embaixo do Placar Eletrônico, encarangado de frio, ouvindo os xingamentos dos injuriados torcedores que não aguentavam o baixo rendimento do time reserva de Tite.

 

Passava dos 20 minutos da segunda etapa, momento em que percebo uma senhora de cabelos grisalhos, com um pulôver cor-de-rosa bem claro – semelhantes a que tinge calcinhas de algodão – com uma cestinha verde com bolinhos de polvilho.

 

– Aceita um, meu filho?

 

Ao meu redor, somente xingamentos ao Marcelo Cordeiro, Maicon e Alecsandro. Nem mesmo os ambulantes envaretaram com os famosos bolinhos da Velinha de Taubaté.

 

Não, obrigado. Acabei de comer um Morte Lenta a quatro pila, respondi, um pouco nervoso.

 

Ela tinha uma aparência frágil, com ares de engraçada e interessante, como somente a nossa vó consegue ser, o que me tranquilizava, de certa maneira. Mas vovó, continuei, pelo pouco que sei da senhora, o seu enterro ocorreu em 2005. O teu coração não resistiu às falcatruas do Governo que estavam sendo divulgadas na Imprensa. A senhora lembra disso?

 

– Isso é história, filho. Com o passar dos anos, abandonei minhas expectativas com o Governo. Na época das diretas, já tinha saltado do barco. Mas fiquei com a Fama, sabe como é…

 

Na época do Rolo, ela já era uma balzaquiana

Na época do Rolo, ela já era uma balzaquiana

 

– Então a senhora ainda esta viva? – questionei, tentando abraçá-la, fazendo gestos desconexos e apalpando o vento, arrancando comentários maldosos dos que estavam mais próximos.

 

– Não, não, meu filho. Morri mesmo em 2005. De desgosto. O que fizeram com o nosso Inter é algo que o meu coraçãozinho não aguentou. As coisas pareciam ter perdido o sentido pra mim.

 

-Tu é colorada, então? Sempre achei que não acompanhasse futebol, ou que torcesse para o saudoso BURRÃO – o Esporte Clube Taubaté – que hoje, por sinal, perdeu para o Jacareí, mas continua figurando na frente dos não menos fulgurantes Joseense, Primeira Camisa e ECUS, pela divisão de acesso do Paulista.

 

– Não, não meu filho. Sempre gostei do Vermelho. Por anos, quando poucos acreditavam que a coisa iria mudar por aqui, segui firme com o nosso Colorado. Em 2005, tive a temerosa conversa com São Pedro, mas ele foi bem honesto comigo, salientando que a partir daquele momento tudo em que eu acreditava, começaria a ocorrer. E está acontecendo. Às vezes, venho aqui matar a saudade. Na partida de hoje, tenho a impressão que somente eu acredito nesse time.

 

Na verdade, não, vovó. A nossa torcida ficou mal acostumada, depois destes anos em que passaste a fazer companhia ao Getúlio. Hoje, mesmo jogando com um titular e meio a partir do segundo tempo, o empate contra o quarto colocado do Brasileiro é considerado um mau resultado. Mesmo estando na final da Copa do Brasil, Recopa e líder – em pontos – do Brasileiro. Amanhã (hoje), os Blogs Colorados, sites e imprensa em geral estarão fazendo terra arrasada, xingando Tite e Cia LTDA. É assim que funciona.

 

Depois de um resultado positivo, volta ao normal.

 

– É verdade, meu filho. Mas uma coisa eu tenho que concordar com eles: o Marcelo Cordeiro é o que sobra de um Grapette dormido de cinco dias.

 

E é verdade.

 

Fotos: Velhinha: olhares.com; Rolo Compressor: museudosesportes.com.br.

 

Fabio

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Deixaram o homem trabalhar

Deixaram o homem trabalhar

 

Há na democracia uma dignidade, um caráter humano, sobretudo, de conceber as escolhas de forma coletiva, de delegar a todos o direito do comando – ao menos naquela utopia que reside em minha cabeçorra sonhadora. Pois a rodada de ontem do Brasileiro promoveu uma ode aos democratas (Não os do lado negro da força!). A vitória do Atlético Mineiro – time do saudoso e único homem a ostentar um bigode invisível na história da humanidade, Celso Roth – sobre o Náutico por 3 a 0, retirou do poder um ditador rubro e devolveu a esperança a outras equipes que ainda ambicionam chegar lá. Já Grêmio e Inter persistiram na árdua tarefa de enfeitar o placar com aquele número arredondado que nada representa.

 

No Beira Rio, TiLte escalou o que tem de pior no elenco, ou seja, um time de bom nível técnico e com aquela desorganização natural de quem nunca joga junto. Como o Vitória não mete lá muito medo, arrancou um empate justo, diante das circunstâncias. O jogo serviu para mostrar que Michel Alves pode ser titular, haja vista as intervenções a la Victor em três arremates insinuantes dos baianos. O Inter levou algum perigo quando Andrezinho e Taison foram a campo na segunda etapa, mas despidos, sempre, da convicção que move os vitoriosos.

 

Bye, Bye, Clemer!

Bye, Bye, Clemer!

 

Quem tem lágrimas a derramar e queixumes a distribuir no ombro amigo é o Grêmio. Apesar da evidente dificuldade apresentada em quase todo o jogo na redistribuição do time no famigerado quatro quatro dois, o Tricolor criou com uma facilidade inacreditável três chances cristalinas de gol nos primeiros oito minutos. E com uma displicência proporcional a ela, perdeu todas. Tcheco na trave, e Alex Mineiro, cujo vagar Zen Budista parece ter contaminado o time que pouco fez nos 82 minutos restantes, foram os protagonistas. O placar vazio terminou por ser comemorado mais com alívio do que com alegria, depois da expulsão do neófito e inconseqüente Douglas Costa.

 

Vamos dar as mãos

Vamos dar as mãos

 

A rodada ainda concebeu uma partida amalucada no Couto Pereira, com cinco tentos anotados para o Coritiba e nenhum para o Flamengo. E permitiu ao Atlético Prrrrrr confirmou a ascensão paranaense e também chegar à primeira vitória, provando concomitantemente a oscilação de montanha russa pela qual passa o Sport, o que transformou a Ilha do Retiro numa casa promíscua, longe da Bombonilha de outros tempos.

 

De resto, vida longa a Celso Roth – e que ele transmita o cargo de líder somente a times de três cores, de preferência em azul, preto e branco. Abaixo, os números desta rodada e as abundantes modificações na classificação, inerentes a qualquer início de campeonato.

 

Resultados

São Paulo 1 x 1 Santo André

Sport 0 x 1 Atlético-PR

Botafogo 2 x 0 Santos

Coritiba 5 x 0 Flamengo

Fluminense 0 x 0 Grêmio

Atlético-MG 3 x 0 Náutico

Goiás 0 x 0 Corinthians

Palmeiras 3 x 1 Cruzeiro

Internacional 0 x 0 Vitória

Barueri 3 x 1 Avaí

 

Classificação

Atlético-MG 14

Internacional 14

Palmeiras 11

Vitória 10

Santos 9

Fluminense 9

Grêmio 8

Corinthians 8

Náutico 8

Cruzeiro 7

Flamengo 7

São Paulo 7

Goiás 7

Santo André 7

Barueri 7

Botafogo 6

Sport 5

Coritiba 4

Atlético-PR 4

Avaí 4

 

Fotos: Roth: esportes.uol.com.br; Fred e Rafa Marques/ Michel Alves: Clic Esportes.

 

Guilherme

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