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Posts Tagged ‘San Martín’

Libertadores é a Cameron Diz dos olhos de times sulamericanos

La Copa é a loira dos olhos de times sulamericanos

 

O que resta das oitavas da Libertadores, depois do confronto fulgurante entre Palmeiras e Sport, transformou-se num enredo de filme hollywoodiano previsível (Acaso não são a mesma coisa?) . Todos sabemos que Boca, Cruzeiro e Estudiantes vão passar às quartas; como sabíamos que Grêmio o faria ontem, contra o San Martín.

 

Aliás, a partida do Olímpico foi um manancial de lances patéticos, felizmente protagonizados, todos, pelos jogadores do Peru. No primeiro, o camisa 16, ídolo peruano, Pedro García, marchava para uma dividida herdeira de todos os confrontos bélicos que precederam a Libertadores, na direção do zagueiro Thiego. Estava claro que o atacante do San Martín chegaria antes na bola. Ele também notou. E arremessou , contundente, a perna direita. Tudo ocorreria como deve, a bola seria chutada contra Thiego, rumaria para uma lateral, vá lá! Mas com García, o Romário dos pobres, coisas pouco usuais acontecem. Ele afundou o pé na grama, perdeu completamente o equilíbrio e caiu de boca nas partes pudendas do jovem defensor tricolor, a esta altura não sabendo se esbaldava-se com o assédio ou constrangia-se por participar de um lance ridículo.

 

Cada um tem o Romário que merece

Cada um tem o Romário que merece

 

Cenas bizarras repetiram-se até o final do jogo: o meia Diaz, camisa 10 (Uma heresia!), recebeu passe de um escanteio, olhou para Victor e chutou no bandeirinha, na lateral oposta do gramado. E o goleiro Butrón, ah, o grande goleiro Butrón (!), chegou ao limite do amadorismo. A bola insistia em permanecer na grande área peruana, um zagueiro andino havia tocado nela com os pés. Malandramente, o goleiro olhou para o árbitro, franziu a testa e soltou: ‘Jo lo puedo agarrarla con las manos?’ (Um abraço aos professores de español). Diante da hesitação do juiz, constrangido como Thiego e tentando manter a seriedade, Butrón achou prudente encaminhar a bola para a linha de fundo com os pés.

 

Jonas e Herrera fizeram os gols do Grêmio, que arrastou-se em campo e teve poucos destaques. Além dos goleadores da noite: Maxi López e Victor reafirmaram a boa fase.

 

 

O que resta das oitavas será definido hoje à noite. O Estudiantes vai confirmar no Paraguai, contra o Libertad, a classificação que encaminhou na semana passada com o 3 a 0. O Cruzeiro, da mesma forma, assegura, em Minas, que é o adversário do São Paulo. E o Boca deve vencer o Defensor, mesmo em Montevidéu, e decidir na próxima semana, na Argentina.

 

Para o Grêmio, só há Libertadores dia 27, daqui a duas semanas, em terra do comandante e ex-astro de série mexicana Hugo Chávez, contra o time com nome de capital: Caracas.

 

Fotos: Cartaz do filme: cinepop.com.br; Pedro García: esportes.uol.com.br.

 

Guilherme

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Grêmio e San Martin

Grêmio e San Martín

 

Enquanto Boca Juniors, São Paulo, Cruzeiro, Palmeiras e Nacional forjam trincheiras, acumulam mantimentos e armam a cavalaria para peleias inomináveis e mortais contra homens feitos, conhecedores da Latino América, nas oitavas da Libertadores, o Grêmio cuida de uma criança de cinco anos chamada Martín, com fama de Santo, mas futebol de pagão. Como qualquer equipe obstinada a comandar a América, o Tricolor invadiu o berçário alheio e derrotou o menino em seu próprio pebolim: 3 a 1. Gols de Maxi López, dois, e Souza, para variar um pouco. Mas, como bom pescador que é, o Martín descontou: tento do pugilista e centroavante colombiano Arsuaga.

 

A partida começou à feição do Grêmio. O San Martín atirava-se ao campo adversário e se descuidava de brechas na própria defesa, como qualquer jogador da NBA que pegou um jens emprestado do Romário e insiste em puxá-lo até a cintura, descobrindo, obviamente, as canelas. Pois numa dessas distrações, Souza deixou o marcador deitado e chutou firme de canhota para abrir o placar.

 

O gol não animou o Grêmio. Ao contrário: a criança Martín deixou o campo, e um adolescente rebelde e assanhado entrou em seu lugar, como esses que costumam se eleger presidentes bolivarianos. O meio-campo do Grêmio transformou-se em território peruano e os cruzamentos repetidos à exaustão foram premiados ao final do primeiro tempo. Arsuaga aplicou o drible em Fabio Santos no mesmo toque em que dominou um lançamento longo e envolvente, e completou, no toque seguinte, maculando as redes de Victor.

 

Os 45 minutos iniciais terminavam como deveriam, em enfadonha igualdade: de um lado, um adolescente corajoso, mas incapaz de cuidar do próprio nariz; de outro: um adulto medroso, mas sábio sobre as coisas da vida.

 

Pois Marcelo Rospide deve ter umedecido os jogadores com aquela mijada amiga durante o intervalo, digna das grandes mudanças de comportamento. Porque logo aos 25 segundos de reingresso ao jogo, Souza confirmou a condição de jogador mais importante do Grêmio na Libertadores e alçou a bola até a cabeleira luzidia de Maxi López. O argentino adiantou-se à zaga e escorou para o gol.

 

Esse foi pra ti, Vanda!

Esse foi pra ti, Wanda!

 

O resultado já era satisfatório, mesmo que a atuação não correspondesse. Estava encaminhada a vaga, até uma derrota por 0 a 1 no Olímpico faria o Grêmio avançar às quartas. Mas ainda faltava um gol. Jonas recebeu belo passe de Ruy e trotou para a linha de fundo, simulou um cruzamento e driblou o marcador, um peruano displicente, jogando a bola para dentro da área, antes que ela cruzasse a linha de fundo. Lá estava, como sempre, Maxi López. Ali, naquela cabeçada, ele deve ter finalmente assustado quem torce contra os azuis. Porque não foi simplesmente um gol. Foi um gol de centroavante que domina a arte da bola aérea. Um gol de centroavante que há muito tempo não se via na Azenha. O 3 a 1 estava decretado. E a partir daí, Martin ficou sonolento, como qualquer criança que tenta acompanhar as conversas de adultos que se estendem pela madrugada.

 

 

Mais importante que ter encaminhado a classificação. Mais importante que ter a convicção de que é melhor do que os possíveis adversários nas quartas, Caracas ou Deportivo Quenca. Mais importante que tudo isso, é a afirmação de um triângulo que permite aos gremistas sonharem alto: Victor, Souza e Maxi López. As mãos, o cérebro e as pernas (e a testa também) – respectivamente – do Grêmio nessa Libertadores.

 

Fotos: Gurizada: quebarato.com.br; Maxi: abril.com.br.

 

Guilherme

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