O volante é artífice fundamental no futebol. Na fatia azul de nosso Estado, a camisa 5 é reverenciada – há inclusive alguns fundamentalistas que outorgam seu dono a importância de uma camisa 10. O que, invariavelmente, faz borrar as ceroulas de comentaristas defensores do futebol feliz, alegre e abundante dos meias parnasianos, ou seja, o excesso de frescura que tanto condenamos. Sobre a fatia vermelha da terra de Bento Gonçalves, Getulio Vargas, Leonel Brizola e Luis Carlos Prestes, todos homens de fibra e volantes de contenção da vida real, basta dizer que tem como melhor atleta de sua história centenária um camisa 5.
Essa série que inicia hoje e que deve ocupar um quinhão semanal no TFC, portanto, arvora-se da vocação gaúcha de admirar o jogador que sabe jogar, claro (Os que não jogam nada, mas batem na proporção contrária ao seu talento, também serão laureados), mas que se furta das arestas pela objetividade, pela jogada funcional e que também não descarta um carrinho desleal vez que outra, umas pisadas furtivas e generosas no garrão adversário, para comemorar o sádico e necessário açougue recomendado a todo o camisa 5 – e 8 – gerenciar.
O volante é artífice fundamental no futebol. O TFC começa, agora, a quitar a dívida substancial de todo aquele torcedor que um dia já praguejou, sob domínio macabro do álcool e prostrado na distante arquibancada, os clássicos Quebra!, Mata!, Chuta esse filho da puta!, para com todo aquele que, carniceiramente, atendeu a esses apelos.
O Cangaceiro
Nome: Edi Wilson José do Santos. Já se compreende a necessidade do apelido. Qual atacante temeria ser marcado por um Edi Wilson?
Idade: 44 anos. Idade que aparenta desde sempre, devido à calvície precoce.
Cidade Natal: Neópolis, Sergipe.
Times: Confiança, Sport, São Paulo, Santos, Grêmio, América Mineiro, Novo Hamburgo.
Títulos mais importantes: Campeonato Brasileiro de 1996, Libertadores de 1992, 1993 e 1995, Recopas Sulamericanas de 1993 e 1996, Mundiais Interclubes de 1992 e 1993
Função: Sabia como chutar a gol, sabia passar como poucos, mas tinha natureza destrutiva, sobretudo. O que promoveu momentos da mais pura e temerosa violência, como quando fatiou a perna de Negretti, meia promissor do Bragantino, em 1996. O trauma do jovem mulato camisa 10 foi tanto que, mês e pouco depois, tinha contrato firmado com o Grêmio. Livrara-se, enfim, de cruzar com Dinho como adversário.
Estilo: Conservador. Aprendeu com Telê Santana a jogar futebol, mas foi na doutrina positivista de Luis Felipe Scolari que encontrou sua casa. Aquerenciou-se de tal maneira ao rigor moral que conheceu aqui, que assentou moradia em Porto Alegre, onde seva um mate bem pegado por dia para relembrar talvez aquele gol de falta no Grenal de 1996 ou a voadora inesquecível em Válber, nos místicos 5 a 0 sobre o Palmeiras, na Libertadores de 1995.
Influências: Todos os cabeças de área que já conciliaram a arte do passe bem dado com a arte da falta bem feita, além de inspirações em Jason e Lampião.
Relevância: conciliou a preocupação em acertar passes, lançamentos e arremates de longa distância com a perícia do bem bater, de desmanchar a cascudos alguns enganadores da época, tais como Djalminha, Juninho Paulista e outros jogadores reverenciados pela imprensa feliz. Depois de Dinho, ao volante que almeja a unanimidade no Rio Grande do Sul, não basta a soberania técnica, mas exige-se, sobretudo, a soberania bélica.
Guilherme Lessa Bica



Como Domingo é Dias das Mães, lembrei-me de uma frase que resume o bélico “Edi Wilson”: Dava até na Mãe.
Bacana o texto,
Abraço.
auhauhahuhauhahuahuahuau
Pior. Resumiu o texto todo em quatro palavras. Me derrubou. /o\
Abraço.
Guilherme.
[...] Confira o primeiro perfil da série aqui. [...]