A Revista experimental do Curso de Jornalismo da Unisinos, produzida pelas turmas de Redação Experimental em Revista – no qual me incluo – traz nesta edição “Preocupações” como tema principal.
O lançamento, realizado na noite de segunda-feira, 23, teve apresentação ao piano do meu colega Rafael Tourinho Raymundo; apesar de quase ninguém prestar atenção, ele deu show. Mais detalhes no Portal 3 e no Link Publicações.
Dando prosseguimento nas postagens, o texto Eterno, enviado para o site Centenário do Inter. Quem tiver tempo e gostar do texto, dê seu voto no site. É rápido e fácil.
Eterno
Existe uma máxima que argumenta a seguinte tese: o ser humano, ao saber que sua morte está prestes a chegar, vê um filme dos momentos mais importantes de sua vida. Comigo foi diferente. Explico: em meados de abril de 2001, voltava de Farroupilha acompanhado de minha família, e resolvemos dar uma pausa para um lanche, numa padaria beira de estrada, em São Leopoldo. Logo após entrar, percebo uma movimentação estranha e, antes de esboçar qualquer reação, sinto um revólver nas minhas costas.
- Fica parado que tu vai morrer, seu filha-da-puta de merda, me dá a grana e a chave do carro que vou te matá.
Naquele momento tinha a certeza que não sabia o verdadeiro sentido da palavra medo. Olhava para o lado e via meus familiares apavorados com olhos marejados, tremendo. Esperando a bala perfurar a paleta, vejo o filme começar a passar: via o Inter sendo campeão de verdade, comemorando com a massa vermelha e pensava, ah, pensava… Aqueles instantes foram mais revoltantes, pois sabia que não tinha vivido aquilo. Seu ladrão de merda, tu não tá vendo que eu não posso morrer ainda?, pensei em dizer, apenas pensei, e continuei vendo o Inter erguer uma taça de verdade – jamais imaginaria que seria do Mundial FIFA – até que, após roubar nossos pertences, ordenaram que contássemos até 50 em voz alta, de olhos fechados. No 17, começava a entender que não iria morrer. E ficava feliz com isso.
Passaram-se os anos e o amor incondicional pelo nosso Colorado crescendo cada vez mais. Voltei a lembrar desse episódio na partida final em Yokohama, quando o Ronaldinho se preparou para cobrar aquela maldita falta: o medo voltou. Mas tinha a certeza que não morreria sem ver o Inter Campeão. Depois daquele lance, recordo pouca coisa. Nada mais seguraria o nosso Inter.
Hoje, mais calmo, analiso os fatos por outra vertente. Naquele assalto, ocorreu uma coisa óbvia: assim como em todos os momentos importantes da minha vida, o Inter estava ao meu lado. Foi assim com meu primeiro time de botão, meu primeiro gol com aquelas bolas-bexiga do Inter, o primeiro gol na escola e meu primeiro jogo no Beira-rio. Foi o hino colorado que cantei, quando tive medo ao descer no Elevador do Beto Carreiro World; cantei quando meu avô gremista morreu e, novamente, quando perdi um emprego. Até quando fui assaltado de novo e o ladrão me deixou uma passagem de volta pra casa. Dê-lhe, Celeiro de Ases. Foi enaltecendo o Inter que comecei a soltar piadas-cantadas para minha noiva; e são as músicas da Popular que canto quando escrevo os textos motivadores do Consulado de Guaíba; ou quando saio atrasado pro trabalho; ou a passeio; ou andando de carro; ou quase sempre – pelo menos uma vez por dia.
Para selar esse amor insaciável, com a proximidade do Centenário, em abril desse ano tatuei o símbolo do Colorado nas costas, que me acompanhará até o dia de minha morte. Quero dizer, assim como todos os colorados, o meu Amor pelo Inter irá muito mais além dessa vida. É Eterno.
Fabio



Vou votar já!! =)
Amor pelo Inter??? Hummm, a morte é um tanto singular e espontânea, talvez gere o mesmo nas pessoas. O amor pelo Inter por exemplo é um tanto singular e espontâneo, como a morte, que nada finda, apenas anuncia algo diferente, novo. Continua para alguns, finda para outros. Enfim, seguem os dias e ponto final e muitos jogos do Inter haverão de acontecer antes ou depois. Gostei da peculiaridade do texto.
Legal o texto!
Muito interessante a revista da UNISINOS!
Abraço.
Antes de ler… esse tamanho de letra é pra cego? rsrsrs
Vai lá e cola no editor do word, pliiiis
Olha, eu fique emocionada.
Realmente só quem é colorado entende esse amor incondicional.
Pra sempre Inter!