
Exagerou no chiclé de tuti-fruti
Dezenas de milhares de pessoas fizeram pactos tácitos de não espirrarem nem soltarem perdigotos nocivos à saúde alheia, tampouco dividirem copos de refrigerante; e encaminharam-se todos ao estádio Ciudad del Plata para acompanhar o entrevero entre Estudiantes e Cruzeiro. Para a sorte daqueles que não estavam infectados pelo resfriado regado a Tody que anda assombrando as autoridades competentes, o placar permaneceu imóvel até o final do jogo e impediu aqueles abraços calientes do pós-gol e outras manifestações de afeto que o grande momento do futebol gera nos torcedores. Muito disso por responsabilidade de Fábio, arqueiro de Minas, e outro tanto pela inoperância do ataque portenho.
O Estudiantes é aquele mesmo time traiçoeiro que quase usurpou das mãos coloradas a Sulamericana do ano passado. A defesa ganhou em lentidão e violência com a entrada de Schiavi, mas segue com a segurança do agora selecionável Andujar e do coleguinha de delegacida de Grafite, De Sábato. A meia cancha toda respira, caminha, arrota, come, dorme e copula sempre sob ordens de Sebastian Verón. Há uma carimbada arbitrária de La Brujita no caminho que a bola faz da defesa para o ataque. E o ataque segue o mesmo, baixo e árido em convicção, com Boseli como centroavante.
Pois ontem o Estudiantes fez uma apresentação que explica cada uma das características dos três setores da equipe: defesa sólida e açougueira; meia refém de Verón, assessorado com qualidade menos por Benítez e mais por Perez; e atacantes incapazes de tomar resoluções rápidas.
O jeito foi especular o gol de Fábio com bolas paradas e longos lançamentos diagonais de Verón. Logo nos primeiros minutos ele conciliou força e mira na mesma cobrança de falta espalmada pelo goleiro do Cruzeiro a escanteio. Ainda no período inicial o indolente meia Perez recebeu passe enviesado de seu capitão, tabelou com Gata Fernandez e obrigou Fábio a nova intervenção complicada. Ele ainda encerraria o rol dos bons momentos da primeira etapa num voo em câmera lenta para defender um chute parnasiano de Verón, de plástica admirável mas de clara falta de força e serventia.
O segundo tempo iniciou até com certo ímpeto do Estudiantes, novas investidas contra a honra de Fábio, mas sempre aplacadas com seriedade pelo guarda-redes de BH. Schiavi testou com força, mas numa altura que facilitou o tapa do goleiro, em escanteio venenoso. Boseli recebeu passe e foi novamente impedido por boa defesa do cruzeirense. Pois chega uma hora, como o ataque gremista já mostrou com competência em 2009, que as pessoas cansam, deixam de acreditar na boa fé da bola em cruzar a linha adversária. E foi o que aconteceu a patir daí com os argentinos.
Então os mineiros começaram a dar aqueles escapadinhas de guri travesso que conhece os atalhos pra fugir da surra . Jonathan, Gérson Magrão, Ramires e Kléber ensaboavam-se e escapuliam da marcação de meia idade de Schiavi e De Sábato, e achavam certa liberdade pelas pontas. Tanto que espremeram três chances de gol: o cabeceio cambaleante de Leonardo Silva depois de cruzamento de Jonathan; uma crise de estrabismo em Kléber, o que levou-o a olhar para a goleira e chutar para longe quando Andujar jazia inofensivo e medroso na pequena área; e uma última tentativa de Wellington Paulista, aparando, com força e sem direção, diligente passe de cabeça de Kléber.
Tudo terminou por adiar-se para a próxima semana, no estádio Mineirão. O Cruzeiro volta ao Brasil trazendo imaculada sua meta, o que lhe decalca na poupança um adesivo diminuto, mas importante de favorito. O Estudiantes chegará na terra de Tira Dentes com a ambição de arrancar um canino ou outro e afrouxar os molares que começam a aparecer nas bocas cruzeirenses depois do alvissareiro resultado de ontem.
Guilherme



o schiavi eh uma piada…. ahhauhauauhau
mto bom…
Foi um jogo de muita pegada (ui), chances nem tão claras exceto aquela do Kleber que deu de garrão na bola e mandou prafora mesmo estando cara a cara com o gol…
…que lance estranho aquele do cano estourado atrás do gol, vou te contar esses gramados e estádios da Argentina tão sofríveis, aquele da final do Campeonato local então era horrível o que compensa aos Clubes seja a paixão dos torcedores, o show de abertura no jogo de ontem feito pela torcida do Estudiantes lembrou um espetáculo que não terminou muito bem para um clube de cores parecidas locais tanto que achei que a vaca do estudiantes iria pro brejo no decorrer da partida…
..no jogo de volta acho que dá Cruzeiro pelas dimensões do Mineirão e com o Estudiantes com a zaga composta por os reis das trombadas Schiavi e Desábato certamente tudo é possivel, inclusive um penalti amigo.