Jornalista formado pela PUCRS (Famecos) em 2007. Vagou pela imprensa de Guaíba, escreveu um livro sobre o principal clube da cidade e ainda não desistiu de encontrar na literatura um sentido e um fim: ou seja, nada. Gremista desde 1985. Algumas lembranças ruins: João Marcelo e Lazaroni. E muitas lembranças boas: Felipão, Dener e Jardel.
PUBLICAÇÕES
Vôo Independente 6 é uma coletânea que reúne obras de escritores ligados à AGEI (Associação Gaúcha de Escritores Independentes). A antologia abriga textos em prosa e verso e foi lançada na Feira do Livro de Porto Alegre, em 2007.
Guilherme assina O passageiro: monólogo melancólico desfiado por homem experiente que lamenta a própria decadência e encontra na bebida e nas águas de um rio aliados para adiar o retorno à casa.
Sport Club Itapuí – A história do clube que nasceu com Guaíba Autor: Guilherme Lessa Bica
O livro conta os principais acontecimentos dos primeiros 80 anos do Sport Club Itapuí. Desde a fundação, na segunda década do século passado, passando pela afirmação como time de futebol amador, até a transformação em clube social e a consolidação como espaço maior de festas e bailes em Guaíba.
“Na Pedras Brancas de ruas de terra pisoteadas sobretudo por brutas patas de cavalos e rebanhos de gado e riscadas somente pelas rodas de carroças e bicicletas. Na Pedras Brancas vila, galgando postos para se tornar cidade. Na Pedras Brancas que se ressentia de uma equipe de futebol, que não encontrava mais guarida futebolística no saudoso Marechal Floriano. Nessa morada, nesse contexto, para preencher esse hiato, essa lacuna esportiva e acalentar a vontade do povoado, nascia em 23 de julho de 1926, o Sport Club Itapuí”
CONTOS NA MOJO BOOKS:
Trecho de Mulheres de Atenas – ‘Eu sei que é minha. Quando vejo as crianças acolhidas sob os teus braços protetores, ainda acredito que toda essa pobreza que cultivamos acabará. Quando espiono teu barbear, o rosto de pêlos aparados, a linha arbitrária que corta o pescoço, a determinação de teus olhos aguados, creio numa vida mais doce. Mas logo as panelas sujas e os cantos empoeirados me chamam pelo nome. E a tua silhueta próxima à porta do banheiro evapora. O silêncio é quebrado apenas pelo som arranhado dos vinis. A tua voz permanece enclausurada em minha mente. Num cantar abstrato, informe. E eu me resigno a isso tudo’.
Trecho de O velho e o moço – ‘Faz dez anos que estou aqui. Sou um homem velho. Não carece revelar a idade para não assustar leitores neófitos. Minha família deve achar até hoje que o que fiz foi fugir, como sempre, aliás. A perda de uma pessoa próxima gera esse tipo de reação por parte das outras pessoas próximas: delegam-se responsáveis por ti, te apontam um caminho seguro, correto, digno, te permitem fazer apenas o que está ao teu alcance, visto que a tragédia será pontual, diária e sistematicamente relembrada. A iniciativa de não fazer apenas o que foi programado por eles, fugir ao controle alheio, é vista como insubordinação. Eles passam a tentar derrubá-lo. Impõem obstáculos a tudo. Até te convencerem da tua inutilidade. Pronto. Essa é a hora de deixá-los. O homem é mesmo um animal curioso’.
e-book na MOJO:

A editora Mojo Books, selo editorial on line, também publicou um e-book de minha autoria inspirado na obra da banda pernambucana Nação Zumbi.
Fome de Tudo, conto homônimo do último álbum do grupo de Recife, conta a história de Jorge, jovem atracado em inércia estável que desperta para a fome de vida quando um poeta chamado Chico recita um verso misterioso.
A partir disso, ele é instigado a provar todos os sabores do mundo; mesmo sabendo que não terá o direito de permanecer entre os medíocres ao fim da jornada.
Para acessar o texto, clique aqui.
Trecho de Fome de Tudo:
“Cheiros fortes sempre me agradaram. A gasolina deixa a bomba e, devagar, encaminha-se para o carro, sábia do dever de explodir, abnegada serva do transporte, aroma que desperta desejo e repulsa. O cheiro de sexo no quarto enquanto os amantes adormecem exaustos excita até as paredes. O cheiro de bebida amarga embriaga num hausto.
Mas o ar que a cidade adquire às madrugadas é o que mais me atrai. O banho de cada dia foi tomado pelo cidadão, agora ele se recolhe ao conforto do lar. O odor que fica nas ruas é de tudo o que foi descartado, esquecido ou ignorado por ele. Esse cheiro autêntico, que não é velado por perfumes – sempre artificiais –, é disso que falo. Caso ele tivesse cor, seria escura; um som, denso; e uma pele, pegajosa: ou seja, incontestavelmente humano.”


