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Posts Tagged ‘Elano’

Ali onde os parentes menos abonados da coruja dormem

O Santos já é campeão da Libertadores. E o fiador maior deste título, é bem verdade que assessorado de perto por um cobrador de faltas e escanteios competente, Elano, por um treinador calejado e vencedor, Muricylha, acompanhado no protagonismo até a metade da competição por um Ganso confuso fora de campo e seguro dentro dele, o fiador maior deste título, resisto o que posso e prolongo o parágrafo porque sei que ele encerrará com seis letras que maculam para sempre a história de La Copa, seis letras que representam a verdade do futebol brasileiro e americano atual, seis letras que sustentam um moicano emo, doses carregadas de pretensão e futebol abundantes, o fiador maior deste título atende pelo nome de Neymar.

E Neymar é a personificação de tudo aquilo que sempre rebaixei à categoria escatológicas do bom futebol, a personificação de arestas dispensáveis e arabescos que prendem a atenção muito mais pela pose do que pela posse da bola, a personificação sulamericana da doutrina fundada em Cristiano Ronaldo: o jogador que divide a atenção na bola com a preocupação permanente com câmeras e ângulos favorecidos.

Ocorre que o neófito da Vila, embora refém das mesmas idiossincrasias no comportamento que reduzem o futebol de jogadores talentosos à mera extensão de suas personalidades controversas, carrega consigo uma herança que nem o Ronaldo gajo, tampouco qualquer outro europeu receberia: a malícia do futebol brasileiro. Há no talento de Neymar qualquer coisa de Romário quando espalma a mão no peito e intima o companheiro a reconhecê-lo como o destino inexorável do passe, há no taleno de Neymar qualquer coisa de Ronaldo quando anuncia numa pedalada premeditada o lado que escolherá para avançar e ainda assim esnoba no arranque a marcação resfolegante e frustrada, há qualquer coisa de Pelé na cabeça erguida, no chute certeiro, aquele que retira goleiros das fotografias mesmo nos lances de bola rolando. Se a elegância de Ganso remete à parcela europeia de nosso futebol, o jogador aristocrata que decide jogos sem macular o uniforme, Neymar encarna com fidelidade o estereótipo do guri que jogaria da mesma forma descalço em campos calvos e inóspitos o que joga nos melhores gramados do mundo, ainda que tenha sido preparado desde o nascimento para as chuteiras, ainda que nunca tenha jogados em praças sem grama, algo que se explica somente em teorias que versam sobre heranças congênitas ou esprituais.

O empate de 3 a 3 na noite de ontem no Defensores Del Chaco reafirmou duas certezas: o Santos será campeão da América e Neymar é jogador de Libertadores. Como deve confirmar-se também, com o devido tempo, jogador de Copa América, Champions League, Mundial de Clubes, Copa do Mundo e qualquer outro torneio deste ou de outro sistema solar. Apesar do moicano emo, apesar de couverizar Cristiano Ronaldo, apesar das arestas. Porque o jogador talentoso, feito escritor de mesma capacidade, anula qualquer idiossincrasia moral com uma obra prima. Neymar está construido a sua.

 

A outra semifinal:

Hoje, às 21h50min  VÉLEZ  x  PEÑAROL

 

Guilherme Lessa Bica

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