Feeds:
Posts
Comentários

Archive for the ‘Campeonato Brasileiro’ Category

Numa rodada de empates em abundância, pênaltis desperdiçados aos montes e mudanças comedidas na tabela de classificação do Brasileiro, Inter e Grêmio bem que poderiam ajoelhar diante do altar pagão onde residem os exus que regem os destinos do futebol e agradecer pela igualdade tardia reconciliada aos trancos no Olímpico, pela manutenção da invencibilidade longe do pago fiada nas defesas de Muriel no Couto Pereira. Ocorre que são apenas 13 pontos amealhados nos 10 jogos da Dupla, o que distancia ambos dos sonhos de cifras opulentas que o título e a vaga à Libertadores inclinam.     

Lucinha Lins jogaria mais do que ele

O torcedor do Grêmio já não espera um grande jogo de seu time, nada daquelas tabelas envolventes que o São Paulo proporciona, tampouco os dribles circenses reinventados pelos santistas. Não. O gremista encaminha-se ao Olímpico e carrega nas mãos ainda ensebadas da costela – cujo sabor inigualável forçou-o a perscrutar até o último pedaço de carne alojado no osso – um radinho ou mp3, 4, 5, 6… de onde espera ouvir apenas a certeza de que há chances de forçar a barra, empurrar o adversário para sua área, vencer na marra.

A tarde de ontem novamente obrigou o gremista a ensebar os cabelos nas muitas vezes que lamentou os erros, no gol fantasmagórico de Bernardo, no pênalti desperdiçado por Gabriel, nas incongruências ofensivas cuja quantidade não recomendam otimismo em saná-las, nem mesmo na chegada iminente de Gilberto Silva, Andre Lima, Miralles.

Resta ao gremista voltar pra casa aliviado com o gol de empate marcado por Roberson, uma esperança de que ao menos uma promessa ofensiva vingue, transformar as sobras da costela num carreteiro macanudo e adormecer nos braços inóspitos e obscuros do Domingo Maior ou do Dr. Ray, digerindo a janta feito quem abre uma cova com colher de chá ou quebra um muro de Berlim a socos: na lenta dignidade que toda ignorância teimosa encarna.

Já o Inter tem aos menos uma novidade a comemorar. Diante da falta de sofisticação e pouca habilidade em vender o próprio talento de Lauro e da insegurança crônica de Renan, Muriel parece em condições de envergar a 1 colorada. Defendeu como um condenado à pena capital cujo perdão dependesse de não deixar que sua meta fosse maculada. Seria morto, caso isso fosse verdade, haja vista o gol de David. Nada, porém, que diminua uma atuação impecável.

Aliás, até Edson Bastos, o boneco de posto que os torcedores do Coritiba chamam de goleiro, fez boa partida ontem, confirmando ser mesmo uma tarde de arqueiros. O jogo foi igual, chances para os dois lados, dois ataques técnicos envolvendo defesas precárias.

Depois do gol de Gleidson, um improvável gol de Gleidson, chute a la Dinho do meio da rua, faltou culhão aos colorados e sobretudo ao seu treinador, para ampliar um marcador favorável. Pelas atuações esforçdas, pelas defesas de Edson, de Muriel, pela limitação técnica do Coxa e pelo medo de Falcão, o empate prevaleceu com ares de presidente aprovado em pesquisas confiáveis pela população.

Tabela e classificação aqui.

 

Guilherme Lessa Bica

Read Full Post »

Há uma série de conjunções adversativas nas vitórias da Dupla neste domingo. Num primeiro plano, mais perceptível inclusive aos olhos incautos, a fragilidade dos adversários, recém egressos do purgatório maior do futebol brasileiro, a segunda divisão. Num segundo plano, de foco menos saliente e mais borrado, os acertos dos treinadores muito mais oriundos de ausências benfazejas do que de convicções acertadas. De resto, a centelha da esperança volta a surgir no isqueiro alquebrado de Grêmio e de Inter, apesar dos Lins, dos Rodrigos, dos Neys, dos Rafaéis, apesar dos pesares.

Autoaplauso promovido por jogadores do Grêmio

No Olímpico, o Tricolor venceu da mesma maneira débil, insegura e quase casual que garantiu a maioria de seus triunfos desde o início do ano: na doutrina uruguaia que levou o país do Prata à semifinal da última Copa e um filho de sua terra à final da Libertadores deste ano, a correria desabalada, o toco y me voy inábil mas matreiro, a técnica dissimulada na marcha supostamente raçuda. Os gols do espantalho cangaceiro, Junior Viçosa, contudo, admitamos, foram conclusões de tramas envolventes e elaboradas. O primeiro, um cabeceio correto depois de Fernando e Mario Fernandes avançarem pela lateral esquerda bahiana; o segundo, um bate-pronto ao estilo Jonas, mais sorte do que convicção, depois de Escudero e sobretudo Lins envolverem os conterrâneos de Toninho Malvadeza  numa ciranda bela e ladina.

A outra boa notícia versa sobre a zaga gremista. É o segundo jogo sem sofrer gols, o que afirma Saimon como alternativa para o setor, recupera Rafael Marques e reforça a certeza de que Neuton devia carregar a 6 titular desde o início do ano.

Tenso!

O Inter foi até Campo Grande e tirou o Coelho da cartola para aplicar-lhe a devida sova que redime os pecadores, estica lençol, passa um pano de prato na mesa, varre o pátio, enfim, arruma a casa. Falcão finamente freou a sanha européia que lhe comicha as mãos e por certo promove aqueles tiques nervosos que quando enquadrados num close global deve assustar até a dona de casa distraída em seu crochê dominical, escalou quem deveria escalar e venceu com facilidade o América Mineiro.

Oscar provou que não é reserva de D’Alessandro, provou que jogadores de alta categoria podem atuar juntos, mesmo que sejam gêmeos siameses no estilo. O 4 a 2 foi construído quase todo no primeiro tempo, sobretudo no que diz respeito aos rubros. O mesmo Oscar marcou duas vezes e D’Alessandro e Cavenaghi – no que pode ser o prenúncio de que o argentino enfim desembarcou em solo brasileiro – fecharam o placar. O América descontou com Rodriguinho e Alessandro.

Na próxima quarta-feira, São Paulo e Atlético Mineiro fecham a rodada num enfrentamento pela liderança, o que pode alterar o topo do Everest futebolístico brasileiro. Até lá, porém, a verdade é essa aqui.

Guilherme Lessa Bica     

Read Full Post »

A dupla Grenal promoveu um dos maiores embates que sua rivalidade centenária já presenciou, engendrou dois encontros belicosos com um saldo estratosférico de dez gols, esmigalhou o coração de cada torcedor vermelho, de cada torcedor azul, numa decisão por pênaltis alienígena, enfim, conduziu os mais ingênuos da província à crença de que a Libertadores estava superada, de que há futebol em quantia generosa por aqui, de que é possível confrontar os outros grandes brasileiros e conquistar, ao menos beliscar, a caneca de chope de Ricardo Teixeira que todos aceitamos como Campeonato Brasileiro. A dupla Grenal promoveu uma farsa. Não conseguiu vencer o time XY ou XX do Santos e quebrar o tabu na Vila. Não conseguiu nem um constrangedor empate no Olímpico, o que manteria a digna marca de não perder em estréias do torneio. O céu segue plúmbeo na terra de Túlio Milman. E a previsão não encomenda dias azuis ou vermelhos.

O quinhão mais vexatório dessa farsa gaudéria foi, sem dúvida, protagonizado pelo Grêmio, ontem à tarde. Há uma fidelidade inócua e perene mesmo no coração do torcedor mais reticente. Uma entidade que obriga essa criatura por vezes tão calejada de derrotas a dar demonstrações de amor pela camisa que escolheu, ainda que o momento recomende tapas, pontapés e outras agressões.

Pois essa fidelidade foi novamente maltratada pelos tricolores na derrota por2 a1 para o Corinthians. O jogo não diferiu daquilo que ocorreu nos cinco longos e derrotados meses de 2011 na Azenha. Um amontoado de jogadores de azul, preto e branco, em correria desabalada, inversões improvisadas, lançamentos apressados, tudo numa assimetria que confunde o adversário – na mesma proporção que confunde os próprios jogadores gremistas – e que, normalmente, contribui para o Grêmio marcar seus gols. Foi o que aconteceu quando Leandro, uma das poucas almas daquele time que não ardem num inferno imaginado por todo torcedor tricolor nesta segunda-feira, apossou-se da bola e marchou obstinado em direção à área paulistana, projetou-se sobre o gramado num roçar de ombros com o zagueiro e cavou o pênalti que Douglas configuraria em gol.

Mas todos sabíamos, lá no fundo, lá naquele recanto onde descansam as certezas que resistimos em admitir, todos sabíamos que o placar era um engodo. Quando o Grêmio de hoje sai vencedor, duas figuras fundamentais precisam estar em dia inspirado: Rockemback e Douglas. Ambos arrastavam-se em campo, errando passes simplórios e enredando a bola em movimentos inábeis até que ela os abandonasse em laterais ou desarmes adversários.

A virada corinthiana, gols de Chicão – noutro pênalti enganoso – e Liedon – aí está um centroavante de verdade – apenas confirmou as suspeitas de que há algo de muito podre na Azenha, de que não é normal um time que joga domingo começar a treinar na quinta-feira, de que, por fim e tragicamente, o Grêmio está colocando unanimidade que Renato Portaluppi forjou nos maiores títulosdo clube em atuações inverossímeis como jogador em cheque, vide os xingamentos e a revolta dos torcedores, anteriormente dedicados com exclusividade a jogadores e dirigentes.   

 

Martírio na Vila 

A Vila Belmiro é o terreno mais inóspito do Brasil para visitantes. Nalgum canto daquele gramado maldito onde Edson Arantes do Pelé, O Nascimento desfilou seu futebol monarca, deve residir a carcaça de um xangô macabro, os restos mortais de um bispo beatificado, a burca mágica de alguma entidade muçulmana, ou todos eles, mancomunados todos em ajudar o time de Santos.

Mesmo o Inter tendo um conjunto plural de talheres, não somente a faca – mas colheres e garfos para saborear Escargot e outros pratos de paladar exigentes – e o queijo nas mãos, emperrou novamente nas convicções européias de seu treinador. Numa partida de valor técnico reduzido, restou a Zé Roberto, dono do gol de empate colorado e de alguns bons lances individuais o protagonismo solitário. O Santos abrira o placar com um Keirrisson outrora pretendido pela Dupla Grenal, mas que desaprendeu a jogar futebol, de pênalti. O um a um melancólico persistiu.

É preciso ressaltar que Falcão ressentiu-se das ausências de Andrezinho, Indio, Rodrigo, Nei? e, sobretudo, D’Alessandro. O argentino fez muita falta num meio-campo combativo, mas previsível.

Resultados e Classificação aqui.

 

Guilherme Lessa Bica

Read Full Post »

Presságio

Separa alguns centavos a mais no orçamento e avisa a negavéia que a partir da noite deste sábado o ano não será o mesmo. Infla o peito, tira o palito dos dentes e segue rumo ao mercado do Tonho. Tudo bem, pode ser o do Juarez, ou Valdir, que seja. Encesta um fardo de skoles, acotovela umas outras avulsas e aguarda, repousando na cadeira do papai – com a petulância que somente os embriagados possuem – a entrada da esquadra Rubra na Vila Belmiro pela estreia do Brasileirão. Vamos começar com o pé direito. O Inter precisa somente fazer o que nunca fez: vencer na Vila.

Dezenas de milhares de incautos insistem em bradar que os anos renascem após a última escola de samba desfilar na Passarela; o ano útil, realmente, dá largada no próximo sábado, para alegria do Palocci e alguns de seus companheiros bem sucedidos. A queda na Dow Jones passará despercebida, a tensão com a inflação sucumbirá e o mundo não se tornará todo azul, como recitam os afeminados, mas sim, Vermelho. Assim esperamos, ao menos o Brasil.

A grande verdade é que, mesmo com resultados adversos, a sensatez nos faz prever com certa facilidade numa esperança débil: a felicidade irá imperar!   

Talvez consiga tirar os olhos mirados cerradamente para a vulva da Renata Fan e prestar, ao menos um pouco, atenção no teu time. Tenho certeza que verá fundamento nos argumentos do Ribeiro Neto e achará graça nos longos Boataaaarde do Paulo Britto. Já diria o Gilberto Gil, ‘sem correr, bem devagar, a felicidade voltou pra mim…’

 

O Elenco Promissor

Se olharmos o terreno do vizinho, a grama dele estará bem pior que a nossa. O selecionado do Rei de Roma, no entanto, para os céticos, apresenta severas carências. Juntando dois goleiros, talvez consigamos um; a defesa, tem consulta geriatrica três vezes por semana – o que prejudica os treinamentos; lateral direito, Nei, tem de ser defenestrado urgentemente; e na esquerda, Kleber tem potencial, mas joga quando quer. E quando ele quer? Nas volância e meia, uma Zona qualificada, a Tia Carmem do time; no ataque, o Damião ficará afastado por causa da seleção, abrindo espaço para os novos avantes contratados, e todos, até o momento, não passam de promessas.

 

Um bom time

Ouvir os resmungos e reclamações de ter de jogar na quarta e domingo, com o início do Brasileirão, renovam as esperanças de conquistar a quarta estrela nacional (tirando a roubada, em 2005). Apesar do Nei, do Mathias e da Linha Burra.

Pensando nos 80% dos gaúchos que torcem para o Campeão de Tudo, separamos a cartilha de jogos do Colorado. Te agenda aí, Macanudo!.

 

Fábio Araujo

 

Primeiro Turno

21/05/2011  (21:00) – Santos X Internacional – (Vila Belmiro, Santos)

28/05/2011 (18:30) – Internacional X Ceará – (Beira-Rio, Porto Alegre)

05/06/2011 (16:00) – América-MG X Internacional – (A definir, A definir)

12/06/2011 (16:00) – Internacional X Palmeiras – (Beira-Rio, Porto Alegre)

18/06/2011 (18:30) – Coritiba X Internacional – (Couto Pereira, Curitiba)

26/06/2011 (18:30) – Internacional X Figueirense – (Beira-Rio, Porto Alegre)

30/06/2011  (21:00) – Atlético-MG X Inter (Arena do Jacaré, Sete Lagoas)

31/07/2011 (19:30) – Internacional X Atlético-PR – (Beira-Rio, Porto Alegre)

09/07/2011 (18:30) – Vasco da Gama X Inter (São Januário, Rio de Janeiro)

14/07/2011 (21:00) – Corinthians X Internacional – (Pacaembu, São Paulo)

17/07/2011 (18:30) – Internacional X São Paulo – (Beira-Rio, Porto Alegre)

23/07/2011  (21:00) – Avaí X Internacional – (Ressacada, Florianópolis)

31/07/2011 (16:00) – Internacional X Atlético-GO – (Beira-Rio, Porto Alegre)

04/08/2011 (21:00) – Fluminense X Internacional – (Engenhão, Rio de Janeiro)

07/08/2011 (16:00) – Internacional X Cruzeiro – (Beira-Rio, Porto Alegre)

14/08/2011 (18:30) – Bahia X Internacional – (Pituaçu, Salvador)

17/08/2011 (21:50) – Internacional X Botafogo – (Beira-Rio, Porto Alegre)

21/08/2011 (16:00) – Internacional X Flamengo – (Beira-Rio, Porto Alegre)

28/08/2011 (16:00) – Grêmio X Internacional – (Olímpico, Porto Alegre)

 2º Turno

01/08/2011 Internacional X Santos – (Beira-Rio, Porto Alegre)

03/09/2011 Ceará X Internacional – (Presidente Vargas, Fortaleza)

07/09/2011 Internacional X América-MG – (Beira-Rio, Porto Alegre)

10/09/2011 Palmeiras X Internacional – (Pacaembu, São Paulo)

17/09/2011 Internacional X Coritiba – (Beira-Rio, Porto Alegre)

21/09/2011 Figueirense X Internacional – (Orlando Scarpelli, Florianópolis)

24/09/2011 Internacional X Atlético-MG – (Beira-Rio, Porto Alegre)

01/10/2011 Atlético-PR X Internacional – (Arena da Baixada, Curitiba)

08/10/2011 Internacional X Vasco da Gama – (Beira-Rio, Porto Alegre)

12/10/2011  São Paulo X Internacional – (Morumbi, São Paulo)

15/10/2011 Internacional X Avaí – (Beira-Rio, Porto Alegre)

22/10/2011 Internacional X Corinthians – (Beira-Rio, Porto Alegre)

29/10/2011 Atlético-GO X Internacional – (Serra Dourada, Goiânia)

05/11/2011 Internacional X Fluminense – (Beira-Rio, Porto Alegre)

12/11/2011 Cruzeiro X Internacional – (Arena do Jacaré, Sete Lagoas)

16/11/2011  Internacional X Bahia – (Beira-Rio, Porto Alegre)

19/11/2011  Botafogo X Internacional – (João Havelange, Rio de Janeiro)

26/11/2011  Flamengo X Internacional – (A definir, A definir)

03/12/2011  Internacional X Grêmio – (Beira-Rio, Porto Alegre

Read Full Post »

Jonas ganha bitoca enquanto Tcheco aguarda a vez

Jonas ganha bitoca enquanto Tcheco aguarda a vez

 

A primeira vez carrega consigo algumas inconveniências. Como se a espera interminável esticasse o fio da ansiedade ao máximo, o momento em que o invólucro da imaturidade é rompido e a marca da idade adulta se incrusta na pele de forma irrevogável não ocorre livre dos rituais e traumas inerentes aos grandes acontecimentos. Pois o Grêmio passou por essa situação na noite de ontem. No benfazejo estádio dos Alívios, que tantas alegrias nos remetem a um passado recente, o time de Autuori livrou-se da chaga que atravancava ambições maiores no Campeonato Brasileiro, venceu longe do Olímpico e alinha já na sexta posição da tabela – ainda que com a mesma pontuação do oitavo colocado.

 

O jogo alojou desde os primeiros minutos uma pulga renitente por detrás de cada orelha gremista. A bola já rolava, o Grêmio controlava todas as ações, Fabio Rochemback e Adílson senhores da meia cancha, Tcheco e Souza flanando com a desenvoltura dos jogos em casa, Jonas articulando dribles indolentes, ou seja, alguma coisa estava errada. Tanto que não demorou para o cruzamento de Tcheco encontrar a testa de Souza e o placar passar a marcar 1 a 0.

 

O gol não mudou o jogo, como poderiam temer alguns torcedores supersticiosos que torcem para que o time marque somente no final das partidas, o que facilitaria a manutenção da vitória. Carlinhos Bala e seu penteado ridículo continuavam bailando feito criança em playgroud, mas tão inofensivos quanto, a zaga de Autuori continuava caminhando em terreno ermo e tranquilo. E foi com certa naturalidade insólita que Jonas dominou dentro da área parnambucana ainda na primeira etapa, enlaçou o zagueiro com um belo lençol, driblou outro marcador e chutou com convicção – logo Jonas, o atacante sem convicção por excelência – no canto rasteiro esquerdo do goleiro: 2 a 0.

 

O segundo tempo perdeu em energia do lado Tricolor e permaneceu incapaz do lado recifense. Algumas chances foram criadas pelo Náutico, muito mais pelo relaxamento gaúcho do que orinudas de uma organização e melhora adversária, salvas todas pela trave e pelas mãos de Victor. Maxi López ainda achou tempo para uma expulsão, inflando a aflição dos gremistas mais céticos, que só acreditaram-se vencedores fora de casa quando Senemi imprimiu o silvo derradeiro. Uma vitória em casa na próxima rodada pode minguar ainda mais a distância para o Gê Quatro, que hoje é de quatro pontos.

 

Já no Beira Rio, o Inter fez a torcida lembrar de um passado não muito distante, quando o colorado ainda não estava ambientado na arte de confirmar favoritismos, antes ainda das conquistas continentais e mundiais, e escorregava inexplicavelmente e para os adversários mais incautos nas horas erradas. É verdade que o jogo de ontem tinha o competente Cruzeiro na cancha inimiga, mas numa rodada em que o líder tropeça e um empate bastaria para colocar o Inter na liderança, deixando Tite e seus cordeiros adestrado com a faca, o queijo, a goiabada e outros quitutes mais na mão, não há permissão alguma para perder em casa.

 

Tiago Ribeiro segura vela e Fabiano Eller segura bola

Tiago Ribeiro segura vela e Fabiano Eller segura bola

 

Mas o futebol não funciona assim. E os mineiros lançaram mão de duas figuras que já vrestiram azul, preto e branco e tiraram diploma nas disciplinas grenalísticas. Adílson Baptista cozinhou Tite no fogo baixo e soube engessar os meias colorados. E Gilberto, maestro maior do Cruzeiro, assombrou com sua canhota pragmática a zaga vermelha.

 

O resultado negativo é minimizado pela derrota do Palmeiras, mas permitiu ao São Paulo igualar o Inter em pontos, o que torna a luta pelo título deveras emocionante, visto que um ponto separa Muricylha de Tite e Ricardo Gomes. Inter e Palmeiras invertem os adversários na próxima rodada, viajando, respectivamente, a Salvador e Belo Horizonte, no encalço da recuperação e reafirmação.

 

Confere aqui a tabela de classificação. E aqui os resultados da rodada.

 

Guilherme Lessa Bica

Read Full Post »

André Lima tenta intimidar imitando Silvester Stalone

André Lima tenta intimidar Rafa Marques imitando Silvester Stalone

 

Mesmo com um time melhor, num estádio neutro, diante de um adversário de forças e futebol módicos, cuja morada costumeira é o Mangue da zona de rebaixamento; mesmo com gol sobrenatural de Jonas, mesmo que tenha tomado a dianteira do placar num momento adiantado e decisivo do jogo, mesmo com as duas mãos, os dois pés e os vinte dedos de Rodrigo Cintra, o árbitro, alijando as nádegas botafoguenses com erros clamorosos, mesmo assim o Grêmio não passou de um empate no Engenhão.

 

E se o deus do futebol, um velhinho sacana, irmão bastardo do pai de Cristo e de todos nós, tivesse algum caráter, permitiria a virada aos alvinegros no final do jogo. Porque o que se viu desde que o primeiro silvo deixou a boca de Cintra na tardinha carioca de ontem, foi o Grêmio mimetizar dramaticamente os movimentos constrangedores que promove longe do Olímpico desde as primeiras rodadas.

 

Tcheco e Souza, figuras imponentes e sóbrias diante de sua torcida, transformam-se em velhinhas matriarcas que outorgam para si o destino de suas famílias, mas não movem uma palha para tanto, e ainda impedem a iniciativa de membros mais novos. Tulio, aquela avó precoce que vestiu a camisa 4, completou o triângulo de latifundiários que reduzem a meia cancha gremista a um terreno improdutivo em outros estados. Restou a Adílson tentar um protagonismo vedado por sua natural imaturidade.

 

Ainda assim, a despeito de todas essas barbaridades, o Grêmio vencia. Com dois gols de Jonas, e um terceiro de autoria mútua de Souza e Réver, Autuori sacava esse sapo de pés frios e papo vermelho que o acompanha quando deixa o Salgado Filho de dentro da mala, juntava uma marreta e sentava a mão para ferir mortalmente o tabu de vitórias fora. Mas o próprio treinador cavaria com zelo sua cova. Aos 30 minutos da etapa derradeira, retirou o melhor jogador do time, o que não era lá grande coisa, mas ainda o melhor, Jonas, e lançou Makelelê. Ali todos os gremistas, todos os colorados, todos os botafoguenses, inclusive, sabiam que o 3 a 3 sairia. Para acrescentar uma colherada, não, uma concha de feijão de ironia, o mesmo velhinho sem caráter que manipulou Cintra na garfada ao Botafogo, levou Leandro Guerreiro, aquele volante vacilante que nasceu vermelho, acertar um chute inominável, ainda que com desvio, no ângulo de Victor, decretando a igualdade final.

 

Iarley na ponta dps pés

Iarley equilibra-se na ponta dos pés para aparecer na foto

 

Já no Beira Rio, um ídolo encontrou seu crepúsculo e uma torcida, a redenção. Os 4 a 0 do Inter sobre o Goiás encarnam proporções muito maiores que a dança de colocações no topo da tabela. Os torcedores colorados livraram-se finalmente daquela bruma de interrogações que se arrastou desde a ida de Fernandão para o centro-oeste e as acusações mútuas entre ele e Fernando Carvalho, agravadas pelas oscilações do time de Tite no Brasileiro. Pelo menos até quarta-feira, e com razões claras e inequívocas, Fernando Carvalho estava certo.

 

É claro que num placar tão dilatado e nulo para o adversário pululam destaques na equipe vencedora. Mas um jogador, em especial, desfilou o fino da bola: Kléber. O lateral pouco lembrava aquela figura apática e triste de outrora, que chegou a ser contestada no Beira Rio e perdeu espaço no coração de Dunga. Ontem, Kléber cumpriu seus deveres de marcação com autoridade, mas assumiu de forma enfática a articulação do time, arriscando lançamentos e os acertando com maestria, arrematando pataços indolentes, distribuindo assistências e sendo premiado com uma bucha. Ainda houve a malícia da canhota de Marquinhos, a lucidez de Giuliano, o esforço de Edu, a liderança de Guiñazu. Enfim, vencendo o Galo na quarta, o Inter regressa seriamente à briga pelo título.

 

Confere aqui como está teu time na Tabela. E aqui os resultados da rodada.

 

Guilherme Lessa Bica

Read Full Post »

 

Souza usa de gesto obsceno para ludibriar adversário

Souza usa de gesto obsceno para ludibriar adversário

 

O Grêmio encarnou na última rodada aquele gordinho abnegado que palmilha compenetrado sua esteira nas academias da vida. Cumpre seu trajeto imóvel e quilométrico diário, dá de ombros para os esgares malvados de donos de corpos mais atraentes que zombam de seu esforço, e segue acreditando, mesmo que os espelhos lhe joguem a verdade crua na cara, que pode chegar lá. Pois ainda que tenha amolestando os mineiros do Altético com quatro gols, o time de Paulo Autuori praticamente não ascendeu na tabela, visto que Corinthians, Avaí e Barueri também pontuaram. Não há problemas: o palmilhar prossegue, e – mesmo que alguns incréus ousem duvidar – no inexorável encalço da Libertadores.

 

Já não há mais aquela euforia em goleadas tricolores no próprio galpão. Assim como não há muita lamúria nas derrotas longe de seu pago. A harmonia que une time e torcida no Olímpico é inversamente proporcional à sombria e solitária atmosfera que inibe resultados alvissareiros em outros estados. E foi novamente embalado por ela que o Grêmio patrolou os comandados de seu ex-chefe.

 

O enredo se repetiu. Tcheco e Souza senhores da meia-cancha. Réver fazendo de sua corpulência uma imposição física e não uma idiossincrasia mongól. Perea e Jonas donos da confiança inerente aos atacantes competentes. E Victor, bem, Victor foi Victor. O Atlético ficou submetido à marcação gremista, e apenas no segundo tempo conseguiu ensaiar algumas tabelas indolentes, sobretudo com Diego Tardelli e Renan Oliveira, mas Éder Luis já havia deixado o campo, e Rentería, seu substituto, mostrou que não perdeu o vigor na arte de maltratar a bola e acabou gradualmente com as esperanças ofensivas do Galo.

 

Danny constrangido com relação libidinosa de inimigos

Danny constrangido com relação libidinosa entre inimigos

 

Ainda no sábado, o Palmeiras estreou uniforme livrando-se da sequencia de três jogos sem vencer, repassando às mãos de Tite o mini tabu de vitórias, com um 2 a 1 fundamental a quem persegue o caneco. Há quem diga que a fatiota pigmentada com a cor azul influenciou no resultado, mas adianto que não revelo a fonte e que a mesma carece de comprovação científica.

 

Sobre o jogo, não se pode dizer que houve uma supremacia paulista. O Inter soube marcar os principais jogadores adversários, agrediu, inclusive, o time de Muricy em certos momentos, mas repetiu o futebol meia boca cujo resultado foi o revés caseiro diante do Corinthians. O mesmo futebol que aliado de alguma correria é suficiente para derrotar equipes menores, porém inútil contra iguais.

 

No meio da semana o Inter começa a sanar a dívida de dois jogos que pode alçá-lo ao panteão dos candidatos ao título, caso vença; e pode estagná-lo na zona intermediária e esquartejar a já alquebrada moral de Tite no Beira Rio, caso perca.

 

Além do supracitado isolamento do Palmeiras no primeiro lugar, única equipe na casa dos 40, restou também ao Avaí o protagonismo da rodada. Já são 11 partidas de invencibilidade, mas não aquela invencibilidade enganosa, abundante de empates. Não. Os 3 a 0 sobre o Flamengo somaram a oitava vitória no bolso de Silas e abriram as portas do Gê Quatro aos catarinenses.

 

Tabela de Classificação.

 

Resultados

Santo André 1 x 0 Coritiba

Palmeiras 2 x 1 Internacional

Sport 2 x 0 Vitória

Corinthians 3 x 3 Botafogo

Grêmio 4 x 1 Atlético-MG

Atlético-PR 1 x 0 São Paulo

Fluminense 0 x 0 Barueri

Cruzeiro 4 x 2 Náutico

Goiás 2 x 1 Santos

Avaí 3 x 0 Flamengo

 

Guilherme Lessa Bica

Read Full Post »

Older Posts »