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Hooligans "lights"

Hooligans "lights"

 

Uma das surpresas deste embrião de temporada no Idoso Continente atende pelo apelido de “Spurs”. Como o assunto aqui no Tisser não é o esporte da bola laranja, os Spurs de San Antonio ficam para outro momento.

 

O norte – londrino Tottenham Hotspur tem este apelido em função do seu mascote, um galo. Portanto, os “esporas”! O que esta informação agrega ao leitor? Pois é…

 

O tradicional clube, fundado em 1884 por enfurecidos jogadores de cricket, ganhou espaço na mídia nos últimos dias pela incrível arrancada na Premier League. Três partidas, três vitórias. A última vez que o Tottenham arrancou tão bem no campeonato inglês sagrou-se campeão. E isto ocorreu na longínqua temporada 60/61. Deste trio de resultados positivos, dois chamam atenção: o triunfo de virada por 2 a 1, contra o West Ham fora de casa, e a estréia, em casa (o histórico White Hart Lane), contra o gigante e candidato ao título Liverpool. 2 a 1 com direito a golaço do lateral esquerdo francês Benoit Assou –Ekotto.

 

Além da bela arrancada, o time inglês ultimamente está constantemente no noticiário esportivo gaudério. Sandro, volante classudo de 20 anos e forjado na base da Padre Cacique, despertou o interesse dos sóbrios dirigentes britânicos. 15 milhas (em euros) é a suposta proposta. COICIDENTEMENTE o Anão-Em-Chefe da Seleção Brasileirinha chamou o guri para substituir o contundido, insípido e inodoro Josué nos próximos jogos das eliminatórias.

 

Enfim. O interesse do Tottenham é pertinente, já que do meio e adiante seu elenco já é muito qualificado. Falta a tal da CONSISTÊNCIA DEFENSIVA, coisa que está para o futebol gaúcho como a velocidade está para o futebol africano.

 

A lista de atacantes bons (ou de nome) dos Spurs impressiona. Jermaine Defoe é o 9 titular. Rápido, oportunista, forte e matreiro, o avante nunca se firmou na seleção ou em times maiores em função de seguidas lesões (ou das loucuras dos Coach’s). Com Capello está tendo chances no English Team e correspondendo. Um dos problemas do rapaz é que parece ser meio introvertido demais. Nesse futebol marqueteiro, atacantes inferiores mas com potencial de mídia acabam se destacando.

 

Seu camarada no ataque é o irmão menos talentoso da família irlandesa dos Keane. Robbie Keane vagou por uma longa e tenebrosa estrada na terra dos Beatles, não vingou e voltou para Londres, onde é capitão, dono das camisas, da bola e responsável pelo horário semanal na quadra.

 

Não contentes com esta dupla titular de respeito, na suplência estão dois jogadores que tem gravado em seu registro profissional a inscrição CENTROAVANTE. O meio alienígena / meio vara de pescar Peter Crouch (saiu do decadente Portsmouth e também faz parte do grupo de Fábio Capello na seleção), e o tanque da seleção russa Roman Pavlyuchenko (melhor nome de jogador do futebol atual). Depois da saída conturbada do ex-ídolo búlgaro Dimitar Berbatov do time, para o Manchester United, os caras resolveram investir pesado no ataque! Tanto que contrataram a jovem revelação mexicana do Barcelona, Giovani dos Santos por 6 milhões de euros. Adaptação e comportamento complicados levaram o piá ao modesto Ipswich Town, por empréstimo. Nesta temporada pode ser uma arma para mudar jogos encardidos.

 

Beleza e perna esquerda são fundamentais

Beleza e perna esquerda são fundamentais

 

Municiando estes malucos com sangue nos olhos para fazer gols, estão dois dos melhores meias ofensivos da Liga Inglesa. Pela direita, uma das esperanças dos súditos da rainha para conquistar o bicampeonato mundial (ao lado de Theo Walcott e Wayne Ronney, pra citar os mais jovens), Aaron Lennon, 22 anos. Já pela esquerda, um jogador quase perfeito. O croata Luka Modrić, 24 anos, revelado pelo Dínamo Zagreb, tem a habilidade dos jogadores do leste europeu (como bom ex-Iugoslavo, considerados os brasileiros da Europa), senso de marcação, jogadas verticais e diagonais, além de um potente chute de média distância e lançamentos precisos. Típico caso de jogador sem mídia, mas com mais bola que muitos medalhões por aí. Como era o Bielo-Russo Hleb no Arsenal, hoje no Stuttgart. Quando transferiu-se pro Barcelona, era necessário imposição de personalidade. Aí a coisa complica. Modrić é titular e um dos principais jogadores da seleção da camiseta toalha de mesa. Completando o meio os volantes Boateng e Palacios. Sandro jogaria na vaga do Boateng fácil, alçando o Tottenham à candidato sério para a Champions League da próxima temporada.

 

Ps.: O goleiro titular dos Spurs é o brasileiro (Cruzeiro, PSV, Seleção) Gomes, alternando atuações monumentais e frangos vergonhosos. Carlo Cudicini, goleiro italiano que estava no banco do Chelsea será a sombra do arqueiro verde e amarelo nesta temporada. Reparem na foto como o uniforme é parecido com o do Victor, do Grêmio. “Bonito” como toda linha de uniformes que a Puma desenvolveu, com aquelas “asas” diagonais.

 

Padronização da tosquice

Padronização da tosquice

 

Ps. 2: Amanhã, para quem tem oportunidade de ver os canais por assinatura ESPN e ESPN Brasil, três jogos imperdíveis:

 

¬ 13:15 Manchester United e Arsenal. Clássico equilibrado, com dois times leves e que privilegiam o ataque. Teste de fogo para o jovem time de Wenger, que ano passado não teve sorte nos clássicos na Liga. Uma derrota pode colocar o ótimo trabalho do começo da temporada em dúvida. Para os Devils, uma oportunidade para mostrar que seguem como principal força da Inglaterra. Torço pro Arsenal fortemente neste jogo, 3 a 1 Gunners.

 

¬ 15:30 Bayern de Munique e Wolfsburg. O gigante Bávaro contra o campeão da montadora! Grafite e sua trupe tentam um inusitado bicampeonato numa das ligas mais disputadas do mundo. Isso quando o Bayern deixa… Louis Van Gaal aposta em Olic e Mário Gomes no comando do ataque. Jogo decisivo já nas primeiras rodadas. Aposto no Bayern, mais pela camiseta do que por qualquer outro motivo. 2 a 0 com gol do Lahm, melhor lateral do mundo hoje.

 

¬ 15:30 Inter de Milão e Milan. O clássico de Milão, já na segunda rodada! Pato e Ronaldinho tentando provar que podem levar este Milan reformulado à vôos mais altos. Eto’o contra a desconfiança, sempre. O que pode pesar num jogo desta magnitude é a experiência dos donos da casamata: Leonardo é um novato, contra o sagaz e ovelheiro José Mourinho. Ainda assim aposto num empate com gols, 1 a 1 movimentado.

 

Felipe Conti é colorado, gaúcho, canoense, goleiro, esquerdista, aspirante a jornalista. Nascido para ser do contra, desde março de 86. Escreve costumeiramente no Grenalzito e é titular das sextas aqui do Tisserand.

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O futebol inglês tornou-se o mais rico do Mundo. O caráter comercial que assumiu nos últimos anos, sobretudo com a compra de times por investidores internacionais, numa opulenta injeção de euros e mais euros nos cofres da Premier League, alavancou times intermediários no cenário nacional e permitiu campanhas vitoriosas na Chmapions League. Mas na temporada que inicia em semanas, algo mudará. O Manchester perdeu Cristiano Ronaldo. O Liverpool administra o mesmo plantel do último ano, cujo número de títulos foi nulo. O Chelsea inicia nova era com Carlo Ancelotti. E o Arsenal segue apostando em atletas baratos e ágeis, filosofia ainda derrotada. Nenhum deles, portanto, merece o decalque de favorito à Copa dos Campeões, correndo risco, inclusive, de perderem as primeiras posições para os emergentes Everton, Manchester City e Aston Vlila na corrida interna.

 

Manchester United

O interminável Alex Fergusson promove mais uma reformulação do elenco. Como já fizera depois da Champions de 1999, quando os Diabos Vermelhos dominaram a Europa, o escocês mantêm coadjuvantes de confiança, assegura a permanência de sua defesa e aposta em novos talentos. No começo da década, errou com Nilsterooy, Saha e Kléberson, até que acertasse com Cristiano Ronaldo.

 

Agora, deve ocorrer algo parecido. Ronaldo e Tevez saíram. Giggs e Scholes resfolegam, provavelmente em derradeiras temporadas. E quem aparece para substituí-los? A eterna promessa Michel Owen, Antonio Valencia, jovem equatoriano de muita força e alguma técnica e um patrício de Cristiano, Nani, já presente há duas temporadas no elenco, cujos únicos atributos parecidos com o ex-ídolo são as firulas demasiadas. 2009 e 2010 devem mesmo ser anos de muito trabalho e minguadas conquistas para Fergusson.

 

Arsenal

O time londrino segue a mesma receita que adotou desde a saída de Henry: jogo de bola no chão, passes indolentes, tabelas fulgurantes e baixa capacidade de finalização. Fabregas, a personificação deste estilo, ainda é o maestro maior, mas agora assessorado pelo russo Arshavin e por Rosicky, hábil tcheco egresso do departamento médico, depois de longa e penosa recuperação.

 

A saída de Adebayor permite a Brendtner assumir o comando ofensivo, o que pode não ser definitivo, sobretudo pelas claras dificuldades do centravante dinamarquês em tratar a bola com os pés. Há também a ausência de Kolo Touré e um descréscimo no setor defensivo, claramente a caixa de pandora dos Gunners.

 

Chelsea

Roman Abramovich, engessado pelos petrodólares perdidos em tempos de crise, economizou na compra de jogadores, ao passo que mudou mais uma vez de treinador. Carlo Ancelotti chega ao clube com a missão de repetir a façanha que comandou no Milan e alcançar algo inédito para os londrinos: vencer a Liga dos Campeões. Para isso, dispõe do mesmo elenco que os últimos treinadores dos Blues – Grant, Felipão e Hiddink -, a única novidade é o reforço do canhoto e selecionável russo Yuri Zhirkov.

 

E isso não é pouca coisa: Petr Chec, John Terry, Frank Lampard e Didier Drogba ainda formam o sólido e longilíneio esqueleto que levou o time à final da Champions de 2007/08 e à semi de 2008/09. Há também Ballak, Kalou, Anelka, Deco, Mikel e Malouda, ou seja: o elenco mais equilobrado e forte do futebol inglês.

 

Liverpool

O time inglês que mais venceu Liga dos Campeões lida, desde o ano passado, de forma negligente com a principal Copa europeia. Há uma explicação clara e pertinente para isso: os Red’s babam, sonham, fazem planos e sofrem delírios e alucinações com a taça da Premier League, a primeira divisão inglesa – há vinte anos o Liverpool não vence o campeonato nacional.

 

E a atual temporada pode ser a resposável pelo fim desse jejum. O time não perdeu o principal jogador, como o Manchester; não carece de um atleta que decida partidas, como o Arsenal; muito menos trocou de técnico recentemente, como o Chelsea: Gerrard nasceu e morrerá no Anfield Road, é torcedor e principal nome do clube, e Rafa Benitez, o treinador, caminha para sua sexta temporada no rincão dos Beatles.

 

Além deles, há Fernando Torres, Jamie Carrager, Dirk Kuyt, Javier Mascherano, Pepe Reina… Todos motivos de sobra para inflar de otimismo os vermelhinhos conterrâneos de John Lennon.

 

Forasteiros

Manchester City

Quem contrata Adebayor, Kolo Touré, Carlitos Tevez e Roque Santa Cruz em poucas semanas sempre merece atenção.

 

Everton

O rival maior do Liverpool sempre transita pela zona periférica para a Liga dos Campeões. Na última temporada, garantiu vaga na Copa da Uefa.

 

Aston Villa

Maior surpressa do último campeonato, assegurou a permanência dos principais jogadores – John Carew, Ashley Young, Gabriel Agbonlahor –, e do competente treinador Martin O’neal.

 

Guilherme Lessa Bica

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